sexta-feira, 13 de março de 2026

27 Noites

Assisti 27 Noites (2025) de Daniel Hendler na Netflix. Eu tinha gostado demais desse cartaz, resolvi ver. E que grata surpresa!

O filme é inspirado em um momento dramático da vida de Natália Cohen, uma artista plástica, mecenas e escritora argentina. Muito bem de vida ela gostava de dar festas, ter uma vida ativa. As interesseiras das filhas, preocupadas com o patrimônio e não com a mãe, na época com 83 anos, internam a mãe compulsoriamente em uma clínica, um cárcere privado. Onde ela passa a ficar trancada, com autorização de só receber visitas das filhas, que eram muito ausentes. Mas o patrimônio não podia se perder.
Marilu Marini está maravilhosa. Lindíssima, a personagem consegue sair da clínica com a ajuda dos amigos. O estado designa um perito para dar o laudo da idosa. É quando Daniel Hendler aparece. Sim, ele também é o diretor do filme. A idosa está novamente em cárcere privado, mas ao menos em seu luxuoso apartamento. Guardas ficam na porta. Ela diz que tem escutas e ele duvida, afinal pessoas mais velhas costumam ter mais paranoias, teorias da conspiração. Ele não tinha o mesmo conhecimento cultural da protagonista. Ele vê uma mulher alegre, vivaz, brilhante, que queria viver a vida como queria e estava sendo privada de sua liberdade. Eu me incomodo muito com pessoas que querem impedir idosos de terem sua própria autonomia.
É muito bonita a relação que vai se formando entre os dois, que são tão diferentes. O filme é muito delicado e bonito. Ele acaba comentando que o melhor para ela era se entender com as filhas e é o que ela faz. O acordo me enojou bastante já que define o que ela pode ou não fazer e boa parte desse pode ou não pode tem a ver com bens. Não com a felicidade e saúde da mãe. Com isso ela pode voltar a ser livre. Natália Cohen continuou ativa até os 104 anos. Fiquei feliz que as filhas demoraram muito tempo para por a mão nos pertences da mãe. 
Beijos,
Pedrita

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cultura é vida!