segunda-feira, 26 de setembro de 2022

A Casa Grande de Romarigães de Aquilino Ribeiro

Terminei de ler A Casa Grande de Romarigães (1957) de Aquilino Ribeiro da Livraria Bertrand. Eu vi uma resenha desse livro no Geocrusoé. Um amigo então comprou em um sebo em Portugal pra mim. É uma edição mais antiga que a que o Geocrusoé leu.

O marcador de livros magnético foi presente de outra amiga e veio da lojinha do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Foto da Casa Grande de Romarigães

Na edição que li há um prefácio de Aquilino Ribeiro onde ele conta que quando foram reformar a casa, acharam em uma parede, papéis velhos. O autor pegou esse material e criou a obra com personagens ficcionais. São várias histórias de pessoas que teriam passado pela casa. O vocabulário é muito rico e desconhecido, precisei várias vezes recorrer a um dicionário virtual português.

Trecho de A Casa Grande de Romarigães de Aquilino Ribeiro: "Traziam um nebri e um esmerilhão ensinados na caça de volatareia, mas ainda não houvera ensejo de largá-los. Obra de meia manhã um javali saltara aos alões de uma moita de codessos."

 
Obra A Avó (1856) de António José Patrício

Gostei muito da história da portuguesa que não conseguia engravidar. Ela procurou uma curandeira, como chamamos no Brasil, que deu até conselhos realizáveis. Primeiro ela e o marido deveriam ir em uma procissão e depois namorar embaixo de uma árvore específica. A mulher explica que isso é no caso do problema ser com a mulher. Quando ela então pergunta se for com o homem, a mulher orienta a portuguesa a procurar primos. 
Eu uma das histórias um personagem está indignado com a fuga do rei ao Brasil.
A última história fala do mulherengo Telmo que acaba tendo um envolvimento bem tórrido.

Aquilino Ribeiro é um dos grandes escritores portugueses. Não localizei edições no Brasil. Não sei se já não são mais encontradas, ou se não foi editado por aqui.

Beijos,
Pedrita

domingo, 25 de setembro de 2022

Profile

Assisti Profile (2018) de Timur Bekmambetov no TelecinePlay. Não fazia ideia do que era esse filme e foi um impacto. Achei que era de aventura e é um filme fortíssimo. É baseado em uma história real de uma jornalista francesa Anna Erelle, hoje escondida, com outro nome e em proteção. Ela publicou o livro In the Skin of a Jihadist. O diretor é cazaquistão.
 

Não sei o que é de fato, mas no filme, a protagonista é uma jornalista. Ela faz um perfil falso no facebook para tentar localizar aliciadores islâmicos de adolescentes para a luta armada. Muitas adolescentes de 13 a 15 estão fugindo para Síria para serem esposas jihadistas. A jornalista se passa por uma jovem mais nova que ela, com 20 anos. Ela está sem emprego, a editora diz que compra uma matéria sobre o tema, coloca um especialista em tecnologia que entende da Síria e do idioma árabe para auxiliá-la virtualmente.
Sem um acompanhamento próximo de jornalistas, sem psicólogo, ela vai se enredando na teia. É difícil uma pessoa íntegra não passar a temer por alguém que está em uma região de conflitos, bombardeios. Hábil, ele vai mexendo com o lado afetivo e protetor da jornalista e ela vai embarcando. Eles são muito habilidosos na manipulação dos sentimentos alheios, na sedução. Imagino o risco que meninas adolescentes correm, já que são mais vulneráveis, em uma idade contestadora, em busca de uma ideia de aventura, de correr riscos. Elas não tem ideia que para os islâmicos, elas são umas vagabundas, que aceitam viajar pra casar com eles. Já que para eles, mulheres não viajam sozinhas, não conversam mesmo que virtualmente e não se expõe com desconhecidos. Eles só querem aumentar seu exército e subjugá-las a todo tipo de violência física e sexual porque são pervertidas, na visão deles. Uma pena que elas se iludam tanto. Dá muita agonia a jornalista baixando a guarda, deixando que ele veja detalhes de onde mora, saindo como convertida a locais que ele tinha conhecidos, correndo o risco de encontrar conhecidos que exporiam seu disfarce sem querer. É um filme muito angustiante. Quero muito ver o quanto foi verdade a história. A jornalista francesa diz não se arrepender, já que a ação dela fez muitos líderes serem presos, mas o preço eu acho alto demais. Está em risco pra sempre como Salman Rushdie.
O filme é todo na tela do computador, nós vemos os protagonistas sempre em vídeo um com o outro. Os dois estão ótimos Valene Kane Shazad Latif. E a jornalista fica ainda em vídeo com a editora, com o especialista em tecnologia e com o namorado, tudo meio ao mesmo tempo. Dá muita agonia ela abrindo inúmeras janelas. Ela faz um perfil falso só quando ele quer ver a tela dela, mas ela já se expôs muito antes, porque eles tem muitos hackers verificando tudo. Eu sou muito como ela, abrindo um monte de janela ao mesmo tempo. Só em vídeo que raramente falo com alguém, mas em áudio, em mensagens de áudio, escritos, postando nas redes sociais, fazendo tudo ao mesmo tempo. É muito fascinante como o filme é construído.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Manifest - 2ª Temporada

