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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Filhos e Amantes

Assisti Filhos e Amantes (1960) de Jack Cardiff no Telecine Cult. Eu queria muito ver esse filme porque é o livro do David Herbert Lawrence que mais gosto. Não acho que filmes antigos consigam retratar melhor as obras desse autor ousado, acho que os filmes ficam mais contidos pela época. Esse filme traz vários diálogos importantes, tem ótima fotografia e elenco, mas eu imagino que um filme mais recente possa ir mais a fundo nos textos desse autor. Vi que há um mais recente, vou tentar assistir. A fotografia de Freddie Francis inclusive ganhou um Oscar.

Filhos e Amantes é sobre uma famiília de poucos recursos que vive em uma pequena cidade. O pai é mineiro, sem polimento. Há três filhos e uma mãe dominadora, afetivamente dominadora. O filho do meio, que quer ser pintor, é o que sofre mais influência dessa mãe sofrida. O filho é interpretado por  Dean Stockwell, o pai  por Trevor Howard e a mãe por  Wendy Hiller.  Outros do elenco são: Mary Ure, Heather Sears,  William Lucas,  entre outros.











Beijos,










Pedrita

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mr. Noon

Terminei de ler Mr. Noon (1929) de David Herbert Lawrence da Editora Nova Fronteira. Comprei esse livro em um sebo por R$ 15.00. Esse autor tem muita sorte no Brasil, diferente de outros grandes escritores que não tem uma única obra traduzida no nosso idioma, David Herbert Lawrence tem várias obras traduzidas no Brasil. Eu gosto muito desse autor, mas essa obra não me identifiquei tanto. Esse romance começou a ser escrito em 1919, mas ficou inacabado em 1929. Falam que é mais autobiográfico, embora os personagens sejam fictícios, parece muito com a vida do próprio autor. Como o autor se expõe muito na obra, acreditam que seja esse o motivo que fez com que ele não desejasse publicá-la.

Obra de Mrs Pantia Ralli de Sir Samuel Luke Fildes

Nós não conseguimos admirar muito nosso protagonista. O livro é dividido em duas partes, acreditam que o autor ia escrever dois livros que embora um seja continuação do outro, eles são bem distintos. No primeiro ele vive com o pai, faz doutorado em uma universidade e sai com uma moça, na verdade se envolve sexualmente com ela em lugares públicos. O segundo livro ele se muda para a Alemanha, começa a viver com poucos recursos, se apaixona por uma mulher casada e ela passa a viver com ele. Os dois relacionamentos são bem neuróticos, ele praticamente não expressa os seus sentimentos. O estilo da narrativa é sempre muito interessante, gosto da forma como o autor conversa com nós leitoras, em geral sempre mulheres e da forma como nos trata, como se fôssemos íntimas dele, nos dá bronca, reclama de nossa postura como se soubesse o que pensamos.

Obra Surrey Cornfields de Benjamin Williams Leader

Anotei alguns trechos de Mr. Noon de David Herbert Lawrence:



“A própria quietude dela, debruçada sobre o seu livro, foi fazendo gradualmente com que ele se sentisse constrangido.”

“- A moça tem forçosamente de ser uma inferior, um mero passatempo, não tão sério quanto seus instrumentos de química, até...
...-Ela é uma boa distração – exclamou Patty azedamente. – Uma boa distração e nada mais. Que humilhação pra ela, coitadinha!
-Eu não penso que ela ache isso – disse Gilbert.
-Não, aposto que ela não acha – riu Lewie, com seu riso lúbrico.”


Tantos os pintores como o compositor são ingleses e viveram no mesmo período que David Herbert Lawrence.




From Mata Hari e 007
Beijos,









Pedrita

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Amante de Lady Chatterley


Assisti a peça O Amante de Lady Chatterley de Rubens Ewald Filho no Espaço Satyros 2. Eu tinha lido o livro e visto a última adaptação para o cinema, queria muito ver a peça. Gosto de ver diferentes expressões culturais sobre o mesmo tema. O texto é de David Herbert Lawrence. Gostei demais da peça. Gostei muito do Rubens Ewald Filho, que dirigiu a peça, focar na censura que a obra teve quando foi lançada e a peça é voltada bastante para esse tema. Os atores são ótimos: Ana Carolina Lima, Germano Pereira e Ailton Guedes. A adaptação do texto é do Germano Pereira.

