Assisti Los Adioses (2017) de Natalia Beristain na Netflix. Achei esse filme por um acaso e que grata surpresa! É sobre a escritora mexicana Rosario Castellanos (1925-1974) que desconhecia por completo. No Brasil tem um estudo sobre ela, mas não seus livros, só importados. E o filme está com o nome equivocadíssimo O Eterno Feminino que ia deixar a autora revoltadíssima!
Rosario Castellanos era brilhante! Graduou-se em filosofia na Universidade Nacional Autônoma do México, ganhou uma bolsa e estudou na Universidade de Madri. Era poeta, escritora, ensaísta, professora e foi Embaixadora do México. Alguns poemas são lidos no filme e são belíssimos!
Infelizmente ela conheceu o filósofo Ricardo Guerra Tejada (1927-2007) que claramente tinha inveja do talento de Rosario, mesmo ele sendo um renomado filósofo. Quando ela estudou em Madri, escrevia cartas diárias pra ele. Desde o começo ele sempre menosprezava o conhecimento dela, ficava diminuindo-a. Que homem pavoroso!
Karina Gidi está maravilhosa! Ele é Daniel Giménez Cacho. Rosario jovem é interpretada por Tessa Ia e ele por Pedro de Tavira.
Ela escrevia em profusão, ele se incomodava muito e fica o tempo todo interrompendo-a. Como conseguia pouco que ela parasse de escrever, ele saía, voltava de madrugada bêbado, depois de traí-la regularmente com muitas mulheres. Em uma dessas bebedeiras, destruiu a máquina dela de escrever. Volte e meia ela recebia prêmios e homenagens, ele dava sempre um jeito de sair com alguma mulher do local. Ela teve um filho e pra se vingar ele o arrancou dos braços dela e levou pra mãe dele criar. Como não conseguiu arrancar o talento dela, arrancou o filho que hoje é um cientista político. Vi uma entrevista dele dizendo que foi criado pelo pai, sim, porque ele foi arrancado da mãe.
Rosario Castellanos teve uma morte trágica. Aos 49 anos foi molhada do banho atender ao telefone e quando foi acender uma lâmpada sofreu choque elétrico. Essa é a versão oficial!
Destino de Rosario Castellanos
Matamos lo que amamos. Lo demás no ha estado vivo nunca. Ninguno está tan cerca. A ningún otro hiere un olvido, una ausencia, a veces menos.
Matamos lo que amamos. ¡Que cese ya esta asfixia de respirar con un pulmón ajeno! El aire no es bastante para los dos. Y no basta la tierra para los cuerpos juntos y la ración de la esperanza es poca y el dolor no se puede compartir.
El hombre es animal de soledades, ciervo con una flecha en el ijar que huye y se desangra.
Ah, pero el odio, su fijeza insomne de pupilas de vidrio; su actitud que es a la vez reposo y amenaza.
El ciervo va a beber y en el agua aparece el reflejo de un tigre.
El ciervo bebe el agua y la imagen. Se vuelve — antes que lo devoren — (cómplice, fascinado) igual a su enemigo.
Assisti Nossos Tempos (2025) de Chava Cartas na Netflix. Achei que era filme de viagem no tempo, até é um pouco, mas o filme é mesmo um cafona filme romântico e bem equivocado. Foi uma profunda decepção. As críticas são muito elogiosas, que é um simpático o filme, pelo jeito só eu odiei.
Eu gostei muito da premissa. Um casal de físicos geniais desenvolve escondidos uma máquina do tempo. Ela é que praticamente cria tudo. Eles se amam muito, são parceiros, se admiram. Ela é bem ignorada e diminuída por ser mulher pelos homens. Não conheço o México, não sei se é machista como no Brasil, mas Madame Curie (1867-1934) ganhou Nobel de Física em 1903, acho difícil que uma Física renomada em 1966 fosse ignorada no meio acadêmico. Os dois são Lucero e Benny Barra.
