Assisti Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) de Jacques Demy no TelecineCult. Desde que soube que Jacques Demy era marido da genial Agnés Varda, passei a querer ver mais seus filmes e achei esse no Telecine. Logo que começou já reconheci a música. A trilha sonora é do Michel Legrand e a música tema é conhecidíssima!
Tudo é milimétrico no filme. As palhetas de cores, o que não faltam são cores. Tudo combinando. São muito cômodos coloridos, objetos e figurinos ornando. E tudo é cantado, nada é falado. O próprio texto no início brinca com isso. Sim, Catherine Deneuve é a protagonista.
Ela se apaixona por um mecânico (Nino Castelnuovo), a mãe (Anne Vernon) não gosta da escolha da filha, acha que o rapaz não tem futuro. Mas a idade do rapaz resolve o destino dos dois. Ele é convocado para ser oficial por 3 anos e viaja. Ela engravida, as poucas cartas aumentam a insegurança e claro, a pressão da mãe e ela aceita fazer um casamento com um rico vendedor de joias (Marc Michel). Alguns outros do elenco são: Ellen Farner e Mireille Perrey.
No começo a mãe está com alguns problemas financeiros, também, a loja que elas tem só vende guarda-chuvas. Só mesmo na ficção para uma família ter uma loja grande só com guarda-chuvas e viver disso. Muito poético uma loja de guarda-chuvas, mas nada funcional. Filme clássico, agora é um musical famoso.
Assisti Repulsão (1965) de Roman Polanski no Telecine Cult. Catherine Deneuve está mais linda que nunca, que personagem complexo, que interpretação. Tinha lido que esse filme seria datado, mas acho que é muito atual. No filme a protagonista tem repulsão sexual por homens. Nessa questão pode ser, mas o filme acaba falando dessa pessoas que tem problemas psiquiátricos não só por questões sexuais, mas por várias anomalias.
Hoje a protagonista poderia ser diagnosticada com várias síndromes. Parecia sofrer de TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo. Não sei se no TOC incluiria a paranoia que ela vive. Eu conheço duas pessoas parecidas, que não chegaram a extremos, já que a medicina hoje auxilia esses processos. Mas a protagonista tem características que faz muitos deixarem a pessoa quieta, quando na verdade ela precisa de tratamento constante e medicações. Qualquer um que perguntasse pelo perfil da protagonista, diriam que é uma pessoa doce, calada e reservada. O que parece normal, mas alguém absurdamente solitária e dependentes de parentes, com perfil infantil apesar de adulta, tem no mínimo algum problema mais complexo que só a reserva.
Nossa protagonista vive bem com a irmã e trabalha em um salão de beleza. Tanto no salão como em casa, as pessoas auxiliam nos conflitos. Nossa protagonista não sabe o que fazer quando não tem um esmalte que pediram. Não sabe organizar uma casa. Então no salão a ajudam e em casa a irmã organiza e coordena tudo. Os problemas começam quando a irmã passa a se envolver com um homem casado. A protagonista se incomoda muito com os objetos que esse homem deixa na casa, mas a irmã coordena os conflitos. O problema é que essa irmã vai viajar com esse namorado. E é na solidão que tudo passa a se complicar. A irmã é interpretada por Yvonne Furneaux e o namorado por Ian Hendry. Ainda no elenco: Patrick Wynark e John Fraser. Roman Polanski ganhou prêmio de Melhor Diretor no Festival de Berlim.
Começam então as paranoias. Ela começa a ver pessoas saindo das paredes, bichos vindo de rachaduras. A fixação com rachaduras é bem de TOC. Fica horas olhando uma rachadura e esquece completamente do mundo. Mas antes, quem estava em seu entorno, tirava-a dos transes. Como ela passa a ficar sozinha, tudo se acentua. Algo que é a atual é a dificuldade das pessoas do entorno perceberam que é um problema de saúde. E também a dificuldade da continuidade de um tratamento. Pessoas com esses transtornos não querem ver ninguém, falar com ninguém. A protagonista começa a não comer, não beber, com medo das mãos, das rachaduras. É muito difícil um tratamento. É difícil levar a pessoa a uma consulta porque ela não quer sair do quarto. Não toma as medicações. E isso é ainda muito atual.
