Assisti Motherless Brooklyn (2019) de Edward Norton na HBOMax. O filme é baseado no livro de Jonathan Lethen. Achei até que tinha visto esse filme. É difícil eu não ver um filme com tantas estrelas, mas não, nunca tinha visto. Norton adaptou o roteiro, dirigiu e protagonizou o filme.
Bruce Willis faz uma participação. Começa ele em uma ação e pedindo que dois homens ficassem de olho. Um é Edward Norton, que é o narrador também, e ele tem um tique nervoso. O personagem de Bruce é morto e o de Norton passa a investigar o que aconteceu. O grupo com Bobby Cannavalle e Ethan Supplee era de detetives particulares. Eles contam que Bruce os encontrou em um orfanato e os preparou para o ofício. O de Norton deve muito a ele e ele é um gênio em guardar tudo o que houve, é uma verdadeira biblioteca.
O filme fala muito sobre especulação imobiliária e eu tive muita identificação. As construtoras compram os políticos, juízes, a sociedade, para derrubar e construir prédios. Para ganhar o apoio popular constroem parques, aqui estão transformando parques em shoppings. Alec Baldwin é o líder das construtoras.
Uma jovem de Gugu Mbatha-Raw está no meio de tudo e o personagem do Norton se apaixona por ela e é correspondido.
Willem Dafoetambém está no elenco em um papel importante. O final é péssimo. Fica subentendido, mas eu acho que tentaram esconder que não conseguiram nada e as construtoras destruíram tudo, porque o filme muda o foco e não toca mais no assunto. A música principal é belíssima! E o gigante Wynton Marsallis está na banda. O filme tem muita música ao vivo.
Assisti Cyclone (2026) de Flávia Castro no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme, coloquei pra gravar.
É livremente inspirado na vida de Maria de Lourdes de Castro Pontes (1900-1919), conhecida como Daisy, a única mulher a integrar O Perfeito Cozinheiro de Almas de Outro Mundo, diário coletivo organizado por Oswald de Andrade que se apaixonou por Daisy que engravidou. Oswald negou que era dele, ela fez um aborto clandestino, teve complicações, fez histerectomia, que não resolveu e morreu um pouco depois, aos 19 anos.
No filme Luiza Mariani é uma mulher de 35 anos, escritora, que trabalha em uma gráfica e escreve o texto de uma peça. Ela tem um relacionamento com o diretor da peça de Eduardo Moscovis, que não dá o crédito do texto a ela. Ela conseguiu uma bolsa para Paris, está levantando a documentação. Mostra a dificuldade de mulheres poderem viajar sozinhas na época. Ela é separada em uma época que a mulher continuava casada, então tinha que ter autorização do marido para viajar, se fosse solteira, a autorização seria do pai. Ela é órfã. Nos exames preparatórios que se descobre grávida. O diretor é o pai, é casado, diz querer o filho que ela está esperando, mas teria que ser tudo clandestino. Ela resolve tirar a criança para não perder a bolsa para Paris. O desfecho é igual ao de Daisy.
O elenco todo é incrível. A melhor amiga é interpretada por Karine Teles. Luciana Paes é uma colega da gráfica. Rogério Brito é funcionário público.
Assisti O Caminho de Casa (2024) de Adolfo J. Kolmerer na PrimeVideo. É baseado no livro do jornalista alemão Sebastian Fitzeks. É um filme fortíssimo, vem inclusive um aviso antes de começar. É um filme policial que aborda muito violência doméstica.
Um jovem de Sabin Tambrea trabalha recebendo ligações de mulheres em situação de risco no caminho pra casa à noite. Ele ajuda uma jovem que está sozinha em um ponto de ônibus e vê jovens se aproximarem. Ele é brilhante em encontrar uma solução pra ela assustar os jovens e dá certo. Ok, pode ser que nem sempre dê certo, mas desse vez funcionou.
Até que ele recebe uma ligação de uma jovem andando ofegante. Nessa época mulheres tem sido mortas pelo assassino do calendário, nome que está no filme no Brasil. Ela diz que recebeu ameaças escritas desse homem, mas também sofre violência de seu marido de Friedrich Mücke e tem uma filha pequena.
Nessa noite do telefonema, ela e o marido foram comemorar o aniversário de casamento e depois ele a levou em um clube de sexo com perversão, sem consultá-la. Ele a dopa lá e ela sofre uma infinidade de violências coletivas. Ela consegue fugir e é quando ela liga para esse sistema de socorro. É desesperador o que esse marido faz com essa mulher. Luise Heyer está muito bem.
A parte policial é muito assustadora, mesmo com alguns furos. O quanto uma mulher é julgada por ter dificuldade de sair de uma relação de violência. O quanto o ser humano é cruel em violentar mais ainda uma mulher em vulnerabilidade, julgando-a e condenando-a. Fiquei muito impactada!
