Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Sentinela de Juliane Vicente

Terminei de ler Sentinela (2025) de Juliane Vicente da Malê Editora. Eu tinha lido um livro Afrofuturista que gostei muito, gosto muito de histórias distópicas, e procurei outro dessa corrente pra conhecer. Estou profundamente impactada! É um livro muito forte, complexo, está difícil lidar com ele.

O caminhão de madeira meu pai que fez.

O marcador de livros é magnético.


 

Obra Bastidor (1997) de Rosana Paulino

Mulheres são colocadas em um caminhão. Elas não sabem o motivo e pra onde serão levadas.

Obra AG03 (2021) de Nádia Taquary

Elas chegam em um alojamento com camas iguais e são largadas lá a própria sorte. Elas resolvem se dividir para cuidar das doentes. Elas não tem nenhum tipo de informação, cuidado, tratamento. É desesperador! A desinformação me incomodou profundamente! Com muito esforço elas descobrem que um remédio para emagrecer era radioativo, então elas estariam em isolamento por isso.

Obra Neblinando a Sensação de Ilusão Que é Navegar na Terra (2021) de Heloisa Hariadne

Acho que vai ser difícil esquecer e largar a experiência da leitura e as sensações que o texto me provocou. É muito forte, trágico, complexo e repleto de entrelinhas, dúvidas. Que livro! Inesquecível! Daqueles que quero dividir a experiência com muitas pessoas.


Beijos,
Pedrita

domingo, 13 de setembro de 2026

Ruína y leveza de Julia Dantas

Terminei de ler Ruína y leveza (2015) de Julia Dantas da Dublinense. Tinha tempo que queria conhecer o texto dessa autora rio-grandense. Gostei muito! É um mochila movie ou um backpack movie. Os personagens são ficcionais, mas a autora se inspirou em suas experiências de viagem.

O marcador de livros tem um livro marca texto, sempre importante em viagens.


 

Mercado de Cusco de Jesus Sedamanos

O livro começa do fim para o começo. A personagem está conhecendo uma mina. Depois o livro se entrecorta com a viagem dela ao Peru e o seu passado no Rio Grande do Sul. Ela conta pra nós que antes dela ir viver a "vida de verdade", ela queria viver outras experiências. Também tinha o objetivo de aprender espanhol com uma imersão em outro país. 

Obra de Luz Letts

Após algumas decepções amorosas e a perda de um emprego, a protagonista resolve viajar. No percursso, ela conhece o viajante Lucho que acaba sendo o contraponto sem seus pensamentos. Ele desmonta o olhar estereotipado de um viajante que ainda carrega seus pré-conceitos e uma visão de turista sobre os ambientes.

O Mito do Guerreiro Vermelho de Tilsa Tsuchyia

Em Cuzco, a jovem fica mais tempo e faz amigos. Com Carmem, ela viaja para a Amazônia Peruana, uma região que seria inundada por uma hidrelétrica, para conhecer a avó da jovem. Quando ela volta para Cuzco, ela acha que o tempo ali acabou e segue viagem com Lucho e depois segue sozinha. O livro termina quando ela se afasta de Lucho e vai sozinha seguir viagem.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Los Adioses

Assisti Los Adioses (2017) de Natalia Beristain na Netflix. Achei esse filme por um acaso e que grata surpresa! É sobre a escritora mexicana Rosario Castellanos (1925-1974) que desconhecia por completo. No Brasil tem um estudo sobre ela, mas não seus livros, só importados. E o filme está com o nome equivocadíssimo O Eterno Feminino que ia deixar a autora revoltadíssima!
 

Rosario Castellanos era brilhante! Graduou-se em filosofia na Universidade Nacional Autônoma do México, ganhou uma bolsa e estudou na Universidade de Madri. Era poeta, escritora, ensaísta, professora e foi Embaixadora do México. Alguns poemas são lidos no filme e são belíssimos!
Infelizmente ela conheceu o filósofo Ricardo Guerra Tejada (1927-2007) que claramente tinha inveja do talento de Rosario, mesmo ele sendo um renomado filósofo. Quando ela estudou em Madri, escrevia cartas diárias pra ele. Desde o começo ele sempre menosprezava o conhecimento dela, ficava diminuindo-a. Que homem pavoroso!
Karina Gidi está maravilhosa! Ele é Daniel Giménez Cacho. Rosario jovem é interpretada por Tessa Ia e ele por Pedro de Tavira.
Ela escrevia em profusão, ele se incomodava muito e fica o tempo todo interrompendo-a. Como conseguia pouco que ela parasse de escrever, ele saía, voltava de madrugada bêbado, depois de traí-la regularmente com muitas mulheres. Em uma dessas bebedeiras, destruiu a máquina dela de escrever. Volte e meia ela recebia prêmios e homenagens, ele dava sempre um jeito de sair com alguma mulher do local. Ela teve um filho e pra se vingar ele o arrancou dos braços dela e levou pra mãe dele criar. Como não conseguiu arrancar o talento dela, arrancou o filho que hoje é um cientista político. Vi uma entrevista dele dizendo que foi criado pelo pai, sim, porque ele foi arrancado da mãe. 