Assisti 3 Corações (2014) de Benoît Jacquot no Max. Eu gosto desse diretor e amo o elenco, coloquei pra gravar. Foi um filme muito difícil de assistir, desconfortável, claustrofóbico. Começa com o protagonista interpretado por Benoît Poelvoorde perdendo o trem.
De madrugada ele fica em uma cidade de interior, quando conhece a personagem de Charlotte Gainsbourg. Eles ficam conversando muito tempo. Se beijam, não trocam nomes nem telefone e combinam dali há uns dias se encontrar na fonte em Paris, onde irão trocar os telefones. Ele se atrasa, passa mal do coração e se desencontram. 3 Corações fala muito de um encontro que não acontece e o quanto isso pode mudar completamente uma história. Sem conseguir encontrá-la, os dois seguem suas vidas. Ela vai embora para os Estados Unidos com o marido.
Ele trabalha no Fisco, um dia ele ajuda uma sensível mulher, chorando muito, que desde que a irmã viajou se atrapalhou nas contas. Ele oferece ajuda. Ela é a irmã da outra e é interpretada pela Chiara Mastroianni. Ele demora muito a descobrir quem é a irmã. Interessante a construção afetiva dos dois relacionamentos. O primeiro é daqueles arrebatadores, que não se consegue fugir, irracional. O outro é sereno, afetuoso. A mãe das duas é interpretada por Catherine Deneuve. Belo filme, mas difícil de assistir, angustiante.
Assisti em DVD O Tempo Redescoberto (1999) de Raoul Ruiz. Eu comprei esse DVD por aquela Coleção Folha Grandes Livros no Cinema. A capa desse filme na coleção é bem estranha, é a foto do John Malkovich, ele até tem um papel importante, mas quem interpreta o Marcel Proust é Marcelo Mazzarella. E eu não comprei pela capa e sim pelo título, já que amei Em Busca do Tempo Perdido de Proust que comentei aqui.
Raoul Ruiz é um diretor chileno, naturalizado francês. Ele se exilou na França na época da ditadura chilena. Seu estilo é poético, incríveis as cenas, os móveis andam, os personagens andam, algo que só vendo para ver a beleza. São pinceladas das obras de Proust. Trechos de frases e encontros da sociedade que foi tão bem relatada pelo escritor. As cenas parecem pinturas, a reconstituição de época é maravilhosa, belíssima direção de arte.
O elenco é incrível: Catherine Deneuve, Emmanuelle Béart, Vincent Perez, Chiara Mastroianni, Pascal Gregory e Elza Zylberstein. Como são muitas cenas, muitas festas e muitos ambientes, há um elenco extenso.
Assisti O Último Metrô (1981) de François Truffaut no Telecine Cult. Catherine Deneuve e Gerárd Depardieu, belíssimos, protagonizam esse filme ambientado na França, na Segunda Guerra Mundial. A personagem da Catherine Deneuve é dona de um teatro, seu marido e diretor desapareceu, ele é judeu, ela precisa continuar a movimentar o teatro e monta a peça que teria a direção do marido e as orientações dele no roteiro são respeitadas. A Alemanha invadiu a França e ela precisa de apoio de profissionais ligados ao nazismo para que a censura libere o texto. O Último Metrô mostra muitos detalhes da montagem de uma peça.
O último metrô era o último trem que circulava antes de fechar para servir de abrigo dos bombardeiros. O roteiro é denso, complexo, amplo. Ainda no elenco: Jean Poiret, Andréa Ferréol, Paulette Dubost, Jean-Louis Richard e René Dupré. O Último Metrô ganhou vários prêmios como César de Melhor Filme, Melhor Ator para Gerárd Depardieu, Melhor Atriz para Catherine Deneuve.
Assisti Potiche (2010) de François Ozon no Max. A Adriana Balreiraque me falou desse filme, primeiro nos comentários, depois no blog dela. Eu adoro François Ozon, mas só descobri que esse filme é dirigido por ele um pouco antes em um comercial do Max, que fala de outros filmes desse diretor que estão na programação e quero ver. Potiche é um filme muito inteligente, como são os filmes de François Ozon, é feminista e político. E também fala muito de hipocrisia.
