sexta-feira, 8 de maio de 2026

Zona de Interesse

Assisti Zona de Interesse (2023) de Jonathan Glazer na PrimeVideo. Esse filme eu senti muito de não ter visto quando estreou. Corri para ver quando descobri que estava nesse streaming. Filme indigesto, desconfortável, milimétrico, verdadeira obra de arte.

É a rotina familiar em uma belíssima mansão, quintal lindíssimo. É uma família feliz, leve, carinhosa, harmoniosa ao lado do Campo de Concentração de Auschwitz, onde o filme é realizado. Uma vida bucólica. Bem de vida, eles tem um séquito de empregados. Os de dentro contratados e os de fora judeus do campo. Tudo é sutil por isso tão incômodo. Em um momento entregam algumas peças de roupas finas pra eles. A matriarca pega um casaco de pele, ainda com um batom dentro e pede que costurem o forro que está solto. E diz que as empregadas podem pegar uma peça cada uma. E nós sabemos de quem foram aquelas roupas.
Começa com a família em um piquenique a beira do rio. 
A mãe vai visitar a filha. A matriarca mostra a casa e empolgada mostra o jardim que construiu, há uma belíssima estufa, lindas flores. A mãe é a única que parece se incomodar com o cenário depois do muro. A filha é a maravilhosa Sandra Hüller, ele é Christian Friedel.

O marido é elogiado pela produtividade em Auschwitz. Ele inclusive tem uma reunião com um engenheiro para criar câmeras de gás melhores, com maior produtividade. A fumaça das chaminés fica praticamente 24 horas. A mãe desconcertada com o cheiro vai embora sem avisar ninguém, deixa só um bilhete. A filha fica muito contrariada. O marido recebe uma promoção para levar essa produtividade para outros campos. Só com essa ida é que acompanhamos as reuniões nazistas onde falam da maior movimentação de judeus em trens que irá acontecer, que todos precisam estar preparados pra recebê-los. E falam em números, eficiência das câmeras de gás O filme termina com funcionárias limpando um museu com objetos de judeus dos campos, pilhas e pilhas de sapatos, malas. E comoo nazista olhando pra tela. Sempre falo que alucinados como Hitler só conseguiram fazer o que fizeram porque muitos lunáticos se juntaram a ele e nem todos por medo. E como no filme, pessoas aparentemente do bem. Sempre me apavoro com líderes que querem dominar o mundo matando seus semelhantes com as desculpas mais estapafúrdias só por poder e dinheiro. E lunáticos aplaudindo.
Pedrita

terça-feira, 5 de maio de 2026

Anora

Assisti Anora (2024) de Sean Parker na PrimeVideo. Tinha curiosidade de ver esse filme, sem muita empolgação, porque ganhou o Oscar de 2025. É um bom filme, excessivamente estereotipado e machista. Nada a ver levar o prêmio de Melhor Filme.