Rosario Castellanos teve uma morte trágica. Aos 49 anos foi molhada do banho atender ao telefone e quando foi acender uma lâmpada sofreu choque elétrico. Essa é a versão oficial!

Destino de Rosario Castellanos

Matamos lo que amamos. Lo demás
no ha estado vivo nunca.
Ninguno está tan cerca. A ningún otro hiere
un olvido, una ausencia, a veces menos.

Matamos lo que amamos. ¡Que cese ya esta asfixia
de respirar con un pulmón ajeno!
El aire no es bastante
para los dos. Y no basta la tierra
para los cuerpos juntos
y la ración de la esperanza es poca
y el dolor no se puede compartir.

El hombre es animal de soledades,
ciervo con una flecha en el ijar
que huye y se desangra.

Ah, pero el odio, su fijeza insomne
de pupilas de vidrio; su actitud
que es a la vez reposo y amenaza.

El ciervo va a beber y en el agua aparece
el reflejo de un tigre.

El ciervo bebe el agua y la imagen. Se vuelve
— antes que lo devoren — (cómplice, fascinado)
igual a su enemigo.

Damos la vida sólo a lo que odiamos.



Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O Talentoso Ripley de Patrícia Highsmith

Terminei de ler O Talentoso Ripley (1955) de Patricia Highsmith da Intrínseca. Eu não sei porque levei tanto tempo para ler esse livro, já tinha gostado do filme antigo, sempre achei fascinante o personagem, demorei pra comprar. Eu adquiri em uma promoção da Amazon. Essa capa é maravilhosa! A arte é de Michel Casarramona.

O marcador de livros é a imagem da obra Bailarina olhando a planta do seu pé direito de Edgar Degas do MASP
 

Obra Willie Gillis na Faculdade (1946) de Norman Rockwell

A série que amei é muito fiel ao livro, então as imagens que eu acabava tendo dos personagens vinham da série. Tom Ripley é localizado pelo pai de Dickie Greenleaf. O pai descobriu que Tom conheceu Dickie e pede que Tom vá a Itália para tentar trazer seu filho de volta. Dickie tem uma renda considerável e resolveu viver luxuosamente na Itália, pintando, aproveitando a praia, veleja. O pai não sabe, mas Tom é um golpista, realiza pequenos golpes nos Estados Unidos, falsificações de tudo quanto é tipo e vê na proposta uma possibilidade de ganhar um bom dinheiro e viajar.
Obra de Antonio Diego Voci

Tom é diferente da série. No livro, Tom tem a mesma altura de Dickie. Ele tem o cabelo preto e o outro quase loiro, mas os dois são bem parecidos. Na série, Tom é bem diferente de Dickie e mais baixo. É um livro pra ser degustado, apreciado com calma. Ao final acabei lendo mais avidamente. Achei fascinante como a autora escreve cinematograficamente, parece que sentimos e vemos as imagens pelos detalhes. Sentimos o calor da areia da praia, parece que conseguimos ver os anéis de Dickie, o cabelo esvoaçando. O que mais me fascina nessa obra é que acabamos torcendo pelo perigoso Tom, não queremos que ele seja pego. Incrível como a autora consegue criar um personagem que nos seduz e que torcemos por ele. Volte e meia me causa desconforto eu torcer por Tom escapar.

Obra Navegação marítima ao largo da costa napolitana de Atillio Pratella

Personagens do livro fazem insinuações sutis sobre Dickie e Tom. Segundo Marge, que é apaixonada por Dickie, os dois estariam juntos. Um outro personagem acha que não, que Tom só gostaria dele mesmo e acho que essa é a melhor definição. Eu acho que Tom era fascinado pela vida do Dickie, pela altivez do Dickie e queria ser o Dickie, não só em seus movimentos, roupas, mas principalmente pela sua vida luxuosa e pela não ostentação, típica de uma pessoa rica. O livro insinua bastante a possibilidade de Tom gostar afetivamente de Dickie e de homens, mas como disse tudo é sutil e eu acho que Tom não gosta de ninguém a não ser dele mesmo.