Adorei a solução de colocar o escritor na peça e o Germano Pereira lembrou muito da imagem que tenho do escritor. David Herbert Lawrence conversa com os seus juízes, fala que seu livro já foi reescrito três vezes e narra trechos durante a peça. Rubens Ewald Filho fala no texto da peça que inclusive há várias versões do livro
que vieram depois da censura. Enquanto eu achei o Germano Pereira muito parecido com as fotos que vi do David Herbert Lawrence, ele já é bem diferente do que imaginava para interpretar o Mellors. Visualmente eu gosto muito do ator Jean-Louis Coullo´ch que fez a última versão para o cinema, ele tem uma beleza diferente, não é tão bonito quanto o Germano Pereira, é mais rústico. Gostei também da solução da peça em não colocar o nu e há um único beijo no final. Apesar disso, a peça consegue mexer profundamente com nossos sentidos. Todos estão muito bem! Como no filme, gostei que o Ailton Guedes é um homem bonito, para interpretar um personagem na cadeira de rodas. E o personagem conseguiu igualmente nos irritar e não dar pena, como eu sentia exatamente no livro. Gosto que essa obra dismistifica vários clichês sobre o tema e que também debate bastante as diferentes classes sociais, a burguesia que menospreza as classes mais baixas. O Clifford aceita que sua mulher tenha filho de outro homem, desde que seja com um homem da classe social deles. Ele aceita quebrar uma regra da sociedade, mas não aceita que seja de alguém considerado inferior. Gostei de escolherem a cena que os amantes se amam ao ar livre, gosto dessa cena no livro e no filme. A trilha sonora é do maestro Marcello Amalfi e Ivam Cabral.
Gostei muito do texto do Rubens Ewald Filho no programa da peça. O programa está muito bonito e tem ótimos textos. Vou separar alguns trechos pra vocês:

Texto de Rubens Ewald Filho do programa: "Então Lady Chatterley não é apenas um livro, virou um fato histórico, um ícone. O que, de certa maneira, prejudicou a própria avaliação da obra e do autor."

"Seria muito fácil partir para uma versão explícita, com muita nudez e franqueza sexual. Mas os tempos mudaram e, hoje em dia, o ousado é justamente o oposto: falar de sexo, sem tirar a roupa de ninguém."

Deixei nos links os posts sobre o livro e o filme que escrevi há um tempinho nesse blog.

É a última semana da peça em cartaz.
Música o post: Astor Piazzolla y Villa Lobos - Invierno porteño


e
Beijos,

Pedrita

terça-feira, 21 de julho de 2009

Lady Chatterley

Assisti Lady Chatterley (2006) de Pascale Ferran no Telecine Cult. Eu soube desse filme pelo Marcelo Janot, inclusive ele gravou um vídeo para o Telecine. Eu tinha lido o livro de David Herbert Lawrence, comentado aqui e queria muito ver a adaptação. Essa é a quinta desse romante e é primorosa, delicada e sublime. Gostei demais da escolha do elenco. É um filme atual, mas os atores não tem os seus corpos esculpidos em malhação, muito pelo contrário, são exatamente como foram feitos por Deus, portanto belíssimos e reais. Ainda os dois atores são belos, mas igualmente não estão dentro dos padrões de beleza impostos nos dias de hoje. O livro foi publicado em 1928.

