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domingo, 17 de agosto de 2025

Concerto Realidades Imaginárias

Fui ao Concerto Realidades Imaginárias da OCAM - Orquestra de Câmara da USP no Auditório Camargo Guarnieri na USP. Que maravilha! Gosto muito desse grupo musical que comemora 30 anos. É formado principalmente por alunos de música da Escola de Comunicações e Artes da USP. A regência foi do ótimo André Bachur. A orquestra interpretou obras de três compositores brasileiros vivos. A bela Gromovinik de Yuri Behr, Fragmentos de Mariza Rezende e a inquietante Amarelo-Bilophila, de Fernando Dias Gomes, obra desenvolvida no 1º Atelier de Composição da OCAM.

O incrível Edelton Gloeden foi o solista convidado e interpretou com a OCAM uma belíssima obra de Villa-Lobos, o Concerto nº 1 para violão e pequena orquestra. 

Edelton voltou para o bis e interpretou solo outra obra de Villa-Lobos, o Prelúdio nº 3 em Lá Menor, Andante. A orquestra finalizou com a Suíte Pulcinella de Igor Stravinsky. Foi um belo concerto e gratuito. O teatro estava lotado.


 Vou colocar vídeos de outros concertos da OCAM e do Edelton Gloeden.

Beijos,
Pedrita

sábado, 3 de maio de 2025

Mayombe de Pepetela

Terminei de ler Mayombe (1979) de Pepetela da LeYa Brasil. Eu tenho amigas que distribuem livros de vez em quando, ou porque chegam até elas, ou porque se desfazem. Esse eu não compraria por minha escolha, mas gostei muito. Esse livro foi leitura obrigatória no vestibular da USP. Achei linda demais essa capa.

A mesma amiga me presenteou com esse marcador de livros magnético de Inhotim.


 

Obras Rostos Culturais (2018) de Marques Nguxi

Pepetela participou do MPLA - Movimento Popular de Libertação da Angola na década de 70. No Brasil tivemos a independência em 1822, mesmo continuando com o filho do rei de Portugal no trono. Foi na Proclamação da República em 1889 que a monarquia deixou o poder. Na Angola somente na década de 70 que lutaram pela libertação do país. Achei então que seria um livro de lutas, que mesmo necessários, acabo não tendo muito identificação. Mas o livro é todo dividido, lutas mesmo só na primeira parte quando os combatentes lutam em meio a mata.

Obra Tchitundo Hulo (2019) de Carnott Junior

Depois os guerreiros montam uma sede no meio da mata e conseguem ficar melhor até a comida começar a acabar. Alguns seguem pra cidade, mas os líderes não estavam preocupados com a fome de seus guerreiros, queriam fazer política, falar, viver confortável, mas não se preocupavam com a precariedade dos guerreiros na luta.

Obra de Guizef

Em meio as divergências de lideranças surge a bela e livre Ondina. O autor mostra que os conflitos são também decididos por homens que se divergem, que são diferentes, que tem interesses diferentes. Gostei bastante do livro.
Beijos,
Pedrita

domingo, 13 de abril de 2025

Casa Mário de Andrade

Fui na Casa Mário de Andrade. Tinha curiosidade em conhecer esse espaço. É um belo museu, muito bem equipado, com vários itens de acessibilidade. Modernizaram toda parte elétrica, então tem boa iluminação e climatização. O espaço costuma abrir palestras e apresentações. 

A casa de Mário de Andrade era somente um desses sobrados. A Barra Funda era no passado um local de vila operária e indústrias. Hoje o quarteirão está mais isolado em meio a inúmeras grandes avenidas. Tem ainda alguns resquícios de sobrados, igualmente descaracterizados. Mário de Andrade voltou a morar com sua família em um desses sobrados onde viviam sua mãe e sua tia e foi lá que ele faleceu. Três sobrados eram da sua família, os três germinados lado a lado. O último, o da esquina era de outro morador. Após sua morte conseguiram todas as casas e transformaram  no museu bem equipado. Eu sinto falta de terem deixado ao menos uma fachada original para termos ideia. E particularmente não gosto nada desse excesso de vidros na fachada, mas o espaço já está tão descaracterizado que não faz muita diferença. 

O museu está com duas exposições. Uma é Estúdio de uma vida com os móveis de Mário de Andrade que integram o Instituto de Estudos Brasileiros, o IEB, na USP. Mário de Andrade pedia móveis sob medida, em madeira escura, confesso que achei eles sóbrios demais, escuros demais.

