Terminei de ler O Avesso da Pele (2020) de Jeferson Tenório da Companhia das Letras. Eu queria muito ler esse livro e comprei na Black Friday da Amazon. É um livro necessário, triste, realista e bem desesperançoso! Foi vencedor do Prêmio Jabuti!
A capa é a pintura Trampolim - Banhista de Antonio Obá
O marcador de livros é um golfinho.
Obra Nhá, Que Dá Lama Veio Que Da Lama Fica (2020) de Cipriano
O pai morreu e o filho vai lembrando as histórias de sua família. O narrador muda, as histórias vão se entrecortando. Seu pai era professor. Vidas difíceis, de muita luta, poucos recursos e muita dignidade.
Obra Nos braços de minha Mãe Nanã o amanhã está seguro (2020) de Renata Felinto
A história de sua mãe não é fácil. A mãe dela fica com vários filhos pra criar, com muita dificuldade e fome. Uma tia resolve levar então a menina pra viver com ela e sua filha. Ela passa então a ter uma vida um pouco melhor. Inicialmente não tem uma boa relação com a outra criança, mas aos poucos elas se aproximam.
Obra Penteadeira de Tiago Sant´Ana
A relação dos seus pais é difícil. Eles tem dificuldade com diálogos, compreensão e muitos machucados que foram arrastados de suas vidas difíceis. Eles se separam e seu pai reconstrói sua vida.
O pai é o único professor negro na escola. Ele é transferido para a noite e tem dificuldade de conseguir a atenção dos alunos. Nesse turno estão repetentes e muitos jovens que trabalham, outros que estão desacreditados.
É lindo demais quando ele vê os jovens falando de um crime e começa a contar outro crime, que é na verdade a trama de Crime e Castigo de Dostoiévski. É aí consegue e atenção dos alunos. Começa a levar trechos escritos em papel do livro e distribuir e passam aulas e aulas naquela trama.
Obra de Moisés Patrício
Em um capítulo, o autor enumera a quantidade de vezes que o personagem foi abordado pela polícia. Desde a infância quando jogava bola com os amigos, até sua execução quando voltava da escola. É um livro muito doído, foi uma difícil a leitura.
Assisti Casamento Sangrento 2: A Viúva (2026) de Matt Betinelli-Olpin e Tyller Gillettna Disney+. Eu tinha gostado muito do primeiro, estavam elogiando esse também, corri pra ver. E é ótimo também! O roteiro muito bem coordenado é de Guy Busick e R. Christopher Murphy.
O filme começa exatamente onde o outro parou. A protagonista sai da casa em chamas. A ambulância chega, ela desmaia e acorda no hospital presa. Um policial babaca a acusa de ter matado todos da casa e a irmã dela aparece. Elas se odeiam, mas a protagonista não tinha tirado a irmã do botão de emergência. Samara Weaving continua ótima e linda e sua irmã é Kathryn Newton.
Em outro lugar o líder avisa os filhos que eles tem fazer nova cerimônia com os familiares pra ver quem ficaria na liderança. E claro que matar a jovem é o objetivo principal. Sarah Michelle Geller é a líder desse grupo, seu irmão é Shawn Hatosy. Só agora que vi que o patriarca é David Cronenberg, divertidíssimo! No hospital a jovem pra fugir da perseguição, se veste novamente com o vestido de sangue, é dopada e aparece em uma mansão para as cerimônias de perseguição. Achei genial ela só ter o vestido de noiva cheia de sangue pra vestir e fugir. Esses filmes tem ótimas sacadas. Dá muita agonia ela vestindo o vestido novamente.
A família é de vários países e um mais excêntrico que o outro. O mordomo continua sendo Elijah Wood. A caçada será em uma mansão em uma pista de golfe. Hilário eles se irritarem que as duas fogem pra floresta da própria mansão. Quando achamos que o filme vai ser uma caçada até o nascer do sol, várias viradas acontecem baseados no livro sagrado deles. O roteiro é muito inteligente, cria inúmeras situações interessantes e surpreendentes. Continua muito bom!
E continua muito sangrento. Tinha esquecido alguns detalhes sangrentos que são muito engraçados. O filme é muito bom.
