sábado, 26 de setembro de 2020

Todos os Mortos

Assisti Todos os Mortos (2020) de Caetano Gotardo e Marco Dutra no Festival de Cinema de Gramado no Canal Brasil. Esse filme eu queria muito ver, já vinha lendo e vendo algumas matérias sobre ele. Fala de uma família rural decadente logo após a abolição da escravatura.

As mulheres foram para a cidade. A mãe (Thaia Perez) está doente, uma filha (Carolina Bianchi) tem problemas mentais e a irmã (Clarissa Tiske) é freira. Todas infelizes. A freira é a que tenta dar algum equilíbrio a essa família, mas com todos os seus preconceitos religiosos, tem muita dificuldade de ajudar efetivamente. A freira acha que trazer uma antiga escrava para fazer um ritual afro possa ajudar a irmã.
A ex-escrava (Mawusi Tulani) está com o filho (Agyei Augusto) no interior, eles dormem com vários outros ex-escravos no chão de uma igreja. Ela resiste ao pedido da freira, mas acaba cedendo. A freira joga na cara da mulher várias vezes que pagou a passagem para ela e o filho viajaram. Bom, mas é ela que quer a ida da mulher para ajudar a irmã, não está fazendo favor algum. As relações de abuso escravocratas estão todos ali, vão aparecendo aos borbotões. O filho fica encantado com o piano e apesar das proibições da mãe vive naquela casa onde volte e meia é usado para fazer pequenos favores. A mãe briga bastante com ele porque ela sabe exatamente como a família é. A mãe tem consciência muito clara dos seus direitos. O filme fala muito de intolerância religiosa, desrespeito aos cultos afros, exploração de mão de obra. É incrível!
O elenco é incrível, como atuam. Também há um elenco extenso que aparece pontualmente, com grandes atores que adoro: Andrea MarqueeRogério Britto, Livia Silva, Thomas Aquino, Leonor Silveira, Luciano Chirolli, Eduardo Silva, Alaíde Costa, Teca Pereira, Gilda Nomacce, Vinícius Melloni e Tuna Dwek


Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

O Sobrevivente

Assisti ao curta O Sobrevivente (2019) de Silvia Rocha Campos no Belas Artes à La Carte. Eu fui ver o que tinha mais no acervo do Belas Artes pra assistir e me deparei com a Adriana Londoño, atriz que adoro e fui ver.

E não é que o filme tem mais dois atores que amo? Tuna Dwek e Fábio Herford. E mais, o filme é surreal, outro gênero que sou alucinada. Uma funcionária de uma seguradora se perde em umas ladeiras em um bairro pitoresco e ninguém, mas ninguém mesmo parece ouvi-la e dar informação. Dá muita agonia.
Até que ela chega em um prédio, daqueles antigos com corredores enormes, sem elevador, e uma mulher resolve ajudá-la. Ela entra no apartamento com cara de casa e parece que nunca mais, mas nunca mais mesmo vai conseguir sair daquele lugar. A moradora diz que o marido trabalha onde a seguradora quer ir. O marido catártico acabou de chegar do trabalho, então eles iriam no dia seguinte. Essa mulher da seguradora parece que nunca tem nada fora do lugar. Dorme retinha, com o cabelo sem um fio fora do lugar. No dia seguinte a dona da casa diz que tinha esquecido que era feriado e naquele dia eles não poderiam ir a empresa. O filme é incrível, mas tem uma cena fantástica, que a mulher anda pela casa, passa pelos moradores, mas logo eles estão na frente dela de novo. Assustador. No dia seguinte a mulher da seguradora resolve mesmo é se mandar dali. A moradora descobre, diz que vai separar os biscoitinhos pra ela levar. E os biscoitinhos parecem nunca ficar prontos. Achei que nunca mais ela conseguiria sair dali, sufocante e incrível. Fiquei curiosíssima pra saber onde são as locações. No final ela encontra com o personagem do André Garolli, que também gosto muito. Amei o filme!
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Por que você não chora?

