terça-feira, 1 de setembro de 2015

Em Quadro

Assisti ao documentário Em Quadro (2009) de Luiz Antonio Pilar no Arte 1. Estava começando esse documentário, adoro os atores, e assisti. É muito bom! Em Quadro entrevista quatro importantes atores negros que adoro: Zezé Motta, Milton Gonçalves, Léa Garcia e Ruth de Souza. Muito interessante como cada um lidou e atuou nas produções, Alguns mais engajados, outros nem tanto, uma grande e fascinante diversidade.

Gostei que cada um foi entrevistado individualmente. Zezé Motta contou que onde estudava e morava a maioria era branca, então ela queria o cabelo liso. Quando foi aos Estados Unidos com peruca chanel ficaram horrorizados e foi aí que ela passou a usar o cabelo como é o dela mesmo. Na época se usava muito cabelo black power e foi assim que ela usou nesse período.

Quase todos falam do quanto gostaram de fazer o filme Filhas do Vento que gostei muito e comentei aqui. Contam que é um filme sobre uma família, suas dificuldades onde todos são negros. Mas não é um filme sobre racismo. E sim sobre uma família qualquer, que poderia ser de qualquer país.

Alguns dão depoimentos. Gosto demais do pesquisador Joel Zito Araújo que conseguiu resumir algo que tenho tentado dizer para amigas sem sucesso. Ele disse que o negro é escolhido para a dramaturgia para falar de negritude, e que o branco para humanidade. Eu penso assim. O negro é escalado para falar de racismo, preconceito. Só na TV Record acabei vendo novelas onde os atores eram escolhidos pelos personagens independentes de serem negros e brancos. Independente de serem ricos ou pobres. Ando bem cansada na TV Globo com a segmentação que criam. Se vai ter comunidade na novela, serão na maioria negros. Os brancos no asfalto. E só falam de negritude, racismo. E não personagens humanos sobre questões ampliadas. Não vejo a hora desse círculo vicioso se quebrar.

Milton Gonçalves falou bastante de cinema. Falou de Grande Otelo, do filme Macunaíma. Falaram muito também do filme com ele, Rainha Diaba de 1974 que não vi. O diretor Antônio Carlos Fontoura contou como foi. Milton Gonçalves foi apresentado ao roteiro. Vendo o quanto era forte, consultou o filho se ele aceitaria, e o filho aceitou e ele fez. Milton Gonçalves disse que gosta de interpretar bandidos.


Ruth de Souza atuou muito em filmes da Vera Cruz e comentou sobre Sinhá Moça que comentei aqui. Os cineastas Roberto Farias e Cacá Diegues também dão depoimentos. Cacá Diegues fala inclusive do belíssimo filme O Maior Amor do Mundo com a Léa Garcia e claro, Zezé Mota e Diegues falam muito do filme Xica da Silva de 1976 que também quero ver eu só vi a novela da TV Manchete. Não sei se concordo com o samba da abertura. Acho que reforça esteriótipos. Eu vi outro documentário sobre os negros nas artes, A Negação do Brasil, que igualmente gostei muito e comentei aqui


Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Fando e Lis

Assisti a peça Fando e Lis da Faz Centro de Criação no Espaço Parlapatões. A excelente direção é de Erika Barbosa. O roteiro é livremente inspirado no texto do espanhol Fernando Arrabal que era mestre no surrealismo, gênero que adoro. Amei o espetáculo. Fando e Lis é um casal que segue para TAR. Tanto o casal como um outro trio nunca conseguem chegar, parece que sempre voltam ao mesmo ponto.

Incrível como o texto parece atual. Fando parece frágil e inseguro, mas aos poucos vemos o quanto ele é violento com Lis que reclama e Fando pede perdão, mas logo depois vai agredir novamente. A violência é uma rotina no comportamento de Fando. No outro trio dois filosofam, enquanto Toso parece ser o único com pensamento realista. Gostei da peça não definir os gêneros, Fando é interpretado por Gisa Guttervil, Lis por Lorena Garrido, as duas estão excelentes.