Assisti A Casa do Patrão (2026) de Boninho na TV Record e Disney+. Eu quis olhar o primeiro episódio para ver como seria por ser do grande Boninho e para ver os participantes. Passava ao vivo na Record, e dava pra acompanhar 24 horas pela Disney+. Eu via um pouco o dia a dia, assistia mais os dias de provas e acompanhava as redes sociais. Logo me encantei com a Sheila e não larguei mais. Minto, larguei quando JP saiu e vi a final. Sheila foi professora de matemática, é formada em Psicologia e Capitã da Polícia Militar da Bahia, onde faz trabalhos sociais nas comunidades. Fã de realities, ela criou estratégias para ela e seu grupo chegarem na final. Foi emocionante de ver!
A Casa do Patrão tinha características muito peculiares. Com baixo orçamento, Boninho criou um programa popular. Uma casa era a dos encontros ao vivo. Uma era dos parças e a outra do trampo. Eu e muito do público achou que seria arriscado dividir a casa em serviçais e moradores, uns seriam servidos por outros. Uma prova definia o Patrão que escolhia quem ia pro trampo e para os parças. No trampo dividiam as atividades de cozinhar, lavar louça, roupa, limpar a casa dos parças, servir. Mas não é que funcionou? Ser do trampo tinha muitas vantagens. Só o trampo participava de provas com alguns parças. Sheila logo percebeu e começou a articular com o grupo para que pudessem permanecer no trampo e estar sempre nas provas. A Casa do Patrão sofreu inúmeras críticas, mas eu gostava como os macacões cinza do trampo. Quem era do trampo tinha uniforme, mas era tão completo que tinha maiô, shorts pra piscina, tudo cinza, como reclamaram muito, surgiram camisetas coloridas para cada função e calça jeans, também gostei.
Massacraram os estagiários que eu adorava, até descobrir que muita gente gostava. Boninho voltou com os ninjas, mas os pedidos foram tantos que os estagiários voltaram. Eu adorava o lado tosco do programa. Como os recursos eram baixos, Boninho avisou que as provas seriam simples. O público da Record está habituado as provas de A Fazenda, que eu não gosto, e chiou muito. Mas eu me divertia, Sheila também, mas Sheila nunca ganhou a Prova do Patrão.
Boninho anunciou o Hassum como apresentador antes do programa começar. Achei péssimo, critiquei e no primeiro dia do programa eu já adorava a apresentação do Hassum, que foi muito massacrado pelo público, mas eu gostei. Sim, ele exagerou algumas vezes, mas por decisões da edição, ele fez o que o script decidiu, não dá pra culpá-lo. Quem acompanhou Boninho no BBB sabe como é ele quem decide. Boninho cismou com as estratégias da Sheila, resolveu interferir. Até uma data todos votavam no aberto, Boninho criou uma cabine de votação, Hassum era rígido demais com os participantes, tentaram forçar outra trajetória. E misteriosamente JP saiu, que não sairia em nenhuma enquete com ampla vantagem. Sim, pode ser que as torcidas se dividiram, mas todos duvidaram. Como nesse momento o reality ficou pesado, perseguiam a Sheila, Bianca era sempre a doce e Sheila sempre a malvada, abandonei. Só votava pra Sheila ficar e vi a final.
O grupo que se uniu com a Sheila era muito especial. Gostei que o tom popular também chegava nos participantes. Mari, carioca, é trancista e ficou como filha da Sheila, a amizade delas era tocante. Bianca, de São Marinho no Rio Grande do Sul, foi Miss, é massoterapeuta e modelo. Matheus, de Campo Grande, é marido de aluguel e lutador de MMA. Interessante ele ser lutador já que é bastante calmo e doce. Luiza é de Ouro Preto do Oeste, é revendedora de cosméticos. JP é carioca e entrou de sopetão após uma desistência, ele é gerente de loja.
Mas o outro grupo também tinham ótimos personagens. A ambulante Nataly, casada, de Recife, ela e Vivão quando começavam a falar não paravam mais. Vivão é estilista da Bahia e também é casado, só em uma dinâmica que vimos seu companheiro em um vídeo. Nataly provocava muito como Sheila, um dia bateu panela no quarto do trampo, Sheila acordou assustada e passou mal, me emocionei com Nataly cuidando dela, mesmo sendo rivais e brigando tanto. Jackson era um participante a parte em todos os sentidos. Ele resolveu jogar sozinho e eram divertidas as brincadeiras com o spa do Jackson. Ele só comia e ficava na academia. Jackson é de Curitiba e Policial Civil. Por todos serem batalhadores, eles não tinham frescuras, Tanto que nem queriam pegar todos os ovos nas compras, comiam muitas verduras, legumes, amavam frutas. Como eles mesmo que cozinhavam, eram pratos caseiros, parecia mesmo que estávamos em casa com amigos e familiares. Eu gostava muito desse clima caseiro. E os do trampo escolhiam marmitas. E todos comiam com gosto macarrão com salsinha, arroz, feijão. Não tinhau frescura nas atividades do trampo. Sim, brigavam muito por isso, irritavam demorando pra fazer as tarefas, mas não como frescura, e sim como arma de jogo.