Assisti a minissérie A Dama do Lago (2024) de Alma Har´el no AppleTV+. Que grata surpresa! É baseado no livro de Laura Lippman. Quero ler alguma obra dela. Boa parte dos livros da autora em português só em sebo. Não achei esse. São só sete episódios. Eu nunca tinha ouvido falar nessa série e fiquei muito impactada com esse cartaz. Eu adoro a Natalie Portman e fiquei encantada também com Moses Ingram. As duas são belíssimas e talentosas!
Natalie Portman costuma participar de projetos complexos, muitas vezes que falem da condição da mulher. Essa série é ambientada nos anos 60, nos Estados Unidos. Conta a história de duas mulheres em momentos muito difíceis de suas vidas. A personagem de Natalie, Maddie, é judia, e é humilhada pelo marido que joga toda a comida que ela cozinhou com esmero no lixo. E faz isso na frente das visitas. Ela resolve sair de casa e vai viver em um minúsculo apartamento no bairro negro. Moses sempre teve uma vida difícil. Ela se desdobra pra sustentar a família, marido, dois filhos e a mãe. Nessa foto é quando as duas se cruzam. Cleo é manequim em uma loja de luxo, e Maddie precisa urgente de um vestido para aquele fatídico jantar. Ela comprou cordeiro casher que sujou de sangue sua roupa. Não tem outro vestido além do que está na modelo e ela insiste que quer aquele. A série o tempo todo mostra preconceitos. A gerente e as vendedoras tentam demover Maddie já que a modelo estava bastante tempo vestida com a roupa. E Maddie não liga a mínima. O filme tem vários momentos constrangedores. É incrível! Roteiro inteligente.
Maddie acaba descobrindo onde uma menina desaparecida estava. Ela estava morta no lago. A polícia não entende porque Maddie desconfiou que poderia estar ali. Com o tempo vemos na série porque Maddie achou o lugar e porque conhecia tão bem o local. Maddie é jornalista, consegue dados para uma matéria sobre o caso, escreve em parceria com um jornalista, mas seu nome não é creditado. Ela inclusive não consegue vender o seu carro porque na época precisava autorização do marido e não consegue penhorar a aliança pelo mesmo motivo. É a época inclusive que era proibido relações inter-raciais. Se a jornalista fosse pega romanticamente com um homem negro seria presa.
Maddie fica muito doente e delira de febre, com isso ela tem sonhos incríveis. A direção de arte da série é belíssima! Maddie investigava obsessivamente o sumiço de Cleo, então tudo o que aparece no sonho é fruto do que estava em seu inconsciente, do que estudava, misturado a suas experiências. Achei genial a estrutura da série. A trilha sonora é incrível e alguns do elenco cantam na trama como Moses.
Cleo sempre teve uma vida muito difícil. Ela acaba trabalhando na contabilidade de uma casa clandestina de apostas. Seu filho tem anemia falsiforme e o outro a desobedece e também trabalha com apostas. É brilhante como a trama costura a relação das duas mulheres. E gostei muito do desfecho. Mesmo as duas sendo muito amadas pelos seus companheiros, elas resolvem seguir sozinhas.
Assisti Frantz (2016) de François Ozon na PrimeVideo. Achei por um acaso. Estava na busca procurando filmes franceses e nem acreditei que tinha esse. François Ozon está entre meus diretores favoritos. Recentemente eu procurei filmes desse diretor e esse não apareceu. Esse filme deve parecer mais atual do que quando foi lançado. Fala muito de guerra, de seres humanos uns contra os outros. A tradução usa o termo pacifista pra mostrar os dois personagens. Não gosto muito de rótulos, mas me considero uma pacifista.
Na Alemanha, após a Primeira Guerra Mundial, uma jovem vai ao túmulo do noivo regularmente, até que encontra um rapaz francês que também chora a morte do soldado. A jovem era noiva e vivia com os pais do noivo. Todos ficam felizes de conhecer um amigo do filho e saber mais detalhes do período que o rapaz ficou na França. O filme é esteticamente lindo, com belíssima fotografia. Linda demais Paula Beer e está excelente. O rapaz é Pierre Niney. O filme nem sempre é preto e branco. Muito inteligente como transformar em colorido. Em alguns momentos fica colorido quando o jovem vai ao passado, mas tem outros motivos para ficar colorido. A dor e a tristeza é em preto e branco, quando ela se alegra tudo colore, ou parcialmente, é brilhante. Obra de arte.
O roteiro é muito, mas muito bom, muito bem construído e é baseado em uma peça de 1930 de Maurice Rostand. O filme consegue mostrar todo o ódio dos povos aos seus semelhantes só por serem de outro país. O francês é hostilizado na Alemanha. Ele vai embora, a família incentiva a jovem a ir atrás do rapaz na França. O filme acompanha a viagem dela no trem, as cidades destruídas pela guerra. E ela é hostilizada na França por ser alemã. Muito inteligente mostrar que o ódio e a dor existe nos dois povos e que dependem muito da perspectiva de quem olha.