Uma mulher está tentando dar uma entrevista, mas há uma música altíssima. Ela resolve encerrar e combinar depois em outro lugar.
Há muita simplificação no tribunal. Há três possibilidades: o marido pode ter caído, pode ter se suicidado e pode ter sido assassinado. Como em A Escada, não há certeza alguma porque só a esposa estava na casa.
Pra piorar, ela e o marido tinha se mudado para uma casa pavorosa, perigosa e cheia de escadas, no meio do nada. Uma casa deliciosa nos Alpes pra se passar uma temporada de férias, mas péssima pra se morar.
O filme é cheio de questionamentos linguísticos. A protagonista é uma famosa escritora e interpretada brilhantemente por Sandra Voyter. O idioma confortável pra ela é o francês, mas ela é orientada a falar em inglês no tribunal. Quem mexe com texto sabe a dificuldade que é expressar sentimentos, pensamentos complexos, em idiomas que não são o seu, mesmo que seja fluente, em alguns momentos as explicações não ficam claras. Foi o que mais gostei no filme. Como hoje é fácil traduzir na internet, acham que uma tradução automática resolve, quando é bem mais complexo. O advogado dela é Swan Arlaud.
O vida do casal passa a ser esmiuçada e como o advogado de acusação acha a esposa culpada, ele faz inúmeras simplificações e acusações insuportáveis. Até o psiquiatra do marido vai no tribunal dizer que o paciente nunca tinha falado em suicídio. A escritora desmonta o depoimento dele já que ele não era especialista no assunto, nunca teve um paciente que suicidou, então tudo seria superficial. E concordo plenamente, boa parte das pessoas que se suicidam não parece que vão fazê-los, é algo inesperado ou secreto. Ela por ser intelectual vai desmontando uma a uma as conclusões precipitadas, baseadas em achismos. O fato de um paciente nunca falar que pensa em se matar, não significa que não pense ou que não vai ter um impulso em realizar em algum momento. Claramente o marido está frustrado. Quando o filho era pequeno, o marido não conseguiu buscar e enviou outra pessoa e o filho foi atropelado e perdeu a visão. E profissionalmente ele era bem perdido e a esposa bem sucedida. O machismo faz muitos do tribunal culparem a mulher que parecia o sufocar, quando na verdade ela acabou aceitando muitas das decisões dele, como tirar o filho da escola e aprender em casa, eu não acho essa decisão muito satisfatória, criança precisa de convívio com outras crianças. E indo naquela casa no meio do nada, pior ainda. E também foi insistência dele. Ela estava feliz onde eles viviam. Ele estava arrumando o sótão para que pudessem alugar quartos. Pensava em escrever e passou a gravar as conversas deles, algumas sem autorização. Enfim, eu passei a detestar o marido que vivia culpando a esposa. Mas no tribunal a culpam o tempo todo, que não teria perdoado o marido do acidente, ela diz que por alguns dias sim, mas depois passou. Que traiu ela, ela diz que depois do acidente os dois passaram a tentar se encontrar, então acabou acontecendo. O tempo todo ela é condenada, um pavor.
Beijos,
Pedrita


