Assisti a 2ª Temporada de Manifest (2020) de Jeff Rake na Netflix. Gosto muito desse série. Agora os protagonistas descobrem que sabem a hora da morte. Eles ficarão vivos exatamente o tempo que desapareceram. Eles passam então a tentar entender e pesquisar o que podem fazer pra mudar essa informação.

Cal (Jack Messina) está mais chato que nunca. Aquela criança frágil, chata mesmo assim, virou um pré-adolescente mala.


 

Cada um faz o que quer com as informações que tem. Uns tornam-se fanáticos religiosos como Adrian (Jared Grimes). Os passageiros também são vistos como aberração por algumas pessoas e intelectuais. Alguns querem exterminá-los.

No final dessa temporada a tensão fica enorme com a possibilidade de morte de Zeke (Matt Longo). Ele ficou menos ausente no tempo. Saanvi  (Parveen Kaur) dá uma boa pirada tentando o tratamento nela mesma. E que bom que arrumaram uma namorada (Sydney Morton) pra ela mesmo que não tenha virado relacionamento. Estou curiosa pela terceira temporada. O texto da primeira está aqui.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Está Tudo Certo

Assisti Está Tudo Certo (2018) de Eva Trobisch na Netflix. Então, na verdade, não está nada certo. A protagonista, interpretada maravilhosamente por Aenne Schwarz, tenta o tempo todo acreditar que está tudo certo e diz isso pras pessoas após um estupro, mas não, não está nada certo. Ela está mesmo querendo viver como se nada tivesse acontecido. Que filme doloroso! Realista! Julgar menos e acolher mais deveria ser a máxima de todos nós.

Antes mesmo do estupro, a vida da jovem não está nada certo. Ela e o marido (Andreas Döhler) resolveram se mudar para uma casa em outra cidade. Casa que não tem nada, precisa de um mínimo de reforma, tudo está caindo aos pedaços. Igual a empresa do marido. Eles estão falidos. Ela acaba aceitando um emprego. O marido tem insuportáveis alterações de humor que ela sempre desculpa. Diz pra polícia que tenta intervir que ela sabe lidar com ele, que está tudo bem e que nunca está. Ele e a mãe dela (Lina Wendel) são insuportáveis. Após a briga, porque ele fica com ódio que ela aceitou o emprego, ele some 5 dias sem atender ao telefone. A mãe dela tem o mesmo mal hábito.
Ela volta para a casa que moravam pra pegar umas coisas e pra ir a uma festa com amigos. Lá ela conhece um homem (Hans Löw) amigo do grupo, fala que ele pode dormir na sala e quando prepara a sala pra ele dormir, ele vai forçando a barra pra ter relações sexuais com ela, até estuprá-la. Ela começa a trabalhar e descobre que o homem é da mesma empresa que ela vai trabalhar. Pra piorar, ela descobre que está grávida. Na Alemanha o aborto é permitido. A protagonista conta ao estuprador que ela tem que passar por uma psicóloga e esperar uns dias pra ver se muda de ideia e não fazer por impulso. Aí as violências a essa mulher vão se acumulando. Ela descobre na hora do procedimento que ela não pode ir sozinha, que precisa de companhia até voltar da anestesia. Ela chama a mãe que sabia do que tinha acontecido com a filha. E quando acorda quem está lá? O marido. A mãe não podia ir e manda o marido, que claro, fica possesso, já que ele não sabia de nada e acha que o filho era dele. Eu fui ficando tão revoltada com a série de violências que essa mulher está sofrendo. Fiquei impactada demais. No final, ela já bem fora de si, é que finalmente consegue dizer não a um acontecimento banal do cotidiano. Que filme dilacerante! Não, não está nada certo!

