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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Os Belos Dias de Aranjuez

Assisti Os Belos Dias de Aranjuez (2016) de Wim Wenders no TelecinePlay. Que filme poético e bonito! Muito diferente também. Gosto desse diretor que ele sempre é imprevisível! O filme é uma adaptação da peça do austríaco Peter Handke.

Um escritor (Jens Harzer) imagina o seu livro. Eu amei a casa. Há livros por toda parte, embaixo do sofá, empilhados, nas estantes, parecem sempre estar em movimento, porque eles não estão organizados, estão colocados. Os livros daqui de casa são assim também, vão espalhando os seus tentáculos por onde passam. Tem também uma máquina de por o disco pra rodar. O escritor vai lá de vez em quando escolher uma nova música. Fiquei curiosíssima pra saber onde é a locação. Nossa, descobri, é na casa onde viveu Sarah Benhardt. Que incrível! Era o nome da minha gata inclusive.
O livro é um casal que conversa no jardim sobre suas experiências. Ela fala mais sobre seus experiências. O texto é todo muito poético. A vista é deslumbrante! Fiquei curiosa pra saber se os sons são do local mesmo ou feitos na edição, mas vemos o vento, um pouco deve ser do local mesmo. Os dois são Sophie Semin e Reda Kateb.

Nick Cave faz uma aparição mágica. Achei incrível como a câmera chega até ele e a surpresa de ver música ao vivo na casa. Magicamente some de novo. O filme é mágico, poético e genial! Bela trilha sonora também!

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Quarteto Vida em Pauta

Fui ao concerto do Quarteto Vida em Pauta no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas. Foi no hall de entrada. Estava lotado. Tinha até pessoas pelas escadas, médicos, profissionais, pacientes. É um belo prédio antigo com mármores, pé direito alto. A acústica do local levava a música para vários andares, então as pessoas iam aparecendo, foi emocionante. 

Dentro da pesquisa realizada pelo projeto Vida em Pauta, eles tocaram obras de Mozart e Vivaldi que proporcionam calma e paz.

Programa

Antonio Vivaldi  

Concerto em Lá M RV 158 (Allegro Molto, Andante Molto e Allegro)

Concerto em Sol minore RV 156 (Allegro, Adagio e Allegro)

Concerto em Do M para cordas RV116  (Allegro, Affettuoso e Presto)

Wolfgang Amadeus Mozart – Ave Verum 

O vídeo é do Quinteto Vida em Pauta que comentei aqui. E o outro o institucional do projeto.

Beijos,
Pedrita

sábado, 16 de setembro de 2023

Concerto da Orquestra Jovem do Estado

Fui ao concerto da Orquestra Jovem do Estado, com o Coral Jovem do Estado e Coro Infantil do Guri, sob regência de Cláudio Cruz e Edineia Oliveira, solista, na Sala São Paulo. Uma amiga que me convidou e serei eternamente grata a ela. Acho que jamais vou esquecer essa apresentação, foi absolutamente inacreditável! Que regência, que orquestra, que coros, que cantora! Eles interpretaram a portentosa Sinfonia nº 3 de Mahler. Eu nunca tinha visto a Sala São Paulo tão cheia. Tem alguns lugares bem no alto que costumam ficar algumas pessoas, mas até lá não tinha um único lugar vago. E como tinham crianças na plateia.
 

 A Sinfonia nº 3 de Mahler tem 6 movimentos intensos, difíceis, com várias apoteoses. Fiquei muito impactada! Teve uma profissional de libras colocando em gestos a obra, eu acho tão lindo, parece uma dança, mas a força do maestro também era contagiante, bom, tudo é demais, é uma obra tão forte, que todos parecem que estão em outra dimensão. É tudo tão incrível, dilacerante. O coro e a cantora chegam mais pro final. Edineia é uma cantora incrível, que voz, que interpretação, que beleza. Os coros também emocionam, ver tanto jovem, tanta força vocal e as crianças do Guri, é emoção demais tudo junto. Nunca vou esquecer!

