Terminei de ler O Acontecimento (2000) de Annie Ernaux da Fósforo. Eu queria muito ler essa autora desde que ganhou Nobel de Literatura. Acabei vendo o filme antes. Eu comprei esse livro na última Festa do Livro da USP. Em geral o Brasil só publicava livros de autoras depois do Nobel, que bom que mudou um pouco. Os livros de Annie Ernaux só chegaram ao Brasil após o Nobel.
Amei que o livro veio com um marcador da obra. Só descobri depois que tirei o celofane.
O livro é autobiográfico. Em 1963 Annie Ernaux era estudante de literatura. Tem um breve envolvimento com um jovem de outra cidade, usa tabelinha, mas engravida. Na França da época o aborto era proibido como ainda é no Brasil. Na França passou a ser permitido em 1975. Ela procura médicos homens que desconversam e começa a fazer uma infinidade de manobras pra conseguir o seu intento. É sufocante ela tentando resolver e não conseguindo indicações, com quem conversar. Desde cedo ela já escrevia e tinha esboços. Esse sofrimento dessa época ela vai anotando no diário que se torna parte desse contundente livro publicado bem depois. Não é uma leitura fácil. Como ela tem muita dificuldade de localizar as fazedoras de anjos, ela se põe em risco várias vezes com procedimentos caseiros, é enganada por médicos, um show de horrores. Ela localiza uma mulher que fazia o procedimento de modo muito rudimentar e como sempre caríssimo. Tudo que é ilegal fica com preço abusivo. A mulher não avisa que a gravidez está em estágio avançado, que é perigoso demais. A jovem faz duas tentativas e as duas é terminar o procedimento sozinha onde vive, que é em um alojamento. Gosto de autoras que tocam em temas difíceis. Que bom que na França, desde 1975, são as mulheres que decidem o que fazer com seus corpos. Qualquer decisão já é dificílima imagine sendo fora da lei. Obra urgente!
Assisti ao BBB26 na TV Globo e na GloboPlay. Eu amo esse programa e essa edição foi maravilhosa, tanto que recebeu o apelido de Edição de Colecionador. Eu amei os finalistas.
Sou fã da Ana Paula Renault desde 2016, quando ela participou pela primeira vez e foi desclassificada. Na época o programa ainda usava o termo expulso e bania o candidato de entrevistas, hoje só perde o que ganhou até lá no jogo e passa a ser considerada desclassificada porque quebrou as regras do jogo. Ficamos arrasadas. Falo no plural porque temos um grupo de WhatsApp de BBB. Acionamos sempre que está chegando perto. E no feminino, porque em 2016 éramos só mulheres, agora tem mais um no grupo. Ana Paula gabaritou o BBB26 como disseram, claro que um bom elenco ajuda. Interessante que ela diz que as marcas não gostam dela, mas tudo o que ela vestia esgotava, as marcas enlouqueciam. Até mesmo músicas voltavam a ser hits. A música World, Hold On, do Bob Sinclair passou a ser a mais ouvida nas plataformas. Ele inclusive declarou torcida pra ela e começou a compartilhar trechos dela dançando nessa e em outras festas. É dessa foto. O mais interessante é que seus adversários se retiraram da pista quando ela foi dançar. Eternamente perseguida, Ana Paula era hostilizada sistematicamente. Então ela ficou sozinha na pista e o vídeo da cena dela dançando é um dos mais vistos e é belíssima. A roupa era um figurino da produção, com um belíssimo leque. Falei de marcas, iFood vive dizendo nas redes sociais que essa festa era deles.
Foi um ano de muitas desclassificações, tinham até piadas com isso e dentro mesmo da casa eles comentavam. Eu tinha ficado muito feliz que a Sol Vega voltou, tinha adorado ela na edição que ela veio. Infelizmente o quarto que ela estava era de muito ódio. E pior, mentiras. A primeira foi da Aline que disse que não se entendeu com Ana Paula. Ela tinha um ódio de décadas quando Ana Paula em um programa que avaliava roupas acabou com o look da Aline. Ana Paula sentiu vergonha do que disse, falou que é contra o que ela acredita, mas Aline foi dizer que elas não tinham se entendido. Ou Aline não entendeu porque o ódio era muito, ou inventou. E isso foi acontecendo com muitos participantes. Um inventava algo, eles passavam a repetir e Ana Paula começou a ficar como a cobra, e outros adjetivos que nem que fosse deveriam ser usados como ela ser desumana. E como disse, era praticamente tudo invenção.
