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domingo, 24 de maio de 2026

Foi um Péssimo Dia de Natalia Borges Polesso

Terminei de ler Foi Um Péssimo Dia (2023) de Natalia Borges Polesso da Dublinense. Após muitas resenhas elogiosas, quis ler. Comprei na última Festa do Livro da USP. Gostei bastante!

O marcador de livros é magnético e de clipes.


 

Obra (1986) de Antonio Henrique Amaral 

O livro conta a história de uma menina entre a infância e a adolescência, na década de 80. A autora mostra esse universo onde não tinha cinto de segurança, as brincadeiras nas ruas, a bala Soft. Seu pai era mais sonhador e com isso eles viviam com poucos recursos. A vida melhora quando vão para uma casa afastada e onde ela pode plantar a árvore no quintal. O pai compra uma piscina de plástico onde ela e o irmão adoravam brincar.

Obra (1980) de Maria Lídia Magliani

Na adolescência, a personagem começa a descobrir seus sentimentos. E é quando os seus pais começam a se separar. Inicialmente sua mãe se muda e eles ficam com o pai. É uma bela obra.

Beijos,
Pedrita

sábado, 25 de abril de 2026

O Acontecimento de Annie Ernaux

Terminei de ler O Acontecimento (2000) de Annie Ernaux da Fósforo. Eu queria muito ler essa autora desde que ganhou Nobel de Literatura. Acabei vendo o filme antes. Eu comprei esse livro na última Festa do Livro da USP. Em geral o Brasil só publicava livros de autoras depois do Nobel, que bom que mudou um pouco. Os livros de Annie Ernaux só chegaram ao Brasil após o Nobel.

Amei que o livro veio com um marcador da obra. Só descobri depois que tirei o celofane.

O livro é autobiográfico. Em 1963 Annie Ernaux era estudante de literatura. Tem um breve envolvimento com um jovem de outra cidade, usa tabelinha, mas engravida. Na França da época o aborto era proibido como ainda é no Brasil. Na França passou a ser permitido em 1975. Ela procura médicos homens que desconversam e começa a fazer uma infinidade de manobras pra conseguir o seu intento. É sufocante ela tentando resolver e não conseguindo indicações, com quem conversar. Desde cedo ela já escrevia e tinha esboços. Esse sofrimento dessa época ela vai anotando no diário que se torna parte desse contundente livro publicado bem depois. Não é uma leitura fácil. Como ela tem muita dificuldade de localizar as fazedoras de anjos, ela se põe em risco várias vezes com procedimentos caseiros, é enganada por médicos, um show de horrores. Ela localiza uma mulher que fazia o procedimento de modo muito rudimentar e como sempre caríssimo. Tudo que é ilegal fica com preço abusivo. A mulher não avisa que a gravidez está em estágio avançado, que é perigoso demais. A jovem faz duas tentativas e as duas é terminar o procedimento sozinha onde vive, que é em um alojamento. Gosto de autoras que tocam em temas difíceis. Que bom que na França, desde 1975, são as mulheres que decidem o que fazer com seus corpos. Qualquer decisão já é dificílima imagine sendo fora da lei. Obra urgente!
Foto da Annie Ernaux jovem.
Beijos,
Pedrita

domingo, 1 de março de 2026

A Cabeça do Santo de Socorro Acioli

Terminei de ler A Cabeça do Santo (2014) de Socorro Acioli da Companhia das Letras. Eu queria muito ler esse livro. Uma amiga resolveu enfrentar a fila de duas horas da Companhia das Letras na Festa do Livro da USP, então incluí dois que queria na lista dela. Esse livro figura entre os melhores livros de tudo quanto é leitor. Desde o leitor que ama livros de fácil assimilação, quanto intelectuais e críticos renomados. E estou absurdamente impactada! O livro marcou minha pele, meus pensamentos! Que obra. Acioli começou a escrever esse livro em um curso com Gabriel García Màrquez e é a ele que ela dedica o livro. E sim, é realismo fantástico que amo! A leitura é breve, mas é tão genial que fiquei economizando, degustando cada breve capítulo. Foram dias inesquecíveis! Daqueles livros que queremos que todos leiam. E já vou atrás do outro livro dela.

O marcador de livro um amigo que me deu.

É uma belíssima edição com duas capas. Eu amo essa capa amarela de Elisa von Randow, depois há uma capa brilhante com foto do sertão de Márcio Vasconcelos.