Anora é uma profissional do sexo bem do jeito que homem acha que é. Ela trabalha em um inferninho. Em geral homens que pagam por sexo quando querem algo diferente, mas no filme não é isso o que acontece. Elas são todas jovens mulheres, pequenas, sorridentes e parecidas. Homens gostam de fetiches nesses lugares, sempre há mulheres diversas de idade, nacionalidade, corpos diferentes. Mas no do filme é só mulheres gostosinhas, pequenininhas  e bonitinhas, no diminutivo mesmo. Esse olhar machista do filme foi o que mais me incomodou. Mikey Madison está muito bem, a interpretação dela é o melhor do filme.
Ela conhece um mimadinho russo de Mark Eydelshteyn, mais caricato que nunca. Eles se divertem muito e ele começa a contratá-la por mais tempo. Tudo vai muito bem, porque ela aproveita muito, vai em festas, conhece os amigos. Eles bebem muito, usam drogas, todos inconsequentes, mas ela se diverte e ainda ganha bem por isso. Como alguns filmes recentes do gênero, nenhum amigo tenta pagar a jovem pra se divertir também, eles não se divertem junto no sexo, tudo falso, não tentam abusar dela. São todos legaiszinhos com ela, no diminutivo também. Até que eles resolvem casar em Las Vegas. Pra ela é péssimo, porque até então ela ganhava bem pra se divertir com ele e com o mundo dele, ficava na belíssima mansão. Com o casamento tudo fica enfadonho e ainda sem ganhar um tostão.
O casamento chama a atenção da família na Rússia que manda seus capangas malvados resolverem a questão. É um show de clichês, como pode um filme desse ganhar um Oscar? O rapaz foge, a jovem é torturada, maltratada, mas tudo até certo ponto, esquisitíssimo, falso, enfim. Aí vem o pior do filme. Esse grupo infeliz passam a noite procurando o foragido pra anular o casamento e levam ela junto. Como o filme fica chato e caricato. A família do rapaz é outro clichê, tudo ruim. Como disse, dá pra ver. O final é tão machista, mas tão machista que me deu enjoo. Mulheres precisam de homens salvadores, mesmo que sejam os seus torturadores, enfim, dá pra ver, mas não dá pra ganhar prêmio. É um filme machista pra colocar jovens mulheres nuas ou quase pra seus próprios fetiches.

Beijos,
Pedrita

domingo, 3 de maio de 2026

A Mão que Balança o Berço

Assisti A Mão que Balança o Berço (2025) de Michelle Garza Cervera da Hulu na Disney. O roteiro de Amanda Silver é muito bom. Já teve uma adaptação dessa história em 1992.

Uma jovem vai aparecendo sorrateiramente perto de uma mulher grávida. Depois se reencontram e a mulher já é mãe. A jovem diz que é babá e se oferece pra cuidar dos filhos. Dá uma referência que confirma que está tudo certo. Mary Elizabeth Winstead e Maika Monroe estão muito bem. Logo a jovem vai suprindo tudo o que a mãe e a família precisa. Torna-se indispensável e conquistando todos, a filha de 10 anos, o marido, a esposa. Eu logo percebi as manipulações. A jovem, que agora é indispensável, diz que terá que se mudar de Los Angeles que é muito cara, deixando a mãe insegura de perder a babá tão imprescindível. Pena que a mãe entenda pouco de táticas de manipulação. Ela então convida a jovem a viver na casa. A jovem vai se infiltrando em tudo e manipulando todos contra a mãe. Pra piorar a mãe toma remédios controlados, não sabemos o motivo, algo no passado. A jovem troca os remédios e a mãe vai ficando cada vez mais instável, mais fácil de ser manipulada e ser vista como um risco aos filhos.
O marido é uma besta. Ok, a jovem manipula todos, mas ele é um pavor, nunca acredita na mulher e sempre joga na cara dela o passado. Ele é Raùl Castillo. Por sorte um amigo da esposa (Martin Starr) é o único que acha estranho a jovem pelo relato da mãe e resolve investigar. O marido só via defeitos na esposa que começa a duvidar das suas desconfianças.
A filha mais velha parece ser a única que começa a entender o que está acontecendo, mas ficamos na dúvida, já que ela fica amiga irmã da jovem, então pode ter sido manipulada. E a jovem pode ter contado muita mentira. Mileiah Vega está ótima. Gostei que ao final vem muita revelações, muito bom.

Beijos,
Pedrita

sábado, 2 de maio de 2026

Chico Bento e a Goiabeira Marviósa

Assisti Chico Bento e a Goiabeira Marviósa (2024) de Fernando Fraiha na PrimeVideo. Queria muito ver esse filme que recebeu muitos elogios. É uma graça mesmo! Isaac Amendoim arrasa!