O problema da Ana na casa começou com o Matheus. Ele insinuou que Ana era a patroa e Milena sua serviçal. Ana foi que nem uma leoa falar da gravidade do que ele dizia. Milena tem mania de limpeza, e Ana mesmo dizia pra ela não limpar tanto, mas Milena não consegue ver tudo sujo. E Ana nunca se aproveitou da Milena. Muito pelo contrário. Ela e Juliano sempre se uniam pra ajudar nas limpezas. E foram muitos horrores parecidos como o que o Matheus disse. Falaram que aqui fora Ana nunca sentaria em um bar com alguém como a Milena, que não seria aqui fora amiga da Milena e até hoje Ana é amiga de Ronan do 2016. Ele disse em entrevistas agora que Ana não faltou em nenhuma atividade importante da vida dele. O mais legal é que Ana sem saber impulsionou comerciais para seus amigos como o próprio Ronan e Dona Geralda.
Foi uma edição de muitas críticas aos decisores, principalmente Dourado e Tadeu. Amigos de Jonas, ficava bastante evidente o favoritismo. Jonas pouco perdia estalecas quebrava as regras, Milena e Ana não podiam respirar que perdiam estalecasa. Das provas eu tenho um pouco de dúvida. A Globo tem espelhado muito a Record, não entendo porque a Globo ainda tem hegemonia, mas invejava o sucesso de A Fazenda. As provas da Fazenda são muito elogiadas, eu tenho uma infinidade de ressalvas a elas. E as provas do BBB ficaram parecidas, sempre exigiam resistência física, juventude, altura, porte físico. E era um contrassenso já que esse ano teve muita diversidade de corpos, idades, informações, habilidades, profissões.
Solange Couto era a mais velha dessa edição, com 69 anos. Eu adorei quando ela entrou. Era muito injusto inúmeras provas de resistência que terminavam sempre com os mesmos vencendo. Infelizmente Solange saiu com a maior rejeição após barbaridades que falou. Parecia realmente envergonhada e arrependida, chorava muito no programa da Ana Maria Braga, espero que realmente esteja arrependida porque era um pavor o que disse.
Gabi inclusive era a menor do elenco. Tanto que várias provas tiveram que ser adequadas ao tamanho dela e algumas tinham cara de remendo. Depois de muita reclamação, percebemos que mudaram as provas. Uma chegou até a ser engraçada. Tinha cara de prova bate-volta, cara de improvisação, mas o mesmo grupo ganhou novamente. O que mais incomodava é que os vencedores achavam que era por mérito, nem percebiam que era por serem protegidos ou favorecidos pelas provas parecidas e para um perfil específico que eles tinham. Bastou as provas mudarem, os vencedores começaram a ser diferentes, mas aí o jogo já estava bem adiantado. A direção tinha uma resistência absurda a fazer as mudanças necessárias. O que mais me incomodava no Tadeu era o bordão "deixem as tretas no jogo". O BBB é uma micro sociedade. Um modelo de um pequeno grupo social, então muito do que acontece lá, acontece aqui fora. Ignorar violências verbais, achar que um homem que grita com uma mulher, muito mais alto que ela é do jogo, é um absurdo, é a normalização da violência tão presente na sociedade.
O BBB gera muitos produtos agregados, gostei muito do Bate-papo BBB, mas não vi muitos. Acabava vendo só dos participantes que gostava. Gil do Vigor e Ceci Ribeiro que apresentavam. O Baile do Gil ficou famoso porque o economista resumia a participação do BBB, mostrando erros e acertos. Também me divertia com o Cecinserão. Inclusive eu não gosto do Sincerão do BBB que acho muito violento há várias edições.
Ana sempre foi minha favorita antes mesmo do BBB começar e já ventilavam que ela voltaria. Depois Juliano foi o segundo. Queria ele no segundo lugar. Ele é namorido da Marina Sena, delicado, educado, respeitador. Nunca fez comentários pejorativos e olha que não faltavam mulheres bonitas no programa. Estou com muita saudade!