Obra Paisagem (1970) de Mario Bardi

Gostei demais da obra, quero continuar acompanhando Tom em suas desventuras.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O Avesso da Pele de Jeferson Tenório

Terminei de ler O Avesso da Pele (2020) de Jeferson Tenório da Companhia das Letras. Eu queria muito ler esse livro e comprei na Black Friday da Amazon. É um livro necessário, triste, realista e bem desesperançoso! Foi vencedor do Prêmio Jabuti!

A capa é a pintura Trampolim - Banhista de Antonio Obá
 

O marcador de livros é um golfinho.

Obra Nhá, Que Dá Lama Veio Que Da Lama Fica (2020) de Cipriano

O pai morreu e o filho vai lembrando as histórias de sua família. O narrador muda, as histórias vão se entrecortando. Seu pai era professor. Vidas difíceis, de muita luta, poucos recursos e muita dignidade.
Obra Nos braços de minha Mãe Nanã o amanhã está seguro (2020) de Renata Felinto

A história de sua mãe não é fácil. A mãe dela fica com vários filhos pra criar, com muita dificuldade e fome. Uma tia resolve levar então a menina pra viver com ela e sua filha. Ela passa então a ter uma vida um pouco melhor. Inicialmente não tem uma boa relação com a outra criança, mas aos poucos elas se aproximam.

Obra Penteadeira de Tiago Sant´Ana

A relação dos seus pais é difícil. Eles tem dificuldade com diálogos, compreensão e muitos machucados que foram arrastados de suas vidas difíceis. Eles se separam e seu pai reconstrói sua vida.
O pai é o único professor negro na escola. Ele é transferido para a noite e tem dificuldade de conseguir a atenção dos alunos. Nesse turno estão repetentes e muitos jovens que trabalham, outros que estão desacreditados.
É lindo demais quando ele vê os jovens falando de um crime e começa a contar outro crime, que é na verdade a trama de Crime e Castigo de Dostoiévski. É aí consegue e atenção dos alunos. Começa a levar trechos escritos em papel do livro e distribuir e passam aulas e aulas naquela trama.

Obra de Moisés Patrício

Em um capítulo, o autor enumera a quantidade de vezes que o personagem foi abordado pela polícia. Desde a infância quando jogava bola com os amigos, até sua execução quando voltava da escola. É um livro muito doído, foi uma difícil a leitura.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 14 de julho de 2026

Irmãs da Chuva de Gabriela Romeu e Anabella López

 

Terminei de ler Irmãs da Chuva (2021) de Gabriela Romeu e ilustrações de Anabella López da Editora Peirópolis na MEC Livros. Eu queria muito conhecer um livro dessa autora que sempre acompanhei seus excelentes textos jornalísticos. Tem tempo que o MEC Livros tem dado defeito, bug. Faz tempo que terminei o anterior, mas o sistema continuava dizendo que o livro estava começado. Com esse não foi muito diferente. No sistema estou na metade desse, mas já terminei. Esse livro é uma verdadeira obra de arte e deve ser degustado em papel. A edição é belíssima! E não funciona muito bem no MEC Livros, as imagens demoram demais pra baixar e dá bastante erro. Mas o livro é tão perfeito, mas tão perfeito que vai ficar comigo pra sempre.

É um livro mágico, repleto de magia. Duas irmãs gêmeas benzedeiras de Tururu do Sul, cidade fictícia atribuída a lugar mágico, evocam a chuva. Só que vem chuva demais, então elas seguem para desfazer o mal feito e passam a viver incríveis aventuras. Me emocionei demais inúmeras vezes! Elas lembram rezas, cantorias, participam de repentes, evocam santos, é de uma beleza inacreditável!
E que impacto ao final. Esse é daqueles livros pra ficar na sala e ser folheado constantemente e ficar ao acesso das visitas pra que possam desfrutar dessa magia.

Irmãs da Chuva foi o vencedor do Prêmio FNLIJ 2023 na categoria O Melhor Livro para Criança do Ano concedido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Apesar da categoria, eu vejo o livro como de realismo mágico, magia e encantador como literatura.

Beijos,
Pedrita

domingo, 28 de junho de 2026

O País dos Outros de Leila Slimani

Terminei de ler O País dos Outros (2020) de Leïla Slimani da Intrínseca. Eu quis muito ler esse livro já que tinha adorado Canção de Ninar. Essa autora escreve divinamente e em meio aos seus textos, debate questões urgentes. Por enquanto no Brasil são três livros traduzidos.
 

O marcador de livros é em tecido.

A coruja em pedra brasileira.