Ele encomendava muitas estantes para livros.

A outra exposição é Eu Mesmo, Carnaval, com figurinos de carnaval.

Mas o que eu gosto mesmo em espaços como esses são os objetos. Também gosto muito de ver como as pessoas viviam. Tanto que adorei ver as máquinas de escrever.
Gosto de cada detalhe.

O museu tem um jardim interno que estava fechado para visitantes, só era possível ver através de portas e janelas. Nesse jardim está um painel da exposição Amarelo, a obra é Toka da Onça Oka de Tamikuã Txiki.

Há várias estantes com objetos de Mário de Andrade, fotos, livros, cartas, cartões postais. São várias salas com estantes como essas e objetos.



Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Canção para Ninar Menino Grande de Conceição Evaristo

Terminei de ler Canção para Ninar Menino Grande (2018) de Conceição Evaristo da Palas. Eu tinha adorado Becos da Memória, que ainda continua sendo o meu preferido, e queria ler mais algum outro. Aí comprei esse na Festa da USP com 50% de desconto em 2023, antes de entrar na lista da USP. Esse livro entrou na lista de livros obrigatórios para o Vestibular da USP de 2026, então imagino que muitos devam ler agora. 

O marcador de livros é em couro, muito antigo e fui eu que fiz.
Obra Oxum em Êxtase (1975) de Abdias do Nascimento

O livro com a história de Fio Jasmim. Começa com ele bem jovem indo trabalhar no trem. Entre as viagens, ele vai conhecendo mulheres. Eternamente imaturo, vai brincando com o sentimento delas. Alguns com resultados devastadores. E vai fazendo filho pra tudo quanto é canto. A realidade dos homens brasileiros me incomodou profundamente. Deve ter uma infinidade de pessoas que devem amar o personagem, achar engraçadas suas maldades, tão acostumados que estamos com o machismo.

Obra Itutu I (2024) de Tiago Sant´Ana

Sempre que Fio chegava em uma cidade, ele escolhia sua próxima vítima. Em uma ele descobre que a mulher esperava a chegada de quem seria seu futuro marido e ele se coloca nesse lugar. Assim que consegue o que quer, desaparece. Algumas não ligam quando ele vai embora. Umas engravidam e ficam felizes de realizar esse sonho, independente se o pai volta um dia ou não. Cada uma reage de uma forma. 


Obra de Rosana Paulino

A esposa, Pérola Maria, não acreditava em nada do que chegava nela. Volte e meia falavam de outras mulheres e de outros filhos, mas ela nunca acreditava, ela confiava na fidelidade e no amor de seu marido. Ela teve 10 filhos com ele. Os nomes dos personagens são outras preciosidades, a autora coloca os nomes inteiros e no que se transformam no dia a dia, fascinante. Inclusive é linda a capacidade da autora em contar histórias.

Obra de Sonia Gomes

É quando Fio fica amigo de uma mulher que gosta de mulheres como ele, que passa a entender o mal que fazia as mulheres. Que começa a pensar nelas, em como estariam. Até então ele só olhava pra ele mesmo e para o desejo dele. Amei a obra! Muito atual e reflexiva! Que bom que muitos vão ter que ler a obra e que se olhem no espelho.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Canteiros de Saturno de Ana Maria Machado

Terminei de ler Canteiros de Saturno (1991) de Ana Maria Machado da Alfaguara. Eu comprei esse livro na Festa da USP virtual na pandemia. A capa é maravilhosa, mas eu lembrei de uma entrevista com a Margareth Atwood que não aceita que coloquem em livros escritos por mulheres flores, esse ainda tem esse rosa. A capa não tem nada a ver com o livro. Eu conhecia a autora dos seus livros infantis, foi maravilhoso desvendar sua literatura.

O marcador de livros é com a obra O Beijo de Gustav Klint.

O quadro é de origami.

 

Obra Casa com Bossa de Beatriz Milhazes

Eu amei a obra! São várias histórias que se cruzam ou não. Muitos e muitos personagens ambientados no difícil período da história brasileira da morte do Tancredo, do Plano Cruzado. Com várias idades, todos repensam suas vidas. Casais separados, mas nem tanto, casados confortáveis mas já distantes e sem diálogo. Paixões, traições, filhos, netos, mas principalmente profissões.
Obra Campos Vermelhos Amarelo de Aldir Mendez de Souza

As conversas são incríveis, que capacidade de criar narrativas. As profissões são muitas, mas tem ator que abandonou a TV porque não aguentava a invasão da privacidade, artista plástico, arquiteto. Enfim, eles falam muito de suas carreiras, mudanças, viagensm doutorado. Tive uma grande identificação pelos personagens e seus diálogos. Delicioso acompanhar uma obra com conversas profundas, ricas. 