Lady Chatter-ley é uma mulher de posses, de uma boa família, e está casada com um homem que está na cadeira de rodas. O que eu gosto do livro e o filme captou perfeitamente, é que apesar do marido estar em uma cadeira de rodas, não há melodrama, nem agressividade, muito menos piedade. Esse casal vive de forma tranquila, até um pouco tranquila demais. Não há sensualidade, apenas uma calma de um casal que já está acostumado um com o outro, cheios de regras e horários. É a chegada de uma enfermeira que passa a mudar radicalmente a vida dos dois. A esposa começa a caminhar e se encanta com o capataz. A diretora do filme fez exatamente como o livro, inicialmente há uma curiosidade física, até mesmo só para olhar um corpo nu e diferente. Aos poucos começa a haver afetividade e talvez chegue ao amor.
Adorei o olhar da diretora sob a natureza, exatamente como no livro, da época em que se contemplava a beleza, que se olhava para as plantas. É igualmente impecável a mudança das estações, como é no livro, e juntamente a mudança do interior das pessoas a cada estação. Gostei demais da utilização de várias linguagens. Inicialmente o texto que aparece entre as imagens, como nos filmes mudos. Depois uma narradora lê trechos da obra. Mas nada simétrico.
Os atores estão impressionantes: Marina Hands, Jean-Louis Coullo'ch, Hippolyte Girardot e Hélène Alexandridis. Lady Chatterley entrou para os filmes da minha vida. Entre os filmes mais maravilhosos que já vi na vida. Lady Chatterley ganhou 5 prêmios no César, Melhor Filme, Melhor Atriz (Marina Hinds), Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Figurino. E o prêmio de Melhor Atriz (Marina Hinds), no Festival de Tribeca.



Youtube: Lady Chatterley UK trailer




Beijos,

Pedrita

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Amante de Lady Chatterley

Terminei de ler O Amante de Lady Chatterley (1928) de David Herbert Lawrence. Comprei esse livro da coleção da Editora Abril em um sebo por R$ 2,00, inacreditável não. E é um desses livros que se acha em lojas por baixo custo. Gostei bastante, mas Filhos e Amantes ainda é o meu preferido.O livro foi proibido um pouco depois de ser lançado por ser considerado pornográfico. Até acho que as relações sexuais do livro tenham incomodado, mas não duvido que o mais tenha incomodado foram duas questões, uma por ser uma relação entre classes sociais muito diferentes, onde a mulher deseja escolher o amante pobre ao marido bem nascido. E outra questão pelo fato dela querer abandonar o marido, mesmo ele sendo paraplégico e por ela não ter pena, nem achar que deva algum tipo de obrigação. Não duvido que essas questões tenham chocado muito na época, talvez até mais do que alguns detalhes da relação sexual dos dois.

Tela de Edmund Blair Leighton

Também deve ter incomodado o fato do casal ter conversado sobre ela conceber um herdeiro com outro homem e que o marido confiava em seu bom gosto. Eram textos revolucionários pra época. Se hoje talvez ainda causem alguma estranheza, que dirá naquela época.
Achei curioso O Amante de Lady Chatterley igualmente falar em minas de carvão como em Filhos e Amantes. Devia ser um universo comum para o autor, já que ele relata em bastante detalhe esse tipo de atuação e sobre cidades muito pequenas que vivem em torno das minas.
Eu não vi nenhuma adaptação dessa obra para o cinema.
Obra Dolce Far Niente (1904) de John William Godward

Anotei alguns trechos de O Amante de Lady Chatterley de David Herbert Lawrence:

“Vivemos numa época essencialmente trágica; por isso nos recusamos a tê-la como tal.”

“Havia padecido tanto que sua capacidade de sofrer se esgotara.”

“Tanto arriscara a vida e estivera tão perto de perdê-la, que o que dela lhe restava adquirira um valor imenso. O brilho dos seus olhos revelava o seu orgulho de não estar morto depois de tantas calamidades. Lá por dentro, porém, muita coisa morta marcava o seu desastre –muitos sentimentos mortos. Clifford tornara-se insensível.”


As obras ilustradas são de dois pintores ingleses que viveram no mesmo período que o autor do livro: Edmund Blair Leighton (1853-1922) e John William Godward (1861-1922)


Ralph Vaughan Williams é um compositor inglês (1872 - 1958)
Música do post: Stadsknapenkoor-Gorcum_MC1994_09_O-taste-and-see_Vaughan-Williams_PART-II_Orgelimprovisaties-5-themas_organist-Nico-D-Blom


Beijos, Pedrita