sexta-feira, 10 de abril de 2026

Anatomia de uma Queda

Assisti Anatomia de uma Queda (2023) de Justine Tret na Prime Video. Eu queria muito ver esse filme, tinha alta expectativa. Não sei se foi porque recentemente assisti A Escada, que a trama não foi tão marcante. Sim, é bem mais profundo que A Escada, até porque Anatomia de uma Queda é uma ficção, mas não senti muita diferença.

Uma mulher está tentando dar uma entrevista, mas há uma música altíssima. Ela resolve encerrar e combinar depois em outro lugar.

O filho dela, Milo Machado Graner, resolve sair com o cachorro, é um lugar muito, mas muito perigoso, cheio de montanhas, quando ele volta encontra o pai caído ao lado da casa. Grita muito até a mãe aparecer. O diferencial desse filme é que os protagonistas, o casal que é analisado o tempo todo, era de intelectuais, ela escritora, mas ele tentava também escrever e era professor. Então as conversas eram profundas, sem simplificações. 
Há muita simplificação no tribunal. Há três possibilidades: o marido pode ter caído, pode ter se suicidado e pode ter sido assassinado. Como em A Escada, não há certeza alguma porque só a esposa estava na casa. 

Pra piorar, ela e o marido tinha se mudado para uma casa pavorosa, perigosa e cheia de escadas, no meio do nada. Uma casa deliciosa nos Alpes pra se passar uma temporada de férias, mas péssima pra se morar.

O filme é cheio de questionamentos linguísticos. A protagonista é uma famosa escritora e interpretada brilhantemente por Sandra Voyter. O idioma confortável pra ela é o francês, mas ela é orientada a falar em inglês no tribunal. Quem mexe com texto sabe a dificuldade que é expressar sentimentos, pensamentos complexos, em idiomas que não são o seu, mesmo que seja fluente, em alguns momentos as explicações não ficam claras. Foi o que mais gostei no filme. Como hoje é fácil traduzir na internet, acham que uma tradução automática resolve, quando é bem mais complexo. O advogado dela é Swan Arlaud.
O vida do casal passa a ser esmiuçada e como o advogado de acusação acha a esposa culpada, ele faz inúmeras simplificações e acusações insuportáveis. Até o psiquiatra do marido vai no tribunal dizer que o paciente nunca tinha falado em suicídio. A escritora desmonta o depoimento dele já que ele não era especialista no assunto, nunca teve um paciente que suicidou, então tudo seria superficial. E concordo plenamente, boa parte das pessoas que se suicidam não parece que vão fazê-los, é algo inesperado ou secreto. Ela por ser intelectual vai desmontando uma a uma as conclusões precipitadas, baseadas em achismos. O fato de um paciente nunca falar que pensa em se matar, não significa que não pense ou que não vai ter um impulso em realizar em algum momento. Claramente o marido está frustrado. Quando o filho era pequeno, o marido não conseguiu buscar e enviou outra pessoa e o filho foi atropelado e perdeu a visão. E profissionalmente ele era bem perdido e a esposa bem sucedida. O machismo faz muitos do tribunal culparem a mulher que parecia o sufocar, quando na verdade ela acabou aceitando muitas das decisões dele, como tirar o filho da escola e aprender em casa, eu não acho essa decisão muito satisfatória, criança precisa de convívio com outras crianças. E indo naquela casa no meio do nada, pior ainda. E também foi insistência dele. Ela estava feliz onde eles viviam. Ele estava arrumando o sótão para que pudessem alugar quartos. Pensava em escrever e passou a gravar as conversas deles, algumas sem autorização. Enfim, eu passei a detestar o marido que vivia culpando a esposa. Mas no tribunal a culpam o tempo todo, que não teria perdoado o marido do acidente, ela diz que por alguns dias sim, mas depois passou. Que traiu ela, ela diz que depois do acidente os dois passaram a tentar se encontrar, então acabou acontecendo. O tempo todo ela é condenada, um pavor.
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Napad

Assisti Napad (2024) de Michal Gazda na Netflix. É um bom filme policial. Li dizerem ser surpreendente, não, não é. Logo ficamos sabendo quem cometeu o assalto e o investigador fica tentando conseguir provas. O roteiro é de Bartosz Staszczyzyn.

No pano de fundo tem a questão política da Polônia. O investigador tinha sido acusado e afastado, mas como é excelente e o caso tinha chamado muito a atenção ele é recrutado novamente. Prometem que se ele resolver em duas semanas será incorporado novamente. Com o tempo entendemos que não é muito claro quem é condenado ou não. Se for do grupo decisor, dos líderes, tudo é permitido. Ele é Olaf Lubaszenko.
O filme mostra a falta de liberdade e perseguição aos seus desafetos. A parceira do policial é Wiktoria Gorodecka.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A Casa da Alegria de Edith Wharton

Terminei de ler A Casa da Alegria (1905) de Edith Wharton da José Olympio. Eu tinha visto o filme e adorado, então fui atrás do livro. Tinha tempo que estava aqui a ler. O filme não está mais disponível na Claro TV, vou ver se acho em algum lugar para rever. Edith Wharton foi a primeira mulher a ganhar o Pulitzer.

O marcador de livro é um pedaço da obra  A Mulher Segurando Leque de Gustav Klint.

