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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

CTRL

Assisti CTRL (2024) de Vikramaditya Motwane na Netflix. Vocês sabem o quanto gosto desse gênero de filme que passa todo em uma tela, seja de computador ou celular. O começo já fala de questões importantes, mas tem uma reviravolta e vai tão profundamente, que não lembro de um filme que fosse tão longe nas discussões sobre o tema. O roteiro tem o diretor e mais dois Avinash Sampath e Sumukhi Suresh.

O começo tem uma pegada mais adolescente, não se deixem enganar. Um casal se conecta nesse momento na foto. É uma apresentação, essa foto viraliza, eles começam a namorar e a vida deles passa a ser registrada compulsivamente. Ele é especialista em tecnologia, tem seu trabalho, mas o dela é a sua rede social. Nos 5 anos de namoro ela resolve fazer uma surpresa. Ele está em um bar comemorando uma conquista de trabalho e ela chega com a máscara do primeiro encontro, essa do peixinho. Ela está em live contando pra todo mundo a surpresa e quem se surpreende é ela, ele está beijando outra moça. Ananya Panday está muito bem. Ele é Vihaan Samat.

Ela está muito mal, pra piorar as pessoas ficaram contra ela, é hater que não acaba mais. Ela perdeu completamente os patrocinadores e as publicações pagas. Ela vivia disso e agora está sozinha. Ela resolve contratar um amigo virtual para apagar o companheiro das imagens. Imagina, são 5 anos de inúmeras postagens com os dois. O IA avisa que serão 90 dias apagando. Ela quer que todo aquele sofrimento acabe rápido, vai assinando contrato sem ler. E é uma tortura, a cada foto o IA quer uma gravação dela sobre aquele momento. Ela poderia ter feito só pra uma foto ou vídeo de cada ano, mas passa a fazer de tudo. Fica 3 dias sem dormir com o IA gravando e apagando. Olha a loucura. É bom um luto, fazer o luto, mas seria muito mais produtivo ela ter ido ver a família, ido trabalhar de garçonete em alguma praia, viver a vida real um pouco, mas está tão ligada nesse universo, que mergulha nesse mundo sombrio. São tantas discussões pra pensar, que é um filme urgente.

Na metade do filme tem uma reviravolta surpreendente. Sim, passa a ser suspense, mas não é só isso. É quando passa a discutir questões em uma profundidade assustadora. Fica necessário para profissionais das redes sociais, marketing, jornalismo, mas também para todos. Nesse momento passa a falar de controle de empresas por dados. Aplicativos gratuitos (nada é gratuito de fato) que facilitam a vida, resolvem problemas, e que passam a ter informações privilegiadas das pessoas. Isso já sabemos, mas como disse, o filme vai em uma profundidade impressionante. IA chegou para ficar, mas muitos ainda não entendem, não percebem as jogadas de marketing, os golpes, jogos de azar. Como um IA pode confundir pessoas e ter empresas colhendo nossas informações. Enfim, que filme. O final inclusive é muito irônico e realista.
Beijos,
Pedrita

sábado, 15 de novembro de 2025

Os Assassinos de Buckingham

Assisti Os Assassinos de Buckingham (2023) de Hansal Mehta na Netflix. Assim que vi um filme com Kareena Kapoor, o algoritmo começou a me mostrar filmes com ela. Escolhi esse e gostei bastante.

A protagonista sofreu um grande trauma, seu filho pequeno foi assassinado. Começa ela no tribunal ouvindo o depoimento do assassino. Ele diz que não suportava ver pessoas sorrindo, felizes, e é esse o tom do filme. Desigualdade sociais que provocam violência, vícios e maldades. Arrasada, ela resolve pedir transferência pra outra cidade. Ela era a chefe, mas aceita ser subordinada, só pra sair da cidade de onde vive e das lembranças.
Logo que ela chega é designada para um assassinato de um adolescente. Ela pede pra não cuidar do caso, ela vai ser colaboradora do investigador, mas não tem jeito, são ordens. O investigador logo chega a conclusão de quem foi, revolta a cidade, mas ela não se conforma com a rapidez, acha que tem pontas soltas. Ela levanta mais alguns dados, mostra para o chefe e passa a poder investigar. É uma história muito triste.
Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Jaane Jaan

Assisti Jaane Jaan (2023) de Sujoy Ghosh na Netflix. Um amigo do instagram indicou esse suspense. Fiquei meio na dúvida porque é meio escuro e fui ver críticas sem olhar muito os detalhes e eram só elogios. E é incrível mesmo, o filme vai ficando cada vez mais surpreendente. Que roteiro inteligente. O filme é indiano baseado em um roteiro japonês Keigo Higashino e tem o nome no Brasil, Suspeito X.
 

