segunda-feira, 9 de março de 2026

Let them all talk

Assisti Let them all talk (2020) de Steven Soderbergh na HBOMax. Que grata surpresa! E que elenco!

Meryl Streep é uma renomada escritora. Ela vai de navio para Londres para receber um prêmio. Leva duas amigas afastadas da faculdade e seu sobrinho de Lucas Hedges. A escritora precisa entregar um esboço ou o livro, então fica a maior parte do tempo no quarto. Ela sai para nadar sempre no mesmo horário. E janta com as amigas todas as noites.

As duas amigas são Candice Bergan e Dianne West. Uma delas sustenta o filho e a família dele porque ele faliu na empresa que tinha. A outra amiga é vendedora de uma loja de lingeries. Ela é a que aproveita mais a travessia. Vai ao bar, ao baile, não perde os eventos sociais do navio. E procura um marido rico para tentar sair da situação difícil que se encontra. Ela culpa a escritora dos seus fracassos. A outra amiga fica mais no quarto lendo.
A agente de Gemma Chan vai escondida e usa o sobrinho para saber como está o livro. Há dois outros personagens. Um famoso escritor de livros de suspense que as amigas leram tudo interpretado por Daniel Algrant. E um outro personagem misterioso de John Douglas Thompson.

Beijos,
Pedrita

domingo, 8 de março de 2026

Nós, os justos

Assisti a peça Nós, os justos de Kiko Rieser no Teatro Itália. Que espetáculo! Que texto! 

E que elenco afiado Camila dos Anjos, Luciano Gatti, Marco Antônio Pâmio e Thamiris Mandú. É uma empresa, começa com a demissão de um funcionário, por corte de pessoal. Ele não aceita. 8 anos trabalhando na empresa, dedicado, ninguém mais é demitido, ele quer saber o real motivo. Começa então uma sucessão de conversas sobre a visão de cada um sobre os fatos e quem estará de fato falando a verdade? As conversas são sempre desencontradas. A mulher que caiu na rádio corredor da empresa nunca quis que o desconforto que ela teve com o funcionário ficasse público. Como nada era muito explícito e só uma impressão, ela só queria falar com uma colega de trabalho que espalha tudo. E esse tudo vai ficando desproporcional e sem possibilidades de retorno.
Eu fiquei exausta com tanto texto, imagine o elenco. A tensão vem ao catártico final. Inúmeras questões que nada tem a ver com o fato inicial vão sendo expostas, espalhadas. Quem espalhou? E tudo vai ficando insustentável! Que espetáculo genial!. Sim, os justos, os justiceiros.

Foto de Ronaldo Gutierrez
Excelente luz de Rodrigo Palmieri, cenário brilhante de Bruno Anselmo

Amei os figurinos de Marichilene Artisevskis e o que a impecável direção vai fazendo com eles.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 6 de março de 2026

A Garota da Vez

Assisti A Garota da Vez (2023) de Anna Kendrick na Netflix. Só quando terminou o filme que vi que é inspirado em uma história real, do serial killer Rodney Aldava. A própria diretora atua no filme. O roteiro é de Ian Mcdonald. Há um documentário sobre essa história.

O filme se passa entre um período da vida do assassino, 1976 a 1978 e a trama vai e vem com os ataques dele e a vida da protagonista. Ela é uma atriz em Los Angeles, a vida está muito cara na cidade e ela não consegue trabalho. Ele é fotógrafo, muito inteligente, então oferece fotos as vítimas e diz que precisa ser em um lugar bonito e as leva para o deserto, onde as fotografa. Ele era tão perverso que ele asfixiava depois as revivia, em meio a estupros, violências e morte. Esse processo de matar e reviver, torturando a vítima, durava horas. Daniel Zovatto interpreta Rodney. 
A jovem atriz acaba aceitando o conselho do seu agente de participar de um programa de televisão para arranjar namorado. A mulher faz perguntas a três homens que não vê. E depois escolhe sem vê-los. Ela não queria um namorado, mas o agente diz que ela será vista e pode ajudar a conseguir trabalho.

Essa participação dela e do assassino de fato aconteceu. Ela escolheu o Rodney que era muito hábil com as palavras, respeitoso, inteligente, um clássico sedutor. O filme mostra o descaso de várias pessoas com as denúncias. O quanto mulheres são descredibilizadas quando denunciam homens violentos.

A jovem atriz e o rapaz que ela escolheu ganharam uma viagem romântica, mas falam que a candidata assustou-se com o escolhido e nunca mais se viram.

