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segunda-feira, 20 de julho de 2026

O Avesso da Pele de Jeferson Tenório

Terminei de ler O Avesso da Pele (2020) de Jeferson Tenório da Companhia das Letras. Eu queria muito ler esse livro e comprei na Black Friday da Amazon. É um livro necessário, triste, realista e bem desesperançoso! Foi vencedor do Prêmio Jabuti!

A capa é a pintura Trampolim - Banhista de Antonio Obá
 

O marcador de livros é um golfinho.

Obra Nhá, Que Dá Lama Veio Que Da Lama Fica (2020) de Cipriano

O pai morreu e o filho vai lembrando as histórias de sua família. O narrador muda, as histórias vão se entrecortando. Seu pai era professor. Vidas difíceis, de muita luta, poucos recursos e muita dignidade.
Obra Nos braços de minha Mãe Nanã o amanhã está seguro (2020) de Renata Felinto

A história de sua mãe não é fácil. A mãe dela fica com vários filhos pra criar, com muita dificuldade e fome. Uma tia resolve levar então a menina pra viver com ela e sua filha. Ela passa então a ter uma vida um pouco melhor. Inicialmente não tem uma boa relação com a outra criança, mas aos poucos elas se aproximam.

Obra Penteadeira de Tiago Sant´Ana

A relação dos seus pais é difícil. Eles tem dificuldade com diálogos, compreensão e muitos machucados que foram arrastados de suas vidas difíceis. Eles se separam e seu pai reconstrói sua vida.
O pai é o único professor negro na escola. Ele é transferido para a noite e tem dificuldade de conseguir a atenção dos alunos. Nesse turno estão repetentes e muitos jovens que trabalham, outros que estão desacreditados.
É lindo demais quando ele vê os jovens falando de um crime e começa a contar outro crime, que é na verdade a trama de Crime e Castigo de Dostoiévski. É aí consegue e atenção dos alunos. Começa a levar trechos escritos em papel do livro e distribuir e passam aulas e aulas naquela trama.

Obra de Moisés Patrício

Em um capítulo, o autor enumera a quantidade de vezes que o personagem foi abordado pela polícia. Desde a infância quando jogava bola com os amigos, até sua execução quando voltava da escola. É um livro muito doído, foi uma difícil a leitura.
Beijos,
Pedrita

domingo, 28 de junho de 2026

O País dos Outros de Leila Slimani

Terminei de ler O País dos Outros (2020) de Leïla Slimani da Intrínseca. Eu quis muito ler esse livro já que tinha adorado Canção de Ninar. Essa autora escreve divinamente e em meio aos seus textos, debate questões urgentes. Por enquanto no Brasil são três livros traduzidos.
 

O marcador de livros é em tecido.

A coruja em pedra brasileira.

Obra de Mohamed Melehi

A autora é marroquina e se inspirou na história de sua avó para criar esse livro. Amei tanto a obra que já estou com saudade dos personagens. O livro começa na Segunda Guerra Mundial. Mathilde é francesa e conhece o soldado marroquino Amine. Eles se apaixonam e se casam. Eles seguem para o Marrocos onde Amine tem uma fazenda. Ainda não está adequada para receber a esposa, então eles ficam um tempo na casa da mãe. Sem saber o idioma ela passa boa parte do tempo na cozinha tentando aprender o nome dos objetos e ingredientes. O livro fala muito da dificuldade de adaptação de pessoas de cultura tão diferentes. Marrocos é colônia da França.
Obra de Abderrahim Jaouad

Eu não sabia que o Marrocos é um grande produtor de laranja. Eu amei a capa do livro e só na leitura entendi o motivo da laranja. Amine demora mais tempo para começar a produzir árvores frutíferas. Ele já estudava muito plantações antes de ir colocar em prática na fazenda, mas inicialmente faz muitas escolhas ruins e vive perdendo tudo. Mathilde tem muita dificuldade de viver na escassez e no isolamento da fazenda. Por bastante tempo ela e o marido se dão muito bem, mesmo que tenham dificuldade de compreender as suas culturas. Emociona a tentativa deles de se adaptarem um ao outro. Quando sua filha nasce ela insiste que a menina estude em um colégio católico francês. A menina sofre muito preconceito na escola já que é uma mistura da mãe francesa e do pai marroquino. Mathilde cuida de um doente da fazenda e passa a receber um séquito de doentes. Ela até procura o médico da cidade e explica que muitas mulheres pela cultura austera, jamais deixariam ser examinadas por um médico. Mathilde vai se aperfeiçoando, estudando e ajudando muito feridos e doentes da região.
Obra Como um Pássaro (2024) de Omar Mahfoudi