A máquina dá certo, eles colocam 15 minutos depois, mas viajam até 2025. Os recursos daí pra frente soam muito falsos. Parece que quiseram simplificar e baratear custos. Mais fácil fazer um filme nos dias de hoje, sem precisar gastar e ajustar o período. Então é uma única viagem no tempo. Em 2025, o filme se arrasta em um romance meloso e cafona. O pior é o marido. Eles se amavam muito, os dois cientistas, ele adorava a genialidade dela. Ele se incomodar que em 2025 ela ficou mais em evidência que ele, eu entendo, mas de repente ele fica um babaca machista e burro. O poema pavoroso que ele lê ao microfone, ele era um homem inteligente. O filme se perde completamente e fica ridículo completamente. O envelhecimento dos dois ao final é constrangedor. Quem gosta de comédia romântica que atenta a sua inteligência pode ser que agrade.
Assisti A Mão que Balança o Berço (2025) de Michelle Garza Cervera da Hulu na Disney. O roteiro de Amanda Silver é muito bom. Já teve uma adaptação dessa história em 1992.
Uma jovem vai aparecendo sorrateiramente perto de uma mulher grávida. Depois se reencontram e a mulher já é mãe. A jovem diz que é babá e se oferece pra cuidar dos filhos. Dá uma referência que confirma que está tudo certo. Mary Elizabeth Winstead e Maika Monroe estão muito bem. Logo a jovem vai suprindo tudo o que a mãe e a família precisa. Torna-se indispensável e conquistando todos, a filha de 10 anos, o marido, a esposa. Eu logo percebi as manipulações. A jovem, que agora é indispensável, diz que terá que se mudar de Los Angeles que é muito cara, deixando a mãe insegura de perder a babá tão imprescindível. Pena que a mãe entenda pouco de táticas de manipulação. Ela então convida a jovem a viver na casa. A jovem vai se infiltrando em tudo e manipulando todos contra a mãe. Pra piorar a mãe toma remédios controlados, não sabemos o motivo, algo no passado. A jovem troca os remédios e a mãe vai ficando cada vez mais instável, mais fácil de ser manipulada e ser vista como um risco aos filhos.
O marido é uma besta. Ok, a jovem manipula todos, mas ele é um pavor, nunca acredita na mulher e sempre joga na cara dela o passado. Ele é Raùl Castillo. Por sorte um amigo da esposa (Martin Starr) é o único que acha estranho a jovem pelo relato da mãe e resolve investigar. O marido só via defeitos na esposa que começa a duvidar das suas desconfianças.
A filha mais velha parece ser a única que começa a entender o que está acontecendo, mas ficamos na dúvida, já que ela fica amiga irmã da jovem, então pode ter sido manipulada. E a jovem pode ter contado muita mentira. Mileiah Vega está ótima. Gostei que ao final vem muita revelações, muito bom.
Assisti Frankestein (2025) de Guillermo Del Toro na Netflix. Tem muito tempo que estou vendo esse filme, muito tempo mesmo. Gostei muito do livro de Mary Shelley, mas não estava com vontade de ver mais uma adaptação, mesmo adorando o diretor.
A direção de arte é maravilhosa, embora tenha me incomodado um pouco os truques. E achei desnecessárias, pra não dizer cansativas, as mais de 2 horas de duração. A parte que Victor fica construindo o monstro é enorme e arrastada. Oscar Isaac está bem como Victor Frankestein, embora muito caricato. O tom do filme é muito caricato.
Eu demorei demais pra passar do começo. Como é chato. Frankestein está apavorando as pessoas de um navio em uma geleira. Atiram muito nele e conseguem salvar o seu criador que passa a contar a sua história. No meio do filme é a criatura que começa a contar a sua. E sim, os dois passam horas contando as suas versões dentro de barco, que chatice. E a tripulação aguardando de pé do lado de fora, que forçado. O final inclusive é de uma pieguice insuportável.
O diretor tentou fazer um filme épico. Acho que o que mais incomoda é ele tentar justificar porque Victor Frankestein fica aquele monstro. Ele era um bom menino, mas tinha um pai violento, que o torturava. Tanta criança tem pais abomináveis e não ficam abomináveis. Sim, é uma possibilidade, como não ser também. Essas verdades prontas me incomodaram profundamente. Estranhamente o diretor fala muito de bíblia e religião no filme, o que me incomodou muito também. Uma graça o garoto que faz Victor criança, Christian Convery. Ele tem uma rivalidade pavorosa com o irmão. O pai é o Charles Dance. Mia Goth faz a mãe e a noiva do irmão. Isso achei interessante. Os dois irmãos ficam fascinados pela amada que é a cara da mãe. O pai dela que patrocina o Victor e é Christoph Waltz.
