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domingo, 19 de janeiro de 2025

Ainda Estou Aqui

Assisti no cinema Ainda Estou Aqui (2024) de Walter Salles. Finalmente consegui assistir! É tudo e mais um pouco do que dizem. Contido, sem melodrama, o filme causa um silêncio ensurdecedor! 

O filme conta a história de Eunice Paiva. O roteiro se baseou no livro de seu filho, Marcelo Rubens Paiva. Ela era dona de casa, como ela mesmo dizia, cuidar de cinco filhos. Ela tinha uma funcionária que ajudava na casa. Uma belíssima casa a beira mar no Rio de Janeiro.

Gostei que o filme contextualiza a história da família. Rubens Paiva (Selton Mello) era -ex-deputado e engenheiro. Ele se debruçava na construção da casa da família. Calorosos, afetuosos, recebiam muito em casa. Essa foto é em uma das festas. A filha (Valentina Herzage) ia viver nos Estados Unidos. Eles também adoravam tirar fotos, tinham uma caixa lotada delas. Interessante que no futuro, olhando as caixas, eles não lembram que dia foi esse, como acontece mesmo, já que eles viviam tirando fotos. Nesse período atuam Luiza Kosovski, Bárbara Luz, Pri Helena, Dan Stulbach, Humberto Carrão, Caio Horowicz, Augusto Trainotti, Carla Ribas, Maite Padilha, Charles Fricks, Thelmo Fernandes, Camila Márdila, Daniel Dantas, entre tantos outros.

Até que Rubens Paiva é levado pra depor. Ele vai no carro dele mesmo. Eles não conseguem saber quem o levou para depor. É quando o silêncio ensurdecedor se instala. Com crianças pequenas, Eunice escolhe o silêncio. Homens armados ficam alojados na casa dela, vários. Ela inventa uma história pros filhos. Dá muita angústia os filhos interagindo com os bandidos. A personalidade da Eunice era incrível. Ela oferece as refeições, eles dizem não precisar, mas ela faz questão. Ela não se intimida, pede que eles escondam as armas, fala que é uma casa de família.
Ela e a filha de 15 anos são levadas pra depor como em um sequestro, capuz preto, algemas. Desesperador a angústia de Eunice querendo saber da filha. A filha passa uma noite e é liberada. Nenhuma das duas são torturadas, o que normalmente acontecia. Ficar sozinha em uma sala fétida, sem banho, sem informação, sem direito a advogado, é uma tortura desesperadora. Nem assim Eunice se intimida. Ela pergunta sempre sobre o marido, sobre a filha e consegue de seu carcereiro a informação que a filha já foi pra casa.  Imagine o desespero dessa mãe. Os filhos de uma hora pra outra ficaram sem os pais, só com a funcionária, sem ter notícias.
Ela começa a ter problemas financeiros. O marido desaparecido, nada pode-se mexer. E claro, os sequestradores negam que levaram o Rubens Paiva e que ele nunca mais saiu. Falam que ele fugiu com terroristas. Em um determinado momento, um conhecido em sigilo, conta que tiveram a informação que Rubens Paiva está morto. Ela começa a lutar pelo corpo como Zuzu Angel e para que o exército assuma o seu crime. Ela viu o carro do marido no pátio quando foi presa, consegue ir buscar, ela vai incomodando como pode. Diferente da Zuzu, ela não é assassinada para ficar calada. É nesse período que ficamos sabendo que aquela casa maravilhosa era alugada. Ela pega os cinco filhos e vem para São Paulo para a casa dos pais dela.
Eunice passa a trabalhar com tudo o que pode, traduções. Volta a estudar e se forma em advocacia aos 47 anos. Além de trabalhar pela liberação de presos políticos, informações sobre desaparecidos, ela se torna indigenista. No filme mostram uma palestra dela sobre a viagem que fez a floresta amazônica para denunciar os massacres indígenas na construção, muitas vezes irregular, da Transamazônica. Fernanda Torres está maravilhosa, que atriz! Mas eu concordo com a atriz em seus discursos, o filme só chegou onde está, pela Eunice, é a personalidade dela que espanta todos no filme. Corajosa, nunca calada, mas sempre estratégica na proteção dos seus.
Eunice Paiva levou 25 anos para receber o atestado de óbito de Rubens Paiva. Somente 25 anos depois que o exército admitiu ter torturado e assassinado Rubens Paiva. Ela sorri e fala que é estranho sorrir por um atestado de óbito e fala do sofrimento que é a família de um desaparecido. Quem já mexeu com inventário sabe muito bem o que ela estava falando. Sem falar na porta aberta de sentimentos com um desaparecido. Uma jornalista pergunta se não há questões importantes pra ser resolvidas para retomar ao passado. Eunice é rápida e categórica, não, enquanto os culpados não foram julgados e punidos por seus crimes, tudo pode acontecer novamente. Ao fundo está Marcelo Rubens Paiva, já escritor e autor do livro Feliz Ano Velho na época.