Conseguiram prender Rodney pelo assassinato de 5 mulheres, mas acreditam que tenham sido umas 130. A dificuldade de criminalizá-lo é que ele levava as mulheres em lugares ermos. Ao final veio o texto falando das prisões, foram várias prisões e ele acabava sendo solto e matando outras mulheres novamente, inclusive crianças e preso de novo, e solto de novo. Assustador como permitiam que esse assassino fosse solto. Quem ele matou depois de ser solto novamente, foi morto por ele e pelo estado que não o manteve preso. 


Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 4 de março de 2026

Infiesto

Assisti Infiesto (2023) de Patxi Amezcua na Netflix. É um filme que ambientaram na pandemia para falar da teoria do fim do mundo. É um filme mais ou menos. Os protocolos do covid são bem relativizados.

Uma menina aparece toda machucada em Piloña, uma cidade praticamente fantasma na Espanha. Sim, tem casas, hospitais, mas muitos prédios são abandonados, fábricas abandonadas. Dois policiais começam a investigar e os dois estão com problemas pessoais pela pandemia. Eles são interpretados por Isak Férriz e Iria del Rio. Ele tem a mãe em uma casa de longa permanência e não pode vê-la. Consegue vê-la pela janela. Ela tem o marido doente isolado em um quarto.
As crianças são torturadas e mortas por uma filosofia fanática do fim do mundo. Funciona, mas me incomoda colocar como loucos quem mata, tortura crianças, eles sabem muito bem o que estão fazendo. E é bem forçado, volte e meia os patuscos vão sozinhos em alguma ação. Eles são dupla e nunca chamam reforços. 

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 3 de março de 2026

O Mundo vai Tremer

Assisti O Mundo Vai Tremer (2025) de Lior Geller na Netflix. Tinha tempo que eu via esse filme no streaming mas relutava por falar de guerra, da Segunda Guerra Mundial. Um pouco depois de começar a ver a guerra deflagrou outra novamente. Vi mesmo assim, mas sempre assusta. É inspirada na história real de dois poloneses que conseguiram fugir do campo de trabalhos para avisar os judeus que estavam sendo enganados e iam ser exterminados.

É o começo da guerra quando Hitler invadiu a Polônia. Inicialmente o extermínio era execução por bala. Como gastava muita munição e nem sempre uma só bala era eficaz, criaram os caminhões com gás carbônico. O gás do caminhão voltava pra dentro na carroceria e matava as pessoas. É nessa fase que o filme está. Quando exterminavam 700 pessoas por dia. Os homens judeus fortes não eram exterminados porque cavavam as covas, enterravam os mortos e faziam outros serviços extenuantes. É nesse grupo que estão Solomon Wiener e Michael Podchlebnik, os judeus que conseguiram fugir e levar os fatos do extermínio para outros países. Vários do grupo planejam fugir, mas era muito arriscado porque vários poloneses levavam de volta os prisioneiros por dinheiro, eles estavam debilitados, a vigilância era enorme e o frio intenso. Os homens fortes queriam avisar o gueto ali perto que era mentira que eles iriam trabalhar em uma fábrica. Eles são interpretados por Oliver Jackson-Cohen e Jeremy Neumark Jones.
O nazista que engana os judeus é interpretado por David Kross. O alemão diz que eles vão poder trabalhar em uma fábrica, ficar juntos, comer melhor que no gueto. Mas como tem informações de tifo e outras doenças nos guetos, eles precisam tirar as roupas para ir ao banho. É desolador. Fala sorrindo, carinhoso. Pedem que anotem os nomes nas malas, os soldados ajudam. Que pavor! O caminhão dava sempre problema, os judeus descobriam assim que iam pra trás do caminhão que não era tão eficiente e o filme mostra os nazistas já falando nos campos de concentração onde teriam métodos mais eficazes no extermínio em massa dos judeus. Os nazistas não estavam satisfeitos em matar "somente" 700 judeus por dia. Nos campos passaram a ser exterminados com gás desenvolvido por um químico. O local parecia mesmo com uma grande sala de banhos e a resistência era menor que nos caminhões.

Dois deles conseguem fugir, chegam ao gueto, tudo é passado pra frente e chega na rádio da BBC em Londres. Foi o primeiro relato do extermínio que os nazistas faziam com os judeus. 

No livro de Simone de Beauvoir ela comenta a invasão de Hitler na Polônia, eles achavam que o conflito ficaria por ali. E já começavam a ouvir os boatos dos campos, dos extermínios, mas duvidavam de algo tão sórdido. Beauvoir fala muito que ficava anestesiada e em negação.

O mundo só soube a dimensão dos extermínios e dos campos de concentração depois do fim da guerra quando as portas desses lugares foram abertas.
Beijos,
Pedrita