segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Los Adioses

Assisti Los Adioses (2017) de Natalia Beristain na Netflix. Achei esse filme por um acaso e que grata surpresa! É sobre a escritora mexicana Rosario Castellanos (1925-1974) que desconhecia por completo. No Brasil tem um estudo sobre ela, mas não seus livros, só importados. E o filme está com o nome equivocadíssimo O Eterno Feminino que ia deixar a autora revoltadíssima!
 

Rosario Castellanos era brilhante! Graduou-se em filosofia na Universidade Nacional Autônoma do México, ganhou uma bolsa e estudou na Universidade de Madri. Era poeta, escritora, ensaísta, professora e foi Embaixadora do México. Alguns poemas são lidos no filme e são belíssimos!
Infelizmente ela conheceu o filósofo Ricardo Guerra Tejada (1927-2007) que claramente tinha inveja do talento de Rosario, mesmo ele sendo um renomado filósofo. Quando ela estudou em Madri, escrevia cartas diárias pra ele. Desde o começo ele sempre menosprezava o conhecimento dela, ficava diminuindo-a. Que homem pavoroso!
Karina Gidi está maravilhosa! Ele é Daniel Giménez Cacho. Rosario jovem é interpretada por Tessa Ia e ele por Pedro de Tavira.
Ela escrevia em profusão, ele se incomodava muito e fica o tempo todo interrompendo-a. Como conseguia pouco que ela parasse de escrever, ele saía, voltava de madrugada bêbado, depois de traí-la regularmente com muitas mulheres. Em uma dessas bebedeiras, destruiu a máquina dela de escrever. Volte e meia ela recebia prêmios e homenagens, ele dava sempre um jeito de sair com alguma mulher do local. Ela teve um filho e pra se vingar ele o arrancou dos braços dela e levou pra mãe dele criar. Como não conseguiu arrancar o talento dela, arrancou o filho que hoje é um cientista político. Vi uma entrevista dele dizendo que foi criado pelo pai, sim, porque ele foi arrancado da mãe. 

Rosario Castellanos teve uma morte trágica. Aos 49 anos foi molhada do banho atender ao telefone e quando foi acender uma lâmpada sofreu choque elétrico. Essa é a versão oficial!

Destino de Rosario Castellanos

Matamos lo que amamos. Lo demás
no ha estado vivo nunca.
Ninguno está tan cerca. A ningún otro hiere
un olvido, una ausencia, a veces menos.

Matamos lo que amamos. ¡Que cese ya esta asfixia
de respirar con un pulmón ajeno!
El aire no es bastante
para los dos. Y no basta la tierra
para los cuerpos juntos
y la ración de la esperanza es poca
y el dolor no se puede compartir.

El hombre es animal de soledades,
ciervo con una flecha en el ijar
que huye y se desangra.

Ah, pero el odio, su fijeza insomne
de pupilas de vidrio; su actitud
que es a la vez reposo y amenaza.

El ciervo va a beber y en el agua aparece
el reflejo de un tigre.

El ciervo bebe el agua y la imagen. Se vuelve
— antes que lo devoren — (cómplice, fascinado)
igual a su enemigo.

Damos la vida sólo a lo que odiamos.



Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

The Runner

Assisti The Runner (2026) de Kevin MacDonald na PrimeVídeo. Eu gosto muito da Gal Gadot e gostei do filme, é um pouco forçado, mas funciona e tem um desfecho bem surpreendente! O roteiro é de Mark Gibson.

Tem alguns filmes semelhantes onde a personagem passa o filme correndo. A protagonista deixa o filho (Rory Wilmot) na escola e vai correr. Ela vive em Londres. Um homem liga, diz que está com o filho dela e ela precisa matar alguém pra ele pra conseguir salvar o filho que é diabético e está sendo medicado pra entrar em coma. O mais interessante é mostrar como alguém consegue ter o controle dos nossos sistemas eletrônicos, ele responde por ela mensagens, acompanha por onde ela passa. Um pouco forçado, mas é interessante!
O sequestrador que dá as regras. Ela tem que ir correndo até um hotel para matar o homem. Ela vira uma super mulher, bem exagerado ela dar conta de toda a trajetória. E já imaginam que pela foto nem sempre dá certo. As cenas no metrô são as piores, tudo bem impossível para um ser humano, mesmo que um grande atleta o que não é o caso, ela é uma advogada que corre. E tem umas cenas bem constrangedoras como a dos barcos.
O filme é praticamente ela. Alguns personagens aparecem em seu caminho com Alfred Enoch, Phoenix Di Sebastian, Kenton Lloyd Morgan, Aaron Gil e Damian Lewis. Achei bem forçado as pessoas fazerem exatamente o que ela pede e é esquisito o que ela pede. A personagem deu muita sorte porque podia encontrar um ser indiferente que ignorasse o que ela pedia. Por sorte é filme, então dá certo. Gostei da reviravolta final, funciona muito bem, mesmo sendo bem forçada.
 
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O Verão de 1936

Assisti a série O Verão de 1936 (2026) de Marie Deschaires e Catheribe Touzet na Netflix. Descobri essa série por um acaso. É uma ótima série policial de seis episódios tendo pano de fundo o período entre guerras.

O verão de 1936 foi o primeiro que assalariados tiveram férias remuneradas e lotaram a Riviera junto com a elite. São muitos personagens, é difícil se organizar no começo. Um casal de operários ativistas vai a Riviera com o filho e o irmão do marido. O elenco todo é ótimo e a trama é muito bem construída. Eles são  Simon Ehrlacher e Sofia Essaïdi.

Os ricos ficam no hotel luxuoso. Os empregados também são personagens importantes. A governanta é Nolweenn Leroy e está muito envolvida nas mortes. Ela é sempre uma forte suspeita. Mas o que não faltam são personagens e suspeitos.

