domingo, 29 de março de 2015

A Filha do Louco

Terminei de ler A Filha do Louco (2013) de Megan Shepherd da Editora Novo Conceito. Eu dei esse livro de presente a uma amiga, ela gosta desse tipo de livro mais acessível. Eu gosto muito desse gênero em filme, foi uma experiência interessante na leitura. A Filha do Louco é quase um livro de terror, é inspirado na Ilha do Dr. Moreau de H. G. Wells.

Obra A Apologia (2007) de Mark Ryden

A autora é muito criativa, os elementos básicos estão lá, o triângulo amoroso, suspense. Não chega ser um texto bem elaborado, mas ela cria bem a trama. Começa com uma moça em Londres, ela tem problemas para sobreviver já que é órfã de pai e mãe e o pai teve sérias acusações com experiências científicas fora da ética, então ela é marginalizada. Quando tudo piora ela descobre que o pai está vivo em uma ilha e segue para lá.

Obra A Voz (1963) de George Tokker

Seu pai mistura humanos com animais e a ilha é repleta de aberrações. Eu adivinhei quase todos os mistérios, mas de qualquer forma a curiosidade me movia e é um bom suspense. Foi um livro estranho em uma hora estranha. Ir diariamente para aquela ilha, fugir de tudo por alguns momentos foi muito bom. Ler algo tão fora da realidade foi muito bom nesse momento. A Filha do Louco daria um filme interessante mas é de difícil realização. O cenário me lembrava as soluções do atual King Kong. Possivelmente seria um filme bem caro para criar com credibilidade os homens misturados com os animais.


Beijos,
Pedrita

terça-feira, 24 de março de 2015

A Gaiola Dourada

Assisti A Gaiola Dourada (2013) de Ruben Alves no Max. Procurava um filme pra ver e descobri esse. Adorei. Além de ser comédia gostei muito da temática. Um casal é impecável em praticamente tudo o que faz. Eles são zeladores de um condomínio, ele é mestre de obras. Eles cuidam da família, das pessoas a sua volta, mas todos já estão tão acostumados com a dedicação, que nem percebem o quanto os exploram.

Eles são impecáveis e daquelas pessoas imprescindíveis, só que ninguém percebe a importância. Eles pedem muito pouco, mas as pessoas sempre dão um jeito de negar o pouco que pedem. Até que descobrem que eles ganharam uma herança e pensam em se mudar. Fingem que não sabem e começam a dar o pouco que pediram e muito mais. A reforma do apartamento, um terno novo, um aumento, uma pessoa pra dividir as tarefas. Eles acham que estão sendo reconhecidos e nem percebem que no fundo estão sendo subornados para não irem embora. O casal é interpretado por Rita Blanco e Joaquim de Almeida.

Adorei ver no elenco a Maria Vieira, atriz portuguesa que participou de duas novelas brasileiras: Negócio da China e Aquele Beijo. Ela é muito divertida. Ainda no elenco: Barbara Cabrita, Roland Giraud, Chantal Lauby, Lannick Gautry e Jean-Pierre Martins.

Beijos,
Pedrita

domingo, 22 de março de 2015

A Máquina de Fazer Espanhóis

Terminei de ler A Máquina de Fazer Espanhóis (2010) de Valter Hugo Mãe da Cosac Naify. Eu pensava em ler algum livro desse autor, em uma promoção incrível da editora, comprei. Gostei muito. Não sei se era a hora certa para ler esse livro, quase desisti no início. Em uma nota no final do livro, o autor conta que perdeu o pai muito cedo, então ele escreve um livro de um homem mais velho, na idade que seu pai nunca chegou.
Gostei muito dessa capa, é Pássaros Feridos de Lourenço Mutarelli.

Obra Cidade (1971) de Moita Macedo.

Nosso protagonista perde a esposa depois de um longo casamento. É largado com uma malinha pequena em uma casa para idosos. Deixaram um álbum de retratos, mas achando que isso o deprimia, levam embora. Ele fica então com poucas roupinhas. Os filhos mal o visitam. Só uma chora muito, mas não muda a situação do pai. Sempre penso o que faz as pessoas depositarem seus parentes em asilos. Volte e meia alguém defende que não havia outro jeito, mas sempre me pergunto se essa pessoa que defende os motivos iria imediatamente para um lugar desses, sozinha, só levando umas roupinhas e que achasse bom. Para justificar o ato talvez dissesse que não se importaria, fico pensando se na prática ia continuar pensando assim.

