sábado, 21 de fevereiro de 2026

The Beldham

Assisti The Beldham (2024) de Angela Gulner na HBO Max. Porque sábado é dia de fantasminhas. Dessa vez só tinha a versão dublada na HBO, que me recuso a ver. Devem achar que só adolescentes assistem esse tipo de filme. Visão completamente equivocada. Tive que ir de novo no instagram, demorou um tempinho pra ajeitarem, então vi no sábado seguinte. Claro que no Brasil mudaram o nome e está com o péssimo Harpía. O termo Beldam é a alma do filme, mas acharam melhor mudar. Tão equivocados quanto os que acham que o público só vê filme dublado. Beldam é uma bruxa que leva as almas das crianças.

O filme começa no modo clássico. Uma casa enorme, a mãe sai do berço do bebê com a filha mais velha e o bebê morre. O filme vem para o futuro. Uma mãe chega nessa mesma casa com um bebê. Sua mãe está morando temporariamente lá com seu companheiro e uma jovem e bela mulher. A mãe colocou a casa para vender. No quarto, a mãe começa a ver o corvo, mas ninguém se preocupa com ela e sua dor. Katie Parker está maravilhosa!
Patricia Heaton é a mãe assustadora. Que mulher pavorosa. Eu comecei a desconfiar de que ou a mãe estava possuída com a bruxa, ou já tinha morrido e era fantasminha. O companheiro é Corbin Berson.

A única que parece ajudar essa mulher e o bebê é a personagem de Emma Fitzpatrick. Agora vou começar a falar detalhes do filme e do final: A mãe do bebê acha inicialmente que a mãe não está bem porque tem essa jovem moça que é uma cuidadora, até que ela descobre que é ela que precisou de cuidados porque fez loucuras e se colocou em risco e o bebê. Por isso estaria seriamente machucada.
Eu fiquei chocada como esse filme fala de saúde mental. Achei que era um filme de fantasminhas, de algo sobrenatural e me deparei com um filme sobre saúde mental com uma profundidade arrebatadora. Me emocionei demais! Tenho ficado estarrecida o quanto filmes de terror tem falado com profundidade sobre saúde mental. Esse, com roteiro feito e dirigido por uma mulher, fala sobre maternidade, loucura pós traumática, afeto, amor, acolhimento. Fiquei estarrecida! Que filme!

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Patinação no Gelo em Milano Cortina 2026

Assisti a final das duplas de Patinação no Gelo em Milano Cortina 2026 no Spor TV. Eu comecei vendo os destaques na TV Globo, mudei para o Sport TV e acabei vendo todas as duplas. Passei uma tarde inteira vendo essas belezas. Foi algo indescritível! Eu amo essa modalidade.

Foram vencedores os patinadores japoneses Miura Riku e Kihara Ryuichi. Eu vi todas as apresentações em duplas da coreografia mais longa. Vi trechos e algumas inteiras da mais curta. A mais longa dos japoneses foi com a música do Gladiador. Eu gosto muito quando a mulher é girada quase encostando ao chão. A comentarista disse que é avaliado o tanto que fica perto do chão. São muito detalhes para os pontos. A apresentação deles foi muito emocionante! E os figurinos são belíssimos! É uma explosão de arte. 
 




O segundo lugar ficou com a Geórgia. Anastasiia Metelkina e Luka Berulava foram maravilhosos. Linda demais a coreografia.

Os alemães Minerva Fabienne Hase e Nikita Volodin ficaram em terceiro. Foi com eles que comecei a ver na TV Globo. Na coreografia curta foram impressionantes. Os comentaristas disseram que eles não eram os favoritos e que eles ousaram e arriscaram na coreografia para conseguir destaque. Foi daí que fui ver se tinha mais e achei ao vivo todas as duplas na Sport TV e passei horas assistindo. E os alemães arrasaram de novo.

Mas todos são fantásticos! Qualquer uma apresentação que ver vai ser sempre um show de beleza, leveza e técnica. É tudo muito, mas muito emocionante!