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Concerto do Centro de Música Brasileira

Assisti ao Concerto do Centro de Música Brasileira no Mackenzie Higienópolis. Primeiro apresentou-se o violinista Leonardo Feichas. Ele é grande estudioso do compositor Flausino Valle (1894-1954), tanto que ele toca em um violino doado pela família. Lindas e diferentes as obras, uma faz som de porteira, outra tenta assemelhar ao som de viola caipira, muito interessante. Feichas ia explicando também. Ele estreou mundialmente a obra Canção Quase Esquecida de Nilcéia Baroncelli que estava na plateia. Ela me contou que a obra é dodecafônica. Ao final de sua apresentação, juntou-se a ele, a pianista Maria Emília de Moura Campos e interpretaram uma obra de Osvaldo Lacerda e duas de Valle.

Foto de Lucas Ramos

Programa completo:

Flausino Valle (1894-1954)

Prelúdios selecionados da coleção de 26 Prelúdios Característicos e Concertantes para violino Só
Prelúdio III- Devaneio
Prelúdio IV – Brado Íntimo
Prelúdio V – Tico-Tico
Prelúdio VI – Marcha Fúnebre
Prelúdio VII – Sonhando
Prelúdio XIV – A porteira da fazenda
Prelúdio IX – Rondó Doméstico
Prelúdio XII – Canto da Inhuma
Prelúdio XVI – Requiescat in Pace
Prelúdio XVII – Viola Destemida
Prelúdio XX – Tirana Riograndense

Serenim – Violino e piano
Doce Momento – Violino e piano

Nilcéia Baroncelli – Canção quase esquecida (estreia mundial)

Osvaldo Lacerda – Acalanto Pentafônico (violino e piano) 
 

Depois apresentou-se a Orquestra de Cordas Laetare. A regente Muriel Waldman estava muito emocionada e contou que era porque tinham muitos amigos na plateia. Que como a cultura foi a primeira a parar e a última a voltar, era a primeira vez que revia muitos amigos queridos. O repertório foi muito lindo. Adoro Claudio Santoro e Ernani Aguiar. Lindas as obras de Francisco Mignone e Osvaldo Lacerda. Muriel contou que a orquestra procura sempre tocar obras de compositoras, que descobriu-se serem muito mais do que se imaginavam. De compositoras tocaram músicas de Chiquinha GonzagaZequinha de Abreu. A orquestra tocou uma do Edmundo Villani-Côrtes, aquele que comentei aqui que estava no filme do neto, Nas Mãos de Quem me Leva. Foi um concerto muito bonito e gratuito.

Foto de Amatto Photo

Programa completo da orquestra:

Ernani Aguiar
Três Batuques de Cataguases (Introdução e Jabirá, Cará e Dança do Caroço)
Cantilena (de Instantes II)

Chiquinha Gonzaga
Atraente
A Brasileira

Zequinha de Abreu – Tico-Tico no Fubá

Edmundo Villani-Côrtes – Choro

Claudio Santoro – Ponteio nº 1

Francisco Mignone – Miudinho

Osvaldo Lacerda – Dança (do Quarteto de Cordas nº 1)


Beijos,
Pedrita