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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Sentinela de Juliane Vicente

Terminei de ler Sentinela (2025) de Juliane Vicente da Malê Editora. Eu tinha lido um livro Afrofuturista que gostei muito, gosto muito de histórias distópicas, e procurei outro dessa corrente pra conhecer. Estou profundamente impactada! É um livro muito forte, complexo, está difícil lidar com ele.

O caminhão de madeira meu pai que fez.

O marcador de livros é magnético.


 

Obra Bastidor (1997) de Rosana Paulino

Mulheres são colocadas em um caminhão. Elas não sabem o motivo e pra onde serão levadas.

Obra AG03 (2021) de Nádia Taquary

Elas chegam em um alojamento com camas iguais e são largadas lá a própria sorte. Elas resolvem se dividir para cuidar das doentes. Elas não tem nenhum tipo de informação, cuidado, tratamento. É desesperador! A desinformação me incomodou profundamente! Com muito esforço elas descobrem que um remédio para emagrecer era radioativo, então elas estariam em isolamento por isso.

Obra Neblinando a Sensação de Ilusão Que é Navegar na Terra (2021) de Heloisa Hariadne

Acho que vai ser difícil esquecer e largar a experiência da leitura e as sensações que o texto me provocou. É muito forte, trágico, complexo e repleto de entrelinhas, dúvidas. Que livro! Inesquecível! Daqueles que quero dividir a experiência com muitas pessoas.


Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Angela

Assisti Angela (2023) de Hugo Prata na PrimeVideo. Esse filme foi lançado muito antes da série. Apesar das críticas negativas, eu queria ver. O roteiro é de Duda Almeida.

O filme conta parte da história da Ângela Diniz. Começa quando ela conhece Doca Street em uma danceteria. Ela já está separada, vive no Rio de Janeiro e luta para receber as visitas de seus três filhos que ficaram com o pai em Minas Gerais. Ângela é interpretada muito bem por Isis Valverde e Doca é Gabriel Braga Nunes que está igualmente bem.

Quando os dois se conhecem, Ângela estava com Ibrahim Sued, colunista social, interpretado por Gustavo Machado. E Doca estava casado.
Os dois tem uma paixão avassaladora. Ângela compra uma casa em Búzios e começa a reformá-la para receber os filhos no verão. O filme foca bastante a relação do casal em Búzios. As cenas na praia foram gravadas em Porto Seguro. O filme mostra bem a escalada da violência. Começa com Doca querendo saber com quem Ângela falava ao telefone. Também mostra a tentativa de Doca de ter o controle do dinheiro dela. Quem tinha dinheiro e muito era a Ângela e ele tem que ficar pedindo pra pagar a reforma e outras questões, então pede uma conta conjunta e para administrar o dinheiro dela. Mas Ângela não cede.
Alice Carvalho faz a funcionária que é contratada por Ângela para cuidar da casa.
Bianca Bin é a amiga casada com Moreau de Emilio Orciollo Netto. A mãe de Ângela é a Chris Couto.
As brigas vão ficando cada vez mais violentas, tapa na cara, aperto nos braços, até violência física generalizada, quando Ângela manda Doca embora, fala que ele pode ir com o carro dela. Ele vai, mas volta um tempo depois tentando a reconciliação. Como não consegue, dá 4 tiros nela. É quando o filme termina. Depois vem textos falando do julgamento, de Doca receber uma pena branda por legítima defesa da honra, argumento que foi possível ser usado até bem recentemente. O texto fala do movimento quem ama não mata que surgiu logo após a pena branda do Doca e que permitiu um novo julgamento. Doca foi finalmente condenado pelo crime a 15 anos de prisão.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O Alecrim e o Sonho

Assisti O Alecrim e o Sonho (2022) de Valério Fonseca na PrimeVideo. Desconhecia por completo esse filme. Achei por um acaso. Amei esse pôster, é lindo, mesmo eu não sendo fã de passarinho na gaiola. É lindo e poético demais! Daqueles que quero indicar pra todo mundo!
 
Vicente é um professor aposentado e mora sozinho em um apartamento confortável, mas simples, no bairro de Alecrim, em Natal. Fernando Teixeira arrasa, que ator. O filme é ele, fiquei muito impactada. A filha e a neta mal o veem. Ele vai visitar a filha, uma vez ela não está, na segunda vemos ele sozinho em uma sala moderna, em um apartamento de dois andares. E depois no Natal elas o visitam. Mal convivem com ele. É de cortar o coração.
São as pessoas próximas que convivem com ele. A diarista que vem a cada 15 dias com a maravilhosa Vadinéia Soriano. A trama dela é muito impactante e triste. O porteiro de Zé Maria e sua família.

