sábado, 20 de dezembro de 2025

Boulder de Eva Baltasar

Terminei de ler Boulder (2020) de Eva Baltasar da Dublinense. Desde o ano passado queria ler, mas a Dublinense não leva lançamentos na Festa do Livro da USP, que eu acho justo. Então transferi os lançamentos pra comprar esse ano e corri pra ler esse. É uma bela edição com ilustração e capa de Luisa Zardo. É um livro muito lindo!

O marcador de livros é em papel com flores em papel em relevo.

Obra de Isabel Bacardi

Começa com a protagonista e narradora em um navio, ela é cozinheira. Em uma das paradas ela conhece Samsa. Ela avisa Samsa sempre quando vai parar novamente e se reencontram. Até que Samsa diz que arrumou um emprego e que não virá mais.

Obra Piscina de Jade Marra

A cozinheira resolve ir junto. Elas vivem anos juntas, mas quem decide as regras é Samsa e percebemos o incômodo da cozinheira. Samsa adora receber, encher a casa e é a cozinheira que fica na cozinha preparando tudo. Samsa é muito bem sucedida profissionalmente e elas tem uma vida bem confortável. É Samsa que resolve ter um filho, é muito bem detalhado o processo de inseminação, com um realismo que desconcerta.

Obra Mama Bush: One of a Kind Two (2009) de Mickalene Thomas

Samsa começa a excluir a companheira do convívio, é muito triste. É um livro muito realista e triste!

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Sonhos de Trem

Assisti Sonhos de Trem (2025) de Clint Blently na Netflix. Esse filme vem sendo muito elogiado, mas não é muito do gênero que gosto. É daqueles filmes que assim que começam você já sabe que algo terrível vai acontecer. É baseado no livro de Denis Johnson.
 

O protagonista de Joel Edgerton é um lenhador. Ele corta árvores, que dá um dó danado, pra construir pontes, ferrovias. As locações são belíssimas e foram no estado de Washington. Tem sempre muita natureza. O filme é muito contemplativo e bonito.

Ele conhece a personagem de Felicity Jones, constroem uma bela casa com vista para o lago e tem uma linda filha. Alguns outros do elenco são Alfred Hsing, William H. Macy, John Diehl, Kerry Condon e Johnny Arnoux. Não sei se foi erro na legenda, mas o texto escrito diz que o personagem morreu em 1968, mas quando ele visita a cidade ele vê em uma TV o homem na lua que foi em 1969.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Ângela Diniz

Assisti a série Angela Diniz (2025) de Andrucha Waddington na HBOMax. Eu queria muito ver. Reluto muito em ver histórias baseadas em casos reais de violência. O que mais me assusta nessa história, é que as pessoas tem sempre uma frase na ponta da língua depreciativa sobre a Ângela Diniz, mas nunca sobre o seu algoz. Tanto tempo passou e as pessoas ainda acham que mulheres devem morrer só porque não se gosta dela.

Infelizmente a série não contextualizou a época. A década de 70 era do amor livre e muitos aderiram. Época do movimento hippie. Como hoje no discurso sobre a monogamia. Sim, como hoje há muitos casais tradicionais, mas era um movimento bem expressivo a liberdade e ao amor livre. Ângela Diniz era só mais uma pessoa que abraçou o amor livre. Ela e o grupo da elite carioca que ela se inseriu. A roteirista é Elena Soárez.

O que me assustou é que Ângela Diniz casou aos 17 anos com um homem de 31 anos. Ela e seu marido eram da alta sociedade. Sim, é difícil proibir adolescentes, mas sendo ainda menor de idade, a família ao menos poderia ter pedido que ela esperasse ter 18 anos para casar. De qualquer forma, ela parece que casou por amor, foi feliz por 9 anos e tiveram 3 filhos. A série não sei porque resolveu fazer Ângela ter uma única filha o que muda demais o contexto. Eles foram casados por 9 anos, então ela tinha somente 26 anos quando se separou.
Ângela se separou e foi viver na efervescência carioca. Onde se praticava o amor livre e a alta sociedade vivia intensamente em festas regadas a whisky e cocaína. Ângela bebia vodca. Ela tem um romance com Ibrahim Suede que era casado. Ângela era daquelas amigas que sempre queremos ter, parceira, solidária, enfrentava tudo para defender quem amava. Marjorie Estiano está maravilhosa. Ibrahim é o Thiago Lacerda. Suas melhores amigas são interpretadas por Camila Màrdilla e Renata Gaspar. No elenco ainda aparecem Yara de Novaes, Daniela Galli, Thelmo Fernandes, Pedro Nercessian, Joaquim Lopes e Emilio de Mello. A série é muito bem realizada, belíssima fotografia, incrível reconstituição de época.