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Quinteto Vida em Pauta

Assisti ao Quinteto Vida em Pauta no Instituto da Criança. Que lindo concerto com excelentes músicos. Eles tocaram Mozart e Vivaldi. O Quinteto Vida em Pauta é formado por 2 violinos Cláudio Micheletti, e Karen Hanai, uma viola Marcos Fukuda e 2 violoncelos, André Micheletti e Ricardo Fukuda. O concerto integra o projeto Vida em Pauta que leva música clássica aos hospitais.

Programa completo:

W. A.  Mozart – Divertimento em Si Bemol Maior, K. 137 (Andante, Allegro di Molto e Allegro Assai)

Antonio Vivaldi – Sinfonia em Fá Maior, RV 137 (Allegro, Andante e Presto)

 Foto de Rodrigo Alves

Beijos,
Pedrita

sábado, 22 de julho de 2023

La Fanciulla Del West

Assisti a ópera La Fanciulla Del West de Giacomo Puccini no Theatro Municipal de São Paulo. Isso mesmo, uma ópera faroeste. Eu estava curiosa, é um drama, com libreto equivocado de Guelfo Civinini e Carlo Zangarini. Apesar de trágica eu acabei rindo e me divertindo, porque é muito improvável a história que romantizou o garimpo. 

Uma jovem que nunca beijou é dona de um bar em um garimpo. Ela vive armada, mas não seria difícil ser rendida e estuprada. É inspirada na corrida do ouro na Califórnia, mas não há prostitutas, ela é a única mulher, casta e pura, faz-me rir. Um bandido aparece e eles se apaixonam. O roteiro é baseado na peça de David Belasco.
A música linda é tocada pela Orquestra Sinfônica Municipal, regida por Roberto Minczuk. Como nessa versão não há mulheres, só tem a protagonista e sua empregada, o elenco é praticamente todo masculino. Há muitas cenas com o excelente Coral Lírico Municipal masculino. Belíssimos cenários de Renato Theobaldo.

No dia que fui a austríaca Martina Serafin interpretou a protagonista. O tenor foi o argentino Gustavo Lppez Manzitti. O policial, Lício Bruno. Andreia Souza fez a empregada. Os outros personagens foram cantados por Paulo Queiroz, Andrey Mira, Johnny França, Eduardo Góes, Isaque Oliveira, Márcio Marangon, Fernando de Castro, Eduardo Trindade, Diógenes Gomes, Max Costa, Rafael Thomas, Sérgio Righini, Marcelo Ferreira e Miguel Geraldi. A direção cênica foi de Carla Camurati.

Beijos,
Pedrita

domingo, 2 de julho de 2023

Concerto da Orquestra Vida em Pauta

Assisti ao Concerto da Orquestra Vida em Pauta no auditório do Instituto da Criança e do Adolescente. Que linda apresentação, com excelentes músicos: violinos Cláudio Micheletti, Gabriel Curalov, Gabriel Mira, Karen Hanai, Márcia Fukuda, Rafael Sanches, Thaís Moraes e Wagner Silva; violas Marcos Fukuda, Anderson Vargas e Denise Fukuda; violoncelos, André Micheletti, Mayumi Micheletti e Ricardo Fukuda e contrabaixo, Gustavo Fontes.

Toninho Carrasqueira foi o solista da obra de Vivaldi, Il Cardellino. Tinham 70 crianças de uma escola pública de ali perto assistindo, bem pequenas. Toninho falou pra elas sobre as flautas, como surgiram, sons. Fiquei encantada como elas ficaram atentas durante uma hora de música de concerto. Muito bonitinho as crianças pedindo pra antecipar o programa e a orquestra interpretar O Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saëns. André Micheletti explicou sobre a obra pro público.