Obra (2017) de Claudio Tozzi

Duas amigas se conhecem em uma livraria porque queriam o mesmo livro e a última edição. A conversa parte então para a arte. Uma está empacada com um biombo que não consegue finalizar. São muitas histórias e personagens. Riquíssima a conversa de dois personagens sobre a paixão da funcionária por cartões industrializados, repleto de detalhes e informação visual em detrimento de enviar uma carta autoral. São muitas conversas incríveis. Que livro.

Desejo um 2025 repleto de cultura.

Beijos,
Pedrita

domingo, 1 de dezembro de 2024

Eu Que Nunca Conheci os Homens de Jacqueline Harpman

Terminei de ler Eu Que Nunca Conheci os Homens (1995) de Jacqueline Harpman da Dublinense. Tem uma vendedora da Dublinense na Festa de Livro da USP que tem gosto muito, mas muito parecido com o meu. Quando ela diz que eu vou amar, sempre acontece. Esse ela ama e eu demorei bastante tempo para ler. Que livro! É absolutamente inacreditável! Um dos livros da minha vida que quero que todos leiam, fantástico! Amei que veio o marcador assim que tirei o celofane. E que edição bonita!
 

Obra O Retalho (1960) de Rachael Baes

Jacqueline Harpman  (1929-2012) foi psicanalista e passou e escrever posteriormente. Essa obra fala muito sobre existência, fases da vida, através de metáforas. Mulheres vivem em uma cela. Guardas homens se revezam do lado de fora. A única comunicação com elas é o chicote. A protagonista é uma garota que foi pra cela muito pequena. Diferente das outras ela não lembra nada do mundo lá fora. No começo ela fica isolada, quando ela passa a dialogar começa a conhecer um pouco como era a vida lá fora, mas muitas deles lembram pouco.

Obra Mulheres Tomando Banho de Alice Frey

Elas não entendem porque estão ali. Até que há um estrondo, os guardas correm, mas esquecem a chave na fechadura e elas saem. O bom é ir descobrindo o universo se descortinando pra elas. É tudo novo para a protagonista, que inclusive não tem nome. O livro discute muitos temas polêmicos como a eutanásia.

Obra Costura (1920) de Marthe Guillain

Fiquei muito pensativa! Muito impactada! Será que sempre estamos buscando um sentido para a vida? Será que há algum sentido? Será que é a busca por um sentido que nos impulsiona pra frente e não nos faz desistir? Será que viver é mesmo sem sentido algum? Acho que o livro não deve mais sair na minha pele e dos meus pensamentos.

Beijos,
Pedrita

sábado, 5 de outubro de 2024

Brava Serena de Eduardo Krause

Terminei de ler Brava Serena (2018) de Eduardo Krause da Dublinense. Eu vou há anos na banca da editora na Festa do Livro da USP e Eduardo Krause foi um grande anfitrião vários anos. Agora ótimos outros vendedores estão no lugar dele. Na primeira vez fui buscar um livro do José Luiz Peixoto. Ótimos vendedores, saí de lá com vários, e muitos entre os melhores livros que já li na vida como No Fundo do Poço de Buchi Emecheta. Eles viram que eu adoro obras de escritoras e a editora tem vários, me indicaram alguns. Até que uns anos depois descobri que o livreiro tinha obras publicadas que eu ignorava sumariamente. Resolvi corrigir essa falta e descobri essa preciosidade.

O marcador de livro é parte de um calendário bem antigo e amarelado, com imagens de Roma, que alguém me enviou pelo correio.

E por que Marcello Mastroianni na capa e agora no pôster? Porque o personagem era a cara dele. Como ele dizia, o Mastroianni dos últimos filmes. O personagem se incomodava muito que as pessoas só lembravam sempre de um ou dois filmes com ele, sempre os mesmos. Escolhi I Girasoli de Victtorio de Sica, com outra grande e deslumbrante atriz, Sofia Loren, ainda Sofia, sem o atual Sophia. Entre meus filmes preferidos. Eu cantava a música ao piano, tocava depois também. O Mastroianni brasileiro viaja para Roma. Ele ainda é jovem, mas se considera um idoso com pouco mais de 70 anos. Ele quer reviver todos os locais que passou com sua linda e adorada esposa Alice, já falecida há décadas, mas isso vamos descobrindo aos poucos.

