sábado, 13 de setembro de 2008

Colombo

Assisti ao espetáculo Colombo de Carlos Gomes no Theatro Municipal de São Paulo, no dia em que o teatro completa 97 anos de existência. Eu adoro esse oratório e teve a maravilhosa direção cênica e cenários de William Pereira. É uma remontagem de uns anos atrás que tinha ficado encantada. Essa cena do barco é magnífica. É uma obra musicalmente linda sobre a primeira viagem de Colombo as Américas. O libreto de Albino Falanca romanceia um pouco a história. Carlos Gomes sofreu uma decepção de amor e deseja ir a essa aventura para esquecer o abandono. É exagerado também o amor romântico do rei e da rainha de Portugal. Mas não deixa de ser uma obra que conta um pouco da história. Essa concepção recheou o público com imagens de obras históricas da época, e no final passam alguns textos das próximas viagens de Colombo.

Cristovão Colombo é interpretado maravilhosamente vocalmente e cenicamente por Sebastião Teixeira. O rei e a rainha são interpretados por Marcello Vannucci e Monica Martinez. O frade foi encenado pelo ótimo Sávio Sperandio. Essa obra exige bastante do Coral Lírico do teatro que está excelente. E foi com a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Nessa montagem só mudou a regência que tinha sido do maravilhoso Roberto Duarte e dessa vez foi do José Maria Florêncio.

e


Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Irmãos

Assisti ao filme francês Irmãos (2003) de Patrice Chéreau no Telecine Cult. Vocês sabem o quanto amo esse diretor, então queria muito ver esse filme. É muito difícil de assistir, gostei muito, mas daqueles filmes que são fisicamente rejeitamos, que temos que nos esforçar para ver, porque nos incomoda o que é apresentado. São dois irmãos e só vamos compreender a relação conflituosa com o tempo. Um deles, o mais egoísta, descobre que tem uma doença que desconhecem e é muito destruidora. O corpo dele perde sistematicamente as plaquetas. O diretor parece preferir uma doença que não existe, porque não é sobre a doença que ele quer trabalhar no filme e sim, as relações humanas.

Como muitas famílias européias, não há diálogo, não há intimidade. Todos são cheios de silêncios e dificuldade de se relacionar. Há inclusive um claro problema na relação dos irmãos, algo do passado que os distanciou mais ainda. É assustador a forma como os pais reagem ao problema do filho. Nós os vemos duas vezes visitando o rapaz, e uma delas inclusive piorando mais a situação em uma discussão cheia de acusações e mágoas. É muito difícil ver aqueles momentos constragedores em hospitais com familiares praticamente estranhos entre si.

Os dois que interpretam os irmãos arrasam: Bruno Todeschini e Eric Caravaca. Há uma linda canção Safe to sleep alone que toca no final interpretada por Marianne Faithfull.

Youtube: Safe to sleep alone - Marianne Faithfull
Lyric : Marianne Faithfull - Sleep (Album : A secret life)[réminiscence de "Son frère" de Patrick Chéreau, film à voir, d'après le livre Philippe Besson, à lire...]


Beijos, Pedrita

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Michelet

Terminei de ler Michelet (1954) de Roland Barthes. Eu comprei esse livro pelo Submarino e é da Companhia das Letras. Foi o primeiro livro que comprei em livrarias com o propósito de comprar de vez em quando outros. Primeiro eu lia de bibliotecas, depois passei a comprar em sebos e de coleções de bancas. E aí decidi esporadicamente comprar algum novo em livrarias. Esse foi o primeiro há anos atrás. É um estudo desse filósofo sobre os textos de Jules Michelet (1798-1874). Infelizmente nunca tinha lido nada do Jules Michelet, mas nesse estudo o autor cita vários trechos de obras e fiquei fascinada.