Obra de Mena Brito

A narrativa é muito inteligente, o texto muito ácido. Preciso ler outra obra do autor para ter uma opinião melhor.

Meu amigo blogueiro Geocrusoe escreveu um post sobre esse livro.

Tanto os pintores, bem como o compositor, são portugueses.


Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 18 de março de 2015

Alemão

Assisti Alemão (2014) de José Eduardo Belmonte no Telecine Pipoca. Eu não pensava em ver esse filme e pensava menos ainda depois de duas zapeadas onde vi cenas muito pesadas. Sim, Alemão é um filme pesado, mas por um azar inexplicável, as duas zapeadas pegaram a única cena demasiadamente pesada. O filme todo é pesado, mas não naquele grau que vi. Dá pra assistir e é muito bem realizado, filmado, dirigido, ótimo elenco, é um bom filme.

Alemão tem como base a invasão da polícia federal no Morro do Alemão para expulsar os traficantes de lá e iniciar a pacificação. Após esse fato histórico, resolveram fazer um filme que terminaria nesse fato. Acontece então uma semana antes, com a descoberta de policiais infiltrados. Eles se escondem em uma pizzaria no morro. O chefe dos traficantes é interpretado por Cauã Reymond

Os policiais por Gabriel Braga Nunes, Caio Blat, Marcello Melo Jr. Milhem Cortaz e Otávio Müller. As mulheres são interpretadas por Mariana Nunes e Aisha Jambo. Do lado de fora, na delegacia de polícia, o chefe da operação é interpretado por Antonio Fagundes. Alemão mostra uma polícia despreparada, que comete uma série de equívocos e se coloca em risco. Enquanto os traficantes estão muito melhor organizados e preparados. Alemão foi pensado para o cinema e não foi adaptado para a televisão. Os textos iniciais ficam quase ilegíveis e muito rápidos.

Hugo também falou desse filme no blog dele.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 17 de março de 2015

Quase um Século - Imagens da Memória

Terminei de ler Quase um Século - Imagens da Memória (2015) de Rodolfo Nanni da Akron. Eu conhecia um pouco desse cineasta, mas a sensação é que descobri que conhecia pouco demais. É fantástico. Rodolfo Nanni é primo de Victor Brecheret. Teve paixão inicial pela pintura, quando estudou com Anita Malfatti e fez um retrato dela. As artes plásticas o levaram a Europa, mas foi o cinema que acabou prevalecendo.

Rodolfo Nanni acabou despertando o desejo de fazer documentários para falar através do cinema do que o afligia, o que via. Fez em 1959 o documentário O Drama das Secas, muito triste na biografia ele contar como o material bruto se perdeu. 50 anos depois ele resolveu percorrer o mesmo caminho para ver como a região estava e fez o documentário O Retorno que falei aqui.

Rodolfo Nanni foi o diretor do primeiro filme infantil brasileiro, O Saci, que comentei aqui. Rodolfo Nanni foi muito próximo de outro grande diretor de cinema brasileiro, Walter Hugo Khouri, entre os meus diretores preferidos. A casa que viveu Rodolfo Nanni na rua Oscar Freire serviu de locação para o filme As Amorosas de Walter Hugo Khouri, eu não vi esse filme e quero muito ver. Foi nesse filme que Rodolfo Nanni conheceu Lilian Lemmertz e a convidou para estrelar  Cordélia, Cordélia (1971) com participação da Júlia Lemmertz, quero muito ver esse filme e os outros documentários que realizou. 

Obra Casario Parisiense (1949) de Rodolfo Nanni

O livro fala das viagens, da dificuldade de fazer cinema no Brasil. Rodolfo Nanni também conta de sua vida pessoal, de seu filho Pedro Nanni que seguiu para o cinema. Da sua segunda esposa, Anna Maria Kieffer com quem realiza projetos multidisciplinares. Alguns desses projetos comentei aqui. É fascinante ler tantos fatos incríveis, saber de tantas pessoas incríveis que Nanni conheceu, tanto contato com cultura, com pessoas que fazem cultura.

Beijos,
Pedrita