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quinta-feira, 16 de junho de 2022

A Feiticeira de Florença de Salman Rushdie

Terminei de ler A Feiticeira de Florença (2008) de Salman Rushdie da Companhia das Letras. Comprei esse livro em um sebo perto de casa. Essa capa de Victor Burton é maravilhosa. Eu adoro esse autor, mas esse livro eu não me identifiquei tanto.

O marcador de livros é da Estação Liberdade.


 

 Jalāl ud-Dīn Muhammad Akbar

O livro é ambientado no Império de Akbar, terceiro imperador mongol da Índia que viveu entre 1542 a 1605. São várias historias fantásticas ou não, com texto elaborado, complexo e repletos de informações nas 395 páginas. O autor inspirou-se nas Mil e Uma Noites. Há uma extensa bibliografia ao final da pesquisa para a realização dessa obra ficcional.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Manto

Assisti Manto (2018) de Nandita Das na Netflix. É a história do escritor indiano Saadat Hasan Manto (1912-1955). Gosto muito que a Netflix traz muitas biografias de pessoas que desconhecia de várias partes do mundo.
 

Manto foi acusado três vezes por acharem seus livros obscenos. Revolucionário na época, Manto mostrava com crueza as relações afetivas. Não há um único livro publicado no Brasil. Na Índia ele vivia entre a intelectualidade local, artistas, escritores, universitários, professores. Uma escritora do seu círculo tinha publicado sobre o amor entre duas mulheres.

Inicialmente Manto viveu na Índia, quando ainda era possessão inglesa. Muçulmano, quando a Índia fica independente, passam a perseguir esses religiosos. Então ele segue com a esposa para o Paquistão. Manto ficava inconformado com as perseguições, situações do país, passa a ter muita dificuldade em publicar seus textos e aumenta exponencialmente a ingestão de bebida alcoólica. Acaba tendo tuberculose, sendo internado e morrendo aos 42 anos. Os atores são ótimos: Nawazuddin Siddiqui, Razika Dugal, Tahir Bhasin, Vijay Varma e Rajshri Deshpande.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 9 de março de 2021

O Tigre Branco

Assisti O Tigre Branco (2021) de Ramin Bahrani na Netflix. Eu estou tentando assistir aos filmes que concorrem ao Oscar, esse concorre a Melhor Filme Estrangeiro e é genial, bastante surpreendente e diferente. Primeiro porque não mostra a Índia que os turistas veem e passam a ter uma visão romântica do país, mas sim a Índia de fato, que eu já tinha visto no livro A Distância entre Nós, de Thrity Umrigar, a das castas. E com relações entre patrões domésticos e empregados muito parecidos com o Brasil, infelizmente, que beiram a escravidão. O filme é baseado no livro de Aravin Adiga, que quero ler.

O protagonista é da casta baixa. Muito inteligente consegue uma bolsa pra estudar em outra cidade, mas a avó proíbe e o obriga a trabalhar com carvão. A avó explora filhos e netos. Opressora, ela impede que eles voem, mas ele tem sonhos altos e vai fazendo passo a passo os seus planejamentos pra melhorar de vida.

O filme é desconfortável e imprevisível. O protagonista que narra a sua história desconcertante. Os patrões são interpretados por Priyanka Chopra e Rajkummar Rao.  A avó por Kamlesh Gill. Uma graça o garoto, Vedant Shina, que interpreta o parente do protagonista.

Beijos,
Pedrita

domingo, 17 de fevereiro de 2019

A Distância entre Nós de Thrity Umrigar

Terminei de ler A Distância entre Nós (2006) de Thrity Umrigar da Coleção Folha Mulheres na Literatura. Eu paguei R$ 19,90 na banca, mas não posso sugerir que comprem na Livraria da Folha porque ela não existe mais. O livro já foi publicado por outra editora, mas atualmente só é achado em sebo. Que livro difícil e triste, como foi duro continuar a ler diante de tanta infelicidade. 