Catherine Deneuve é uma rica esposa em 1977, parece que nada vê. Seu marido, um homem intransigente e destemperado cuida da fábrica que foi do pai da esposa. Ele destrata a esposa como se fosse superior, mas ele só é diretor da empresa porque se casou com ela. A filha a acusa de ser um efeite de decoração. Em uma dessas crises do marido em uma greve, ele vai fazer exames e ela assume a fábrica do pai. Vamos vendo então que essa mulher não era a boba que todos pensavam. Outra questão que gostei muito é que ela não é tão perfeita como todos achavam. Ela também tinha os seus pecadilhos. Outro fator interessante em Potiche é que ela é julgada pelo ex-amante de forma machista também.
Catherine Deneuve está incrível. Todos estão ótimos, como o excelente Gerárd Depardieu. O marido estressado é interpretado por Fabrice Luchini. Os filhos por Judith Godrèche e Jerémi Renier. A secretária por Karin Viard. Adorei!
Assisti Bancos Públicos (2009) de Bruno Podalydès no Max. Descobri esse filme por um acaso. É uma colcha de retalhos sobre fragmentos do cotidiano, muitos engraçados. São praticamente três cenários. Primeiro começa em uma empresa, depois vai para a praça onde todo mundo aparece na hora do almoço e depois para uma loja de materiais de construção. Como são várias cenas, o elenco é grande e há várias participações estreladas.
O próprio diretor participa do filme e há outro com o mesmo sobrenome, Denis Polydès, esse ator é divertidíssimo! Alguns outros do elenco são Florence Muller, Emeline Bayart e Chantal Lauby. Muitos atores famosos fazem participações, alguns são: Catherine Deneuve, Julie Depardieu, Chiara Matroianni.
Assisti Reis e Rainhas (2004) de Arnaud Desplechin no Telecine Cult. Nunca tinha visto um filme desse diretor, mas esse quis ver nos cinemas pelos elogios nos jornais impressos, mas não consegui. Fiquei feliz que está na programação do Telecine Cult. Novamente antes de começar tinha um vídeo esclarecedor do Marcelo Janot. Esse diretor fala muito da desintegração da família. Janot inclusive ressaltou que nesse a família já está desintegrada.
O filho está passando as férias com o avô, a mãe que trabalha em uma galeria vai visitá-los. Ela descobre que o pai está muito doente. A irmã parece mais preocupada com os seus problemas e não vem ajudar. Essa mulher independente tem uma relação afetiva conturbada. O pai do seu filho morreu antes dele nascer. Depois ela ficou uns 7 anos vivendo com outro homem e agora encontrou uma relação mais tranquila com um homem muito rico, mas ainda eles não foram morar juntos. Como muitas das relações de hoje cada um vive em um canto, vive no seu canto, tanto que apesar do pai sentir dores há meses essa filha, nem a outra, nunca souberam. O distanciamento dessas pessoas me assustou.
Em paralelo há a história do ex-companheiro dessa mulher. No início ele é internado em um hospital psiquiátrico contrário a sua vontade. Ele parece ser o mais sã de todo o filme, o mais lúcido. O elenco é excelente: Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Catherine Deneuve, Maurice Garrel, Nathalie Boutefeu e Jean-Paul Roussillon.
Assisti Persépolis (2007) de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud no Max. Eu queria ver essa animação desde que vi uma chamada nos canais HBO. Marjane Satrapi é uma iraniana que vive e viveu vários anos na França. Ela conta a sua história e os conflitos no Irã. Foca muito o início do fundamentalismo islâmico. Ela teve uma infância normal, era um país até atribulado, com algumas prisões, mas todos se vestiam como em qualquer outro país, usavam saias, joias, cabelos curtos. Com o fundamentalismo as mulheres tiveram que usar os véus que aumentavam de tamanho a cada ano. Eram paradas por policiais e reprimidas se corriam, já que seus quadris faziam movimentos indecentes. Os homens continuaram a se vestir com calças apertadas, mas passaram a poder massacrar e espancar as suas mulheres. O analfabetismo foi uma grande chave também para manipular e massacrar a população. Fica fácil dizer que algum Deus mandou isso ou aquilo se a pessoa nem sabe ler e nem sabe pensar para ver que é manipulação e não fé.