O que mais gostei foi o ambiente rural. Bom demais ver um filme com paisagens em sítios, a vila é linda. As crianças todas são uma graça e crianças sendo crianças. Todos estão demais Pedro Dantas, Anna Júlia Dias, Guilherme Tavares, Davi Okabe e Lorena Oliveira

Elaboradíssima a história pra contar porque a goiabeira fica no sítio vizinho. Divertidíssima história! Excelente Luís Lobianco. Ele faz de tudo e mais um pouco para as crianças não irem no terreno dele pegar as goiabas e claro que nada dá certo.
Débora Falabella é a professora e dá aula de mapas e é essa aula que consegue mudar a história, muito bom. Adorei eles fazendo o mapa com lápis de colorir, linhas, tachinhas, tudo manual.

Augusto Madeira é o vilão e seu filho de Enzo Henrique. Ele quer asfaltar as estradas que unem os sítios e com isso irá acabar com a goiabeira. Chico Bento luta para salvar a árvore.

Adorei que tem uma parte em animação criativa, linda e inteligente. Taís Araújo aparece nesse momento. Alguns outros no elenco são Thaís Garayp, Guga Coelho e Livia La Gatto.

Maurício de Sousa faz uma participação afetiva.
O filme fez tanto sucesso que já está prometido o segundo.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 30 de abril de 2026

A Música de Câmara Brasileira- Paisagens Sonoras

Assisti ao recital  A Música de Câmara Brasileira- Paisagens Sonoras do Centro de Música Brasileira na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Quem se apresentou foi o Trio Le Donne com as ótimas musicistas Ana Lucia Benedetti (mezzo-soprano), Gretchen Miller (violoncelo) e Nancy Bueno (piano)

O repertório era muito bonito, belas canções:

Melodia Sentimental das Quatro Canções da Floresta Amazônica de Heitor Villa-Lobos – Letra de Dora A. Vasconcellos e arranjo de Alexandre F. Travassos

Sob o Céu Tão Azul de Helza Camêu – Letra de Onestaldo de Pennafort

Minha Mãe para canto e piano de Osvaldo Lacerda – Letra de Guilherme de Almeida

Guarda-Noturno da Suíte Cantante para Seis Trabalhos de Amor de Kilza Setti – Letra de Luís Milanesi

Eclipse para canto e piano de Renée Fonna Sizudo

Soneto para canto e violoncelo de Nilcéia Baroncelli – Letra de Beatriz Brandão

Noturno n° 2 de Emília de Benedictis – Letra e arranjo para trio de Nilcéia Baroncelli

Papagaio Azul de Edmundo Villani-Côrtes

Cantilena para violoncelo e piano de Fernando Cupertino

Vocalise para meio-soprano, violoncelo e piano de Fernando Cupertino

Saudade para canto e piano de Osvaldo Lacerda – Letra de diversos autores

Ária (Cantilena) das Bachianas Brasileiras n° 5 de Heitor Villa-Lobos – Letra de Ruth V. Corrêa

No bis tocaram

Lua Branca de Chiquinha Gonzaga – Arranjo para trio de Nilcéia Baroncelli


O vídeo não é do recital.


Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 29 de abril de 2026

2073

Assisti 2073 (2024) de Asif Kapadia na HBOMax. Só depois que estava vendo é que descobri que é um docudrama. Contundente, desconcertante mostra como o planeta chegou naquele estado.

Eu adoro Samantha Morton. Ela vive em 2073 nos escombros do que sobrou do planeta. Os poucos que restaram tentam sobreviver procurando alimentos, insetos, pra se alimentar. O filme passa então a mostrar como chegamos até ali e começa o documentário. Seres humanos matando seus semelhantes, guerras, destruição do meio ambiente, crise climática, especialistas de vários países falando de conflitos, desculpas absurdas para matar, tecnologia para controlar ou destruir. Filme urgente.
A música é de Antonio Pinto, entre os intérpretes estão Marcelo Jaffé, viola e Betina Stegmann, violino.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Melhores livros brasileiros de não ficção do século 21

Os meus Melhores livros brasileiros de não ficção do século 21. A Folha reuniu 100 pessoas para eleger os melhores livros de não ficção do século 21. Sim, quem sou eu? Mas resolvi fazer a lista dos meus, que são poucos, já que mergulho pouco em não ficção. Eu leio muito mais ficção. Atualmente compro muito pouco não ficção porque fica encalhado aqui a ler. Vou começar minha lista com Maria Bonita de Adriana Negreiros da Objetiva que é incrível.
 