A belíssima e talentosa Kareena Kapoor é Maya. Ela vive com a filha adolescente, Naisha Khanna, em um pequeno vilarejo e tem um restaurante.
Elas são vizinhas de um professor de matemática de Jaideep Ahlawat, inclusive a matemática é um personagem. Como amei os raciocínios lógicos e as explicações matemáticas, fiquei com vontade de ler o livro. As vizinhas se enfiam na maior confusão e o professor, que é apaixonado pela vizinha, as ajuda a resolver a questão.

O policial bonitão de Vijay Varma aparece para investigar o caso. Ele vem de outra cidade, conhece o professor e é afiado. As músicas são ótimas.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

O Retorno de Mary Poppins

Assisti O Retorno de Mary Poppins (2018) de Rob Marshal na Disney. Eu amo a versão anterior, tinha vontade de ver essa. Gostei muito! Tem vários momentos mágicos exatamente como a anterior que quero rever porque faz muito tempo. Li que quiseram homenagear o filme anterior. Mas eu achei longo demais e bem chato em vários momentos. É lindo! Encantador! Mas tem um problema sério em não ter sido cortado em edição.

Dessa vez Mary Poppins vai ser babá dos filhos da antiga criança. Os irmãos adultos foram no passado cuidados pela Mary Poppins. E agora ela vai cuidar dos filhos de um deles. O pai ficou viúvo, está completamente perdido na casa, e ela reaparece voando do céu. Ele é o ótimo Ben Wishaw que está um pouco caricato demais. A irmã é Emily Mortimer. O garoto menor é a cara do Ben, Joel Dawson, fui até olhar se era filho mesmo. As duas outras crianças são Nathanael Saleh e Pixie Davies. A empregada é Julie Walters, achei meio etarista a atrapalhação dela e todos rindo. Ela devia estar aposentada e sendo cuidada, jamais ridicularizada.
Mary Poppins é a maravilhosa Emily Blunt. Ela está incrível. Li que no primeiro filme a Disney não queria que misturassem animação e atores, e que aceitaram pela insistência. O filme ganhou inúmeros prêmios e foi muito elogiado exatamente por essa união que deve ter sido bem difícil na época. São lindas as cenas mágicas com desenhos, efeitos, um verdadeiro sonho. Coloridas, felizes, são os melhores momentos do filme. Dessa vez é um acendedor de lampiões, da outra era um limpador de chaminés. Quem interpreta é o Lin-Manuel Miranda, que falam ser um grande ator de musicais. Não me identifiquei em nada, principalmente com a foz anasalada. Pior ainda insinuarem um romance dele com a personagem da Emily. Ideia pavorosa.
Depois do colorido maravilhoso, o filme fica profundamente escuro e chato. As cenas deles tentando parar o Big Ben pelo lado de fora, cenas que se arrastavam insuportavelmente. Chatas e desnecessárias porque na hora que eles não conseguem Mary Poppins voa e atrasa em um segundo. Por que não fez isso antes? São muito chatos também os personagens do Colin Firth e Meryl Streep. Não gostei nada do navegador no telhado e seu parceiro, totalmente sem função. Nem o dono do banco, Dick Van Dick, que aparece do nada também. Tudo muito chato. Acho que quiseram homenagear grandes atores, ou aumentarem o interesse colocando grandes atores no modo forçado. O filme tem mais de duas horas desnecessárias. 

Podiam ter investido em mais cenas coloridas.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Polite Society

Assisti Polite Society (2023) de Nida Manzoor no TelecinePlay. Que graça de filme! Estou na fase de experimentar filmes que nem sempre escolheria por falta de opção. Esse foi uma grata surpresa. O filme é britânico, alegre, colorido, ágil, cheio de danças e efeitos com característcos de Bollywood. A direção de arte é incrível! Belíssimos figurinos e cenários! A trilha sonora é ótima!

Duas irmãs paquistanesas da pá virada (velho isso hahahaha) tem ideias profissionais bem diferentes das sonhadas pelos seus pais. Uma fazia faculdade de artes plásticas e a outra quer ser dublê. Lindas demais Priya Kansara e Ritu Arya.

