Assisti Criaturas Notadamente Brilhantes (2026) de Olivia Newman na Netflix. Tinha curiosidade em ver de tanto que falavam. Essa diretora é de um dos filmes e livros que mais amo na vida, Um Lugar Bem Longe Daqui. A natureza é sempre um personagem. Esse filme é bem bonitinho e emociona! E é baseado no livro de Shelby Van Pelt.
A narração do filme é feita por um polvo gigante e por Alfred Molina. Sally Field trabalha em um aquário, ela limpa-o à noite, prefere ficar sozinha, depois que sua vida ficou difícil. Ela perdeu o filho e o marido. Ela vive em uma pacata cidade litorânea. O filme foi realizado no Canadá, em Colúmbia Britânica. A casa dela é a coisa mais linda!
Até que aparece na cidade um jovem procurando o pai. Ele é Lewis Pullman. São relações delicadas e bonitas.
Assisti ao recital de Valentina Lisitsa na abertura do Festival Chopin na Sala São Paulo. Foi algo inacreditável, inesquecível! Que pianista! Ela tocou só Chopin e ininterruptamente! Depois fez um intervalo de 20 minutos e novamente tocou ininterruptamente por bastante tempo. Ela ainda voltou para dois bis!
A Sala São Paulo estava lotada e o público ovacionava intensamente! Valentina Lisitsa é ucraniana e vem regularmente ao Brasil se apresentar. Tinha acabado de voltar de um recital no Rio de Janeiro. Fiquem atentos as programações porque ela pode aparecer em sua cidade e é imperdível! Agora ela volta para a Europa e toca na Itália e em Bratislava na Eslováquia.
Foto de Daniil Rabovsky
O repertório foi todo de Chopin. Entre as obras estavam:
Polonaise Heróica opus 53
Polonaise nº 5, opus, 44
Scherzo nº 2 em Si Menor, opus 31
Valentina Lisitsa voltou ao palco duas vezes para o bis.
Uma obra era o Piano Concerto nº 2 em Fá Maior, opus 102 de Shostakovich
Outra que causou muita comoção foi a Ave Maria de Schubert, na versão de Liszt para piano solo.
Foto de Denise Andrade
O Festival Chopin acontece em todos os sábados de outubro. Serão 5 concertos em vários teatros. Ansiosa!
Assisti Holland (2025) de Mimi Cave na PrimeVideo. Não estava muito animada em ver esse filme porque detesto a Nicole Kidman, sempre ruim e ainda faz uma vozinha infantil para a caracterização da personagem que fica pior ainda. Gostei muito da construção do roteiro de Andrew Sodroski. Mas o filme é bom! Gostei bastante!
Eu divido o filme em duas partes. A primeira me promoveu reflexões muito interessantes. Depois o filme muda, vem muito, mas muito sangue, fica violento e muito bom também, mas acabou ficando em partes no meu pensamento. Nicole interpreta uma esposa exemplar. Ela é dona de casa, mãe, e dá aulas no colégio de culinária pras meninas. Os meninos aprendem marcenaria.
Ela tem uma família feliz. No começo ela é a narradora. O filme é todo muito inteligente. Ao final é o mesmo texto, mas dois narradores. Ela nos conta que o casamento a estabilizou, não entendemos muito bem porquê, não sabemos o passado dela. Que deu um sentido, uma unidade a ela. Essa paz que se instala no lar, os esfria. Eles se desinteressam por suas vidas medíocres, controladas e programadas. Um perde o interesse no outro. O marido é Matthew Macfadyen. O chato do filho é Jude Hill. É muito interessante como o castelo dessa dona de casa vai desmoronando. Logo no começo some um par dos seus brincos. Como não poderia deixar de ser, ela culpa e demite a funcionária. Só que ela continua procurando o objeto e começa a achar coisas estranhas do marido na casa.
Ela então se desabafa com o personagem misterioso do Gael Garcia Bernal. Ele é colega dela na escola, é o professor de marcenaria e tem um passado secreto que não descobrimos. Como ele é latino é perseguido na escola. E o acusam de ser gay. Típico desse universo preconceituoso. Os dois começam a investigar os objetos do marido. Como disse, o filme da metade pro fim vira um incrível thriller, é um bom filme.
O pai fica com o filho construindo uma cidade miniatura. É assustador como essa cidade influencia na trama.
Fui na estreia da peça Depois do Ato de Nanda Nunes no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. A ideia é muito original, três homens ficam presos em um recinto, sem entender porque estão ali. Os atores são ótimosFernando Galdino, Sérgio Thales e Vitor Colli.
Eles são: um religioso, um fanático e um humilde. Eles acabaram de participar do ato de 8 de janeiro. A peça debate os seus contextos e suas relações. O fanático está arrasado que o Messias não apareceu na manifestação. O religioso só sabe esbravejar frases feitas do livro que carrega. O humilde foi sem saber o que era, prometeram 500 reais, comida. Ele é o único que ficou mais chocado com a destruição que os manifestantes fizeram. A peça promove discussões desconcertantes.
Foi interessante a peça estrear no TTeatro de Arena Eugênio Kusnet, tão emblemático na resistência no passado. Foi simbólico!
Assisti Os Emigrantes (2021) de Erik Poppe na PrimeVideo. O filme original é de 1971 com Liv Ullmann e Max Von Sydow. Esse é com Lisa Carlehed e Gustaf Skarsgard. Eu não sou muito fã desse gênero que carrega sempre no melodrama. Imaginamos que algo muito pior sempre vai acontecer, com música incidental dramática. Mas é uma bela história, fotografia belíssima e belo elenco. Também gostei que fala de coragem, preconceito, amor e acolhimento tão necessário.
No século 19, Uma família sueca vive com muitas privações. Vivem no campo, o frio faz com passem fome continuamente. Logo vemos que a esposa aceitou ir com o marido aos Estados Unidos e enquanto viajam na carroça ela vai lembrando a vida difícil na Suécia e da comunidade atrasada que vivem. A mãe dela é terminantemente contra a viagem deles aos Estados Unidos. O pastor também faz sermões pavorosos sobre quem se rende ao pecado de ir embora. Mas matar a fome do povo claro que a igreja não faz. O filme é bastante ateu, acho que foi o que mais gostei. Quando ela aceita ir embora e resolvem viajar, eles estão com três filhos e ela grávida. O que fez ela decidir foi ela perder uma filha, que por muita fome, comeu o que não devia e morreu.
O casal se ama muito e ele é muito inteligente. Ele escolhe ir para Minessota, mas lá vê que o solo é seco, sai em busca de um lugar melhor. Eles passam a viver perto de um rio, um lugar arborizado, muito isolado pro meu gosto. Ele vai aos poucos construindo uma casa de madeira. É um belo filme!