Tem tanto tempo que li que achei que A Ditadura Envergonhada de Elio Gaspari nem era desse século. Essa obra está também na relação da Folha em 9º lugar.
Lilia Moritz Schwarcz está na lista, mas não com essa obra que amo, A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis da Companhia das Letras, que li tem tanto tempo que nem está nesse blog. Nem tampouco entrou na lista o incrível Barbas do Imperador.
Eu fiquei na dúvida qual da Daniela Arbex eleger. Resolvi escolher Holocausto Brasileiro da Intrínseca que também está na lista da Folha empatado com o da Ditadura em 9º lugar. Os livros da jornalista são sempre muito contundentes.
Em Nome dos Pais de Matheus Leitão da Intrínseca só está na minha lista. Fatos tenebrosos sobre um período da história que não podemos esquecer.
E termino com Shnittke de Marco Aurélio Scarpinella Bueno da Algol.
Como viram é uma lista singela, bem resumida, mas eu amo participar de listas.

Beijos,
Pedrita

domingo, 26 de abril de 2026

A Virgem Vermelha

Assisti A Virgem Vermelha (2024) de Paula Ortiz na PrimeVídeo. Desconhecia por completo essa história e parece que os roteiristas do filme Eduard Sola e Clara Roquet também.

O filme conta a história de Hildegart Rodriguez Caballeira e sua mãe Aurora. Vi que tem vários filmes sobre elas, vou tentar ver algum mais fidedigno. 

Aurora tinha um projeto, criar um filho prodígio. Ela tem uma filha independente e desde pequena a exaure com aulas, treinos. Tinha exercício físico, tinha dança, mas no geral a menina estudava incansavelmente. No filme não mostram que Hildegart cursou Direito e depois ingressou em Filosofia, Medicina e Letras. Há dúvidas se ela ingressou na Faculdade de Direito aos 13 ou  aos 14. Essa informação suprimida do filme muda muito o contexto. Porque em um segmento acadêmico, ela teria contato com outras vertentes de pensamento além da direcionada pela mãe. Como mãe e filha eram muito próximas, algumas ideias dos textos da filha acreditavam ser da mãe. Aos 15 ela já começa a publicar artigos em jornais sobre política e sexo. São bem diferentes das retratadas. Najwa Nimri faz a mãe e Alba Planas a filha.
Até entendo que a mãe quisesse que a filha fosse criada de uma forma diferente das mulheres da época, politizada, feminista, a favor dos votos, mulheres ainda não votavam. A mãe tinha posses, viviam bem e depois somavam a renda aos inúmeros artigos e livros que a filha escrevia.

O filme não mostra que Hildegart fundou em 1932, a Liga Espanhola para a Reforma Sexual com Bases Científicas, em conjunto com o famoso médico e cientista Gregorio Marañón. O filme continua mostrando ela isolada e reclusa. 

O filme cria um par romântico para Hildegart, um operário do partido. A mãe acaba matando a filha aos 18 anos. A história não sabe qual motivo. Hildegart tinha muitos pretendentes: um cientista norueguês, um escultor que fazia um busto de Hildegart e um escritor e político de Barcelona. Como Hildegart não vivia isolada como no filme, cursava universidade, participava de instituições, podia desejar se libertar da opressão da mãe, independente de ser por alguma paixão. Forçado o filme criar um operário como o apaixonado e o único homem que teria contato. Sem mostrar ela na universidade, a história fica completamente diferente e equivocada. No filme mostram que Hildegart tinha sido convidada pelo escritor H. G. Wells e o sexólogo Havelock Ellis para passar uma temporada na Inglaterra e a mãe era contra. E que teria sido esse o principal motivo de Aurora matar a filha. Acho essa teoria bem mais convincente.
Beijos,
Pedrita