Eunice Paiva teve Alzheimer e ficou uns 15 anos com a doença. No final Fernanda Montenegro aparece como Eunice. Outros nesse elenco são Antonio Saboya, Maeve Jinkingis, Marjorie Estiano, Maria Manoella, Olivia Torres e Gabriela Carneiro da Cunha.  A trilha sonora é incrível e tem no Spotify. A mais reverberada é a linda de Erasmo Carlos, 
Eunice e Rubens Paiva.

Essa foto foi feita para uma matéria da revista Manchete.

Eu acabei assistindo no meu cinema preferido de São Paulo, o Espaço Augusta que agora finalmente ganha patrocínio da Petrobras. Fiquei muito emocionada porque o cinema ficou sem patrocínio e indefinição por bastante tempo, era muita angústia. E fiquei muito emocionada quando entrei perto da hora do almoço e estava lotado. Um amigo até perguntou se eu tinha conseguido comprar ingresso pra esse filme porque semana passada não tinha. Infelizmente eu não pago mais meia porque antes era Espaço Itaú de Cinema. Acham que o Itaú talvez continue dando desconto com alguma fidelidade. Assim espero porque fiquei bem irritada com o banco de deixar de apoiar esse cinema.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Vou Nadar até Você

Assisti Vou Nadar Até Você (2019) de Klaus Mitteldorf no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme que tinha ouvido falar. É o primeiro filme de Bruna Marquezine. Pelo diretor ser um grande fotógrafo, o filme é muito poético e contemplativo! Bruna Marquezine interpreta Ophelia, nome dado aquele belo quadro Ofélia de John Everett Millais

Ela descobre por um jornal que seu pai alemão, que ela não conhece, está em Ubatuba para uma exposição. Ela vive em Santos, envia uma carta pra ele e diz que vai nadar até ele. Fiquei apavorada que ela passasse o filme nadando, mas não, ela vai viajando ora nadando, ora de carona de barco, moto ou carro. Não dá pra dizer que é um road movie, talvez um sea movie. 
O pai dela está com a perna engessada, então pede a um amigo, também fotógrafo, que acompanhe a trajetória da jovem, embora não explique o motivo. Como a jovem e o amigo são fotógrafos, o tempo todo vemos lindas imagens e tomadas. A trilha sonora também é lindíssima! 

O pai é interpretado pelo lindíssimo alemão Peter Ketnath, aquele ator do incrível Cinema, Aspirinas e Urubus. O amigo pelo ótimo Fernando Alves Pinto. A mãe por Ondina Clais. Aparecem ainda no filme: Marcelo Spektor, Fabio Audi, Dan Stulbach, Eliseu Paranhos e Cristina Prochaska.




Beijos.
Pedrita

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Meu Deus!

Assisti a peça Meu Deus! no Teatro Tuca. Quando fui assisti Através do Espelho no Tucarena eu vi que essa peça ia estrear no Tuca. Eu quis muito ver quando esteve em cartaz no Teatro FAAP, mas não consegui. Agora até foi difícil porque está muito lotada.

O texto é da israelense Anat Gov. A direção é de Elias Andreato. Dan Stulbach interpreta Deus e Irene Ravache a psicóloga. Seu filho autista é interpretado por Pedro Carvalho. Fotos de João Caldas.