Eu amo a Mia Goth, ela tem uma participação pequena mas muito marcante. O monstro é feito por Jacob Elordi.
David Bradley faz um velho cego. O monstro fica muito tempo, até demais, na casa desse senhor e sua família. Por um período ficam só os dois, é quanto o monstro passa a ler, ter informações. Ok, poderiam estar nas partes dos corpos dos outros homens que o construíram, mas achei tudo muito falso ele aprender a ler, fica fluente, enfim. E os animais dessa parte, além de insuportáveis as violências, eram muito, mas muito falsos.
Muita gente disse que esse foi o melhor filme do ano de 2025. Sim, a direção de arte é belíssima, fotografia, figurinos, mas o filme é arrastado e forçado. Tanto que não levou prêmio algum no Globo de Ouro.
Assisti Deadtectives (2018) de Tony West na HBOMax. O nome é tão ruim quanto o filme. Dá pra ver? Dá. Gosto de fantasminhas, de terror, esse é meio comédia sem graça, meio tosco. No Brasil o nome consegue ser pior que o original, Caçadores de Almas Perdidas.
Um grupo pra lá de picareta tem um programa de TV onde eles fingem caçar fantasmas. O pior é que as pessoas que chamam o grupo acreditam neles e quem assiste também. É a melhor discussão no filme, o quanto na TV tudo cabe e o quanto temos que desconfiar de sua veracidade. No elencoChris Geerem Tina Ivlev, David Newman, José María de Tavira e Martha Higareda. O programa vai acabar, está mal de audiência, um fato raro porque porcarias assim costumam ter muito ibope. O editor envia o grupo para uma casa mal assombrada no México, e finalmente, junto com um especialista em efeitos especiais. Que melhora bem a qualidade do programa.
E sim, lá tem fantasminhas de verdade e são lindinhos.
Assisti no cinema O Último Azul (2025) de Gabriel Mascaro na Espaço Petrobras de Cinema. Às terças e quartas é meia entrada pra todo mundo, só R$ 14,00. Queria muito ver esse filme, acompanha há muito tempo. Merecidamente, o filme ganhou Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim.
O Último Azul é Denise Weinberg, que atriz, que personagem, que filme. No futuro, o sistema decide que pessoas mais velhas, com mais de 80 anos, vão pra colônia, é obrigatório.
A protagonista é Tereza. Ela trabalha em um frigorífico, tem amigas, mora sozinha em uma casinha simpática, cuida das plantas, das suas coisas, é independente, ativa. Até que começa a ser abordada pelo governo. Ela diz que tem 77 anos, que falta ainda 3 pra ir pra colônia, mas avisam que mudaram, agora é 75. A filha de Clarissa Pinheiro já recebe um auxílio pra ser a tutora da mãe. A filha não está nem aí pra mãe. Tereza é demitida sem querer do emprego, adora o que faz. Ela resolve realizar o sonho de viajar de avião, vai para a agência de turismo, quer uma passagem ida e volta no mesmo dia, o primeiro voo que tiver, mas ligam pra filha tutora que não autoriza.
Ela fica sabendo que existe ultraleve em uma cidade, que voa também, resolve procurar um barco pra viajar até a cidade que a indicam. Ela tem uma dificuldade enorme de encontrar quem aceite levá-la clandestinamente. É muito perigoso, podem ser multados. É quando surge Rodrigo Santoro que faz uma participação. É linda a viagem dos dois pelos rios da Amazônia, é poesia pura. E também é quando surge o último azul. Santoro acha o caracol Barba Azul que diz que é o contrário, o caramujo que acha a pessoa, que é o último azul. Ele pinga o azul dele nos olhos e tem alucinações e febre por dias. Diz que foi uma experiência inesquecível.