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A Força da Idade de Simone Beauvoir

Terminei de ler A Força da Idade (1960) de Simone de Beauvoir da Nova Fronteira. Esse é o segundo livro autobiográfico da autora. O primeiro, Memórias Uma Moça Bem Comportada eu comentei aqui. O primeiro vai até os 19 anos da autora, quando ela já conhecia Sartre. É uma tradição todo início do ano eu pegar um livro grande a ler, esse tem 574 páginas em letras pequenas, é uma bela edição mas comete o erro de ter anotações minúsculas ilegíveis. Em geral tenho pouco trabalho em janeiro, o que por sorte não aconteceu, então a leitura demorou um pouco mais que o habitual.

Por coincidência acabei escolhendo o mesmo marcador de livros. Tenho vários de Paris que uma amiga me trouxe, mas acabei escolhendo o mesmo.

Desde os 19 anos, Beauvoir já escrevia mas não publicava. Sartre publicava muito desde 1936. Beauvoir tinha vários livros que pensava, escrevia pedaços, só com o tempo é que A Convidada foi se definindo. Ela e Sartre eram professores. Beauvoir se instala em Paris, cidade que se apaixona. Os dois eram contratados pra escrever em publicações. Eu li tem muitos anos A Convidada, foi o primeiro livro que li da autora e gostei muito. Foi interessante relembrá-lo pelas escolhas que a autora faz e fala do livro nessa biografia. Acho que li de um clube do livro que fui sócia por pouco tempo, não era um sistema vantajoso pra mim. Na época o ideal eram as bibliotecas que foram companheiras por muitos anos. Interessante que é Sartre que sugere que Beauvoir escreva autobiografias. Sartre gostava muito dos textos de Beauvoir, eles liam muito os textos um do outro, comentavam. E Beauvoir falava muito dos personagens, conosco também, e falava das escolhas até que Sartre sugere que ela escreva sobre ela porque é um personagem muito mais interessante que os que ela cria. É graças a Sartre que temos essas preciosidades de obras.
Foi no livro que descobri que a irmã de Beauvoir era uma renomada artista plástica, Hélène de Beauvoir. Volte e meia a escritora se encontra com a irmã, fala da irmã. Simone gostava muito de caminhar. Ela levava pouca coisa, um pequeno farnel, e passava dias caminhando, dormindo ao relento. Foi um pouco antes da guerra, imagino que ela deveria ter visto algo que deixou de existir depois. Ela, Sartre e os amigos achavam que o comunismo e o livre pensamento ia suplantar o fascismo que começava a surgir na Alemanha. Muito triste imaginar que eles estava completamente enganados. 

Na obra Beauvoir fala muito de seus amigos e de Sartre. Como a intempestiva Olga, depois Lise apresenta o escultor Alberto Giacometti. Beauvoir também tem proximidade com Picasso. Eu amei que Beauvoir lê muito e fala muito dos livros que lê na obra. Adorei que o preferido do Faulkner é exatamente o meu preferido, Luz em Agosto. Ela já leu Virgínia Woolf.  Gosta muito de Proust que eu adoro. Ela fala muito dos livros de Sartre. Eu só li um único livro do autor que gostei muito, O Muro e li há muitos anos de uma biblioteca.

Obra A Mulher Chora (1937) de Picasso

A guerra começa a chegar. Inicialmente a Alemanha ataca a Polônia e eles acham que logo vai acabar. Sartre é preso e Beauvoir fica em Paris tentando notícias até que ele foge. Os dois ouvem falar de O Estrangeiro de Camus, leem, gostam. Nessa época sem poder publicar seus livros, Sartre e muitos escritores ingressam no teatro. É quando Sartre conhece Camus que envereda pelo mesmo caminho. A peça As Moscas de Sartre é um retumbante sucesso. Após a publicação de A Convidada, Beauvoir recebe várias críticas elogiosas, como ela mesma diz, nem todas, mas fica muito satisfeita com a repercussão.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Dele & Dela

Assisti a série Dele & Dela (2026) de William Oldroy na Netflix. Eu gosto demais da Tessa Thompson, linda e talentosa. O filme é baseado no livro homônimo de Alice Feeney que quero ler.