Tela que fizeram de Jules Michelet
Michelet faz um amplo estudo sobre obras da Idade Média, do tempo que havia muito obscurantismo e as pessoas estudavam tudo, medicina, filosofia e história. Tudo era misturado. Michelet escreve sobre o trabalho das feiticeiras, as únicas que tinham acesso as doenças das mulheres e atuavam como parteiras também. Roland Barthes analisa essas peculiaridades que Michelet aprofundou. Há na obra uma bibliografia extensa com as obras de Michelet. Do Michelet, a que mais quero ler é A Feiticeira, que é possível comprar pela Livraria Cultura.
Michelet viveu no período da Revolução Francesa e tem algumas obras sobre essa época, uma inclusive publicada pela Companhia das Letras.
Portrait de Laure Bro, 1818-1820 de Théodore Géricault

Anotei vários trechos da obra. De considerações do Roland Barthes e do Jules Michelet.

Trechos de Michelet de Roland Barthes:

“A doença de Michelet é a enxaqueca, esse misto de ofuscamento e náusea.”

“...ei-lo aos 44 anos: sente-se nesse “longo suplício, a velhice”; mas vejamo-lo seis anos mais tarde, aos cinqüenta anos: está prestes a esposar uma jovem de vinte e começa alegremente a terceira vida. Isso não é tudo: depois da mulher, os elementos; Michelet conhece ainda três renascimentos – a terra (banhos de lama em Acqui, perto de Turim), a água (seu primeiro banho de mar aos 57 anos), o sol (em Hyères).”

“Michelet morre quando não trabalha (quantas declarações a respeito!) –isso significa que tudo nele é preparado para construir a história como um alimento.”

“Vimos ele próprio ameaçado pela poesia como por um inferno natal, e aspirando à prosa como a uma libertação decisiva, a qual permitiria devorar a história e formar com ela um mesmo tecido.”

Jules Michelet:

“Cada homem é uma humanidade, uma história universal...”

“Ora, quem diz prosa diz a forma menos figurada e menos concreta, a mais abstrata, a mais pura, a mais transparente; dito de outro modo, a menos material, a mais livre, a mais comum a todos os homens, a mais humana. A prosa é a última foram do pensamento, o que há de mais distante do vago e inativo devaneio, o que há de mais próximo da ação.”

“Não duvido de que seu livro admirável e engenhoso sobre as Doenças das mulheres, o primeiro que se escreveu acerca desse grande assunto, tão profundo e comovente, tenha brotado especialmente da experiência das próprias mulheres, daquelas a quem as outras pediam auxílio: refiro-me as feiticeiras que, por toda a parte, eram parteiras. Jamais, naquela época, a mulher teria admitido um médico homem, nem teria confiado a ele, nem lhe teria revelado seus segredos. As feiticeiras cumpriam essa função, e foram, para a mulher sobretudo, o único médico.”


Música do post: 11 - Debussy - L'Isle Joyeuse


Youtube: Roland Barthes parle de Jules Michelet


Beijos, Pedrita

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O Relógio Verde

Assisti O Relógio Verde (1948) de John Farrow no Telecine Cult. Eu escolhia os filmes que poderia ver, estava em um dia farto de ótimas opções, mas fiquei muito curiosa em ver esse suspense e é excelente! The Big Clock é baseado no livro de Kenneth Fearing. É daqueles filmes noir com trama intrincadíssima que agonia. Nosso protagonista é envolvido em uma trama acusatória de assassinato, sendo que ele é inocente e ele passa o filme tentando provar a sua inocência.

The Big Clock é interpretado por Ray Milland, Charles Laughton, George Macready e duas belas mulheres, Maureen O'Sullivan e Rita Johnson.
Não deixem de ver o trailer que localizei no youtube, de como eles faziam antigamente, é uma preciosidade.

Música do post: Peter Lorre - Nobody Loves Me - Suspense Radio Drama (08-30-45)


Youtube: The Big Clock


Beijos, Pedrita

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Arthur e os Minimoys

Assisti ao filme francês Arthur e os Minimoys (2006) de Luc Besson no Telecine Premium. Queria ver pelo diretor que adoro e foi uma surpresa maravilhosa! Arthur e os Minimoys é tudo o que Ponte para Terebítia podia ter sido e não foi. Até mesmo o início, que o menino é menino e mora com a avó, é bonitinho! Ele e a avó estão com risco de perder a casa que é uma graça por sinal, cheia de livros ilustrados, muito amor e carinho. O momento do aniversário dele é emocionante. O roteiro é baseado em idéia de Céline Garcia e nos livros de Luc Besson, nem sabia que o Besson escrevia livros.

