domingo, 29 de janeiro de 2023

O Livro dos Prazeres

Assisto O Livro dos Prazeres (2020) de Marcela Lordy no Canal Brasil. Queria tanto ver esse filme que fiquei sem fôlego quando vi a chamada. Vem recebendo inúmeros prêmios e elogios. É livremente inspirado no livro de Clarice Lispector que não li e preciso corrigir essa falta. E é uma coprodução entre Brasil Argentina. O Canal Brasil anda passando filmes que eu quero muito, mas muito ver, fiquem atentos, porque alguns passam uma vez só e não entram no Now.

Eu adoro a Simone Spoladore, que atriz e que personagem. Ela é uma mulher solitária. O apartamento tem muitas caixas, não sabemos se está chegando ou indo. Sabemos muito pouco.

Ela é professora e conhece o professor Ulisses (Javier Drolas). Mas ela é uma mulher livre e se relaciona com outras pessoas. Melancólica! Como a arte permite muitas interpretações, eu fiquei com a sensação que Ulisses era um alter-ego da personagem, um amigo invisível, com aspectos dela mesma, mas que não existia de fato. Alguns outros do elenco são Felipe Rocha, Martha Nowill, Ana Carbatti, Leandra Leal, Teo Almeida e Julia Leal Youssef. É um filme muito poético e lindo!

Eu vi no dia que depois passa o episódio de O País do Cinema falando do filme. Participaram a diretora Marcela Lordy e Simone Spoladore. Quem entrevista é a Andrea Horta. Adoro conhecer detalhes dos bastidores. A diretora contou que começou a pensar em fazer o filme em 2010 e que foram muitos anos tentando patrocínio. Não é fácil fazer cultura no Brasil. Conseguiram verba, mas pra um filme de baixo orçamento teve que definir prioridades. Resolveram investir em um diretor de fotografia, Mauro Pinheiro Jr. E que foi dele a ideia de não colocar o Rio de Janeiro do turista, do cartão postal, eu gostei muito das escolhas de olhares da vista do apartamento, da praia. Há cenas de sexo no filme e a diretora queria um olhar atual. Lembrou que o Brasil tem um histórico no tema e um olhar para o sexo nos filmes, e ela queria um olhar contemporâneo. São bem realistas, sutis, como são as relações íntimas. Diferentes daquelas posadas com beijos posados. São muito bonitas e nos aproximam, porque são próximas da nossa realidade.


Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Boca de Ouro

Assisti Boca de Ouro (2019) de Daniel Filho no Canal Brasil. Esse filme vem sendo muito elogiado, então queria ver. Esse texto do Nelson Rodrigues é incrível. Faz tempo que vi a icônica adaptação da obra por Nelson Pereira dos Santos

O elenco é incrível, todos arrasam! Marcos Palmeira é o Boca de Ouro. Lorena Comparato a Celeste e
Thiago Rodrigues, o marido.

Começa com a morte do Boca de Ouro. O excelente Silvio Guindane é o jornalista que vai entrevistar a ex, a ótima Malu Mader, que voltou com seu marido, Guilherme Fontes.

Hilário a "viúva" contando três versões da mesma história assim que os fatos mudam. A majestosa Léa Garcia faz uma participação. Ainda no elenco Karina Ramill, Raquel Fabbri, Edmilson Barros e Anselmo Vasconcelos.
 

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

The White Lotus - 2ª Temporada

Assisti a 2ª Temporada de The White Lotus (2022) de Mike White na HBOGo. Queria muito ver a segunda, depois que amei a primeira, mas já aviso que é uma série desconfortável. Se achar que não está gostando, pense se é isso mesmo ou só se a série está te causando incômodo.
 

Como comentei, gosto da estrutura dessa série, por ser cada temporada em uma unidade do hotel The White Lotus, os hóspedes e mesmo os funcionários podem mudar,  o que permite atrair grandes atores, já que eles vão atuar só em uma temporada e são curtas as temporadas, 7 episódios, e como são vários núcleos, não fica tão exaustivo. Li que o Havaí e as locações do primeiro aumentaram muito no turismo depois da série. Nesse o hotel fica na Sicília, as imagens são deslumbrantes. Cada locação! Dois casais (Audrey Plaza, Will Sharpe, Meghann Fahy e Theo James) resolvem viajar juntos por questões profissionais. Amigos novos. Um sempre foi rico e o outro é novo rico. Os ricos são ultra felizes, até dá raiva hahahaha. Eles transam muito, mas se provocam muito. Mesmo que não traiam, eles instigam um ao outro possibilidades de traição pra apimentar a relação. Eles tem dois filhos pequenos que não vieram. O outro casal, o novo rico, é mais conservador, a relação é de confiança, de conversas, de sinceridade e é maravilhosa nesses aspectos. É lindo de ver. Mas eles não tem mais desejo um pelo outro. É muito irônico como essa trama se desenrola. Em geral é sempre muito improvável como tudo começa a acontecer nessa série e acho que é o grande trunfo dela.
Outro núcleo irônico é de três gerações (F. Murray Abraham, Michael Imperioli e Adam DiMarco). O avô quer localizar possíveis parentes italianos. O pai é um garanhão. O filho está bravo com ele porque ele magoou a mãe traindo-o. Parece que o filho vai quebrar essa linhagem de machistas traidores, o final é igualmente irônico e desalentador.

A história deles se cruzam com de duas jovens (Simona Tabasco e Beatrice Gannó), uma é prostituta. É o pai do outro núcleo que a contrata. 