Gostei muito também dos três atores que fazem Mitaro, Namur e Toso: Luciano Sevla, Billy Eustáquio e Marília Adamy. Amei os figurinos de Milton Fucci e a visagismo de Ana Ariosa, que ficou muito andrógeno. Fando e Lis fica em cartaz no Espaço Parlapatões até 2 de outubro.

Essas lindas fotos são de Demian Golovaty
Beijos,
Pedrita

domingo, 30 de agosto de 2015

Trash

Assisti Trash (2014) de Stephen Draldy no Telecine Premium. Estreou na semana passada na tv a cabo e por sorte eu coloquei pra gravar já que tinha um evento. Esse filme não entrou no TelecinePlay. Eu queria muito ver esse filme quando esteve em cartaz nos cinemas. Vi algumas matérias e queria muito ver. É absolutamente incrível por vários aspectos! Primeiro, é um filme de suspense muito bem realizado, ficamos agoniados o tempo todo. Segundo, por ser um grande filme social, sem ser panfletário. Me assustou o realismo do filme. E terceiro porque os meninos não-atores arrasam. Trash é baseado no livro de Andy Mulligan.

O filme é desses meninos. O roteiro é muito inteligente. Wagner Moura aparece muito pouco. Antes de ser pego ele joga uma carteira em um caminhão de lixo. Um desses meninos acha no lixão, pega o dinheiro, divide com o amigo e guarda a carteira. Vai olhar depois com calma e descobre que a polícia está atrás da carteira. Selton Mello faz um policial que oferece pagar mil reais pela carteira. Os meninos vivem no lixão e não consideram a polícia parceira e desconfiam. Se um policial quer tanto por uma carteira, algo deve ter. Se juntam aos dois amigos um outro que mora no esgoto. E que meninos inteligentes. Eles vão desconfiando e investigando, vão ao computador, e vão descobrindo os mistérios e cada vez mais se colocando em perigo. Os meninos arrasam: Rickson Tevez, Eduardo Luis e Gabriel Weinstein. Os três meninos não eram atores. Eles foram achados em lugares diferentes, em escola de samba e na Rocinha. Trash mostra o triste destino de crianças sozinhas que ficam completamente desprotegidas por não terem quem lute por eles. Tantos filmes que mostram como os órfãos viviam no passado, Trash mostra que pouco mudou a vida de quem não tem reclame por eles.
Lindos os princípios desses meninos, a solidariedade. Dão um banho de cidadania. No lixão um padre e uma ativista os ajudam e são interpretados por Martin Sheen e Rooney Mara. O político por Stepan Nercessian. Muitos atores fazem participações: Teca Pereira, Nelson Xavier, José Dumont, Leandro Firmino da Hora, André Ramiro, Charles Paraventi, Júlio Andrade, Enrique Dias, Jesuíta Barbosa, Adriano Garib e Gisele Fróes.
Beijos,
Pedrita

sábado, 29 de agosto de 2015

Recital do Centro de Música Brasileira

Fui ao recital do Centro de Música Brasileira no Centro Brasileiro Britânico. Inicialmente tocou a flautista Celina Charlier com o pianista Paulo Gori. Eu adoro flauta, está entre os meus instrumentos preferidos e essa flautista é incrível. Adoro esse pianista também. Foi uma apresentação simplesmente maravilhosa. Esses dois músicos tocam muito fora do Brasil. Não é fácil conseguir ouví-los por aqui. Celina Charlier disse que vive há muitos anos nos Emirados Árabes. E que repertório maravilhoso! Belíssimas obras de Osvaldo Lacerda, Gilberto Mendes, Ronaldo Miranda, Villani-Côrtes e Ernesto Nazareth. Adoro esses compositores. Ronaldo Miranda estava na plateia. Gostei muito de conhecer a obra de Pattápio Silva e do Ricardo Tacuchian. Celina Charlier contou que o duo inicialmente quis fazer obras solo e depois obras que mostrassem as muitas possibilidades técnicas da flauta e do piano. Tanto que a única obra ela tocou com flautim.