Deus resolve marcar uma consulta com uma psicóloga. Muito engraçado ele dizendo quem é, e obviamente ela achando que é algum transtorno. Há vários momentos engraçados, o texto é muito inteligente. Um pouco religioso, já que o texto acredita na existência de Deus, fala da bíblia como um fato e acredita no que os homens atribuíram a ele das suas realizações, então nem sempre me identifiquei com o texto. A parte terapêutica é muito bem realizada. Aos poucos essa psicóloga começa a tratar mesmo Deus como um paciente e o ajuda. Os dois estão excelentes. Amei os figurinos de Fause Haten. Meu Deus! fica em cartaz até 29 de março.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tempos de Paz

Assisti Tempos de Paz (2009) de Daniel Filho no Telecine Premium. Queria muito ver esse filme, acabei não vendo no cinema porque achei que minha mãe ia achar muito pesado e fiz bem, porque é realmente pesado. Grande filme! Grande elenco! O roteiro base de Bosco Brasil lembra o filme japonês A Escola do Riso de 2004. Na Escola do Riso um escritor tenta a aprovação de um texto por um censor e em Tempos de Paz um polonês tenta entrar no país passando por um funcionário da alfândega. Tony Ramos é o funcionário da alfândega e Dan Stulbach é o polonês. Os dois estão majestosos. Dan Stulbach foi ator em seu país, mas resolve ser agricultor no Brasil porque o país precisa de braços pra trabalhar. Tempos de Paz é ambientado no fim da Segunda Guerra Mundial em 1945.

É mais um momento que temos vergonha de ser brasileiro. O funcionário da alfândega está naquela função meio escondido, ele foi um torturador de possíveis comunistas, é o momento da anistia e os presos políticos ganham as ruas. Um padrinho o coloca lá pra ficar meio esquecido por um tempo. Também é o momento que ainda não se definiu as novas diretrizes para a entrada de estrangeiros, como o próprio funcionário diz, antes não podiam entrar judeus, agora não podem entrar nazistas. Ele não vê a hora de chegar as novas diretrizes dos Tempos de Paz. A Segunda Guerra Mundial já acabou, mas o Brasil ainda aguarda um papel burocrático para definir o que fazer. Esse funcionário viveu em um orfanato, nunca foi a um teatro, não conhece literatura, como muitos brasileiros que até mesmo em situação melhor não passeiam pela vida cultural.

Na trama do Brasil estão no elenco o próprio Daniel Filho, a irmã do funcionário é interpretada pela ótima Louise Cardoso. A senhora estrangeira que reconhece o ator polonês é interpretada pela própria mãe do Dan Stulbach, Ewa Stulbach (Ewa Maria Parszewska). No elenco complementar estão: Aílton Graça, a Maria Maya que nem tinha reparado nessa cena da foto, Anselmo Vasconcelos e Felipe Martins. A produção é impecável e a abertura belíssima. No final Tempos de Paz faz uma homenagem há vários alemães que vieram ao Brasil nesse período como: Bertha Loran, Otto Maria Carpeaux e Ziembinski.








From Mata Hari e 007

From Mata Hari e 007

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Mais uma vez amor

Assisti Mais uma vez amor (2005) de Rosane Svartman no Canal Brasil. O roteiro é baseado na peça teatral de Rosane Svartman, Lulu Silva Telles e Ricardo Perroni. É uma bonitinha comédia romântica! Um pouco arrastada em alguns momentos e com uma fotografia de Renato Padovani razoável.

Nossos protagonistas são o ótimo Dan Stulbach e Juliana Paes. Mais uma vez amor passa em 25 anos. Começa com dois atores interpretando nossos protagonistas adolescentes, com uns 15 anos, os atores Paulo Nigro e Juliana Vasconcelos estão ótimos. Eles acabam tendo a sua primeira vez, mas eles não têm um relacionamento, ela na verdade namora outro e não queria que o namorado soubesse que ela ainda é virgem. Eles acabam indo para o Arpoardor no dia 23 de abril e combinam que sempre irão lá na data se reverem.
Ela é uma moça livre, sempre entrando nos modismos das épocas, usando drogas, vivendo de forma livre, Ele é um rapaz sério, que programa a sua vida e muito, mas muito tímido. E nesses 25 anos eles acabam se revendo em algumas vezes e tentando algum relacionamento. Ele se cansa das diferenças e se casa com a filha do seu chefe, interpretado pela Christine Fernandes com quem tem um filho.
É bem bonitinho o amor deles superando de vez em quando as diferenças, a dificuldade de entenderem o jeito do outro.
Ainda estão no elenco: Erik Marmo, Bruna Marquezini que arrasa em uma cena, Betty Lago com uma péssima personagem caricata, Rosane Goffman que não combinou com o que sua personagem, ela é a mãe do personagem do Dan Stulbach, mas não parece muito mais velha que ele. Hélder Agostini que está ótimo. Hugo Carvana, Dalton Vigh, Heitor Martinez e Marina Person.
Beijos,

Pedrita