Tessa era uma âncora de jornal. O que aconteceu com ela vamos descobrindo na série. Inclusive essa série é bom assistir sem saber nada como eu fiz, porque é impressionante. É mais um produto para falar de saúde mental. Ela estava um ano afastada, chegou a sumir mesmo e ficou um ano sem dar notícias, nem pra mãe que sofre muito com isso. 

Quando ela volta, é óbvio que a emissora já tinha uma apresentadora no lugar (Rebecca Rittenhouse) e claro que ela não vai retomara  sua vaga. Mas ela é brilhante, então sugere ir como repórter cobrir um assassinato em uma pequena cidade. Ela segue com um câmera (Pablo Schreiber) para a cidade.

O policial da cidade é Jon Bernthal. Descobrimos que a jornalista era da cidade.




A parceira dele, a ótima Sunita Mani, é a que realmente vai desvendando o que aconteceu. Ele está só tentando apagar os seus vestígios da cena do crime. Assustador o que motivou os crimes, porque eles continuam acontecendo. E mais impressionante ainda o desfecho depois do desfecho. Fiquei em choque. Mas é mais do que uma série policial com ótimo final. Como disse fala muito de saúde mental, de maldade, prepotência, violência de quem menos podemos esperar. 
Na cidade a jornalista descobre que a mãe, da incrível Crystal Fox, está muito doente. Com o tempo entendemos o afastamento da filha, mas achei meio cruel que ela tendo perdido uma filha e sabendo a dor que é não saber o paradeiro de um filho tenha ficado um ano sem contato com a mãe. Achei meio perverso.
Beijos,
Pedrita

domingo, 15 de fevereiro de 2026

A Garota Canhota

Assisti A Garota Canhota (2025) de Shih-Ching Tsou na Netflix. Falavam muito desse filme que quis ver. É sobre uma família disfuncional, todos são pavorosos, inclusive os avós e agregados. A cultura do país é destruidora, machista e retrógada. O roteiro é de Sean Baker.

O núcleo principal é só de mulheres como aqui no Brasil. O pai da adolescente se mandou. Elas se mudaram para um apartamento pequeno, a mãe monta uma barraca de comida e é bem elogiada pelo seu tempero. É uma loja em uma feira repleta de barraquinhas de tudo o que puder imaginar. A adolescente trabalha bem longe em um estabelecimento duvidoso e tem um relacionamento bem tóxico com o dono. Ela está rebelde até demais. A garota canhota é a pequenininha. Ela adora as barracas coloridas do trabalho da mãe. Vai à escola. Ajuda na barraca e vive com sono porque a loja vai até tarde sempre. A menina está sempre dormindo pelas mesas. A menina é invisível, as outras duas mal a veem, a pequena vive sozinha em tudo quanto é lugar, some e ninguém percebe. Nina Ye é fofa demais. A irmã adolescente é Shia-Yun Ma e a mãe Janel Tsai.
A mãe tem baixa estima. O pai que desapareceu está muito doente e ela gasta o que tem e o que não tem no enterro dele sem contar pra ninguém e passa a ter risco de perder sua barraca e seu sustento. Os pais dela e irmãos tem uma vida confortável, podiam ajudar, mas é uma família que só saber apontar o dedo. Sim, ela jamais deveria ter pago o enterro do irresponsável do pai da adolescente, mas já foi, já fez e pode não ter como sustentar as duas filhas. Inacreditável como a família é tóxica, só sabe criticar. E isso se reflete no trio de mulheres que não tem diálogo. É uma família que só sabe punir, criticar. Não sabe acolher, amar, ser afetiva. Todos se sentem abandonados.
Beijos,
Pedrita