A autora é indiana, a realidade das mulheres na Índia beira o insuportável, mas acho que o pior foi a semelhança com as violências às mulheres no Brasil. O livro conta duas histórias de mulheres, a patroa e a empregada, mas não pense você que a patroa tem só privilégios e a outra as durezas da vida. As duas tem vidas pavorosas repletas de violência física, emocional, financeira, com muito desrespeito, intolerância, manipulação e maldade.

Obra de Hema Upadhway

Nós já ouvimos falar da divisão de castas na Índia, hoje em dia não é tão acentuado como ouvimos, mas ainda é cultural. A empregada acha que é amiga da patroa, elas sentam juntas diariamente para tomar o chá e conversar, uma no chão com seus próprios pertences, não pode usar as louças do patrão porque é de outra casta e a outra na cadeira. Apesar dessa diferença, não é muito diverso do Brasil. No Brasil as pessoas que trabalham em serviços domésticos em residências ficam em pé, quanto os patrões ficam sentados. Os funcionários não podem sentar a mesa, no máximo em alguma mesa específica para funcionários. Sofá, cadeiras da sala, dos quartos, nem pensar. Só se estiver cuidando de algum idoso.

Obra de Mamata Banerjee

O livro me lembrou sempre uma frase muito usada também no Brasil: "como se fosse da família". Essa frase é na verdade uma grande armadilha, é como se fosse da família quando convém, quando obedece, quando faz o que queremos, mas basta uma única suspeita, deixa de ser da família para sempre, sem nunca ter sido efetivamente. Não é diferente com a obra. Achamos porque são da família até porque usam nossas roupas usadas, aquelas que íamos jogar fora ou dar para algum outro pobre. Dar presentes novos, ah, nem pensar, dar o que não quer mais e acha que isso é presente, é generosidade. Sim, por que não doar o que não quer mais? Mas achar que doar algo que não quer é o máximo que pode fazer a alguém em "como se fosse da família", essa pessoa não é da família. Familiares ganham presentes novos, não o que não queremos mais.

Obra de Godawari Dutta

O livro é todo entrecortado no tempo, com muitas idas e vindas e a história vai tragicamente e insuportavelmente se contando. A vida das duas mulheres é insuportável. O machismo as assolam, devoram, destroem corpos, dignidade. O livro começa com cada uma tendo uma grávida em casa. Uma é a neta que está esperando um filho e a outra a filha. Uma precisa abortar pra tentar retomar a faculdade e ter outro destino e a outra é casada. Aos poucos vamos conhecendo a história da avó e da esposa. Trágicas histórias repletas de violência doméstica, miséria e desrespeito. Livro dificílimo.
Beijos,
Pedrita

sábado, 13 de outubro de 2018

Victoria e Abdul

Assisti Victoria & Abdul (2017) de Stephen Frears no Telecine Play. Eu tinha visto esse filme no Now, mas foi o 007 que reforçou. É baseada na história verídica da Rainha Victoria e seu confidente indiano Abdul Karlim. O roteiro é baseado no livro da jornalista Shrabani Basu. Na matéria da revista Veja a jornalista especifica o que do filme foi verdade e o que foi inventado. As licenças poéticas foram totalmente desnecessárias, a história já é curiosa demais, não precisava inventar.

Abdul foi levado a Índia para ser servo e entregar uma moeda do seu país em 1887 quando a rainha tinha 68 anos. A rainha se afeiçoou a ele, achou-o lindo e ele passou a servir a rainha que foi promovendo-o e criando um enorme desconforto na corte. Eu posso imaginar, a Índia era posse da Inglaterra, até hoje os europeus se acham superiores aos outros povos, imagine naquela época.