A mãe de Samuel vai morrer e pede pra ele acender três velas para três santos e vá até Candeia procurar o pai. Começa uma trama mágica, cheia de mistérios, tradições, lendas e muita, mas muita fantasia.
Obra Deus não vende a terra que ele criou de Descartes Gadelha

Candeia está quase uma cidade fantasma. Samuel conhece a sua avó que manda ele ir de abrigar na cabeça do santo. Uma enorme cabeça de santo tombada no chão, com o corpo em cima. Dentro da cabeça Samuel começa a ouvir as rezas das mulheres da cidade. É um livro todo mágico, nada previsível, com várias vidas e histórias entrelaçadas. O melhor mesmo é ir desvendando lendo. 
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O Céu Entre Mundos de Sandra Menezes

Terminei de ler O Céu Entre Mundos (2021) de Sandra Menezes da Malê. Que livro! Gostei tanto que já entrou nos melhores livros do ano. E que capa de Dandarra de Santana, belíssima! É um genial livro de ficção científica. O livro é profundamente cinematográfico, ansiosa por uma adaptação.  Eu comprei na Festa do Livro da USP do ano passado, 2024.

O marcador de livros é magnético com um pedaço da obra de Tomie Ohtake

Obra de Aline Miguel

Uma jovem acorda, lembra que foi sequestrada, entra em uma nave. Aos poucos ela entende que a nave foi salvá-la. Confesso que ficava na dúvida se ela estava sendo confundida que era realmente um salvamento. Ela nos conta que quando o mundo começou a ficar inabitável, vários continentes começaram a estudar outras possibilidades fora do planeta. E foi o continente africano que melhor teve resultado. As pessoas também desenvolveram a telepatia.

Obra de Panmela Castro

A jovem descobre que alguém os está traindo e que por isso ela não pode falar com seus pais. Tudo é muito inteligente. Com a destruição do planeta, as pessoas passaram a ter funções. Amei os memorialistas, aqueles que guardavam as informações para passar para as pessoas. 

Obra Nunca Fingir amor como as frutas com agrotóxicos (2023) de Heloísa Hariadne

Lindo demais o lugar que a levam, as tradições, a natureza, eu parecia ouvir pássaros, sentir cheiro da mata. Fiquei encantada!

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A mais recôndita memória dos homens de Mohamed Mbougar Sarr

Terminei de ler A mais recôndita memória dos homens (2021) de Mohamed Mbougar Sarr da Fósforo. Esse livro estava na lista de melhores do ano de muitos amigos nas redes sociais. E pessoas completamente diferentes, desde críticos a amantes de literatura. Lázaro Ramos também virou fã e passou a indicar para os amigos. Volte e meia algum ator falava que estava lendo porque o Lázaro indicou. Comprei na Festa da USP do ano passado. Que livro maravilhoso! Daqueles que realmente queremos que todos leiam!

Obra Marché Hebdomadaire (2022) de Babacar Niang

Praticamente uma saga! O livro começa falando de literatura. Um aspirante a escritor descobre um livro desaparecido. Elimane é um autor de um livro só, igualmente desaparecido. Quanto mais o futuro escritor pesquisa sobre Elimane e sua obras, menos ele sente impulsos para escrever e sente capaz de fazê-lo. O que só piora quando um exemplar O Labirinto do Inumano chega em suas mãos. Tudo no livro é meio mágico, fantástico.
Obra de Sewa Situ-Prince Agbodjan

Depois o livro passa a contar a história de Elimane. Nada é muito claro. Um tio fica responsável pelos cuidados dos sobrinhos gêmeos. Ele decide que um ficaria na aldeia, absorvendo e trocando conhecimentos da sua cultura milenar. E o outro iria estudar na escola francesa. O que fica na aldeia sente um alívio, já que os irmãos eram rivais. Os desacertos voltam quando os dois se apaixonam pela mesma mulher. Um dos dois é pai de Elimane. 

Obra de Daou

O tempo todo o livro fala sutilmente de colonizador e colonizado, que texto brilhante. Elimane vai estudar com um padre que o acha muito inteligente e o encaminha para uma escola francesa. Lá ele bebe da cultura europeia, começou devorando a biblioteca do padre, depois as que teve acesso, até escrever seu livro que é acusado de plágio. Elimane costura trechos de textos clássicos em seu texto. O livro passa a debater sobre plágio, fusão de culturas, e inúmeros temas. Há muitas questões mágicas também. Os críticos que falaram mal do livro, que acusaram Elimane, começam a se suicidar. Elimane tinha esse poder vindo de seu povo? Era coincidência? 
Obra Os Pássaros da Felicidade (2008) de Ibra Ndiaye

O livro termina com o retorno a aldeia. Elimane também tinha feito o mesmo caminho de volta mas já tinha falecido. Que livro! Absurdamente impactada!