Interessante como a trama da gerente (Sabrina Impacciotore) se desenrola.

A história mais triste e difícil vem da primeira temporada. A carente Tanya viaja para a Sicília com o marido (John Gries) grosseiro, cada vez mais grosseiro. Ela leva sua assistente (Haley Lu Richardson) que a trata como capacho, babá ou qualquer outro termo abusivo. Ela tem a sorte, será mesmo? De encontrar um grupo de gays "milionários" (Tom Hollander, Leo Woodwall e Paolo Camilli). As duas viajam então para uma mansão deslumbrante em uma ilha. Que trama triste! Fiquei dilacerada! Jennifer Colliger arrasa tanto nessa série que ganhou inúmeros prêmios como Globo de Ouro e Emmy. Em uma entrevista ela disse o quanto são difíceis bons papéis pra mulheres mais velhas. Vou sentir falta demais da Tanya.

Beijos,
Pedrita

domingo, 22 de janeiro de 2023

9 Dias

Assisti 9 Dias (2020) de Edson Oda na HBOGo. Que surpresa! Que filme! Entrou para a lista dos melhores filmes que já vi na vida! Só agora que fui postar que descobri que o diretor é brasileiro e vive há 10 anos em Los Angeles.

Logo eu percebi que era melhor não saber nada desse filme, e nem fui pesquisar, nem mesmo agora. É um filme de inúmeras interpretações, sensações, me emocionei tanto, não foi fácil. O tempo todo temos dificuldade de entender o que acontece e é melhor assim, tudo vai se descobrindo, se descortinando, mas eu imagino que devem ter muitas interpretações. Winston Duke é o protagonista, que ator, já vinha acompanhando o trabalho dele e é incrível. Nesse filme ele nos dilacera! 
Ele fica nessa casa nesse lugar deslumbrante. As locações são no lago de Utah. As pessoas chegam do nada, brotam do nada. Ele acompanha vidas por TVs antigas, grava em fitas de VHS. Tem arquivos com pastas de cada um que ele acompanha. Nós vemos as vidas das pessoas pelos olhos delas, muito raramente em algum espelho que vemos como essas pessoas são.

Essas pessoas que chegam tem 9 dias pra ser escolhidas. São muito tensas as entrevistas, as respostas, universos únicos de cada um. O protagonista está muito abalado, uma jovem que ele acompanhava, que ia fazer o concerto naquele dia, morre em um acidente. Ele fica então amargo, é duro demais com os candidatos.

Benedict Wong interpreta incrivelmente o amigo que o ajuda nesse processo. O protagonista diz ao amigo que é preciso ser forte, que ele não era, então ele não quer escolher ninguém sensível como ele.

Outra personagem muito importante é a da belíssima e talentosa Zazie Beetz. Alguns outros do elenco são: Bill Skarsgard, Tony Hale e David Rysdahl.


São muitos momentos poéticos, o filme é poesia pura. Uma das cenas marcantes é da Arianna Ortiz em sua bicicleta, me emocionei tanto, mas tanto. E é nesse momento que a música mais linda aparece, Eu na Rua. O compositor da belíssima trilha é brasileiro, Antonio Pinto. Tem algumas canções no Spotify, mas a trilha mesmo eu fui procurando pelos créditos no final do filme, é música maravilhosa demais na trilha! Nunca vou esquecer desse filme!

Beijos,
Pedrita

sábado, 21 de janeiro de 2023

Macunaíma

Assisti ao espetáculo de dança Macunaíma do Theatro Municipal do Rio de Janeiro no Partituras da TV Brasil e no Youtube. Eu quis muito ver essa apresentação quando estreou. Eu acabei me confundindo com as datas, achando que era no mês seguinte, mas era na semana seguinte. As passagens estão proibitivas, em cima da hora pior ainda. Fiquei muito feliz que o programa Partituras gravou e ia passar na tv aberta. Coloquei pra gravar, mas o sistema da Net Claro raramente funciona, ficou lá nos agendados. Só foi pros gravados quando tirei o equipamento da tomada, mas a gravação estava meia hora depois do começo. Tive que ver no Youtube mesmo.

No início, André Cardoso, que fez a adaptação da obra, contou que queriam comemorar os 100 anos da Semana de Arte Moderna de 22 e escolheram esse livro icônico de Mário de Andrade, que li e comentei aqui. Decidiram que a linguagem seria um espetáculo de dança com o Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A belíssima coreografia foi de Carlos Laerte, lindos demais os movimentos. 
Convidaram o compositor Ronaldo Miranda pra fazer a música, que é maravilhosa e foi interpretada pela Orquestra Sinfônica do Theatro do Rio de Janeiro sob regência de Jesus Figueiredo. Que espetáculo lindo! Interpretaram brilhantemente o Macunaíma: Glayson Mendes, Rodolfo Saraiva e Edifranc Alves.

A mãe foi Claudia Mota, todos bailarinos estão incríveis, que espetáculo! É muito profissional envolvido. Bailarinos no destaque são 23, mas a lista é enorme. Sem falar em todos os profissionais envolvidos para a realização do espetáculo!

Há lindas projeções ao fundo, amei a Kombi, quando muitos personagens descem dela e chegam ao palco. Há imagens de Dom Phillips e Bruno Pereira. O vídeo é do Igor Correa da Verus Film.
O espetáculo Macunaíma está disponível agora no Youtube, qualquer um do planeta pode ver. Fantástico! Já são 2,2 mil visualizações.

Beijos,
Pedrita