Assisti a Segunda Temporada (2026) da série Paradise de Dan Fogelman da Hulu na Disney. Foi essa temporada que fez eu descobrir o plano com mais streamings de ponta. Eu ficava indo no canal 250 pra ver se a Disney entrava em promoção e acabei olhando a Prime e foi lá que vi a promoção com esse incluído. Eu amei essa série e queria muito ver a continuação. São só 8 episódios e muito inteligentes. Exceto o protagonista, os outros vão e vem, não tendo aquele problema daquelas séries enormes, inúmeras temporadas, com o elenco não querendo mais continuar e os fãs enlouquecerem com a saída do personagem. Essa os atores vão se alternando, somem, então fica bem mais realizável. Quem não viu a primeira, vou dar vários spoilers.
A primeira acontece no bunker, com algumas cenas de antes deles irem pra lá. Essa temporada é praticamente do lado de fora, já que o protagonista vai procurar sua esposa. Nessa os dois primeiros episódios são com Shailene Woodley que está maravilhosa! Ela é uma jovem muito solitária, fica órfã, desiste da faculdade de medicina que cursou por um tempo e vai trabalhar na casa do Elvis Presley. Acontece a tragédia no planeta e ela se protege na casa com outra profissional do lugar. Os personagens dessa série são incríveis, muito bem construídos.
Depois de anos de muito frio, catástrofes, as pessoas começam a se movimentar e chegam na mansão o grupo de Thomas Doherty. Ela reage como pode, mas depois eles entram em um certo equilíbrio e ficam um tempo na casa. Eles seguem para o Colorado, querem entrar no bunker. Muito interessante como esse personagem vai ter a história contada depois, e se torna o protagonista dessa temporada e da próxima. Porque até uma parte parece que ela será a protagonista, mas ela é a protagonista só de dois episódios. Eles se envolvem, ele parte e ela se descobre grávida.
Quando ela está grávida que surge o protagonista de Sterling K. Brown. Ele vem de avião para o planeta para procurar a esposa, mas fica muito mal e ela o socorre e eles passam bastante tempo na mansão do Presley. Depois eles seguem para procurar a esposa, ela tem o bebê no caminho.Ele promete entregar ao pai.
O protagonista localiza o local onde a esposa vivia. O carteiro de Cameron Britton conta que ela é prisioneira de um grupo no trem. Nessa parte fica bem Walking Dead. Um pouco menos irreal, mas lembra. No bunker eu já estranhava, era gente demais para pouca produção de alimentos, plantações, animais. Não dava pra entender como não passavam fome. Fora é pior ainda. E aquele inverno escuro interminável teria morto boa parte das plantações, árvores e animais. Fica esquisito eles sobreviverem. A horta no correio então dá vergonha. Eram 20 pessoas e uma hortinha de quintal que alimentava mal uma pessoa. O protagonista começa a se preparar pra resgatar sua esposa no trem. Há então um episódio contando a história desse carteiro e seu amigo nerd. Eles percebem ou alucinam o fim do mundo e preparam um local que protege de radiação no correio. É incrível como entrelaçam a esposa do protagonista de Enuka Okuma nesse núcleo, muito inteligente. Essa temporada também conta o casal se conheceu no passado e como se apaixonaram.
A série volta ao bunker que agora está um caos. Revoltosos demais, briga por poder. E risco da energia criada artificialmente não durar muito mais. Nicole Brydom Bloom, a Jane, ganha um episódio que conta como ela se tornou essa mulher tão pavorosa. E nesses episódios entendemos quem é Alex e toda a ligação com o rapaz lá trás. Muito inteligente também. A série termina com todos do lado de fora e o protagonista tem uma missão. A terceira temporada já está prometida.
Fui a abertura da Temporada 2026 do Coro da Osesp na Estação Motiva Cultural. O tema foi Ponte Brasil e Alemanha, com belíssimas obras, muitas sacras, desses dois países. Foi maravilhoso!
A carismática regência foi de Thomas Blunt. Lindas as vozes do coro!
