sábado, 29 de julho de 2023

Especial Mulher Negra 2023

Assisti ao Especial Mulher Negra 2023 no canal E!. Soube desse programa no instagram da Zezé Motta. Eu só lembro desse canal no Oscar pra ver a chegada no Tapete Vermelho e fiquei surpresa de saber que esse programa existe há 3 anos. É um por ano no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha em homenagem a guerreira e líder quilombola Tereza Benguela.

Eu gostei muito do formato do programa. Quatro mulheres negras conversam, permeado por música ao vivo. Nesse cantavam as ótimas Zezé Motta e Iza com a pianista Cláudia Elizeu. Iza cantou a belíssima Meu Talismã. Zezé cantou Senhora Liberdade e Cana Caiana. Adoro Luana Xavier e Aisha Jambo.

Permeando as conversas, há depoimentos de convidadas. Nesse falaram sobre os temas Elisa LucindaTaís AraújoDandara MarianaClara MonekeLuedji LunaLiniker Margareth Menezes, Maju Coutinho e Sônia Guimarães. Vou tentar ver se acho os vídeos dos anteriores e não quero perder os próximos, gostei muito.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Babilônia

Assisti Babilônia (2022) de Damien Chazelle no TelecinePlay. Eu queria muito ver esse filme, pena que não vi na telona. Demorou muito pra entrar no Now, semanas depois que estreou. Amei, é uma ode ao cinema. Que produção! Só achei algumas cenas forçadas e desnecessárias, mas eu não gosto de comédia, então não sei se é o meu gosto que não agrada.

Eu adoro a Margot Robbie e o Brad Pitt. Agora passei a adorar também o Diego Calva. Interessante que eu achei que a personagem da Margot ia fazer par romântico com o Brad, mas não. Inclusive os três tem relacionamentos com outras pessoas. 
O filme começa com uma festa maravilhosa! Que produção!!! Margot é penetra e aspirante a atriz. Diego é um faz tudo, ele que consegue um elefante pra festa. Eram festas regadas a drogas, bebidas e muita orgia. Também muito politicamente incorretas. Música ao vivo. E lá vão se definindo os personagens. Brad é um grande ator do cinema mudo.

Babylon mostra o caos que eram as produções cinematográficas, com muito improviso, poucas câmeras, poucos recursos, sem truques, então há necessidade de uma infinidade de figurantes. É absolutamente genial! Pensar que hoje alguns atores nem encontram os outros, gravam em frente as telas verdes e todo o entorno é montado virtualmente.

Babylon fala bastante também da transição do cinema mudo para o falado. Há vários filmes sobre esse tema. O personagem do Brad não consegue se adaptar, nem o da Margot, mas o do Diego se dá muito tempo. Ele passou a trabalhar em produções de cinema e acaba virando um especialista em sons e torna-se um grande executivo do cinema. Era uma época de muitas oportunidades, ainda não tinham pessoas específicas para cada área, quem ia ganhando alguma habilidade enriquecia rapidamente. 

O elenco continua ótimo Jovan Adepo, Tobey Maguire, Jean Smart, Max Minguella, Li Jun Li e Samara Weaving.


Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Dias Felizes

Assisti Dias Felizes de Samuel Beckett no Teatro Cacilda Becker. A ótima direção é de Cesar Ribeiro. Adoro esse teatro e queria muito ver esse espetáculo contundente. Cheio de metáforas, a peça aborda vários temas complexos como relacionamento, passagem do tempo, solidão, apagamento social.

Foto de Bob Souza

Uma mulher só movimenta a parte de cima do corpo. Ela mal vê onde o marido está. Às vezes, depois de muita insistência, ele aparece. Ela lembra do passado, em fragmentos. Ela é a incrível Lavínia Pannunzio e contracena com outro grande ator, o Hélio Cícero, mas a peça é praticamente o tempo todo só ela e seus monólogos, já que solitária, só tem a escolha de falar consigo mesma.