Osvaldo Lacerda                                                     Brasiliana nº 1* (1965):
(São Paulo, 1927-2011)                                                    (para piano solo)
                                               - Dobrado
                                               - Modinha
                                               - Mazurca
                                               - Marcha de Rancho

Osvaldo Lacerda                                                     Ostinato para flauta solo** (1995)   

Gilberto Mendes                                                      Sinuosamente, Veredas*** (1995)
(Santos, 1922)                                                           para flauta solo)

Pattápio Silva                                                           Primeiro Amor
(Itaocara,1880- Rio de Janeiro, 1907)                       (para flauta e piano)

Ronaldo Miranda                                                    Alumbramentos (2009)
(Rio de Janeiro, 1948)                                               (transcrita pelo compositor para flauta e piano
                                                                                  para Celina Charlier) 

Ricardo Tacuchian                                                 Litogravura (2007)
(Rio de Janeiro, 1939)                                               (para flauta e piano)

Edmundo Villani-Côrtes                                         Fantasia Sakura**** (2003)
(Juiz de Fora, 1930)                                                         (para flauta e piano)

Ernesto Nazareth                                                    Apanhei-te, Cavaquinho!
(Rio de Janeiro 1863-1934)                                      (arranjo para flautim e piano por Osvaldo Lacerda) 

* Obra estreada por Paulo Gori em Santos em 1966.
** Obra composta para e estreada por Celina Charlier em São Paulo em 1995. 
*** Obra composta para e estreada por Celina Charlier em São Paulo em 1995.
**** Obra composta para e estreada por Celina Charlier em Nova York em 2003.

Depois se apresentaram a cantora Patricia Endo e o pianista Dante Pignatari. Eles interpretaram Osvaldo Lacerda e Alberto Nepomuceno. Que repertório lindo! Dante Pignatari contou que tem contato há anos com Nepomuceno, já que foi sua tese de mestrado. 

Osvaldo Lacerda ( 1927-2011 ) :
Murmúrio ( texto de Cecilia Meireles ) – de 1965

Alberto Nepomuceno ( 1864-1920 ) :
Olha-me                                                         (texto de Olavo Bilac)
Coração triste, Op. 18 nº 1                (texto de Machado de Assis)
Trovas, Op. 29 :                                                        
- nº 1: Com expressão                                   (texto de Osório Duque Estrada)
- nº 2: Scherzando                                         (texto de Carlos Magalhães Azeredo)
Candura                                                         (texto de Rabindranath Tagore)
Xácara, Op. 20 nº 1                           (texto de Orlando Teixeira )
Despedida, Op. 31 nº 1                                 (texto de C. M. Azeredo)
Canção da ausência                           (texto de Hermes Fontes)
Turquesa, Op. 26 nº 1                        (texto de Luis Guimarães Filho)
Soneto                                                (texto de Coelho Netto)
Cantigas                                           (texto de Branca de Gonta Colaço)
Canto nupcial                                     (do Livro de Ruth, I/16-17)
Medroso de amor, Op. 17 nº 1            (texto de Juvenal Galeno)
Numa concha                                     (texto de Olavo Bilac)

O recital foi gratuito e o teatro estava lotadíssimo. Foi uma apresentação memorável.
O vídeo com a Celina Charlier é com outro pianista.


Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Os Boxtrolls

Assisti Os Boxtrolls (2014) de Graham Annable e Anthony Stacchi no Telecine Premium. Na verdade gravei e vi depois. É do mesmo grupo que realizou Coraline que amei e esse não é diferente. Mas é muito angustiante e sombrio. Logo no início um bebê é levado por um boneco em uma caixa. Um homem horrível procura o nobre da cidade para avisar e pedir para destruir todos os boxtrolls para ganhar um chapéu branco da nobreza. O nobre aceita.

Passamos a conhecer então os fofos dos Boxtrolls e o menino que passa a viver com eles. Os boxtrolls são fofos demais e o menino cresce. É uma bela animação, mas muito triste. A trama se resolve e tudo fica bem, mas é angustiante até lá. Tecnicamente é muito bem realizada. Há uma brincadeira com dois personagens na hora do letreiro que é muito legal.

Beijos,
Pedrita