Divertidíssimas as amigas da escola, Seraphina Bah e Ella Bruccoleri. Como uma quer ser dublê elas vivem em lutas corporais. Tem muito efeito de arte marcial e muita arte marcial.
Elas vão em uma festa da alta sociedade, a irmã estranha porque a família dela não é. Há um noivo, lindas jovens também riquíssimas, mas ele escolhe a sua irmã. Ela desconfia e começa a investigar. A irmã começa a se transformar, joga as telas fora, começa a se vestir como famílias ricas e tradicionais se vestem. Ferrenha, a outra irmã não desiste de salvar a outra da cilada. As amigas dela ajudam. É uma graça! Que as mulheres nunca desistam dos seus sonhos, inclusive profissionais, por um casamento. 

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Boomika

Assisti Boomika (2021) de R. Rathindran Padran na Netflix. Vendido como filme de terror, é chato uma boa parte e fica lindíssimo depois.

O começo é um filme b clássico de terror. Um bando de ator sofrível com uma história mais sofrível ainda. O lugar é belíssimo! Um jovem vai com umas amigas pra um lugar grande, com vários prédios históricos onde até abrigou uma escola, mas ainda não sabemos. Ele é contratado por uma empresa e vão construir prédios no local. Tem muita mata, prédios antigos. Tem uma histérica que só berra. Todas são lindas, vinda de Boolywood, mas elas são bem sem função. O pobre do funcionário é de casta inferior então sempre senta abaixo dos outros, de cabeça baixa.
Eles são assombrados pelo espírito de Boomika. Até eles descobrirem isso são gritos e mais gritos, falta de energia, sustos. Quando conta a história de Boomika é muito emocionante. A jovem autista vivia com o pai no colégio que não a aceitava. Ela era brilhante e ainda pintava lindamente. O mesmo que acontece nos dias de hoje acontece no colégio, um grupo chega pra expandir o espaço como no passado. A menina começa a sofrer com os cortes de árvores. É muito lindo e triste!
Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

The Fabelmans

Assisti The Fabelmans (2022) de Steven Spielberg no TelecinePlay. Queria muito ver esse filme e é muito, mas muito lindo! Estreou no Telecine e demorou demais pra entrar no Now. É inspirado na vida do próprio Spielberg. Tem várias matérias sobre o que é verdade ou não, pelo que li a maioria foi exatamente como aconteceu, só a linguagem que mudava um pouco. É um filme sobre o amor ao cinema, me emocionei muito!

Vendo a família de Spielberg, dá pra entender porque ele é um gênio. Que família especial. Seu pai era engenheiro, um gênio, até via a paixão do filho como hobby, mas sempre o ajudou, deu equipamentos, incentivou. Todos assistiam tudo o que ele fazia. A mãe era uma artista. Grande pianista, abandonou o piano como profissão pela família, mas continuava tocando em casa. Michelle Williams está majestosa. Spielberg criança é interpretado pelo fofo Mateo Zoryan. O pai, o incrível Paul Dano. O filho fica fascinado com o seu primeiro filme no cinema e pede trens ao pai. A cada momento o pai presenteia o filho com um vagão de brinquedo. O filho quer ver o acidente igual ao filme, o pai fica chateado com as colisões nos caros vagões. A mãe, sensível, sugere em segredo ao filho que eles filmem a colisão, compra um equipamento, pra que o filho possa rever quantas vezes quiser. Começa aí a paixão do garoto por filmagens. 

Ele passa então a filmar, com o tempo a editar, cortava os pedaços, criava efeitos com técnicas improvisadas. Se tornou um gênio porque experimentou e estudou muito a arte de filmar de modo amador na infância e adolescência. Muito divertido ele colocando todos os amigos pra trabalhar. Todos faziam os personagens, embarcavam nas loucuras do amigo. Depois ele reunia todo mundo pra ver os resultados. Gabriel LaBelle está ótimo. John Ford é interpretado por David Lynch. O filme termina no período que ele está insatisfeito na faculdade exigida pelo pai, enviando cartas aos estúdios. Queria muito saber como de fato ele começou.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 27 de junho de 2023

Açúcar Queimado de Avni Doshi

Terminei de ler Açúcar Queimado (2020) de Avni Doshi da Dublinense. Eu queria muito ler esse livro desde que foi lançado após ler a primeira frase "Eu estava mentindo se dissesse que o sofrimento da minha mãe nunca me deu prazer". Eu debato bastante sobre essa máxima de que mães são maravilhosas e fazem tudo por amor, que não existem mães ruins e um livro que tocasse nesse tema me interessava muito. A autora nasceu nos Estados Unidos, é de origem indiana e vive em Dubai.