Obra Tulipa Rosa (1926) de Georgia O´Keeffe

Só ao final eu lembrei um pouco da trama, vi o filme em 2017 e é uma história muito triste e ousada. Uma jovem da elite fica órfã e sem dinheiro. Ela vai viver de favor na casa de uma tia que faz questão de deixar claro que vive lá de graça. A jovem resolve seguir o conselho da mãe. Belíssima, ela precisa logo casar para garantir o seu futuro. Ela faz então isso racionalmente, começa a escolher quem pode tirá-la daquela situação. Mas como é racional, ela acaba se desinteressando no meio do caminho e vai perdendo os partidos. Deve ser horrível ter que casar com alguém só pra garantir uma segurança. Se ela ainda se interessasse pelos pretendentes, mas não é o que acontece. Então ela se distrai no caminho.
Obra Uma Mulher Elegante com um Guarda-Sol de Mary Curtis Richardson

Para piorar, ela tem uma ótima ideia e confia o seu dinheiro para investidores na bolsa de valores, que não só não aplicam, como vão fingindo que ela recebe os lucros, mas na verdade estão emprestando dinheiro a ela e depois começam a cobrar favores que ela não aceita. Ela resolve conseguir o valor que a emprestaram para saldar sua dívida. Enfim, é um livro angustiante, que mostra muito da situação precária feminina não só naquela época. 

Beijos,
Pedrita

domingo, 5 de abril de 2026

Stay

Assisti Stay (2025) de Jas Summers da Hulu na Disney. Porque sábado é dia de fantasminhas. Esse é bem mais ou menos mas dá pra ver e tem um final tocante.

Começa com um casal belíssimo apaixonado, casando, montando a belíssima casa. Eles são os belos Megalyn EchikunwokeMo McRaeO filme corta para o futuro, ela está na casa agora escura, empacotando tudo. Ele vem buscar as coisas dele, ajudar no desmonte. Eles tem discussões muito pesadas, até os 20 minutos ele já disse que ela é louca umas 50 vezes, Difícil uma reconciliação com quem já perdeu o respeito. Logo entendi que o filme tenta a reconciliação deles, mas eu acreditei pouco. Inclusive ele diz que fizeram terapia de casal. Que terapeuta é essa que não falou que certas palavras não tem volta? Conversar, brigar, mas tnunca ultrapassar uma fronteira sem volta. Eu achei que ele ultrapassou e tive dificuldade de acreditar na reconciliação. Ele tenta ir embora da casa mas não consegue. O filme funciona. Os efeitos são sutis, mas sem furos, convencem. 

Ela começa a achar que precisa entrar em contato com seus ancestrais pra pedir proteção. Ele tem dificuldade de embarcar com ela, mas acaba cedendo. Como disse, o final é muito tocante. É quando realmente entendemos o que separou esse casal, é de cortar o coração. É um bonito filme, um pouco arrastado, longo, mas bonito.
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Okul Tirasi

Assisti Okul Tirasi (2021) de Ferith Karahan na Prime Video. Quem indicou esse filme foi o Miguel Barbieri no instagram dele. Que filme! Estou absurdamente impactada! 

Um incidente vai escancarando a total inabilidade de uma escola, seus líderes e professores de lidarem com os seus conflitos. É um frio dilacerante, o aquecimento central não está funcionando, mas um infeliz tem a ideia absurda de obrigar três meninos a tomar banho frio por uma pequena divergência. E esse é o tom do filme. Não deve ser fácil um internato de meninos, de manter a disciplina, mas seus líderes não são rígidos em disciplinas, são homens violentos que praticam inúmeras violências. Então todos vivem com medo, com segredos. Sim, adolescentes também gostam de segredos, mas a falta de confiança, as punições como torturas, criam um clima hostil. E claro, que tudo vai sair do eixo.
O menino fica profundamente doente e seu amigo tem dificuldade de ser ouvido pelos professores e líderes. O ambulatório é uma farsa, aspirina, quem cuida é outro adolescente. Não há médico, não há carro que pode sair na neve, até tinha, mas foi buscar queijo. É um despreparo assustador. Depois de quase um dia em coma é que o diretor é chamado e só aí uma ambulância é chamada. Como tudo é rígido demais, até os funcionários escondem os fatos pelas excessivas punições. Quando um garoto erra, é humilhado em público e punido, igual as fogueiras que queimavam as bruxas. Sim, há uma revelação surpreendente ao final, mas o que fica claro é o despreparo dos adultos em cuidar de crianças e adolescentes. Em criar um clima de confiança para conseguir prevenir e ajudar. Tudo que é muito violento, fica secreto e profundamente perigoso. Que filme difícil.
Salmet Yildiz está impressionante. Os líderes não se incomodam de fazer o garoto um eterno leva e trás de pessoas, objetos, ele vira empregado dos líderes que não conseguem ajudar o garoto doente. 

Eu ando olhando no 250 da Claro TV se vai ter promoção da Disney porque entrou a segunda temporada de Paradise que amei. Não sei porque olhei na PrimeVideo e vinha essa chamada. Por só R$ 10,00 a mais eu teria ainda Prime Video e a Disney no meu pacote que é muito mais barato do que eu tinha há uns 2 anos. R$ 100,00 a menos do que eu pagava. Fiquei muito feliz! Sim, tem comerciais, mas não tem me incomodado. Não são invasivos como os do YouTube.

Beijos,
Pedrita