Surgiram rumores que os dois tiveram um envolvimento afetivo. A jornalista afirma que foi só platônico. Acho difícil afirmar que sim ou que não, qualquer afirmação seria leviana. Na época pouco se falava da vida sexual, que dirá de pessoas mais velhas, que dirá com um homem de um país que a Inglaterra dominava, que considerava um ser inferior e um negro, como diziam. O escândalo da aproximação dos dois e as confidências políticas já eram desconfortáveis demais para deixar vazar qualquer outra dúvida. E é fato que eles se isolaram em uma casa na ilha, o que facilitaria consideravelmente a aproximação física.
Quando a Rainha Victória morreu em 1901, a corte fez o que pode para apagar todos os vestígios de Abdul e da aproximação com a rainha. Queimaram cartas, fotos. Só em 2010, com a pesquisa da jornalista, é que os diários da rainha apareceram e essa história se descortinou.

Judi Dench e Ali Fazal está excelentes. Alguns outros do elenco são: Tim Pigott-Smith, Eddie Izzard, Adeel Akhtar, Michael Gambom, Paul Higgins, Olivia Williams e Fenella Woolgar.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Salman Rushdie Espaço Aberto Literatura

Assisti a entrevista do Salman Rushdie no Espaço Aberto Literatura da GloboNews. Quem entrevista é Edney Silvestre. Eu gosto muito desse escritor, foi excelente a entrevista. Salman Rushdie falou bastante dos seus livros infanto-juvenis Haroun e o que acaba de lançar, Luka. Eu gostei muito de Haroun, o autor volta a falar que Haroun foi a forma literária que ele encontrou para dizer ao filho que tinha sido impedido de contar histórias. Luka já fala sobre a existência, Rushdie disse que se questiona por ser um pai mais velho e que pode um dia faltar e não ver o seu filho crescer, uma angústia de um pai mais velho que ele acredita que dificilmente um pai de 25 anos sente. Rushdie falou que adora fantasiar em suas obras. Claro, falou de Versos Satânicos, o livro que o levou a ser jurado de morte.

Salman Rushdie contou que seu próximo livro será sobre esse período que foi jurado de morte e o exílio, uma auto-biografia desse período. Ele falou que inventam muito e acha que está na hora dele dizer como foi. Disse que não vai levar de 5 a 6 anos como leva para compor os seus livros, porque esse ele já sabe a história dos personagens. Aqui nesse blog eu tenho a resenha do livro Shalimar e o equilibrista. Se quiserem ver a entrevista da GloboNews está nesse link.   



From Mata Hari e 007
e
From Mata Hari e 007
Beijos,
From Mata Hari e 007
Pedrita

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Shalimar, o equilibrista

Terminei de ler Shalimar, o equilibrista (2005) de Salman Rushdie, da Companhia das Letras. Eu adoro esse autor e queria muito ler esse livro. Há uns anos teve uma oferta no Submarino e não resisti. Ficou lá aguardando o dia de lê-lo. É simplesmente maravilhoso!


Todas as telas são de Dina Nath Walli, pintor indiano de Caxemira.
No início um embaixador é assassinado. Logo depois começamos em uma cidade, Caxemira, que fica entre a Índia e o Paquistão. Uma pacata cidade onde nasce Shalimar.

Vou falar detelhes do livro: Aos poucos vamos unindo as pontas e conhecendo também o início da história do Embaixador. Ele é de Estrasburgo, também uma região que teve interferência na guerra e mudou de domínio. Max queria fugir com seus pais, mas eles pediram para esperar. Depois dele conseguir sair do país, ele entra no mundo clandestino e igualmente como Shalimar, passa ,em nome de seu grupo, a resistência, a matar.