O animador de uma loja. É nessa loja que vemos a passagem do tempo. Alguns sonhos são com a maravilhosa Zezita Matos e compreendemos que é a esposa falecida.
E um senhor que vende algo em uma embalagem prateada que eu não sei do que se trata. Eles tomam café juntos, jogam dominó, é uma graça. Ele foi interpretado pelo Baixinho do Pandeiro. O protagonista é um homem muito generoso e afetivo. Stepan Nercessian faz uma participação.

Um funcionário do mercadinho e padaria é muito violento com o Vicente. Os abusos são frequentes e revoltantes.  O ator é Enio Cavalcante.
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Três Pratos De Trigo Para Três Palhaces Tristes

Assisti a peça Três Pratos de Trigo para Três Palhaces Tristes da Trupe Tópatu no Teatro Commune. Foi a abertura do projeto Escola em Cena que leva alunos de vários bairros de São Paulo para ver os espetáculos e conversar com equipe e atores ao final sobre as impressões da peça. 

Tinham duas turmas de duas escolas diferentes. Eu estava perto de uma turma muito animada e interativa. Uma graça como participaram. E eu amei o espetáculo. São palhaços melancólicos, com uma vida pra lá de difícil. O engraçado é que o espetáculo não tem diálogos e nos esquecemos rapidamente disso. A criançada ama porque eles são muito engraçados, mas eu fiquei impactada pela precarização do trabalho deles.

Fotos de Gustavo Zanetti

Nós acompanhamos os bastidores desses artistas, a coxia, o dia a dia. Muito engraçado uma criança pequena entender rapidamente que o palco nós não vemos, é como se esperássemos na coxia o final do espetáculo do grupo. E eles sempre voltam cada vez mais destruídos, tem pouco o que comer. Achei genial essa questão do trabalho, um tema tão atual. Vive-se com muito pouco, trabalha-se muito, é desrespeitado enquanto atua, que espetáculo inteligente.
A direção impecável é de Gabriel Bodstein. No elenco os incríveis Bruno Garbuio, Dani Busatto e Marcel Fatibello.
O projeto Escola em Cena vai apresentar 14 espetáculos diferentes e levar escolas pra assistir. A programação é intensa e variada. Sempre grátis e tem ingressos ao público.
Beijos,
Pedrita

domingo, 13 de setembro de 2026

Ruína y leveza de Julia Dantas

Terminei de ler Ruína y leveza (2015) de Julia Dantas da Dublinense. Tinha tempo que queria conhecer o texto dessa autora rio-grandense. Gostei muito! É um mochila movie ou um backpack movie. Os personagens são ficcionais, mas a autora se inspirou em suas experiências de viagem.

O marcador de livros tem um livro marca texto, sempre importante em viagens.


 

Mercado de Cusco de Jesus Sedamanos

O livro começa do fim para o começo. A personagem está conhecendo uma mina. Depois o livro se entrecorta com a viagem dela ao Peru e o seu passado no Rio Grande do Sul. Ela conta pra nós que antes dela ir viver a "vida de verdade", ela queria viver outras experiências. Também tinha o objetivo de aprender espanhol com uma imersão em outro país. 

Obra de Luz Letts

Após algumas decepções amorosas e a perda de um emprego, a protagonista resolve viajar. No percursso, ela conhece o viajante Lucho que acaba sendo o contraponto sem seus pensamentos. Ele desmonta o olhar estereotipado de um viajante que ainda carrega seus pré-conceitos e uma visão de turista sobre os ambientes.

O Mito do Guerreiro Vermelho de Tilsa Tsuchyia

Em Cuzco, a jovem fica mais tempo e faz amigos. Com Carmem, ela viaja para a Amazônia Peruana, uma região que seria inundada por uma hidrelétrica, para conhecer a avó da jovem. Quando ela volta para Cuzco, ela acha que o tempo ali acabou e segue viagem com Lucho e depois segue sozinha. O livro termina quando ela se afasta de Lucho e vai sozinha seguir viagem.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Isabela Boscov

Eu gosto demais dos vídeos da Isabela Boscov sobre o cinema no YouTube. Em geral são críticas. Como toda cinéfila, eu só assisto o vídeo depois de ver o filme ou série e comentar no meu blog. Também só leio críticas depois de ver e escrever no blog.

O canal tem também uns quadros como o Café com a Boscov, sempre com um convidado. Foi nesse que vi a entrevista com a maravilhosa Gabriela Amaral e corri pra ver o Quarto do Pânico. Tem também vídeos de listas.
 
Eu gosto muito do olhar dela, acompanho desde a revista Veja, mas nem sempre concordo. Gosto que ela dá dicas de outros filmes do diretor, fala do estilo. Gosto muito. Desde que o YouTube passou a ter na minha TV passei a assistir muito mais. Gosto tanto que achei que já tinha falado sobre ela aqui.