Marjane era uma menina de família de classe média, que tinha um tio que foi preso várias vezes e depois executado. A quantidade de pessoas executadas foi assustadora. Depois veio a guerra do Irã e Iraque e começou a faltar tudo. Marjane acaba criando problemas na escola porque ela questionava as absurdas leis, os pais acham melhor enviá-la para estudar na França. Ela iria ficar na casa de um parente, mas quando ela chega na França, alegam não poder ficar com a menina e a depositam em outro lugar. É dolorido quando ela se sente estrangeira na França e estrangeira no novo Irã.
Os desenhos são simples e criativos, só são coloridos em algum momento. Realmente não dá pra contar essa história com cores, é uma história desprovida de cor. Muito triste o que um país faz com as pessoas e sua liberdade. E a violência que usa para fazer valer um fanatismo oportunista e cruel. Algo que dá muito realismo a animação é a rebeldia da protatonista. Ela não atenuou as características rebeldes seja na infãncia ou adolescência. As vozes são de vários atores famosos: Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni e Simon Abkarian. Persépolis ganhou vários prêmios: Bafta para os diretores por Melhor Primeiro Trabalho e Melhor Adaptação e Prêmio do Júri em Cannes.
Assisti Pele de Asno (1970) de Jacques Demy no Telecine Cult. Assim que vi na programação que esse filme francês ia passar, que era com a Catherine Deneuve, quis ver. Gostei muito! É engraçado, kitsch e retrata muito uma época. Lembra um pouco Barbarella e a primeira Fantástica Fábrica de Chocolates, mas não fez tanto sucesso nem é tão genial, mas é muito divertido. É praticamente uma história da Cinderella e é musical de vez em quando, mas não chega a ser romântico porque satiriza um pouco com o padrão melado dos romances de contos de fadas. Pele de Asno é baseado na história de Charles Perrault. O rei quer se casar de novo e a mulher mais bonita que sua esposa é sua própria filha. A filha tenta se livrar do pedido do pai com a ajuda da fada. Gostei muito da canção que a fada canta sobre o incesto. Uma forma delicada de falar no assunto para crianças e muito atual.
Catherine Deneuve está mais linda que nunca. Alguns outros do elenco são: Jean Marais, Jacques Perrin, Micheline Presle, Delphine Seyrig e Henri Crémieux. A trilha sonora é de Michel Legrand.
Assisti ao filme francês ORitual da Pedra (2006) de Guillaume Nicloux no Telecine Premium. Tive uma surpresa quando vi esse filme na programação do telecine. Vi que é com as maravilhosas Monica Bellucci e Catherine Deneuve, resolvi assistir. É um suspense, daqueles cheios de mistérios. A trama é fraca, mas eu me emocionei demais com o amor da mãe pelo filho. A Monica Bellucci simplesmente arrasa. A atuação dela é comovente. Catherine Deneuve parece que não se sentiu muito confortável em seu personagem. Como disse, a trama do suspense é bastante tola, o que emociona mesmo é a atuação da Bellucci e a beleza de relacionamento que ela tem com o filho. Acho que a atriz conseguiu se entregar ao lado dramático da sua história e alcançar um resultado emocionante. Seu personagem não tem glamour como normalmente vejo e foi outro aspecto tocante.
Vou falar detalhes do filme: Monica Bellucci interpreta uma mulher que na infância perdeu os seus pais em um acidente e foi para um orfanato. Ela se casa e tenta ter filhos, mas não consegue. Resolve adotar e é apresentada a Liu-San, um asiático que é órfão desde a nascença e já tem uns três anos de idade. O filme passa então uns anos adiante. A relação dos dois é tocante. Eles têm tanta sintonia que até seus sonhos são iguais e na mesma hora. Eles parecem se ouvir pelos pensamentos. A devoção e a luta dela para salvar se filho me emocionou demais.
O menino é uma graça, o ator é Nicolas Thau. Está no elenco também o ótimo Moritz Bleibtreu. Alguns outros do elenco são: Sami Bouajila e Elsa Zylberstein.
Música do post: Benjamin Biolay - Regarder la lumière