A direção de arte é impecável, a edição é ótima. Logo no primeiro episódio acontece o primeiro assassinato, sim, são vários. E muitos personagens são destacados como suspeitos. É uma série muito feminina, as mulheres são determinantes. E Miou-Miou está no elenco.
Constance Gay é a detetive, ela se infiltra na polícia para tentar inocentar o seu pai que está preso e será executado em breve. São muitas tramas e sub tramas.
O personagem de Clément Albert é judeu, ele avisa a esposa de Julie de Bona que eles estão em perigo. Que eles precisam partir, ele comprou passagens pra família ir aos Estados Unidos. Li que em 1934 Hitler se tornou o Fuhrer e que intensificaram as restrições aos judeus.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Women Talking

Assisti Women Talking (2022) de Sarah Polley na PrimeVideo. O filme é baseado no livro de Miriam Towes sobre uma comunidade na Bolívia. As mulheres e crianças passaram a ser drogadas e estupradas. Péssimo o nome no Brasil, Entre Mulheres, porque tudo o que o filme não é, é entre mulheres. Os fatos se desencadeiam pelas atos abomináveis dos homens. Elas não tinham voz e nada mais lógico que o título ser Women Talking.

Não sabemos a época. Elas usam saias no joelho, são muito religiosas. Foi inteligente utilizarem só Deus nas rezas, não definindo nenhuma religião. Elas foram drogadas e estupradas, os homens foram presos, mas se pagarem a fiança, eles serão soltos e vão voltar. Elas resolvem se reunir e ver o que fazer. Só os meninos podiam estudar. Elas não sabia ler, mas criam uma votação com desenhos e X. Se elas vão ficar, lutar ou partir. Dá empate lutar e partir, então elas resolvem conversar para decidir. O elenco é inacreditável!
A personagem de Rooney Mara não sabe de quem está grávida. Elas não sabiam nunca de quem eram seus filhos. O professor de Ben Whishaw que anota o que elas conversam. Em uma conversa ele fala da época da guerra, então achamos que está após a guerra. Só quando aparece uma caminhonete tocando um rock é que imaginamos que é mais recente. Elas que vivem no passado. E fiquei estarrecida que essa comunidade na Bolívia existia em 2009. Frances McDormand está no elenco em uma pequena participação, a personagem se recusa a conspirar contra os homens. A atriz está na produção.
A personagem de Jessie Buckley está muito revoltada e não teria como não estar. Além da proibição de estudar, elas não tinham acesso a médicos, remédios, viviam no maior atraso e privação. Não tinham elos com outros lugares, não conheciam nada além do que viviam. Imagino a dificuldade de decidir partir, largar casa, sustento e partir ao desconhecido.

São as mulheres mais velhas que percebem que não é hora de divergências e sim de união. Que umas não devem julgar as outras. O filme é muito emocionante! Judith Evey é uma dessas mulheres. Claire Foy também está no elenco.
Sheila McCarthy é outra.
Alguns outros do elenco são Michelle McLeod e Abigail Winter. Tem muita adolescente e criança no elenco, já que elas não usavam métodos anticoncepcionais; Elas não sabiam de quem eram seus filhos.


Beijos,
Pedrita

domingo, 30 de agosto de 2026

Canto e piano no recital do Centro de Música Brasileira

Assisti ao recital de canto e piano do Centro de Música Brasileira no Mackenzie Higienópolis. Primeiro José Carlos Vasconcellos tocou lindamente. O pianista disse que o repertório que o escolhe e enquanto preparava o programa lembrou de um CD de Eudóxia de Barros e resolveu homenageá-la. Ele tocou sem pausas e as músicas pareciam se unir, se ligar, impressionante. E que precisão!


Ao todo os músicos tocaram obras de 16 compositores diferentes. Segue o belo repertório interpretado por José Carlos Vasconcellos:

Sequência “Este Brasil que tanto amo” (Tributo a Eudóxia de Barros)

Alberto Nepomuceno – Prece (transcrição de Barrozo Neto)

Henrique Oswald - Valsa Lenta

Leopoldo Miguez - Noturno opus 10

Ernesto Nazareth - Coração que sente

Babi de Oliveira - Tu, doce poema

Osvaldo Lacerda - Metrônomo dodecafônico (de Cromos, vol. 5)

Villa-Lobos - Canto do cisne negro (transcrição de Mignone)

Francisco Mignone - Prelúdio nº 6 (Caiçaras)
Improviso (transcrição de J. C. Vasconcellos)
Na segunda parte se apresentaram Adriana Bernardes no canto e Antônio Eduardo ao piano. Foi um belo e encantador repertório: 

Emílio Correia do Lago - Último Adeus de Amor  (poesia de A.B. Júnior)

Carlos Gomes - Quem sabe!? (poesia de Francisco Leite de Bittencourt Sampaio)

Xisto Bahia - A Mulata

Villa-Lobos - Melodia Sentimental (poesia de Dora Vasconcelos)

Chiquinha Gonzaga - Lua Branca de (poesia retirada da peça Forrobodó)

Osvaldo Lacerda - Ponteio nº 10 – piano solo
Receita para o Amor (poesia de Marina Tricânico)

Gilberto Mendes - A Mulher e o Dragão  (Fragmento de “O Apocalipse” de São João)

Branco Bernardes - Canção (poesia de Paulo Leminsky)

Claudio Santoro - Acalanto da Rosa (poesia de Vinícius de Moraes)

Nesta Rua – folclore popular – harmonização de José Siqueira

Camargo Guarnieri - Azulão (poesia de Luiz Peixoto)

O recital foi gratuito.
Beijos,
Pedrita