Assisti Por que você não chora? (2020) de Cibele Amaral no Festival de Cinema de Gramado no Canal Brasil. Uma estudante de psicologia precisa fazer acompanhamento de algum paciente que será aos sábados, 3 horas durante à tarde. A supervisora ajuda os alunos a lidar com os conflitos que surgem do relacionamento profissional com os paciente. Entre os melhores filmes que vi esse ano. Aborda com maestria temas tão delicados como os distúrbios mentais.
O filme fala muito da bolha que vivem muitas pessoas. Os professores da faculdade são incapazes de perceber a estrutura dos alunos, ou a falta de estrutura dos alunos, ou já imaginam que eles tem infra estrutura em casa. Que a família os sustentam enquanto eles estudam. Não é o caso dessa jovem. Muito calada, eles não sabem e nem tentam perceber as limitações financeiras e de tempo que ela tem.

Ela e a irmã levantam ainda de noite. Prepara as marmitas das duas, andam muito. A menina fica em uma creche, depois vai a escola e volta para a creche. A irmã segue de condução até um trabalho burocrático e solitário de atendente de um prédio comercial. Volta tarde pra pegar a irmã de novo na creche, prepara a janta, ajuda a irmã na lição, dormem muito tarde. Para fazer a supervisão uma tia precisa cuidar da irmã. Mas ninguém da família parece gostar de ajudar a jovem. A tia pergunta se todo sábado terá que ser assim. Os pais das duas moram em uma cidade pequena, e a mãe reclama quando a filha pequena precisa ficar com ela. Incrível como todos acham que a responsabilidade de cuidar da criança de 8 anos é da irmã. A solidão dessa jovem corta o coração. A professora diz que a aluna precisa fazer terapia. A jovem diz que não tem tempo. A professora nem imagina o quanto é verdade, insiste, a jovem finge aceitar e se cala. As professoras levam tempo demais pra perceber o desalento dessa jovem. O filme é de cortar o coração. Fiquei dilacerada. Levei dois dias pra me recuperar.
Impressionante o trabalho de Carolina Monte Rosa. Gosto demais dos outros atores do elenco. Bárbara Paz arrasa.  Incrível também a irmã interpretada por Valentina Cysne. E excelentes Elisa Lucinda, Cristiane Oliveira, Maria Paula e Priscilla Camargo. O filme é feminino demais. Solitário demais!

Link do trailer do filme: https://www.facebook.com/Por-que-Voc%C3%AA-N%C3%A3o-Chora-100907738404473/videos/3550323158353858

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 22 de setembro de 2020

4 Bilhões de Infinitos

Assisti ao curta 4 Bilhões de Infinitos (2020) de Marco Antônio Pereira no Festival de Cinema de Gramado no Canal Brasil. Uma graça! A mãe vai trabalhar e orienta o irmão que dê almoço a irmã e ajude ela na lição. O curta mostra então a amizade linda desses dois irmãos e o cotidiano deles em um lugar distante. Eles estão sem energia, precisa ser consertado, mas por viverem em um lugar distante o conserto demora. Eles estão com saudades de televisão.

Incrível como o curta aborda tantas questões em tão pouco tempo só mostrando o cotidiano dessas crianças. Como muitas famílias, é uma criança cuidando da outra, tendo que ter uma maturidade que não tem. As dificuldades em viver em um lugar distante. Enfim, é um curta delicado e profundo. Muito lindo!


Esse ano o Festival de Cinema de Gramado é no Canal Brasil. Estou tentando aproveitar algumas produções. Como sempre o Canal Brasil no Now da Claro Net é desatualizado, então só é possível ver na própria grade de programação. Em geral eu volto a programação pelo controle remoto para poder ver os filmes. Fica um tempo disponível, uma semana mais ou menos.


 
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Curiosa

Assisti Curiosa (2019) de Lou Jeunet no TelecinePlay. Não fazia ideia da existência desse filme. O roteiro é livremente inspirado nas fotos de Pierre Louÿs (1870-1925) e Marie de Herédia (1875-1963). Os dois foram responsáveis por belíssimas fotos eróticas. Pierre foi um grande escritor, principalmente de livros eróticos.
Um mulher (Noémie Merlant) e um homem (Niels Schneider) se apaixonam. Ele é inconstante, inquieto e viaja, ela acaba se casando. Ele volta e eles passam a ter um romance, com muitas fotos eróticas. Ele trouxe uma estrangeira (Camélia Jordánia) e a oferece a amigos em festas de orgias. Sua amada muito incomodada exige que ele mande a estrangeira embora. Ele o faz, mas não suporta a falta da estrangeira e vai atrás dela. A amada sucumbe, fica prostrada. Quando consegue sair, arruma um amante (Emilien Diard-Detouef) sem muito entusiasmo, mas faz várias fotos. O amado volta, vê as fotos, louco de ciúmes, não quer mais saber dela. Incrível como esse filme relata o machismo. Ele tinha inúmeras mulheres, a abandonou duas vezes, mas ela não podia ter um amante.
Spoiler: O desfecho é muito interessante. A amada dá um jeito do amante se casar com sua irmã (Mathilde Warnier), e as duas passam a compartilhá-lo.

