sábado, 27 de dezembro de 2008

O Natal do Menino Imperador

Assisti O Natal do Menino Imperador de Denise Sarraceni na TV Globo. Eu quis ver esse especial porque o protagonista é o ator Guilhermo Hundadze e eu tinha gostado muito do desempenho dele na novela Eterna Magia. Ele é muito fofo! É bem fraquinho esse especial, ainda mais nas referências históricas, mas é bem bonitinho!

A narração é feita pela Fernanda Montenegro. Vocês se lembram que li recentemente As Barbas do Imperador, sobre Dom Pedro II, então percebi claramente os equívocos históricos. Dom Pedro II relutou e enrolou muito para terminar com a escravidão por interesses comerciais. Ele criou duas leis para camuflar a escravidão, mas só quando viajava pelo mundo que a Princesa Isabel, pressionada pelas relações internacionais, acabou efetivamente com a escravidão. Mas não deram auxílio algum aos negros alforriados. Então fica muito ficcional a amizade de Dom Pedro II com um negro. Como disse, O Natal do Menino Imperador é bonitinho como uma história qualquer, acho que tentaram fortalecer a trama transformando-o em rei, e enfraqueceu o especial.
É a história de um menino que o privam da infância, ele tem que estudar tudo o que acham que é necessário, mas não permitem que ele brinque. Até que ele conhece um garoto que vive em um circo. Assim nosso menino começa a subir em árvores, brincar e ser realmente feliz. Esse garoto é interpretado pelo simpático João Ramos. O elenco continua excelente: Aracy Balabanian, Guilherme Weber e Sérgio Britto. Fazem participações pequenas: Carolyna Aguiar, Marcelo Várzea, Luiz Carlos Vasconcelos e aquele menino fofo que gostava de brócolis, o Rafael Miguel. Apesar de nos comerciais mostrarem muito o Reynaldo Gianecchini como Dom Pedro I, ele aparece muito pouco. Se der 3 minutos é muito. Ele aparece para aconselhar o filho em dois momentos em uma única frase. Como ele deve ter participado pouco, só gravou suas falas, ficaram bem artificiais. Mas ele ficou muito bem caracterizado como Dom Pedro I. Os figurinos de Gogoia Sampaio e Rosane Berni Gonçalves são muito bonitos.

Música do post: Carlos Gomes - Quem Sabe (Francisco Petrônio)


Youtube: O Natal do Menino Imperador


Bejios,

Pedrita

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Paula

Terminei de ler Paula (1995) de Isabel Allende. Tinha comprado esse livro no sebo, adoro essa autora, mas não tinha lido nenhum texto, orelha, contracapa, já que muitas vezes contam detalhes que não queremos saber antes de ler. Quando comecei levei um susto e fiquei receosa. Isabel Allende escreveu esse livro para a sua filha que entra em coma. Ela não sabia se a filha ia voltar a memória quando acordasse, então resolve escrever o livro para ajudar sua filha a lembrar de sua história. Só que essa autora escreve tão maravilhosamente, e conta tanto de sua história e de sua família, que apesar de alguns momentos muito tristes, são muito divertidos a história dessa escritora. Eu também tinha muita vontade de conhecer sua história.

Isabel Allende é filha do primo irmão de Salvatore Allende. Apesar de carregar o sobrenome do pai, mal o conheceu. Foi o primo irmão que esteve mais presente, mas como a própria autora menciona na obra, era somente mais um tio de uma família grande. Ela convive muito mais com a família da mãe. Me surpreendi em ler que a autora viveu dois anos com a mãe e o padrasto no Líbano. Dos 12 aos 14 e teve contato na escola com a austeridade ao feminino e aos romances. Também não sabia que tinha vivido tanto tempo no exílio, por 17 anos Isabel viveu com seus filhos e seu primeiro marido na Venezuela. Sempre adorei os textos de Isabel Allende e imaginava que sua formação tivesse sido riquíssima em literatura quando na verdade foi a sua trajetória que foi lapidando toda a sua erudição. Gostei de vê-la mais humana e mais próxima dos meus projetos e sonhos.

Essa foto é da filha dela, Paula, com o seu marido Ernesto Diaz que está no site oficial da autora.
Trechos de Paula de Isabel Allende:
“Escute, Paula, vou contar uma história para que você não se sinta perdida quando acordar.”

“...me confessou que a pior pobreza é a de colarinho e gravata, porque é preciso dissimulá-la.”

“Dentre os filhos, somente minha mãe importa nesta história, porque se começo a falar sobre o resto da tribo não terminaremos nunca, e além disso os que ainda vivem estão muito longe; assim é o exílio, atira as pessoas aos quatro ventos e depois fica muito difícil reunir os dispersos.”