Shalimar, o equilibrista é um livro irônico, sobre conflitos do mundo todo. Também traz outra ironia. Apesar de Shalimar se tornar um terrorista, seu crime é passional. Ele matou o embaixador porque este lhe roubou a mulher. É um livro ambígüo. Como Salman Rushdie foi jurado de morte e viveu fugido, alguns de seus personagens passam o livro todo jurados de morte. O calculismo frio de Shalimar é intensificado porque ele se torna um terrorista só para passar o tempo, já que precisa esperar seus sogros falecerem para poder cumprir seu juramento de matar sua mulher e o embaixador. Ele jurara aos sogros que não os mataria, mas fizera outro juramento que os mataria. Para poder cumprir os dois juramentos, decidiu que cumpriria o primeiro enquanto os sogros fossem vivos e depois cumpria o segundo.


Também é muito triste a destruição de Caxemira e as regras impostas pelos muçulmanos. Caxemira era uma cidade pacata e alegre. Shalimar, o equilibrista vivia com uma trupe, sua mulher era a dançarina. Eles faziam apresentações. Com as novas regras, as mulheres eram obrigadas a usar a burca e a seguir os ditames muçulmanos. Algumas cidades como Caxemira resistiram e foram exterminadas.

Shalimar, o equilibrista mostra muito os conflitos que trouxeram muita intolerância a aqueles povos. Mas o mais estranho é o paralelo que Salman Rushdie faz como Ocidente que não é menos violento e opressor. Claro que fica difícil compreender na sua profundidade os conflitos nessa região de Caxemira, mas adorei por Shalimar, o equilibrista elucidar um pouco o momento em que a intolerância e as burcas, entre outras insanas regras, chegaram na região.
Shalimar, o equilibrista é um livro maravilhoso! Gosto muito do estilo narrativo de Salman Rushdie, seus parágrafos longos e ambígüos, a profundidade de seus racioncínios. Sou fascinada por esse autor.


Anotei alguns belíssimos trechos de Shalimar, o equilibrista, alguns são dos capítulos finais do livro, mas falam principalmente de momentos históricos na região de Caxemira:
“Haviam enterrado os maridos com quem passaram quarenta ou mesmo cinqüenta anos de vida desconsiderada. Curvadas, fracas, sem expressão, as velhas lamentavam os destinos misteriosos que haviam feito dar ali, afastadas, do outro lado do mundo, de seus pontos de origem. Falavam línguas estranhas que podiam ser georgiano, croata, uzbeque. Os maridos lhes falharam ao morrer. Eram pilares que desmoronaram, haviam pedido que confiassem neles e trazido as esposas para longe de tudo que lhes era conhecido, para essa terra-lótus sem sombra, cheia de gente obscenamente jovem, essa Califórnia cujo corpo era o templo e cuja ignorância era a felicidade, e depois tinham se mostrado indignos de confiança, soçobrando num campo de golfe ou caindo de cara numa tigela de sopa de macarrão, revelando assim a suas viúvas nesse último estágio de suas vidas, o quanto eram pouco confiáveis a vida geral e os maridos em particular.”

“Os fanáticos matam nosso cavalheiros e o Exército envergonha nossas damas.” Fuzilamentos, enforcamentos, esfaqueamentos, decapitações e bombas. “Este é o islã deles. Querem que a gente esqueça, mas nós lembramos.” Enquanto isso, o Exército usava o ataque sexual para desmoralizar a população. Em Kunan Poshpora, vinte e três mulheres tinham sido estupradas por soldados sob a mira de armas. A violação sistemática de meninas por unidades inteiras do Exército indiano estava se transformando em lugar-comum, as meninas levadas a acampamentos do Exército nuas, amarradas a árvores, os seios cortados com facas.

“De joelhos, Bombur Yambarzal foi condenado à morte em sua própria casa e disseram a sua mulher que, se os aldeões não parassem com esse comportamento pouco religioso e adotassem os modos sagrados, dentro de uma semana os militantes voltariam para executar a sentença. Naquele momento, Bombur Yambarzal, com um revólver na testa e uma faca na garganta, perdeu para sempre a visão, literalmente cego de terror. Depois disso, as mulheres não tiveram escolha senão usar burcas.”

Beijos,


Pedrita