O filme é belíssimo, fotografia maravilhosa, as fotos são lindíssimas!

Maria de Herédia.



Beijos,

Pedrita

domingo, 20 de setembro de 2020

Globo Repórter - 70 Anos da TV

Assisti ao Globo Repórter sobre os 70 Anos da TV na GloboNews. Esse programa passou na sexta-feira na TV Globo e eu vi a reprise na GloboNews. Foi um belo programa apresentado pelas talentosíssimas Gloria Maria e Sandra Annenberg
 

Vou ter que dar uma pincelada porque foi uma verdadeira aula de história. E 70 anos, são muitos fatos, programas, novelas. O Globo Repórter começou com Assis Chateaubriant que resolveu trazer a televisão para o Brasil, que tivéssemos uma televisão. Quase ninguém tinha aparelho de TV e o programa lembra que custava mais que um carro. Então Assis Chateaubriand enviou aparelhos de TV para bares, lojas de departamentos, para que mais pessoas pudessem ver a inauguração da TV.
O Globo Repórter falou bastante das novelas, minha paixão. Mostraram algumas mudanças das novelas, do quanto falaram de questões complexas da nossa sociedade.
Escrava Isaura com Lucélia Santos e Rubens de Falco.

Falaram da maravilhosa Lado a Lado que infelizmente não reprisaram no Vale a Pena Ver de Novo. Mostraram Amor à Vida e o primeiro beijo gay nas novelas. Falaram de quando as novelas começaram a viajar e mostrar outros lugares como Índia, Itália e Grécia.
No jornalismo mostraram a cobertura de vários momentos históricos, como a queda do muro de Berlim em 1989. Nessa foto, o repórter Silio Boccanera está em cima do muro, sendo filmado e relatando os fatos. Mostrou o momento que um segundo avião bate nas Torres Gêmeas, quando já filmavam o primeiro que tinha se chocado.

Falaram do humor, da TV Pirata, dos inúmeros personagens do Chico Anísio, do Jô Soares.

Também falaram de comerciais icônicos como das Casas Pernambucanas, Cobertores Parahyba e o do primeiro sutiã. Contaram que antigamente o patrocinador tinha o nome no programa como o Repórter Esso.


Foram muitos entrevistados e entrevistadores. Nesse Eva Wilma fala das gêmeas que interpretou na primeira novela Mulheres de Areia, que ela tinha que se trocar muito rápido. Tony Ramos lembrou a belíssima cena no final de Caminho das Índias quando descobre quem era o seu pai. Lembraram da censura, que impediu de estrear Roque Santeiro. Que reprisaram Selva de Pedra e que Janete Clair teve que escrever uma nova novela em três meses, escrevendo o enorme sucesso Pecado Capital e mostraram a cena icônica com Francisco Cuoco e o dinheiro. A censura mudou o texto de Gabriela, não deixando que mostrassem o espancamento do marido de Gabriela nela. Relataram que a palavra fome não podia ser dita. Falaram da pandemia que pela primeira vez silenciou os estúdios e dos programas que estão para voltar e estrear, como a belíssima Pantanal em nova montagem. Jayme Monjardim falou do sucesso dessa novela na extinta TV Manchete. Mostraram também Xica da Silva estrelada por Taís Araújo, tendo Zezé Motta como sua mãe. Zezé Motta tinha sido Xica da Silva no cinema.


De modo bem didático explicaram as revoluções tecnológicas da televisão e da chegada do streaming. Nós que vivemos em uma bolha costumamos esquecer que nem todo mundo tem acesso a internet e que é ainda a televisão que chega até lugares distantes. Essa possibilidade de ver a televisão em computadores, celulares, nem todos tem acesso e sabem como é.
No final do programa avisaram que semana que vem tem mais, que no programa vão falar de esportes e realities shows.