“Minha mãe era uma linda jovem de dezoito anos quando Tata levou a família à Europa, numa viagem penosa que então só se fazia uma vez na vida, pois o Chile fica nos calcanhares
do mundo.”
Música do post: ZAMBA_DEL_CHE_-_Victor_Jara




Beijos,

Pedrita

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A Felicidade não se compra

Assisti A Felicidade Não se Compra (1946) de Frank Capra no Telecine Cult. Soube que ia passar esse filme no Cult Blog e me programei para ver, há inclusive um vídeo que passou antes no Telecine Cult no blog dele. Me emocionei muito, me emocionei demais com a história desse homem lutador, com uma vida tão difícil, que ano a ano abandonava seus sonhos. O roteiro é baseado na história de Philip Van Doren Stern. Nosso protagonista vem de uma família que batalha muito. Só há dinheiro para um filho estudar de cada vez. Mesmo ele sendo o mais velho, é ele que ajuda no financeiro da casa desde menino, então são os seus irmãos mais novos que vão estudar primeiro. Tudo é tão difícil! Ele vê todos indo para as universidades em outras cidades, já que vive em uma bastante provinciana, e ele fica lá, sempre na eterna ralação.

No elenco está o maravilhoso James Stewart, em um dos melhores papéis de sua carreira. E a bela Donna Reed. Alguns outros do elenco são: Lionel Barrymore, Thomas Mitchell, Henry Travers, Beulah Bondi e Gloria Grahame. A Felicidade Não se Compra é muito inovador em toda a sua estrutura, no roteiro, na forma de narrar a história. Li também que a cidade de nosso protagonista foi um dos maiores cenários construídos até então. A Felicidade Não se Compra ganhou o Globo de Ouro de Melhor Diretor.
A Felicidade Não se Compra é um ótimo filme para comemorar o Natal com vocês. Uma ótima festa à todos!

Youtube: It's A Wonderful Life



Beijos,
Pedrita

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Os Livros da Minha Infância

A Ematejoca me convidou a participar da blogagem sobre Os Livros da Minha Infância. Como estava com posts tristes na seqüência, achei esse ideal para ser o post de Natal do Mata Hari e 007. Nada melhor para comemorar o Natal com livros. E que todos dêem e ganhem muitos livros nesse Natal. E caso estejam com pouca verba, lembrem-se que há muitas bibliotecas gratuitas que podem fazer a felicidade e a magia de cada um. Ou encontrem parentes e amigos generosos em emprestar livros e desfrute-os, cuide e devolva-os intactos num breve espaço de tempo.

Obra Le Chemin de Fer (1872-73) de Edouard Manet

Mas vamos ao post: Minha mãe comprava bastante livros infantis. Nós viajávamos às vezes e em dias de chuva íamos comprar livros para passar o tempo. Eu sempre amei duas histórias e me emociono até hoje com elas: O Patinho Feio e Heidi. Tínhamos uma coleção que era vendida em bancas, com capa dura colorida, uma foto bonita e Heidi era minha paixão. A escola foi a que mais atrapalhou esse processo. Aos 10 anos uma professora insana obrigou a classe a ler Luzia Homem. Não imaginam o quando fiquei chocada com aquela história. Isso porque era um momento tão moralista, as pessoas tão cheias de pudores. Às vezes acho que ela nem sabia do que se tratava. Nesse período os livros para moças da minha avó fizeram bem mais efeito no meu imaginário com as lindas obras Mulherzinhas e O Sheik.

Mas foi Agatha Christie a grande responsável pela minha paixão por livros. Minha mãe lia mais ou menos, não eram obras clássicas, mas assim que ela viu que devorávamos os livros da Agatha Christie das prateleiras começou a nos presentear com vários nos aniversários e no Natal. Nessa época li ainda Pássaros Feridos, Dom Casmurro, Corações de Vidro e algumas obras de Richard Bach. E a biblioteca do colégio foi outra grande companheira. Foi um professor de matemática que indicou uma obra do Lin Yutang. Aí surgiu uma vizinha, as encantadoras vizinhas, que sócia do Clube do Livro era "obrigada" a comprar um livro por mês. Ela não era uma devoradora deles, nem entendia muito deles. Lia lá as propagandas da revista do Círculo do Livro, que romanceava quase todas as sinopses e os comprava. Ela então deixou que eu pegasse livros ainda no celofane, que ela nunca veio ler depois de abertos e foi aí que as obras começaram a ficar mais clássicas. Dela que li Ilusões Perdidas do Balzac. Nessa época que uma dessas coleções de banca enviou um catálogo com muitos livros a preço de banana. Como se fossem de R$ 1,00 a R$ 5,00 de hoje. E pedi inúmeros, sem nem saber o que pedia, escolhi no escuro. Vieram então: Relações Perigosas do Choderlos de Laclos, Vermelho e Negro de Stendhal. Foi nessa época também que minha mãe me presenteou com As Brumas de Avalon que devorei.