É por Ibrahim que Ângela conhece Doca Street interpretado brilhantemente por Emílio Dantas. Ela e Suede viajam para São Paulo, para a fazenda da família Scarpa. Ângela e Doca tem uma paixão avassaladora. A série também não fala muito de Doca. Ele teve filhos, um com Adelita Scarpa. Também não fala muito da vida profissional dele. O que achei na internet é que ele trabalhava na empresa da família Scarpa após o casamento. Ele era um bon vivant, vivia sempre do dinheiro da mulher que estava. E passou a viver as custas da Ângela. Doca era viciado em cocaína e bebia muito whisky. Quando ele alugou a casa na Praia dos Ossos em Búzios eu achei que ele tinha algum dinheiro, até que mostra na série ele pedindo pra Ângela assinar o cheque do aluguel. Não só ele não tinha dinheiro, como ele gastava o dinheiro dos outros como se fosse dele e depois pedia pra pagar. Ele fazia e depois pedia pra pagar. Assustador. Também não sabia que o romance foi relâmpago de apenas 4 meses e sempre tumultuado. Ele sabia que Ângela era uma mulher livre, mas só queria controla-la. Quando ela o manda embora, cansada dos ataques de ciúmes. Ele vai embora, mas volta e dá quatro tiros na cabeça dela que estava sozinha.
Quem defendeu Doca foi um ex-juiz Evandro Lins e Silva. interpretado por Antonio Fagundes. O último episódio é praticamente o primeiro julgamento. O segundo, após a pressão popular com o slogan Quem Ama Não Mata fica praticamente de coadjuvante. Não mostraram a força das mulheres, nem parte do segundo julgamento. É tudo muito rápido. Deram mais visibilidade ao algoz. Achei que diluíram a força da Ângela Diniz ao final. No primeiro Doca, réu confesso, foi julgado em Cabo Frio. O ex-juiz fez Doca manipular a imprensa com entrevistas chorosas, de bom moço, da mulher doidivanas que era Ângela, mulher que ele mal conhecia. E a população caiu, alguns até hoje. Como se deixam manipular. Com a pressão feminina, ele foi condenado a regime fechado, mas cumpriu mesmo só uns 3 anos. A justiça no Brasil não é igual para todos.

Ângela Diniz



Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Eudóxia de Barros

Fui ao recital de Eudóxia de Barros na Sociedade Brasileira de Eubiose. Que belíssima apresentação!

Fotos de Leandro Armbrust

Como eu, a pianista gosta de valsas e ela colocou belíssimas obras na apresentação. Ela ouviu na internet uma valsa de Shostakovitch e foi atrás da partitura, é muito linda mesmo. Nilcéia Baroncelli ficou muito emocionada com a interpretação de sua valsa, disse que Eudóxia abrilhantou ainda mais a sua música e elogiou sua interpretação. Tiveram ainda lindas valsas de Osvaldo Lacerda, Fernando Cupertino e Camargo Guarnieri.

Programa

Bach – Liszt – Grande Fantasia em sol menor

Schumann – Estudos Sinfônicos opus 13

Shostakovitch – Florian Noack – Valsa nº 2

Osvaldo Lacerda

Brasiliana n٥ 3 (Cururu, Rancheira, Acalanto e Quadrilha)

Três Valsas Brasileiras

Fernando Cupertino – Primeira Valsa

Nilcéia Baroncelli – Convidativa                        

Camargo Guarnieri – Valsa nº 9

Ernesto Nazareth – Escorregando (tango)

Fructuoso Vianna – Dança de Negros op. 2 nº 1

Eudóxia de Barros é uma grande intérprete Ernesto Nazareth. Em 1963 ela se debruçou e gravou o icônico LP Ouro Sobre o Azul com obras do compositor. Depois viajou pela Brasil interpretando sua obra e ainda gravou mais dois LPs posteriormente. De Ernesto Nazareth, a pianista tocou Escorregando, que gosto demais. O álbum está disponível nas plataformas.

A pianista terminou o recital com uma lindíssima obra de Fructuoso Vianna, Dança de Negros, opus 2, nº 1. O teatro estava bem cheio e o recital belíssimo foi gratuito.

Beijos,
Pedrita