Assisti a 1ª Temporada da série Se é Terça-Feira, é Assassinato (2026) de Carlos Vila na Disney+. Que delícia de série! Eu soube dessa maravilha pelo Miguel Barbieri, ele disse que tinha uma pegada Agatha Christie que amo, corri pra ver. E é isso mesmo! Estou querendo adotar esse slogan: Se é Terça-Feira, é Assassinato.
Um grupo de turistas em excursão vão conhecer Lisboa. Tudo está diferente do combinado. O ônibus não seria aquele.
E o hotel? O que iam ficar está lotado, eles precisam seguir para um antigo, muito pitoresco, que delícia de cenário.
Um homem aparece morto em uma banheira, a polícia diz que foi infarto, um grupo duvida e começa a investigar. O quarteto é muito diverso entre si. Uma senhora casada que viaja sozinha com a maravilhosa Ana Wagener. Um gênio adolescente de Biel Montoro que viaja com os pais e tem uma mãe super protetora. E dois suspeitos Inma Cuesta e o galã Alejandro García. Em meio a investigação vamos conhecendo um pouco mais desse grupo.
Em meio aos passeios turísticos eles vão tentando descobrir o assassinato. Uma delícia ver Lisboa e seus museus. A fotografia é belíssima. A série é deliciosa e já deixou aberta que terá uma segunda temporada, espero que sim, porque adorei.
Assisti A Desconhecida (2026) de Gabe Obáñez na Netflix. É novidade do streaming e baseado no livro de Rosa Montero que quero ler. É uma boa história policial. Fiquei triste demais ao final, fui pega completamente de surpresa.
Uma jovem é encontrada em um contêiner. Foi torturada e não lembra de nada. Uma policial quer voltar ao trabalho. O chefe tenta demovê-la, afinal ela está em tratamento psiquiátrico e seu trauma é recente. Não sabemos o que aconteceu. Ana Rujas e Candela Peña estão excelentes. Elas criam uma bela relação de confiança. A desconhecida está muito assustada, não sabe quem é, nem em quem confiar, mas aos poucos vai se ligando a policial.
Outros policiais e personagens aparecem. Vem um policial que investigava o tráfico de Pol López. As relações são muito tensas. O policial que sempre quer afastar a policial é Manolo Solo.
Assisti Anátema (2024) de Jimina Sabadú na HBOMax. Porque sábado é dia de fantasminhas. O começo estava muito tosco, até estranhei, faz tempo que esses filmes ficaram sofisticados e bem acabados. A época da tosquice já passou, mas eu adoro filmes de terror toscos. Anátema fica muito bom, bem realizado, bom roteiro, ótimas locações, gostei bastante.
Acontecem assombrações em uma igreja. Depois uma freira é incumbida de ir a essa igreja tentar desvendar o que aconteceu. Ela é arquiteta, exímia restauradora e segue com sua assistente ao local. Embaixo da igreja algo muito ruim acontece. Leonor Watling está muito bem. Eu não gosto muito de filmes de terror com religião, mas esse é bem anti religião, tanto que a freira abandona o ofício ao final. Um padre também, tão desiludidos que ficam. Uma das locações é o Mosteiro de Santa Maria El Paular e a Caverna de Pozalagua na Espanha.
Assisti A Virgem Vermelha (2024) de Paula Ortiz na PrimeVídeo. Desconhecia por completo essa história e parece que os roteiristas do filme Eduard Sola e Clara Roquet também.
O filme conta a história de Hildegart Rodriguez Caballeira e sua mãe Aurora. Vi que tem vários filmes sobre elas, vou tentar ver algum mais fidedigno.
Aurora tinha um projeto, criar um filho prodígio. Ela tem uma filha independente e desde pequena a exaure com aulas, treinos. Tinha exercício físico, tinha dança, mas no geral a menina estudava incansavelmente. No filme não mostram que Hildegart cursou Direito e depois ingressou em Filosofia, Medicina e Letras. Há dúvidas se ela ingressou na Faculdade de Direito aos 13 ou aos 14. Essa informação suprimida do filme muda muito o contexto. Porque em um segmento acadêmico, ela teria contato com outras vertentes de pensamento além da direcionada pela mãe. Como mãe e filha eram muito próximas, algumas ideias dos textos da filha acreditavam ser da mãe. Aos 15 ela já começa a publicar artigos em jornais sobre política e sexo. São bem diferentes das retratadas. Najwa Nimri faz a mãe e Alba Planas a filha.
Até entendo que a mãe quisesse que a filha fosse criada de uma forma diferente das mulheres da época, politizada, feminista, a favor dos votos, mulheres ainda não votavam. A mãe tinha posses, viviam bem e depois somavam a renda aos inúmeros artigos e livros que a filha escrevia.
O filme não mostra que Hildegart fundou em 1932, a Liga Espanhola para a Reforma Sexual com Bases Científicas, em conjunto com o famoso médico e cientista Gregorio Marañón. O filme continua mostrando ela isolada e reclusa.