Foto de Sylvia Mielnik

Programa completo:

Antonio Vivaldi - Il Cardellino, op. 10, no. 3, RV 428 - Allegro, Cantabile e Allegro
Solista: Toninho Carrasqueira , flauta

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 - 1791) – Eine Kleine Nachtmusik -  Serenata in Sol maggiore KV 525 – Allegro, Romance (Andante), Menuetto (Allegretto) e Rondo (Allegro)

Sergei Prokofiev (1891-1953) – Pedro e o Lobo - Andantino

Camile Sain-Saens (1835-1921) – O Carnaval dos Animais  - Marcha Real dos Leões, O Elefante e Fósseis

Foto de Oscar Nunez Gardiano 

Dia 5 de julho terá outra apresentação da Orquestra Vida em Pauta, agora no saguão do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Todos são gratuitos.

Foto de Oscar Nunez Gardiano

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Corsage

Assisti Corsage (2022) de Marie Kreutzer no TelecinePlay. Por enquanto sumiram as pastas de gêneros do Telecine no Now, fui então no cinelistas, em mulheres diretoras e o primeiro filme era esse. Fiquei pensando quando foi que entrou na programação. Nunca tinha ouvido falar e que obra prima, que filme maravilhoso!

É sobre a Imperatriz da Áustria, a Sisi, perto dos quarenta anos. Só com o filme que Sisi passou a ganhar dois ss. Depois dos 40 anos, é quando o marido perde o interesse por ela e ela fica entediada. De espírito livre, ela se incomodava profundamente com as convenções. Estava obcecada por peso, dá muita aflição ela na mesa não comendo nada. Também mostra os momentos que ela tinha compulsão alimentar, típico de quem tem desajustes alimentares. Ela pedia sistematicamente para as serviçais apertarem demasiadamente os espartilhos e se pesava compulsivamente. O filme fala muito sobre etarismo, principalmente as cobranças para a mulher e machismo. Vicky Krieps está maravilhosa!
Mas ela adorava cavalgar. Tinha uma relação complexa com os filhos. Claro, quando não se precisa pensar em boletos, no que vai comer, até se vestir alguém faz pra você, pode-se ter qualquer excentricidade. Os filhos de nobres sempre são criados por outras pessoas, só veem os pais de vez em quando. É mais fácil ter filho assim,, fácil nunca é. Para fugir do tédio da casa onde o Imperador ficava, ela ia muito a uma casa de campo, onde tinham inúmeros empregados, mas uma vida mais aconchegante e menos entediante.

O filme é belísssimo, originalíssimo como é construído, com uma trilha sonora deslumbrante. Ela gostava de ir em manicômios, dizia que se sentia bem entre aquelas mulheres. Perturbada pelos sentimentos complexos, ela tenta suicídio. O médico indica cocaína, um remédio, inofensivo. Freud mesmo fez inúmeros estudos sobre os excelentes resultados da cocaína em pacientes. Só anos depois que descobriram os malefícios, mais ou menos o que sempre acontece com a indústria farmacêutica. Volte e meia um médico insiste que o remédio não causa dependência, que ele vai ajudar a reduzir e tirar depois, que compensam os benefícios, mas após o vício a maioria não se responsabiliza, abandona, famílias, médicos, e ainda há muitos julgamentos por quem tem vícios. Não sabia que ela morria assassinada, mas o filme não termina com o assassinato, é bem lindo a forma como o filme termina, meio mágico. O filme todo é meio mágico. Belíssimo!
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 19 de abril de 2023

O Rapto do Serralho

Assisti a ópera O Rapto do Serralho de Mozart no Theatro São Pedro. Que montagem impecável! Que espetáculo completo, bonito, bem tocado, bem cantado, cenários lindos e funcionais, figurinos elegantes. A direção musical foi de Claudio Cruz a frente da Orquestra do Theatro São Pedro. A divertida direção cênica foi de Jorge Takla. Os lindíssimos cenários são do Nicolas Boni. Os figurinos são de Fábio Namatame. Ótimos cantores, Jean William, Raquel Paulin, Ludmila Bauerfeld e Daniel Umbelino. A música é maravilhosa!