Os protagonistas se alternam. Começam com Mathilde e Amine, seguida por sua filha, mas vários outros surgem na trama. Com o passar do tempo a tensão no país se intensifica. O irmão de Amine é revolucionário e luta pela libertação de Marrocosda colonização. O livro termina em 1956 na independência do Marrocos, com a queimada das fazendas.
O livro é mágico, emocionante, amei acompanhar o dia a dia desses personagens, suas lutas e diferenças. 
O País dos Outros é o primeiro de uma trilogia sobre raça, resiliência e independência. Quero ler todos.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Melhores livros brasileiros de não ficção do século 21

Os meus Melhores livros brasileiros de não ficção do século 21. A Folha reuniu 100 pessoas para eleger os melhores livros de não ficção do século 21. Sim, quem sou eu? Mas resolvi fazer a lista dos meus, que são poucos, já que mergulho pouco em não ficção. Eu leio muito mais ficção. Atualmente compro muito pouco não ficção porque fica encalhado aqui a ler. Vou começar minha lista com Maria Bonita de Adriana Negreiros da Objetiva que é incrível.
 

Tem tanto tempo que li que achei que A Ditadura Envergonhada de Elio Gaspari nem era desse século. Essa obra está também na relação da Folha em 9º lugar.
Lilia Moritz Schwarcz está na lista, mas não com essa obra que amo, A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis da Companhia das Letras, que li tem tanto tempo que nem está nesse blog. Nem tampouco entrou na lista o incrível Barbas do Imperador.
Eu fiquei na dúvida qual da Daniela Arbex eleger. Resolvi escolher Holocausto Brasileiro da Intrínseca que também está na lista da Folha empatado com o da Ditadura em 9º lugar. Os livros da jornalista são sempre muito contundentes.
Em Nome dos Pais de Matheus Leitão da Intrínseca só está na minha lista. Fatos tenebrosos sobre um período da história que não podemos esquecer.
E termino com Shnittke de Marco Aurélio Scarpinella Bueno da Algol.
Como viram é uma lista singela, bem resumida, mas eu amo participar de listas.

Beijos,
Pedrita

domingo, 1 de março de 2026

A Cabeça do Santo de Socorro Acioli

Terminei de ler A Cabeça do Santo (2014) de Socorro Acioli da Companhia das Letras. Eu queria muito ler esse livro. Uma amiga resolveu enfrentar a fila de duas horas da Companhia das Letras na Festa do Livro da USP, então incluí dois que queria na lista dela. Esse livro figura entre os melhores livros de tudo quanto é leitor. Desde o leitor que ama livros de fácil assimilação, quanto intelectuais e críticos renomados. E estou absurdamente impactada! O livro marcou minha pele, meus pensamentos! Que obra. Acioli começou a escrever esse livro em um curso com Gabriel García Màrquez e é a ele que ela dedica o livro. E sim, é realismo fantástico que amo! A leitura é breve, mas é tão genial que fiquei economizando, degustando cada breve capítulo. Foram dias inesquecíveis! Daqueles livros que queremos que todos leiam. E já vou atrás do outro livro dela.

O marcador de livro um amigo que me deu.

É uma belíssima edição com duas capas. Eu amo essa capa amarela de Elisa von Randow, depois há uma capa brilhante com foto do sertão de Márcio Vasconcelos.

A mãe de Samuel vai morrer e pede pra ele acender três velas para três santos e vá até Candeia procurar o pai. Começa uma trama mágica, cheia de mistérios, tradições, lendas e muita, mas muita fantasia.
Obra Deus não vende a terra que ele criou de Descartes Gadelha

Candeia está quase uma cidade fantasma. Samuel conhece a sua avó que manda ele ir de abrigar na cabeça do santo. Uma enorme cabeça de santo tombada no chão, com o corpo em cima. Dentro da cabeça Samuel começa a ouvir as rezas das mulheres da cidade. É um livro todo mágico, nada previsível, com várias vidas e histórias entrelaçadas. O melhor mesmo é ir desvendando lendo. 
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Dia Nacional do Livro

A Liliane do Paulamar me enviou uma TAG para o Dia Nacional do Livro. 

1 Qual gênero você se mantém longe?

Eu leio menos comédias, não chego a ficar longe, só leio menos.

2 Qual livro tem vergonha de não ter lido?

Tem muitos, mas destaco Casa Grande & Senzala do Gilberto Freyre

3 Qual pior hábito enquanto leitor?

Meu pior hábito é não conseguir largar um livro. Mesmo que não esteja gostando eu vou até o final. Raramente larguei.

4 Qual livro foi mais desafiador?

Foi A Montanha Mágica de Thomas Mann que comecei a ler aos 17 anos e na época não tinha maturidade para a leitura, larguei e voltei várias vezes até entender, ler, amar e estar entre meus livros preferidos.

5 Qual autor tem a leitura mais envolvente?

São muitos, mas vou destacar Umberto Eco que amo e li vários de seus livros.

6 O que diferencia um bom livro de um livro inesquecível?

Acho que é muito pessoal, em geral os que falam com profundidade aos meus sentimentos e a minha história como Um Lugar Bem Longe Daqui da Delia Owens.