O filme cria um par romântico para Hildegart, um operário do partido. A mãe acaba matando a filha aos 18 anos. A história não sabe qual motivo. Hildegart tinha muitos pretendentes: um cientista norueguês, um escultor que fazia um busto de Hildegart e um escritor e político de Barcelona. Como Hildegart não vivia isolada como no filme, cursava universidade, participava de instituições, podia desejar se libertar da opressão da mãe, independente de ser por alguma paixão. Forçado o filme criar um operário como o apaixonado e o único homem que teria contato. Sem mostrar ela na universidade, a história fica completamente diferente e equivocada. No filme mostram que Hildegart tinha sido convidada peloescritor H. G. Wells e o sexólogo Havelock Ellis para passar uma temporada na Inglaterra e a mãe era contra. E que teria sido esse o principal motivo de Aurora matar a filha. Acho essa teoria bem mais convincente.
Assisti A Viúva Negra (2025) de Carlos Sedes na Netflix. Quando esse filme chegou no streaming causou um furor, ficou bastante tempo entre os mais vistos. No Brasil está como o Jogo da Viúva.
O filme é baseado em um caso real onde a descobre-se que a viúva que mandou matar o marido. Achei um pouco sensacionalista o alarde sobre esse fato bastante corriqueiro. E machista o choque da sociedade, já que o contrário é comum demais infelizmente. Em todas as chamadas falam do surpreendente resultado, ser a mulher que mandou matar o marido, achei corriqueiro. Também não sei se é o machismo que faz as pessoas se surpreenderem que uma bela jovem de rosto angelical fosse ser tão ardilosa. Na foto está o casal na vida real.
Ao final contam que o filme fez algumas licenças poéticas, ou mesmo modificou uns personagens. Eu imagino que seja verdade, já que as pessoas ainda estão vivas. Ivana Baquero que faz a viúva.
O filme começa com a policial de Carmen Machi ser avisada do assassinato. O filme tem alguns problemas de construção. Ela está com a filha na escola e tem que conseguir outra escola para a menina. Não entendemos muito bem porquê. A policial é de uma equipe de homicídios com alto índice de solução. Logo ela percebe que a viúva tem vários outros relacionamentos. Que antes de casar o noivo descobriu uma traição, perdoou e mesmo assim eles se casaram logo depois. De novo achei as colocações meio machistas sobre as traições da jovem. A equipe estava chocada que o noivo perdoou. É comum demais mulheres que perdoam traições.
A jovem é bastante ardilosa e tinha vários amantes, mas pelo menos no filme o casamento dela era de fato bem ruim. Ela tem 25 anos, é cheia de vida, linda e se enfia em um casamento sem atrativos. Todo o dinheiro dos dois ia para a reforma interminável. No filme ele se recusa a gastar um pouco mais em um drink para se divertir em um belo lugar, está sempre querendo economizar. Ele também adora ficar com a família dele que nunca aceitou a esposa depois da traição. Pra piorar ela trabalha demais e no filme diz que ela que paga sozinha a reforma. Ela é enfermeira e tem dois trabalhos exaustivos. Um com idosos em uma casa de longa permanência e outro em um hospital. Nos poucos momentos de lazer, ele não quer gastar nada ou quer que ela vá com ele na família que não a suporta. Então ela passa a mentir pra ir com uma amiga a baladas. Ela só queria se divertir. O filme tem um tom machista de colocar ela como a mulher de muitos amantes, que não respeitava o casamento e vivia em baladas, mas ela tinha só 25 anos, trabalhava demais, e queria se divertir, ser uma mulher livre. Não há nada demais em uma mulher querer curtir com outros homens, só não devia ter casado ou devia ter se separado. Sim, é monstruosa a solução que ela encontra pra sair dessa situação e como ela manipula alguém pra fazer o serviço sujo. Mas a insatisfação do casamento é perfeitamente compreensiva.
Assisti O Silêncio da Casa Branca (2019) de Daniel Carparsoro na Netflix. É mais um filme espanhol sobre serial killers. Acho que descobriram que esse nicho agrada o público, tenho visto alguns filmes espanhóis sobre o tema. E cada vez mais mirabolantes, acho que eles ficam competindo quem será mais criativo. O filme é baseado em uma trilogia de Eva García Sáenz de Urturi.
Eu achei elaboradas demais as técnicas do serial killer. Difíceis demais de realizar. E o filme tenta mostrar que o serial killer convive bem na sociedade, que ninguém desconfia, então ele é um profissional ultra ocupado, muito bem casado. Fico imaginando quando arrumava tempo para os crimes e como ninguém desconfiava. Também fiquei me questionando porque mostrar em tantos detalhes o sadismo do serial killer, como ele realizava. Parecia uma aula prática de como fazer igual. Os policiais são Belén Rueda e Javier Rey.
