Assisti Sweetness in the Belly (2019) de Zeresenay Mehari na Film&Arts. Esse filme é baseado no livro de Camilla Gibbs. O diretor é etiópe.
Eu procurava filmes com Wunmi Mosaku. Descobri que já vi vários trabalhos com ela. Gosto muito do trabalho dela.
A história é muito triste. A personagem da Dakotta Fanning aparece criança, com 7 anos. Ela e seus pais estão viajando no Marrocos, os pais parecem bem alternativos. Vão visitar um guru, enquanto a filha brinca com as crianças, eles vão embora, largando ela lá. Ela cresce então nesse ambiente muçulmano, torna-se muçulmano e faz toda a sua educação nesse ambiente ultra religioso.
Agora ela vive de favor na casa de uma mulher, faz serviços domésticos e está na Etiópia. O filme conta esse período que o imperador é deposto por revoltosos, mas o exército que ajudou o povo toma o poder e passa a executar os revoltosos que os colocaram no poder. O médico que ela se apaixona se junta aos revolucionários e eles se perdem. Ele é Yahya Abdul-Mateen. É quando uma horda de refugiados começa a deixar o país e a protagonista também. Ela descobre na imigração que tem passaporte inglês, é inglesa, então tudo fica mais fácil pra ela. Em Londres inclusive o governo dá um apartamento pra ela.
É quando a protagonista reencontra a personagem da Wunmi. Elas tinham se visto na fila da imigração. Ela acabou de ter um bebê, tem um filho e procurava uma amiga pra ver se poderia sair do abrigo. A protagonista oferece que morem juntas. Forma-se uma linda amizade. A amiga era agregadora, tinha inúmeras amizades, o apartamento vive sempre alegre e feliz. Ela monta um escritório para localizar parentes da Etiópia. O filme fala muito de não pertencimento, aquela sensação de parecer não fazer parte de lugar algum.
Assisti Difret (2014) de Zeresenay Mehari no TelecinePlay. Não conhecia esse filme, só no final que vi que é produzido pela Angelina Jolie e lembrei que ela andava produzindo e apoiando produções que contassem as violências de países do continente africano. Esse é da Etiópia e é baseado em uma história real.
Hirut é uma menina de 14 anos que é sequestrada saindo da escola por vários homens armados. Ela é levada a um cativeiro, um deles a espanca e a estupra. Quem a espanca e a estupra irá casar com ela, o grupo o parabeniza por ser uma menina de boa família, bons genes. Em uma oportunidade que fica sozinha, Hirut pega a arma esquecida pelo "noivo", foge correndo. Eles vão atrás, ela pede que eles deixem ela ir senão atira, atira para o alto, mas eles continuam avançando, ela atira e mata o "noivo". Ia ser morta ali mesmo, a polícia a prende. É costume que a mulher nesse caso seja condenada a morte.
A polícia faz o que pode e o que não pode para dizer que a menina é maior de idade. Uma advogada de uma associação de apoio as mulheres pega o caso e tenta a todo custo provar que a menina tem 14 anos. Consegue um comprovante de batismo, mas a polícia não aceita e pede identidade. Um modo claro de violentar mais a menina, porque nenhuma criança da aldeia tem identidade. A advogada consegue apoio de um ex-patrão importante e consegue levar a menina sob custódia pagando a fiança. A menina tem muita dificuldade de adaptação. Não conhece eletrodomésticos, dorme no chão. Hirut, por pouco estudo, tem dificuldade de compreender o que acontece. Gostei do filme colocar ela rebelde, com dificuldade de aceitar ajuda. Segue para um orfanato até o julgamento. Gostei de mostrar a advogada compreendendo a dificuldade da menina de gostar dela e aceitar ajuda. A advogada também avisa sempre a imprensa para que as notícias protejam a menina e a mantenham viva até o julgamento. Os homens da aldeia se reúnem para conversar sobre o caso, querem a menina para manterem os seus costumes de a matarem. Os homens estão revoltados que a polícia interferiu no caso e ficou contrária aos costumes do povo. Nas aldeias da Etiópia é costume sequestrar e estuprar as meninas que escolhem para casar. E acham um absurdo as leis interferirem nos costumes da aldeia.
Apesar da lei dizer que o caso de Hirut configurava que ela matou por legítima defesa, os homens da Etiópia queriam condenar a menina à morte. A advogada revoltada, abre um processo contra o Ministério da Justiça que vem continuamente não cumprindo a lei e exige o cumprimento da lei. O caso dá muito problema, ela perde a custódia da menina, não pode mais advogar. Mas há uma reviravolta, o Ministro da Justiça é demitido, mentem que ele que abandonou o cargo, a menina é julgada inocente. É o primeiro caso na Etiópia onde uma mulher vence um caso como esse. No final contam que a advogada continuou lutando por causas como essa e Hirut passou a ajudar mulheres sequestradas e trabalhar nesse segmento. Hirut fica muito triste porque não pode mais ficar com a família porque corre risco de vida e teme por sua irmã mais nova que será sequestrada e estuprada como ela quando um pretendente a quiser. Muito triste.
As atrizes estão ótimas. Hirut é interpretada por Tizita Hargere. A advogada por Meron Getnet. Não é um filme de fácil realização por falar de muitos temas tabus naquelas culturas. Difret ganhou Melhor Filme de Ficção no Festival de Berlim e Melhor Filme Dramático no Sundance Festival.