7 O que mais incomoda numa leitura?

Quando o livro toca em temas sensíveis como Ensaio sobre a Cegueira do Saramago que tive que parar várias vezes pra respirar e só depois retornar.

8 Você lê a sinopse antes de ler o livro?

Não leio quase nada, uma vez li a orelha do livro que contou o final, então evito detalhes.

9 Qual o livro mais caro de sua biblioteca?

Devo ter alguns livros muito raros por estar esgotado, mas não faço ideia de quais sejam.

10 Você compra livros usados?  

Eu comprava mais, mas o sebo aqui perto fechou e não passo mais em um sebo no centro. Como a Festa da USP uma vez por ano dá 50% nos livros, e tem Black Friday na Amazon, eu passei a comprar livros novos nos últimos anos. Compro nessas duas datas uma vez por ano o que vou ler no ano todo. De vez em quando ganho também livros usados de amigas que circulam livros.

Eu adoraria que amigos blogueiros participassem. Entendo se declinarem o convite. Sugiro Pandora e Geocrusoé.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Pequena Coreografia do Adeus de Aline Bei

Terminei de ler Pequena Coreografia do Adeus (2021) de Aline Bei da Companhia das Letras. Sempre quis ler um livro dessa autora elogiada. Era o que tinha disponível na Black Friday da Amazon. Bela edição, bela capa. Gostei muito!

O marcador de livros é uma pintura de Fátima Pombo. 

Obra Saboneteira Rosa (2020) de Ana Elisa Egreja

A protagonista é Júlia, que tem uma infância dilacerante. Sofre violência sistemática da mãe e abandono do pai. O estilo é muito interessante, as palavras parecem ter sentidos, expressar, dor, medo. Tem horas que parecem poemas. O texto só tem parágrafo quando Júlia escreve em seu diário e quer ser escritora. Só ao final a personagem parece ter algum sonho. Até então ela só arrasta a vida.
Obra Desbundo-me (2019) de Monica Piloni

A leitura me causou estranhamento. Em vários momentos eu me perguntava como ela sabia. Por que ela escrevia a minha história. Claro, não tudo, mas a violência, o pai que nada quer ver, o balé, a pensão, foi tudo muito esquisito. Mas Júlia tinha algo muito diferente, ela não tinha perspectivas, profissão, trabalhava em um bar, vivia na pensão, só existia. Isso só muda um pouco depois. Bela obra!

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Melhores livros brasileiros de literatura do século 21

A Folha convidou profissionais para escolher os Melhores livros brasileiros de literatura do século 21. Fizeram a seleção 100 especialistas entre editores, jornalistas, críticos, escritores. A matéria é fechada para assinantes e saiu no jornal impresso. Cada um tinha que escolher 10 livros brasileiros do século 21. Humildemente resolvi fazer minha lista e começo com o maravilhoso Um Amor Anarquista de Miguel Sanches Neto da Record que criou uma ficção baseada na comunidade anarquista que existiu no interior do Paraná. Cada livro terá o link correspondente ao texto que fiz no blog.
 

Em segundo o maravilhoso Becos da Memória de Conceição Evaristo da Pallas. Uma comunidade vai ser despejada, os moradores vão partindo aos poucos, com isso vamos conhecendo seus personagens. Que texto! A autora está na lista da Folha, mas com outra obra que não li.

Em terceiro o intenso Dois Irmãos de Milton Hatoum da Companhia das Letras. Com destinos diferentes, os irmãos se rivalizam. A seleção da Folha tem outro livro dele na relação que eu ainda não li.

Em quarto o delicado, nem sempre, Água de Barrela de Eliana Alves Cruz da Malê. Água de Barrela é o combinado que as profissionais fazem para lavar e clarear as roupas brancas. A história passa por várias gerações de mulheres.

Em quinto, Torto Arado de Itamar Vieira Junior da Todavia. Esse livro está na relação da Folha. Conta a história fictícia de Bibiana e Belonísia.

Em sexto, Deixei Ele Lá e Vim de Elvira Vigna da Companhia das Letras. Essa autora está na lista da Folha, mas com outra obra. São várias mulheres em um hotel.
O sétimo é O Sol se Põe em São Paulo de Bernardo Carvalho da Companhia das Letras. O autor está na lista da Folha, mas de novo com outra obra. Esse é uma história bem mágica em São Paulo, alguns momentos no bairro da Liberdade e seu universo japonês.
O oitavo é Sanga Menor de Cintia Lacroix da Dublinense. Esse eu acabei de ler, em realismo fantástico conta a história de uma cidade fictícia, Sanga Menor, e seus personagens, nem sempre mágicos.

O nono é Na Escuridão, Amanhã de Rogério Pereira da Cosac Naify. É sobre uma família disfuncional que vai desaparecendo.
Finalizando em décimo, Fantasma de José Castello pela Editora Record. O protagonista mora em Curitiba e é contratado para escrever uma obra ambientada na cidade.

Beijos,
Pedrita