Obra de Mohamed Melehi

A autora é marroquina e se inspirou na história de sua avó para criar esse livro. Amei tanto a obra que já estou com saudade dos personagens. O livro começa na Segunda Guerra Mundial. Mathilde é francesa e conhece o soldado marroquino Amine. Eles se apaixonam e se casam. Eles seguem para o Marrocos onde Amine tem uma fazenda. Ainda não está adequada para receber a esposa, então eles ficam um tempo na casa da mãe. Sem saber o idioma ela passa boa parte do tempo na cozinha tentando aprender o nome dos objetos e ingredientes. O livro fala muito da dificuldade de adaptação de pessoas de cultura tão diferentes. Marrocos é colônia da França.
Obra de Abderrahim Jaouad

Eu não sabia que o Marrocos é um grande produtor de laranja. Eu amei a capa do livro e só na leitura entendi o motivo da laranja. Amine demora mais tempo para começar a produzir árvores frutíferas. Ele já estudava muito plantações antes de ir colocar em prática na fazenda, mas inicialmente faz muitas escolhas ruins e vive perdendo tudo. Mathilde tem muita dificuldade de viver na escassez e no isolamento da fazenda. Por bastante tempo ela e o marido se dão muito bem, mesmo que tenham dificuldade de compreender as suas culturas. Emociona a tentativa deles de se adaptarem um ao outro. Quando sua filha nasce ela insiste que a menina estude em um colégio católico francês. A menina sofre muito preconceito na escola já que é uma mistura da mãe francesa e do pai marroquino. Mathilde cuida de um doente da fazenda e passa a receber um séquito de doentes. Ela até procura o médico da cidade e explica que muitas mulheres pela cultura austera, jamais deixariam ser examinadas por um médico. Mathilde vai se aperfeiçoando, estudando e ajudando muito feridos e doentes da região.
Obra Como um Pássaro (2024) de Omar Mahfoudi

Os protagonistas se alternam. Começam com Mathilde e Amine, seguida por sua filha, mas vários outros surgem na trama. Com o passar do tempo a tensão no país se intensifica. O irmão de Amine é revolucionário e luta pela libertação de Marrocosda colonização. O livro termina em 1956 na independência do Marrocos, com a queimada das fazendas.
O livro é mágico, emocionante, amei acompanhar o dia a dia desses personagens, suas lutas e diferenças. 
O País dos Outros é o primeiro de uma trilogia sobre raça, resiliência e independência. Quero ler todos.
Beijos,
Pedrita

domingo, 14 de junho de 2026

Luanda, Lisboa, Paraíso de Djaimilia Pereira de Almeida

Terminei de ler Luanda, Lisboa, Paraíso (2018) de Djaimilia Pereira de Almeida da Todavia pela MECLivros. Queria muito experimentar esse sistema. Li pelo celular. É preciso entrar pelo cadastro do gov br e "emprestar" o livro por 14 dias, podendo pedir ampliação de mais 14 dias, o que não precisou. Eu li muito em bibliotecas por São Paulo. Teve uma época em que era sócia de 6, eu preferia a da Fiesp que tinha livros novos, bibliotecas tem mais livros antigos. E na Fiesp era possível pedir mais tempo. Eu escolhia sempre livros pouco procurados, porque se quisesse aumentar o tempo, mas teria fila de espera, não seria possível. Não sei como funciona na MECLivros. Gostei, mas eu prefiro imensamente mais o livro em papel, por inúmeros motivos. Agora mesmo não pude devolver o livro porque vim escrever aqui. E não sei se me agrada voltar ao passado em ter tempo de leitura. A liberdade de poder ler no meu tempo, ter o livro pra consultar quantas vezes quiser, é muito mais prazeroso. A obra (2022) da capa é de Lucas Almeida. Esse livro foi vencedor do Prêmio Oceanos 2019.
 
Obra de Fineza Teta

Um garoto nasce coxo. Sua família é de Luanda. Antes dos 15 anos ele precisa ser operado pra corrigir o defeito. Seu pai vai com ele a Lisboa. O tempo de recuperação é muito lento. Com isso seu pai vai se ambientando em Lisboa e começa a pensar em não voltar mais, mesmo nunca verbalizando.
Obra Kizua (2021) de Cláudio Feliciano.

Em Lisboa o livro passa a trazer de vez em quando cartas dos pais do garoto. Cartas que vão escasseando com o tempo. Apesar de pai e filho ficarem em Lisboa a vida fica sempre pior, cada vez mais miserável. Pai e filho trabalham como pedreiros e vão morando cada vez mais longe. Até que a casa queima e perdem o pouco que tinham. É um livro triste, desesperançoso. Vidas que nos atropela, não deixa escolha e se finda na mais profunda miséria. Me emocionei muitas vezes.

Beijos,
Pedrita