O filme é praticamente um boat movie, lindo demais. Depois de muitas andanças ela encontra Roberta de Miriam Socarras. Ela tem um barco e vende bíblias virtuais. Também mais velha como Tereza, ela fica distante da fiscalização e jura quem tem uma autorização que comprou, Tereza também quer, mas é muito caro. A cena final do filme no barco com a música Rosa dos Ventos na voz de Maria Bethânia é de rasgar o coração. Fiquei muito emocionada! Que filme lindo! Inesquecível!
Assisti Pedro Páramo (2024) de Rodrigo Prieto na Netflix. Nunca tinha ouvido falar e é baseado no livro de Juan Rulfo. Não é de terror, mas tem fantasminha que não acaba mais, é só ver o pôster. É de realismo fantástico que amo e quero muito ler o livro.
Um filho, Tenoch Huerta, vai a uma cidade fantasma saber de seu pai. É em uma cidade fantasma e ele encontra poucas pessoas pra conhecer a história do pai que teve inúmeros filhos, com inúmeras mulheres.
O pai, Manuel Garcia-Rulfo, enriqueceu e manda na cidade. Faz inúmeros absurdos, manda matar, não costuma sujar suas próprias mãos. O que faz com as jovens mulheres é absurdo. Um monstro.
São lindas demais as mulheres que o cercam. Ele vive rodeados de mulheres já que ele governa em casa, os seus homens que vão fazer o que tem que ser feito. Então tem a esposa, filhos e funcionárias. São poucos filhos que ele registrou, a maioria é bastarda. A primeira esposa é interpretada por Ishbel Batista.
O padre. Roberto Sosa, é uma das pessoas mais abjetas. Como Pedro, vive rodeado de mulheres e fazendo um inferno na vida delas. Sim, todas vão ao inferno segundo seus preconceitos, mas acho que ele é o primeiro a chegar lá, tão monstruoso que é. Cheio de moral é o que menos a pratica. Pedro pode ter todos os pecados, ouve barbaridades no confessionário sobre o líder da cidade, mas o padre sempre crucifica as mulheres. Ambicioso e ávido por dinheiro, faz o que pode para conseguir mais cobres, principalmente encobrindo as vilanias de Pedro Páramo.
O grande amor de Pedro na adolescência, Sarah Rovira, foi Susanna. A vida os separa e ele consegue aproximá-la no futuro, mas ela já está abalada mentalmente, entre delírios e muito sofrimento. Pedro paga em vida todo o mal que fez só vendo o sofrimento dessa pobre alma. Ilse Salas está maravilhosa.
Que filme belíssimo! Fotografia, edição, história, elenco. Maravilhoso!
Assisti Madame Web (2024) de S.J. Clarkson no Max. Esse filme chegou a ser cotado para Framboesa de Ouro como pior filme do ano, mas como achei que era de tarô e de fantasminha, resolvi ver. Logo que começou veio a arte da Marvel e entendi que era de super heróis, resolvi dar uma olhada mesmo não gostando muito do gênero. É um bom filme.
Começa com uma expedição na floresta meio Indiana Jones. Uma mulher grávida está com uma equipe pesquisando aranhas. Quando encontra a aranha perigosa do filme, é atacada por seu parceiro. Uns homens estranhos a levam para um lago onde ela tem o bebê e ela morre. Uma voz diz que a jovem no futuro saberá da importância que tem.
O filme vai para o futuro, Dakota Johnson é essa filha, ela não sabe os poderes que tem. Ela começa a ter deja vú, acha que não serve pra nada, que não há como mudar o futuro, até que percebe que pode ser que consiga interferir. Em um metrô ela percebe que três jovens correm risco de vida e começa a protegê-las. O quarteto é muito carismático, gostei muito do grupo Sydney Sweeney, Isabela Merced e Celeste O´Connor. Só são péssimas as cenas do vilão de Tahar Rahim. A trilha sonora é vintage.
Ela deixa as quatro escondidas com um amigo e viaja para a mata atlântica no Peru, para investigar suas origens. Dramaturgicamente funciona. Lá ela consegue pelo deja vú saber de sua história desde que estava na barriga de sua mãe graças ao seu poder, e que poder né? Ela volta na hora certa claro, quando as jovens estão em perigo e tem as clássicas corridas de carro e perigos das cenas finais, nada diferente dos filmes de super heróis. Não entendi porque tanta crítica negativa.