 

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Moçambique com Z de Zarolho de Manuel Mutimucuio

Terminei de ler Moçambique com Z de Zarolho (2022) de Manuel Mutimucuio da Dublinense. Esse livro foi muito elogiado quando lançado que quis muito ler e comprei em  uma Festa do Livro da USP. É incrível! Mas muito, muito triste.

O marcador de livros é magnético da Livraria Cultura.


Obra de Malangatana

Hohlo é o protagonista. Ele é empregado doméstico, mora muito longe do trabalho. O idioma oficial é o português que ele não domina. Boa parte da população fala o idioma original do país. Hohlo depois do trabalho vai para a escola estudar o português porque quer melhorar de vida. Só os que vivem bem são os que dominam o português. Muito inteligente como a narrativa é construída. Seu patrão é político e no parlamento terá a votação da mudança do idioma para o inglês. Os políticos querem o inglês que é o idioma dos computadores, do futuro e conseguem votar a mudança. É o início da tragédia de Hohlo, que livro triste.
Obra de Chichorro

Para o político, a mudança também interfere, mas ele tem contatos, consegue reverter o negativo do fato. O filho ganhou uma bolsa pra cursar faculdade em Portugal, mas ele e a esposa acham que será perda de tempo. Ele consegue inicialmente uma vaga na universidade do Quênia e depois é promovido a diplomata em Portugal.

Obra Dimensão (1972) de Bertina Lopes

A escola que Hohlo estudava muda o curso para o inglês, mas há poucos professores que sabem o idioma, então só conseguem vagas os que terão mais chance de futuro. Hohlo, com 27 anos, vai ter que esperar outra vaga. A cena de Hohlo tentando escolher uma roupa para ir a escola, já que a sua estragou, é de cortar o coração. Enfim, uma sucessão de infortúnios vão acontecendo, que livro triste.


Manuel Mutimucuio é moçambicano, doutor em Governação e Economia Política das Instituições pela Universidade de Coimbra e atua como consultor internacional de gestão de recursos naturais. Suas obras buscam a análise social e seus questionamentos.

Recentemente eu tinha ouvido que o Timor, após a independência, tinha instituído o idioma da terra como oficial, excluindo o do colonizador. Fiquei querendo entender melhor e acabei me deparando com esse livro que mostra o impacto do idioma na vida da população.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Abraço Apertado de Émile Ajar

Terminei de ler Abraço Apertado (1974) de Émile Ajar da Todavia. Esse livro apareceu na minha lista e comprei na última Festa do Livro da USP. O autor quis escrever com pseudônimo depois de ficar famoso e elogiado como Romain Gary. Não gostei como veio na capa. colocando entre parênteses o nome de quem escreveu o livro Émile Ajar. Falam que nem os editores sabiam que era ele, o que pode nem ser verdade, mas o autor quis escrever como Émile, então colocar na capa o inverso, é mudar o nome do autor, mesmo que sejam a mesma pessoa. Li que o autor usou muitos pseudônimos. Eu amei essa capa de Laurindo Feliciano. É uma bela edição.

O marcador de livros ganhei de uma amiga.

Obra Composição (1905) de Mikalojus Konstantinas Čiurlionis

A capa tem tudo a ver com o livro, é praticamente uma fotografia do que ocorre. O protagonista tem uma Píton em seu apartamento, uma espécie de serpente que não tem veneno. Ela captura as suas vítimas com um abraço apertado. O livro é todo cheio de metáforas, ironias, trocadilhos e é genial. Muito carente, nosso protagonista se sente amado pela Píton que o abraça enquanto dormem, um abraço bem apertado.
Obra Torre de Menshikov (1929) de Alexander Drevin

O livro começa com o protagonista procurando um padre. Ele comprou uma preá para dar de comer ao Píton, mas ficou com pena, comprou um ratinho, também não conseguiu e passou a criar o ratinho também. A conversa dele com o padre é muito engraçada. O padre tenta fazer Cousin entender que é da natureza do animal, que um Píton como animais vivos.

Obra Bananal (1927) de Lasar Segall

Cousin é uma pessoa horrível. Ele acha que ele é magnânimo, que ele salvou o Píton da solidão. Ele também diz ter um relacionamento com a Srta. Dreyfus. Eles trabalham no mesmo escritório e ele a espera todo o dia para subir no mesmo elevador, raramente eles tem algum contato verbal no elevador, é só quando se encontram, mas ele jura que eles vão casar, como se ela soubesse do relacionamento. Ela é negra e ele é muito racista. Como a Píton, ele acha que ela precisa dele. É pavoroso a forma como ele se refere aos negros. Que homem horrível. O livro é todo inquietante.