A avó é interpretada pela maravilhosa Mia Farrow e o menino pelo fofo Freddie Highmore. Depois o menino vai parar no mundo encantado e ele se torna também um fofo Minimoy. Inclusive o site oficial do filme é uma delícia, com imagens, wallpapers diversos, jogos. Os pôsteres também são lindos demais, foi difícil escolher um.
O menino se transforma nesse lindo Minimoy do meio. Ele se apaixona pela princesa Selenia e o fofíssimo da esquerda é o irmão dela. Tudo na história é lindo e emocionante! Amei! Há duas versões, em francês e em inglês. Eu vi em inglês e tenho vontade de ver em francês. Quem dubla a voz da Selenia em inglês é a Madonna. Quem fazia a voz do malvado foi o incrível David Bowie. E Robert De Niro fazia a voz do Rei. No final cada Minimoy aparece com o nome do seu personagem ou da voz do seu personagem. Aí ele transformaram alguns humanos do elenco em Minimoys, como a Mia Farrow, que está ótima e amei ver o Luc Besson aparecer no crédito do diretor como um atarracadinho Minimoy. Fofo demais!

Não consegui achar no esnips nada da trilha. Segue uma escolha aleatória.


Música do post: The Ting Tings - Fruit Machine


Youtube: Arthur et les Minimoys (bande annonce)



Beijos, Pedrita

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Moura Encantada

Assisti a apresentação musical A Moura Encantada: os mouros e a presença da cultura árabe na música tradicional do Brasil na Cinemateca Brasileira, dentro do evento De Rasgos Árabes. Se apresentaram músicos da tradição árabe, a mezzo-soprano Anna Maria Kieffer e cantadores, repentistas nordestinos. Um espetáculo eclético com fusão de gêneros diferentes. Gostei muito!

Inicialmente os músicos de tradição árabe Sami Bordokan, voz e alaúde árabe, Cláudio Kairouz, qanoun, William Bordokan, percussão, interpretaram canções tradicionais árabes como Allahu Akbar (canto de muezim), Moaxaja (tradicional árabe-andaluz) e Jezel (tradicional árabe).

Depois apresentaram com Anna Maria Kieffer, a belíssima Cantiga de Santa Maria n° 322 – Afonso X, o sábio (1221-1284), A morte de d. Beltrão (romance velho tradicional recolhido por Almeida Garrett em Portugal [1851], com inserções de improvisações em árabe, trechos recolhidos por Enriques de Valderrabano, na Espanha [1547], Celso de Magalhães e Antonio Lopes, no Maranhão [1873 e 1916] , La mañana de San Juán (romance fronterizo tradicional recolhido na Espanha por Diego Pisador [1552], com inserções a lo divino recolhidas por Anne Caufriez em Algôa, Portugal [1978]), Abenámar (romance fronterizo atribuído a autor árabe do século XIV publicado no Cancionero general recompilado por Hemando del Castillo, [1511], Inserções de texto recolhido por Virgílio Maya no Ceará) , A fonte do salgueirinho (tradicional recolhido por Anne Cauffriez em Caçarelhos, Portugal [1978]), Romance da moura encantada (tradicional recolhido por Estácio da Veiga no Romanceiro do Algarve [1870], com inserções de falas da moura encantada em Cortes de Júpiter, de Gil Vicente [1521] e de trovas do Cancioneiro Guasca, coletado por Simões Lopes Neto no Rio Grande do Sul [1910]).
Depois os cantores Sebastião Marinho e Andorinha fizeram um Duelo de cantadores (peleja). Outras músicas interpretadas foram: A donzela Teodora (trecho de texto enunciado em árabe [Livro das mil e uma noites, Cairo, 1835], amavelmente cedido por Mamede Mustafa Jarouche) e A história da donzela Teodora (criação a partir do folheto de Leandro Gomes de Barros [Pombal, PB, 1865 – Recife, PE, 1918]). A essa apresentação foi gratuita.


Música do post: Arabic Songs - MÚSICA ÁRABE_MUSIC ARABIC_Fairuz - medley of pop songs
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Youtube: ahiska.alahu akbar






Beijos, Pedrita