Ah, Isabela Boscov ama filmes de terror como eu, só que de vertentes diferentes. Acho que concordamos com Nós. Eu gosto mais de filmes de terror psicológico, que algo muito trágico levou a aqueles momentos sobrenaturais. Isabela gosta de Brinquedo Assassino, a Hora do Pesadelo e ama a Hora do Mal (Weapons) e Corra!, que não gostei muito.







Beijos,
Pedrita

domingo, 30 de agosto de 2026

Canto e piano no recital do Centro de Música Brasileira

Assisti ao recital de canto e piano do Centro de Música Brasileira no Mackenzie Higienópolis. Primeiro José Carlos Vasconcellos tocou lindamente. O pianista disse que o repertório que o escolhe e enquanto preparava o programa lembrou de um CD de Eudóxia de Barros e resolveu homenageá-la. Ele tocou sem pausas e as músicas pareciam se unir, se ligar, impressionante. E que precisão!


Ao todo os músicos tocaram obras de 16 compositores diferentes. Segue o belo repertório interpretado por José Carlos Vasconcellos:

Sequência “Este Brasil que tanto amo” (Tributo a Eudóxia de Barros)

Alberto Nepomuceno – Prece (transcrição de Barrozo Neto)

Henrique Oswald - Valsa Lenta

Leopoldo Miguez - Noturno opus 10

Ernesto Nazareth - Coração que sente

Babi de Oliveira - Tu, doce poema

Osvaldo Lacerda - Metrônomo dodecafônico (de Cromos, vol. 5)

Villa-Lobos - Canto do cisne negro (transcrição de Mignone)

Francisco Mignone - Prelúdio nº 6 (Caiçaras)
Improviso (transcrição de J. C. Vasconcellos)
Na segunda parte se apresentaram Adriana Bernardes no canto e Antônio Eduardo ao piano. Foi um belo e encantador repertório: 

Emílio Correia do Lago - Último Adeus de Amor  (poesia de A.B. Júnior)

Carlos Gomes - Quem sabe!? (poesia de Francisco Leite de Bittencourt Sampaio)

Xisto Bahia - A Mulata

Villa-Lobos - Melodia Sentimental (poesia de Dora Vasconcelos)

Chiquinha Gonzaga - Lua Branca de (poesia retirada da peça Forrobodó)

Osvaldo Lacerda - Ponteio nº 10 – piano solo
Receita para o Amor (poesia de Marina Tricânico)

Gilberto Mendes - A Mulher e o Dragão  (Fragmento de “O Apocalipse” de São João)

Branco Bernardes - Canção (poesia de Paulo Leminsky)

Claudio Santoro - Acalanto da Rosa (poesia de Vinícius de Moraes)

Nesta Rua – folclore popular – harmonização de José Siqueira

Camargo Guarnieri - Azulão (poesia de Luiz Peixoto)

O recital foi gratuito.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Nada Sobre Meu Pai

Assisti ao documentário Nada Sobre Meu Pai (2023) de Susanna Lira no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme desde que acompanhei as entrevistas. O filme passou no dia dos pais, eu gravei e vi depois. Adoro o trabalho da cineasta que acaba de ganhar Kikito no Festival de Gramado pelo documentário do Gonzaguinha.

Susanna segue para o Equador para tentar localizar o seu pai que esteve no Rio de Janeiro em 1970. Ele ficou em um apartamento com outros rapazes por dois meses. Sua mãe engravidou e eles decidiram pelo aborto. Ele foi embora, a mãe de Susanna não abortou, mas ele nunca ficou sabendo. O nome que sua mãe tinha dele era o pseudônimo. Nessa época, por segurança, as pessoas não usavam os seus nomes. Em uma entrevista, Susanna conta que sua filha foi convidada na escola para fazer a árvore genealógica e elas não sabiam nada do avô e que isso motivou a busca.
Susanna é muito bem recebida em Quito, no Equador, dá entrevistas, cola cartazes, procurando homens que tenham vindo ao Brasil na época e tenham entre 69 e 70 anos. Acompanhamos algumas entrevistas, alguns possíveis pais. Como no Brasil, Equador vivia uma ditadura, então alguns equatorianos viajaram ao Brasil, ou se refugiaram no Brasil, também uma ditadura. 
A cena do pôster é a do final do filme, quando ela aceita visitar uma comunidade indígena e é levada a um mirante que nada se enxerga. Nos créditos ouvimos um áudio de Susanna para a sua mãe, me emocionei bastante. É muito bonito!

Beijos,
Pedrita