Foi lindo o vídeo de Sheila ao final, lá mesmo nos estúdios ainda, e diz que há 26 anos queria entrar em um reality e que finalmente tinha conseguido no reality do pai dos realities, foi uma linda homenagem ao Boninho que precisa mesmo agradecer a Sheila que carregou o reality nas costas, sim, eu adorava boa parte dos participantes, mas as análises, estratégias e provocações da Sheila deram um tom todo especial A Casa do Patrão. Espero que A Casa do Patrão continue, que o Hassum continue, os estagiários engraçados e com esse clima quintal da minha casa, com pessoas comuns e batalhadoras.
Assisti a palestra A História da Máscara Teatral Cômica e da Commedia Dell´Arte do Seminário sobre a Commedia Dell´ Arte, a Máscara e o Teatro de Dario Fo no Teatro Commune. Queria muito ver esse encontro com Helô Cardoso e Wanderley Martins, o currículo dos dois impressionam. E foi tanta informação incrível! Fique encantada!
Eles começaram a falar das máscaras romanas e gregas. Não há exemplares de máscaras dessa época porque imagina-se que eram feitas em tecidos, materiais leves. O que se tem são desenhos em vasos, objetos. e apesar dessas épocas serem tão distantes, muitas vezes as técnicas se misturam. Muito interessante que nessa época as máscaras tinham sentimentos, mostravam o estado de alma como disse Helô. Triste, assustados, cômicos. tinham cabelos. Atualmente utiliza-se somente a parte de cima, o resto fica livre. Helô comentou que uma máscara triste, ficaria triste em todo o espetáculo. Sem o estado de alma impresso na máscara, o ator pode expressar várias emoções. Aí que lembrei na palestra que o símbolo do teatro que são duas máscaras. Helô chegou viajar 7 vezes para a Itália para realizar cursos de máscaras. Ela disse que atualmente se faz o modelo em madeira, que seria o molde, e as máscaras depois são feitas em couro. Nessa foto está Dario Fo, um grande mascareiro.
Helô Cardoso que foi a responsável pelas maravilhosas máscaras de O Diabo com Tetas.
Foto de Carlos Garcia
Eu adoro essa foto dela.
A última palestra do seminário será A Commedia Dell´ Arte e a Arte do Ator, dia 20 de julho, com Fred Hunzicker. Os encontros são gratuitos.
Terminei de ler Irmãs da Chuva (2021) de Gabriela Romeu e ilustrações de Anabella López da Editora Peirópolis na MEC Livros. Eu queria muito conhecer um livro dessa autora que sempre acompanhei seus excelentes textos jornalísticos. Tem tempo que o MEC Livros tem dado defeito, bug. Faz tempo que terminei o anterior, mas o sistema continuava dizendo que o livro estava começado. Com esse não foi muito diferente. No sistema estou na metade desse, mas já terminei. Esse livro é uma verdadeira obra de arte e deve ser degustado em papel. A edição é belíssima! E não funciona muito bem no MEC Livros, as imagens demoram demais pra baixar e dá bastante erro. Mas o livro é tão perfeito, mas tão perfeito que vai ficar comigo pra sempre.
É um livro mágico, repleto de magia. Duas irmãs gêmeas benzedeiras de Tururu do Sul, cidade fictícia atribuída a lugar mágico, evocam a chuva. Só que vem chuva demais, então elas seguem para desfazer o mal feito e passam a viver incríveis aventuras. Me emocionei demais inúmeras vezes! Elas lembram rezas, cantorias, participam de repentes, evocam santos, é de uma beleza inacreditável!
E que impacto ao final. Esse é daqueles livros pra ficar na sala e ser folheado constantemente e ficar ao acesso das visitas pra que possam desfrutar dessa magia.
Irmãs da Chuva foi o vencedor do Prêmio FNLIJ 2023 na categoria O Melhor Livro para Criança do Ano concedido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Apesar da categoria, eu vejo o livro como de realismo mágico, magia e encantador como literatura.