Casais são encontrados mortos, lembram um crime de 20 anos atrás e o assassino está preso, então é alguém que copia ou prenderam a pessoa errada? O que está preso é interpretado por Alex Brendemühl. A trama toda é rocambolesca, muito mirabolante e pouco crível. E muito, mas muito confusa. O tempo todo fica tentando ligar os pontos, mas como abre muitas frentes, não consegue finalizar e fechar nenhuma, fica tudo bagunçado. E ainda consegue ser pior porque nos 20 minutos de filme nós já descobrimos quem é o serial killer e ficamos só esperando a polícia descobrir.
Assisti Infiesto (2023) de Patxi Amezcua na Netflix. É um filme que ambientaram na pandemia para falar da teoria do fim do mundo. É um filme mais ou menos. Os protocolos do covid são bem relativizados.
Uma menina aparece toda machucada em Piloña, uma cidade praticamente fantasma na Espanha. Sim, tem casas, hospitais, mas muitos prédios são abandonados, fábricas abandonadas. Dois policiais começam a investigar e os dois estão com problemas pessoais pela pandemia. Eles são interpretados por Isak Férriz e Iria del Rio. Ele tem a mãe em uma casa de longa permanência e não pode vê-la. Consegue vê-la pela janela. Ela tem o marido doente isolado em um quarto.
As crianças são torturadas e mortas por uma filosofia fanática do fim do mundo. Funciona, mas me incomoda colocar como loucos quem mata, tortura crianças, eles sabem muito bem o que estão fazendo. E é bem forçado, volte e meia os patuscos vão sozinhos em alguma ação. Eles são dupla e nunca chamam reforços.
Assisti O Aviso (2018) de Daniel Calparsoro na Netflix. O filme se vende como policial mas é místico. Como vou explicar que não gostei se eu gosto de filmes fantasiosos? O que eu mais odiei no filme é que ele tenta ser verdadeiro na fantasia. O filme todo é pra tentar provar que de fato aquele misticismo todo é real. Isso que estraga, porque é um bom filme irreal.
Um homem (Raúl Arévalo) vai a um posto com seu amigo que é seriamente baleado e entra em coma. O que sobreviveu vê uma matéria de jornal falando do mistério daquele lugar que de tempos em tempos tem assassinatos por lá e sempre tem uma criança de 10 anos no local. Eu passei o filme achando que era alguma organização que usava o lugar como forma de vingança ou protesto. O dono do posto é Antonio Dechent. Eu achei também que podia ser delírio do rapaz já que ele tomava remédio controlado, parou de tomar e passou a ter alucinações.
Outro núcleo é uma mãe e um filho. Que mãe pavorosa. Ela é daquelas ultrapassadas que acha que temos que nos colocar em perigo para perder o medo. O filho recebe um bilhete para não ir ao posto no dia do seu aniversário porque será morto. A mãe o obriga ir lá pra ele perder o medo, morto vai perder mesmo o medo rapidinho. Ele é Hubo Arbues e ela é Aura Garrido. Eu demorei um tempo para entender que os tempos dos personagens era diferentes. Não sei se foi de propósito, acho que sim, porque esse filme é cheio de ideias ruins. O final é até interessante, mas o filme é bem mal desenvolvido.
Assisti A Chefe (2022) de Fran Torres na Netflix. O roteiro é de Laura Sarmiento Pallarés. Eu procurava por filmes espanhóis, apareceu esse. É bem mais ou menos.
Uma jovem bastante ambiciosa consegue um emprego de estagiária em uma empresa de moda e marketing. As duas são muito lindas Cumélen Sanz e Aitana Sanchéz-Gijón. A jovem é imigrante argentina e mora com um namorado corretor de imóveis, ele é colombiano. Ela engravida, não conta pra ninguém e fica pensando o que fazer. Ela quer investir na carreira, um filho não estava em seus planos. Religiosa, ela desiste de abortar após conselho moralista do padre.
A jovem passa mal no trabalho, a chefe desconfia e propõe a ela ficar com o filho dela já que ninguém sabe. Elas assinam um contrato. Para que ninguém saiba, nem na empresa, nem o namorado, a chefe leva a jovem para uma belíssima casa no campo para ficar o tempo da gravidez. A fotografia do filme é muito bonita. E as cenas na piscina são belíssimas. Para a segurança da jovem ela coloca segurança na casa, a jovem vai ficar só com uma empregada. Mas começamos a estranhar os excessos de controle da chefe. A jovem demora bem mais para perceber. O final é esquisito, é o que mais odeiam nos comentários e resenhas, eu achei coerente. Eu pensava onde o filme iria dar, gostei da solução em aberto. Como ela tinha dinheiro eu imaginei que ela conseguiria ter o filho e voltar para a Argentina sem ser presa. Mas podia ter sido presa, ou morrido na estrada após o parto, enfim, muitas possibilidades. Achei coerente. O aborto teria sido uma solução bem mais simples, mesmo tendo que lidar com a dor e a culpa por um tempo.