Passada a adolescência, fiquei muito tempo sem poder comprar livros, que dirá na velocidade que precisava lê-los e foram as bibliotecas os lugares mais mágicos para liberar minhas fantasias. Era sócia de 6 bibliotecas na época. A que gostava mais era a do Sesi no prédio da Fiesp na Avenida Paulista, porque era a que tinha livros mais recentes. Bibliotecas muitas vezes trazem livros mais antigos e daqueles que todo mundo já leu. Essa não era assim. Li que hoje não está mais lá. Bastava levar uma conta de luz, era possível ligar para atrasar a data da devolução, desde que não fossem livros com lista de espera. Então eu evitava livros indicados para vestibulares e conseguia esticar se necessário o tempo de leitura. Foi lá que descobri Italo Calvino, que li a biografia do Freud por Peter Gay, que li muito Saramago. Toda essa peregrinação fez eu achar um livro um dos melhores presentes para dar e ganhar em qualquer data. Foi nessa época que comecei a anotar listas e listas de livros que precisamos ler na vida, inclusive uma extensa do Paulo Francis e comecei a nortear melhor minhas leituras.
Hoje consigo comprar livros com mais regularidade. Com minha irmã também, fazemos um bom intercâmbio de leituras. O Submarino foi um bom companheiro e o Sebo Alternativa no centro de São Paulo. Não chega a ser um dos sebos mais bem equipados, mas tem colaborado muito nas minhas aquisições. Recentemente somei ao Submarino a Fnac que traz às vezes preços incríveis. Minhas listas de livros que me aconselham a ler aumentaram consideravelmente. Eu e minha irmã passamos a ler os autores que ganharam no Nobel e o Paisagens da Crítica me traz inúmeras sugestões de Literatura Contemporânea.

Desejo a todos vocês um Natal com uma árvore recheada de livros ou ao menos de sonhos. Não esqueçam que as bibliotecas gratuitas podem rechear esses sonhos com muita imaginação.
Ah, esqueci, preciso indicar pessoas pra participar. Fiquem a vontade se desejarem declinar o convite:
Os Incansáveis - já respondeu
Paisagens da Crítica
Marion
Pensieri
Saia Justa
O Tempo Redescoberto
Letras com Chocolate - já respondeu
Por entre letras - ele está de férias, deverá demorar para escrever, mas acho que vai gostar da brincadeira. - já respondeu

Beijos,

Pedrita

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Segredo de Berlim

Assisti O Segredo de Berlim (2006) de Steven Soderbergh no Cinemax. Além da direção, o elenco é excelente, George Clooney, Cate Blanchett e Tobey Maguire. Mas o filme não funciona. O diretor quis fazer um filme noir, colocar várias referências de filmes pxb noir. É muito bem feito, bonito esteticamente, bonita a fotografia, mas o roteiro funciona muito mal. O personagem de George Clooney aterrisa na Berlim após Segunda Guerra Mundial. Logo depois, onde a cidade ainda está muito destruída, há muitos interesses políticos de vários países e ele se envolve em uma trama bastante complexa. O roteiro é baseado na obra de Joseph Kanon.

No final O Segredo de Berlim faz uma homenagem ao final de Casablanca, mas o desfecho é bastante fraco. Parte da premissa que o fato seria algo escandaloso, alguém fazer qualquer coisa para sobreviver. E com perfil machista, porque alguém que faz "qualquer coisa" é uma linda mulher. Bastante tolo e já imaginávamos isso logo de cara. O filme se arrasta bastante, é mal desenvolvido não funciona. O final quer surpreender com o óbvio e com uma visão machista para um filme atual.


Música do post: 23 - Ella Fitzgerald & Group - Soldier Boy



Beijos,

Pedrita

domingo, 21 de dezembro de 2008

História de Babar

Assisti História de Babar no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Foi a última apresentação da série Contos Clássicos. Esse trazia a belíssima música de Francis Poulenc, interpretada ao piano pelo excelente Marcos Aragoni, um narrador, Marcelo Lazzaratto e a Cia de Teatro de Sombras Karagozwk. Foi um maravilhoso espetáculo. Originalmente essa apresentação é com o piano e o narrador, as imagens ficam pela nossa imaginação. O teatro de sombras contou a história do elefantinho, a História de Babar, baseada na história infantil de Brunhoff. Ele vive na floresta, um dia vai para a cidade. É um encanto a história. Eu adoro elefantes e gostei muito de conhecer uma história muito lúdica e surreal com um elefante. O que gostei mais desses dois últimos espetáculos da série Contos Clássicos foi a possibilidade das crianças criarem os seus espetáculos em suas casas. Novamente os artistas conversaram com o público assim que acabou a apresentação e mostraram essa arte milenar das sombras. Começou muito antes de Cristo, inicialmente para representar histórias religiosas.
Os artistas mostram como funcionam esses papelões que com uma luz dão vida e história aos personagens. Me lembrei das noites sem luz que brincávamos com sombras na parede. Falaram que essa técnica é possível com vários objetos, dança e muita imaginação. Adorei que as crianças puderam ver que é possível criar as suas fantasias, fazer espetáculos com papelão, material reciclado uma luz e muita imaginação. Longe dos brinquedos já prontos, dos filmes que já dão as respostas e liberamos a imaginação. Poder brincar, criar, o que tanto sinto falta na infância de hoje.

Música do post:



e

Beijos,

Pedrita