O marcador de livros Bailarina Olhando a Planta do seu Pé Direito de Degas que foi publicado pela Folha.

A edição de Luisa Zardo é belíssima. A protagonista Antara gostava muito de desenhar e torna-se uma artista plástica que não acredita em seu próprio talento. A mãe da protagonista começa a ter esquecimentos. A filha percebe que vai ter que passar a cuidar da mãe que sempre a abandonou. A filha conseguiu se libertar da relação, casou, construiu uma família com o marido. E a presença da mãe começa a desestruturar novamente sua vida. Foi um livro que li de forma bem diferente, me fazia querer ler aos poucos, trecho por trecho e ficava muito, mas muito reflexiva a cada pedaço. Bebia cada palavra, parava e ficava muito tempo pensando, até voltar e ir em frente. Degustei cada pensamento, que livro impressionante e profundo!
Obra Mão com Anel (1967) de Paul Thek

Antara é fascinada pelas obras de Paul Thek. Enquanto ela vai tentando administrar o que precisa fazer com a mãe e seu casamento, a obra vai indo e vindo no tempo. Passamos então a conhecer a história de Antara. Há uma constante competição entre elas. A mãe só sabia viver a sua vida e seus conflitos. Volte e meia sua filha era criada por outras pessoas. A mãe vai para um lugar religioso e passa a ter um relacionamento com o líder. Enquanto isso sua filha é criada pelas pessoas do local. O pai também é ausente. Os poucos momentos que tenta proteger a filha duram pouco. Muda de cidade sem avisar, deixa a filha pra trás aos cuidados de outras pessoas. O abandono é constante. São relações muito complexas. Incrível como Antara é cobrada o tempo todo para não ignorar o pai, para cuidar da mãe, mas poucos param pra acolhê-la e entendê-la. Antara parece só ter obrigações.

Obra Abraçando o Infinito de Rooma Mehra

Ela resolve então engravidar do marido, meio sem pensar. Interessante como a sociedade não questiona uma mulher casada engravide, parece natural. Ela resolve engravidar no meio desse caos, no impulso, e todos acham normal, agem como se a gravidez estivesse sendo processada naturalmente. E como acontece muito, só falam da criança que virá e depois do bebê, Antara continua invisível. É um livro muito complexo!


Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

A Garota do Trem

Assisti A Garota do Trem (2021) de Ribhu Dasgupta na Netflix. Eu tinha gostado muito do filme americano e tinha uma certa curiosidade por esse já que o roteiro é muito bom. E desde o outro filme quero ler o livro de Paula Hawkins. Eu achava que esse era anterior ao americano. É muito comum filmes não americanos que fizeram sucesso serem adaptados em Hollywood. Confesso que não entendi porque esse caso é ao contrário. É difícil competir com os recursos do cinema de Hollywood, inclusive financeiros. Esse é de Bollywood e é uma adaptação tosca e constrangedora. Dá pra ver como comédia porque ri muitas vezes. 

Começa com um casamento na Índia, parecia que eu estava vendo Caminho das Índias. Sabem aquelas cenas de todo mundo dançando? Tinha até uma lógica porque eles tinham ensaiado pro casamento. Nem tem foto de divulgação pra ilustrar. É nesse casamento que a protagonista (Parineeti Chopra) conhece o seu amor (Avinash Tiwary). Eles se casam e vão viver em Londres. É tosco ser em Londres porque parece que só tem indiano em Londres. Todos são indianos. Eles se separam. Diariamente ela fica no trem passando em frente a casa do ex, vendo ele feliz com a nova esposa. Ela fica alcóolatra, com amnésia pelo acidente, então as lembranças dela são confusas.
Ela sofre então um atentado e passa boa parte do filme com esse machucado mal feito na cabeça. Parece até que dá pra ver o cérebro. Devia doer muito, mas a protagonista faz todas as cenas passando a mão na cara e nunca sente dor quando erra e toca no machucado. Pra piorar o machucado muda a cada cena. Fica mais machucado depois, menos antes, é um show de tosquice. Dá pra ver? Sim, dá pra ver, porque o roteiro é bom, e mesmo o filme sendo bem ruim nas idas e vindas, pra lá de confuso, distrai.
Beijos,
Pedrita