Mostrando postagens com marcador ucraniano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ucraniano. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de setembro de 2024

Valentina Lisitsa

Assisti o recital de Valentina Lisitsa na Sala São Paulo. Que pianista! Que repertório! Ela interpretou Mussorgsky e Chopin com tanta energia, precisão e beleza! A sala estava abarrotada e Valentina foi ovacionada. A pianista é da Ucrânia e é conhecida como a Rainha de Racchmaninoff. Seus vídeos no youtube viralizam com inúmeras visualizações.

Fotos de Gilbert François

Valentina estava com um vestido vermelho esvoaçante belíssimo, diferente desse. E como é linda! Mesmo depois de um recital exaustivo, longo e intenso, ela voltou para dois bis, mas o público queria mais! Que noite glamorosa!
Programa

M. Mussorgsky (1839-1881)

Quadros de uma exposição

”Promenade”

”Gnomus” 

” Promenade” 

”Il Vecchio Castello” 

”Promenade”

”Tuileries” 

”Bydlo”

”Promenade”

”Ballet des Petits Poussins dans leurs Coques”

”Samuel Goldenberg et Schmuyle”

”Promenade”

”Limoges, Le Marché”

”Catacombae, Sepulcrum Romanum”.

"Cum Mortuis in Língua Mortua" 

”La Cabane de Baba-Yaga sur de Pattes de Poule”

La Grande Porte de Kiev”

F. Chopin   (1810-1849)

Fantasia em Fá menor, Op. 49   

Três valsas

Grande valse brilhante em Lá sustenido maior OP.34 No. 1

Valsa em Dó sustenido menor Op64 No 2

Valsa Dó maior Op.64 No 1

Fantasia -impromptu em Dó sustenido menor Op. 66

Polonaise em Fá sustenido menor Op 44

Scherzo No. 2 em Sí bemol menor, Op.31 

Na data foi anunciada o Festival Chopin que acontece em outubro.


Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 11 de março de 2024

Cerimônia do Oscar 2024

Assisti a Cerimônia do Oscar 2024 no E! e na TNT. Eu sempre começo vendo a chegada no tapete vermelho, os vestidos, no E! Depois eu passo pra ver a cerimônia na TNT! Esse ano eu vi mais filmes que concorriam, então me animei de ver e comentar. E adorei que foi mais cedo! Eu amo Poor Things e amei que Emma Stone ganhou Oscar de Melhor Atriz, ela está maravilhosa! O filme ganhou outras categorias: Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Design de Produção e Melhor Figurino. Sem dúvida o melhor filme do ano, apesar de não ganhar nessa categoria, nem em direção.
 
Boa parte dos figurinos tinham tons pastéis, muito dourado, prateado, com símbolos de mar. Emma Stone vestia um Louis Vuitton, que lembrava uma concha e muito ao seu personagem em Poor Things. Acho que eu ficaria irritadíssima de vestir uma roupa de um grande estilista e a roupa abrir no meio da cerimônia. Ela foi receber o prêmio com seu vestido aberto atrás. E infelizmente ninguém entendeu e ou tentou fechar, se é que seria possível!

Fiquei muito feliz que Billie Eilish ganhou Melhor Canção Original por What Was I Made For? do filme Barbie. As músicas eram bonitas, mas a maioria era tradicional de filmes. Essa vencedora era mais original. E Billie canta divinamente, sem esforço, com uma voz límpida e cristalina. Interessante que muitos comentários falavam da inovação de Barbie, do quanto Barbie falava de mulheres, sobre machismo, mas na hora de indicar e premiar deixaram as mulheres no "lugar delas".
Não me identifiquei com o figurino da Versace de Margot Robbie, mas pode ter sido exatamente em protesto ao tratamento que o filme teve ao Oscar. Lindíssima como sempre, belo vestido, mas não esperava um look tão sombrio.
Um dos grandes momentos foi a música do Ken de Barbie, quer dizer, interpretada Ryan Gosling. Ele canta muito bem, foi divertido! Mas é uma canção bem convencional de filme americano.
Fiquei muito feliz que o curta do Wes Anderson, The Wonderful Story of Henry Sugar ganhou Melhor Curta-Metragem de Ação. Estranhamente foi o primeiro Oscar desse grande diretor.
Continuando com os belos figurinos com aspectos de mar, o de Anne Taylor-Joy vestia um Dior.