Repertório
JEAN BERGER Salmos brasileiros
DENISE GARCIA Dos Salmos
FELIX MENDELSSOHN-BARTHOLDY Seis motetos
RONALDO MIRANDA Belo belo [Texto de Manuel Bandeira]
CLARA SCHUMANN Drei Gemischte chöre [Três coros mistos]
MAX REGER Der Einsiedler [O eremita]
HEITOR VILLA-LOBOS Duas lendas ameríndias em nheengatu
ERNANI AGUIAR Psalmus 150
Os solistas eram Fernando Tomimura ao piano e o barítono Erick Souza.
Como são bonitas as obras de Mendelssohn e Clara Schumann. Belo Belo de Ronaldo Miranda com texto de Manuel Bandeira foi ovacionada, tanto que cantaram no bis, como essa música é potente. Muito bonita a ligação da incrível obra de Villa-Lobos com a de Ernani Aguiar. Foi uma noite memorável e inesquecível! Fiquei muito emocionada!
O vídeo de Belo Belo é com o Coro Contemporâneo de Campinas.
Outro de um concerto do Coro da Osesp do ano passado.
E o último a obra de Clara Schumann com o GHOSTLIGHT Chorus
Assisti A Viúva Negra (2025) de Carlos Sedes na Netflix. Quando esse filme chegou no streaming causou um furor, ficou bastante tempo entre os mais vistos. No Brasil está como o Jogo da Viúva.
O filme é baseado em um caso real onde a descobre-se que a viúva que mandou matar o marido. Achei um pouco sensacionalista o alarde sobre esse fato bastante corriqueiro. E machista o choque da sociedade, já que o contrário é comum demais infelizmente. Em todas as chamadas falam do surpreendente resultado, ser a mulher que mandou matar o marido, achei corriqueiro. Também não sei se é o machismo que faz as pessoas se surpreenderem que uma bela jovem de rosto angelical fosse ser tão ardilosa. Na foto está o casal na vida real.
Ao final contam que o filme fez algumas licenças poéticas, ou mesmo modificou uns personagens. Eu imagino que seja verdade, já que as pessoas ainda estão vivas. Ivana Baquero que faz a viúva.
O filme começa com a policial de Carmen Machi ser avisada do assassinato. O filme tem alguns problemas de construção. Ela está com a filha na escola e tem que conseguir outra escola para a menina. Não entendemos muito bem porquê. A policial é de uma equipe de homicídios com alto índice de solução. Logo ela percebe que a viúva tem vários outros relacionamentos. Que antes de casar o noivo descobriu uma traição, perdoou e mesmo assim eles se casaram logo depois. De novo achei as colocações meio machistas sobre as traições da jovem. A equipe estava chocada que o noivo perdoou. É comum demais mulheres que perdoam traições.
A jovem é bastante ardilosa e tinha vários amantes, mas pelo menos no filme o casamento dela era de fato bem ruim. Ela tem 25 anos, é cheia de vida, linda e se enfia em um casamento sem atrativos. Todo o dinheiro dos dois ia para a reforma interminável. No filme ele se recusa a gastar um pouco mais em um drink para se divertir em um belo lugar, está sempre querendo economizar. Ele também adora ficar com a família dele que nunca aceitou a esposa depois da traição. Pra piorar ela trabalha demais e no filme diz que ela que paga sozinha a reforma. Ela é enfermeira e tem dois trabalhos exaustivos. Um com idosos em uma casa de longa permanência e outro em um hospital. Nos poucos momentos de lazer, ele não quer gastar nada ou quer que ela vá com ele na família que não a suporta. Então ela passa a mentir pra ir com uma amiga a baladas. Ela só queria se divertir. O filme tem um tom machista de colocar ela como a mulher de muitos amantes, que não respeitava o casamento e vivia em baladas, mas ela tinha só 25 anos, trabalhava demais, e queria se divertir, ser uma mulher livre. Não há nada demais em uma mulher querer curtir com outros homens, só não devia ter casado ou devia ter se separado. Sim, é monstruosa a solução que ela encontra pra sair dessa situação e como ela manipula alguém pra fazer o serviço sujo. Mas a insatisfação do casamento é perfeitamente compreensiva.