Roberto se hospeda em um prédio cheio de quartos onde moram as proprietárias Serena e sua mãe. É nas madrugadas que assiste o programa apresentado por Ambra Angiolini (foto), conhecida pela T´appartengo. Roberto e Serena ridicularizam a breguice da música que estou viciada. Experimentem também a versão de Ebbanesis. As duas tem no Spotify. Ambra era a cara da esposa de Roberto. Brava Serena é um livro sensorial. Parecia que eu andava com eles por Roma, pela Itália, pela gastronomia, pelos cinemas, filmes, música. O que não faltam são pratos e mais pratos de guloseimas, regados a muito vinho. É um livro de sensações, sentimentos e profundamente cinematográfico. Daria um belo filme ou série.
La Dolce Vita é um dos filmes que o protagonista não aguenta mais que mencionem. O livro é uma delícia! E profundamente surpreendente no final. Sim, eu já tinha ideia que ia para algum caminho parecido, mas jamais imaginei os desdobramentos, brilhante. É um delicioso livro pra ser levado como companheiro em viagens.

Espero que eu não frustre o autor com um texto tão simples com sua obra e com ilustrações bem diferentes das tradicionais obras de arte que ele tanto gosta.



Beijos,
Pedrita

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Passarinha de Kathryn Erskine

Terminei de ler Passarinha (2013) de Kathryn Erskine da Valentina. Esse livro chegou aqui de forma muito peculiar. Regularmente eu vou a Festa de Livro da USP e não estava achando o estande de uma editora que estava errado no mapa. Um responsável pela Valentina virou comigo o espaço perguntando pra amigos até chegar ao estande. Eu prometi voltar ao dele depois e escolher livros. Ele elogiou tanto esse que logo peguei e mais um outro a ler. Esse é maravilhoso! Daqueles livros que quero que o mundo leia. O livro é amplamente premiado. Tem uma página só com a relação dos prêmios que levou.

O marcador de livros foi presente de uma amiga.

A porcelana foi pintada por Peggy-Lou.

Obra (1950) de Jackson Pollock

Passarinha é um livro juvenil. Nós acompanhamos a história pelo olhar de Caitlin, uma menina de 10 anos com Síndrome de Asperger. Ela que fala o que vê e de vez em quando vemos alguns diálogos. Vemos tudo pelo olhar atento e específico de Caitlin. Com o tempo descobrimos o Dia em que a Nossa Vida Desmoronou. Esse dia foi quando o irmão de Caitlin foi assassinado com um tiro em um massacre em uma escola. Seu pai está catatônico e sem dinheiro para pagar alguém pra ajudar com as refeições, com a filha e pra fazer terapia. Caitlin consegue ajuda com a terapeuta da escola pública.
Obra de John James Audubron

Como todos nós, a autora ficou muito impactada com o massacre da Virgina Tech University onde morreram 33 pessoas. Ela passou a pesquisar e resolveu contar a história pelo olhar da Caitlin, uma jovem considerada diferente, quando todos nós somos diferentes. Outros colegas de escola dela são Michael, que teve a mãe assassinada nesse episódio e Josh, primo do assassino. No final a autora conta que quis mostrar o quanto todos nós somos intolerantes às diferenças e o quanto somos muitas vezes cruéis com pessoas fora do padrão. O desejo da autora é de todos nós, adultos e crianças, que passemos a refletir sobre o diferente, em vez de hostilizá-los, para ampliar a empatia, o acolhimento e tentar diminuir o ódio entre os semelhantes.
Obra de Lee Krasner

É incrível como a autora vai mostrando pela Caitlin as relações nos recreios, os pré-conceitos. Não só com ela, mas Josh sofre um bocado por ser primo do assassino e fica bastante violento pra se defender. Vamos vendo a dificuldade das pessoas, até mesmo do pai, que sem condições de ter apoio psicológico, tem que lidar com sua própria inatividade e ainda cuidar de uma criança. Me emocionei inúmeras vezes, fiquei profundamente abalada.
O vídeo de apresentação do livro é tocante também, espero que toque vocês.
Beijos,
Pedrita