Fotos de Heloisa Bortz

Junta-se ao time de excelentes cantores o baixo Luiz-Ottavio Faria. Todos tem árias enormes, complexas, é uma ópera de fôlego, pra grandes intérpretes como os que essa montagem mostrou. O engraçado libreto é de Johann Gottlieb Stephanie Der Jüngere. Ótimo texto de apresentação de Camila Fresca. É engraçado não só porque é uma comédia, mas porque tem umas partes tão inverossímeis em qualquer tempo, que não há como não se divertir.

O Paxá é o principal, tudo acontece por ele, por causa dele, pelas ações dele, mas apesar de ser uma ópera, ele não canta e foi interpretado por Fred Silveira. Hoje nós diríamos só novela mesmo e na época deveriam dizer, só ópera mesmo, o paxá respeitar a raptada e só consumará o ato quando ela o amar. Imagine, um homem de um harém, que raptou pessoas ser bonzinho assim. Bem surreal. O final então é mais engraçado ainda porque ele perdoa tudo, não mata ninguém, não obriga ninguém e ainda deixa ir. 

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 12 de julho de 2022

Edith Gasteiger

Assisti a apresentação da Edith Gasteiger no VI SPHarpFestival no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Essa harpista é austríaca e tocou um lindo repertório clássico. Entre os compositores: Beethoven e Vivaldi. Escreveram em português o que ela iria falar e foi lindo ela falando em português para o público, talentosa e muito simpática.
 

Beijos,
Pedrita

sábado, 23 de abril de 2022

Lou

Assisti Lou (2016) de Cordula Kablitz-Post no TelecinePlay. É sobre a história de Lou Andreas-Salomé, outra grande mulher praticamente apagada da história. Como comentou Arpose, A Minha Vida foi publicada no Brasil. Na Estante Virtual há edições de Portugal pra adquirir e a biblioteca da Unicamp tem um exemplar da autora, outras bibliotecas universitárias também podem ter.

Filósofa, romancista e psicanalista russa, Lou (Katharina Lorenz) era de uma família aristocrata. Lou queria mesmo era estudar, ser livre e independente, o que não era visto com bons olhos para as mulheres. Vivia em bibliotecas, estudando os filósofos. Lou vai estudar em Zurique, fica doente e depois a mãe a leva pra Roma, mas é na Alemanha que vive a maior parte do tempo.

Lou Andreas-Salomé, Paul Ree e Nietzsche.

Pelas mudanças e estudos, encontrou inúmeros intelectuais. Lou foi responsável pelo estudo do narcisismo positivo, que tenho ressalvas, mas sim, ela era brilhante, genial e sim, estimulava a capacidade intelectual de todos que se aproximava. O narcisismo no aspecto afetivo que era devastador. Aparentemente fria, ela não queria relacionamentos, acreditava na amizade sem envolvimento, mas com isso maltratava profundamente afetivamente as pessoas do seu convívio. Era um espírito livre e completamente consciente do que o matrimônio significaria em sua vida na sua época. O maior estrago afetivo foi em Rainer Maria Rilke (Julius Feldmeier). O poeta era instável afetivamente e ela o desestruturou profundamente. Após a separação Rilke produziu magistralmente e Lou percebeu que ela foi importante para ele. Sim, ela foi importante para instigar, aprofundar, mas afetivamente desestruturou-o bastante. Lou conheceu Freud (Harald Schrott), quando a psicanálise entrou na sua vida, participando do Círculo Psicanalítico de Viena.

O filme é contato por Lou (Nicole Heester) a Ernst Pfeiffer (Matthias Lier) que escreveu com ela sua autobiografia. Ela conta sua história e vamos acompanhando as idas e vindas no tempo. Lou vivia na Alemanha e a Gestapo confiscou seus trabalhos. Pfeiffer conseguiu resgatar depois e cuidar do seu legado até sua morte. Gostei demais de conhecer essa grande estudiosa.
Beijos,
Pedrita