Obra Homem em um Café (1950) de Vytautas Kasiulis

O final é todo desconcertante. Bom, o livro é, mas o final enlouquece completamente. No início a edição conta que o autor escreveu um final, que foi modificado para a primeira edição, então essa edição iria trazer os dois finais. O primeiro com o que realmente foi publicado e depois o que o autor escreveu primeiro. São bem parecidos. O que não foi publicado é mais extenso, mas as loucuras estão lá nos dois com desfechos diferentes. Que livro incômodo.
Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O Crime do Cais do Valongo de Eliana Alves Cruz

Terminei de ler O Crime do Cais do Valongo (2018) de Eliana Alves Cruz da Malê. Eu tinha lido muitos elogios dessa obra e fui comprar na Festa do Livro da USP. Lá eu vi Água de Barrela que amei a capa e acabei lendo primeiro. Estou fã dessa autora, já vou procurar outra obra dela na próxima festa do livro. Amei esse livro, mas Água de Barrela ainda é o meu preferido. Adoro as capas dos livros de Eliana Alves Cruz.

O marcador de livros é de Inhotim, presente de uma amiga. 

O livro começa com o assassinato de um importante comerciante do Cais do Valongo, Bernardo Lourenço Viana. Esse comerciante era um novo rico que enriqueceu principalmente do comércio de homens escravizados. O Cais do Valongo separava o Rio de Janeiro da região do comércio de escravizados. Era uma região imunda, que todos queriam escondida da cidade. O Cais do Valongo virou Patrimônio Histórico em 2021, fica próximo ao porto e era a principal porta de entrada dos escravizados no Brasil. Sempre mal preservado, é um importante local histórico brasileiro. A autora realizou uma extensa pesquisa sobre a região e sobre o período do livro. A cada capítulo há matérias dos jornais da época, principalmente da Gazeta do Rio de Janeiro. O Crime do Cais do Valongo é um livro ficcional que utiliza a história como pano de fundo. A autora pesquisou a história do Cais do Valongo, mas também de Moçambique. Amo obras com essas características.
Obra Natureza Morta (1884) de Estevão Silva

Para contar a história do Bernardo, a autora cria personagens no entorno do comerciante. A escravizada Muana Lomuê que escondia que sabia ler por ser perigoso na sua condição. Ela é praticamente a narradora do livro. E Nuno Alcântara Moutinho, liberto, que sonhava em inaugurar um bar com música e dança na região. Ele acaba pedindo dinheiro a Bernardo, que também fazia o papel de agiota, e passa a sofrer ameaças violentas de seus capangas, quando não consegue pagar.
Obra Aguadeiro de Firmino Monteiro

Bernardo pede que um inglês ensine o idioma para Muana. Ele diz escrever um livro e pede que ela conte sua história. Muana conta como vivia no continente africano com sua família até quando é sequestrada e enfiada no navio negreiro. Assim que chega no Cais do Valongo ela é comprada por Bernardo. A história ficcional de Muana é cheia de fatos mágicos, é linda demais, me emocionei demais! Uma bela história ceifada pelo comércio de escravizados.


Beijos,
Pedrita

domingo, 17 de agosto de 2025

Concerto Realidades Imaginárias

Fui ao Concerto Realidades Imaginárias da OCAM - Orquestra de Câmara da USP no Auditório Camargo Guarnieri na USP. Que maravilha! Gosto muito desse grupo musical que comemora 30 anos. É formado principalmente por alunos de música da Escola de Comunicações e Artes da USP. A regência foi do ótimo André Bachur. A orquestra interpretou obras de três compositores brasileiros vivos. A bela Gromovinik de Yuri Behr, Fragmentos de Mariza Rezende e a inquietante Amarelo-Bilophila, de Fernando Dias Gomes, obra desenvolvida no 1º Atelier de Composição da OCAM.

O incrível Edelton Gloeden foi o solista convidado e interpretou com a OCAM uma belíssima obra de Villa-Lobos, o Concerto nº 1 para violão e pequena orquestra. 

Edelton voltou para o bis e interpretou solo outra obra de Villa-Lobos, o Prelúdio nº 3 em Lá Menor, Andante. A orquestra finalizou com a Suíte Pulcinella de Igor Stravinsky. Foi um belo concerto e gratuito. O teatro estava lotado.


 Vou colocar vídeos de outros concertos da OCAM e do Edelton Gloeden.

Beijos,
Pedrita