Fotos de João Maria

O texto é longo e em dois atos. A segunda parte é desesperadora, ela se afundou mais, só sobrou a cabeça. O ótimo cenário é de J. C. Serroni. A iluminação de Domingos Quintiliano é igualmente um personagem. Adorei os ratinhos e as cabeças fantasmagóricas. Eu que amo fantasminhas. É o último fim de semana do espetáculo.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 25 de julho de 2023

A Febre

Assisti A Febre (2019) de Maya Da-Rin . Primeiro eu gravei do Canal Brasil que fez uma Mostra Meio Ambiente, só que logo sumiu então fiquei sem ver a metade. Aí como está na Netflix, agora consegui finalizar. É um belo filme sobre solidão e silêncios e ganhou vários prêmios como o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno.

O protagonista mora na cidade. Regis Myrupu está incrível. Ele tem um trabalho burocrático e monótono de vigilância de containers. Ele mora afastado da cidade com a filha em uma simpática casa com quintal. Ela, Rosa Peixoto) é enfermeira e consegue uma bolsa para cursar medicina em Brasília. Lindo como ele elogia e diz que se é importante ela tem que ir. Mas aos poucos o corpo dele vai mostrando a preocupação. Ele passa a ter dificuldade pra dormir e volte e meia surge uma febre que os exames não dão nada.
Ele tem uma relação muito ruim no trabalho que é praticamente solitário. Com o cansaço das noites mal dormidas, ele pesca um pouco no trabalho. A forma grosseira como o RH fala com ele chega a ser constrangedor. E ele passa a ter uma relação ruim com o funcionário que troca turno com ele. Mas ele não fala nada, está sempre em silêncio, são as pessoas que falam barbaridades pra ele que é muito, mas muito educado e de poucas palavras.
Lindo que é o irmão (Edimildo Vaz) que percebe o que está acontecendo. Ele e a esposa visitam os dois para tirar documentos e é nas conversas e nos silêncios, que ele entende o que acontece. É um lindo filme!

Beijos,
Pedrita

domingo, 23 de julho de 2023

Becos da Memória de Conceição Evaristo

Terminei de ler Becos da Memória (2006) de Conceição Evaristo da Pallas. Finalmente me redimi com essa autora. Até agora não tinha lido nada dela, e pelo livro maravilhoso que li, quero ler muitos outros. O livro começou a ser esboçado em 1968, ia ser publicado em 1988 em uma comemoração, o que não aconteceu e ficou engavetado. Editoras nos privaram dessa obra maravilhosa por muito tempo! Imperdoável! E mostra a dificuldade que é publicar uma obra, ainda mais quando não se pode pagar por ela. A edição é belíssima!

O marcador de livro é de origami da Paula Quiñónez.

Obra Zeferina (2008) de Danton Paula

Conceição Evaristo conta a história de vários personagens que vivem em uma favela que está em fase de reintegração de posse. Os tratores estão aos poucos destruindo tudo. Quem vê as matérias de retirada de famílias de suas casas devia ler, para tentar entender um pouco o desalento que é ter que sair de sua casa, de terminar a relação social do entorno, de ter que começar tudo de novo, de não querer partir por já ter mais idade. É desalentador! O fim do livro, o fim da comunidade, me destroçou e me dilacerei. Ficará marcado na minha pele por muito tempo.

Obra (1946) de Wilson Tibério

Aos poucos a autora vai contando várias histórias das pessoas que vivem nessa comunidade. Vidas difíceis, repletas de perdas, muita miséria e fome. Como todo grupo, as pessoas são diversas. A mãe que insistia que os filhos estudassem, a dificuldade para estudar. A minoria que mal conseguia passar de ano e precisa largar os estudos pra cuidar dos irmãos. As torneiras que iam sendo destruídas, dificultando a existência e o trabalho das lavadeiras. O Bondade que não tinha pouso fixo, ora ficava na casa de um, ora na de outro. O tempo passando.
Obra (2019) da série Jatobas de Rosana Paulino

O texto de Conceição Evaristo é milimétrico e contundente. Com poucas palavras ela coloca inúmeros significados. 

Trechos de Becos da Memória de Conceição Evaristo:

"Os sonhos dão para o almoço, para o jantar, nunca".

"Era penoso não ter o que ser".

 

Beijos,
Pedrita