Esse ombro estruturado no figurino de Florence Pug da Del Core apareceu também em outro lindo vestido de Emily Blunt.
Que estava com um Schiaparelli.

O meu figurino preferido foi da Lupita Nyong´o. Ela vestia um Armani Privé. Os apresentadores do E! disseram que esse vestido foi feito pra atriz quando ela ganhou o Oscar, mas que ela quis guardar para outra ocasião. É belíssimo!

Zendaya era outra que estava com um belíssimo Armani Privé. E uma das poucas com cores fortes. Embora com as referências de mar e praia da maioria, já que a estampa tem coqueiros.

Melhor Documentário ganhou 20 Dias em Mariupol. Foi o primeiro Oscar que a Ucrânia ganhou. O diretor Mstyslav Chernov disse que nunca queria ter feito esse filme, que preferia que os conflitos não existissem pra ele nunca ganhar o Oscar. Fiquei muito emocionada!


Vários usavam esse pin vermelho de cessar-fogo como Ramy Youssef, Mark Ruffalo, Ava DuVernay e Billie Eilish pedindo o fim do conflito na faixa de Gaza.




Beijos,
Pedrita

terça-feira, 8 de maio de 2018

Salmo

Terminei de ler Salmo (1975) de Friedrich Gorenstein da Kalinka. Eu estava selecionando uns livros para ver qual compraria na feira da USP, Salmo estava na lista, e uma amiga ligou lá da USP perguntando se eu tinha esse livro. Fiquei eufórica, contei que estava na lista da feira e ganhei de presente. Não sou religiosa, mas tinha lido vários elogios, e queria muito ler. É fascinante!

Obra Última Jornada de Vasily Perov

Salmo tem um subtítulo que resume bastante o seu conteúdo: romance-meditação sobre os quatro flagelos do senhor. O livro é dividido em parábolas e faz paralelos com a trágica história da Rússia. As primeiras parábolas falam de tragédias na infância. A primeira ambientada na monumental fome dos anos 30 na Rússia. Uma mãe e vários filhos que vai dando os filhos e os abandonando pelo caminho. É a menina que narra essa parábola trágica. Dá muita agonia e dor com tanto sofrimento, fome, violência. Falta tudo. A segunda é ambientada na Segunda Guerra Mundial com o preconceito e perseguição aos judeus e é igualmente trágica, principalmente com as crianças. 

Obra Demônio Sentado (1890) de Mikhail Vrubel

Em todas as histórias está lá o Anticristo. Na primeira inclusive ele dá pão as crianças que tem fome, mas a mãe joga no chão e proíbe as crianças famintas de comer. Parece que o pecado de aceitar algo é pior que a fome. Esses pintores são mencionados em uma parábola onde um personagem vai a uma galeria com uns amigos e comenta as obras. As últimas parábolas são muito filosóficas. A história do Anticristo é baseada nos livros apócrifos livros que não foram reconhecidos pelos religiosos e não integraram o livro sagrado. Os textos de Salmo são absurdamente bem escritos, fiquei muito impactada com a erudição da obra, com a riqueza de vocabulário e com a filosofia do texto.

Friedrich Gorenstein (1932-2002) nasceu na Ucrânia, foi roteirista de filmes do Tarkóvski como O Sacrifício. No livro há um texto do tradutor russo Moissei Mountian que conta que Goresntein era judeu e nunca teve seus livros publicados na URSS. Depois passou a ser cultuado na Rússia. Salmo é o primeiro livro do autor traduzido no Brasil.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Guerra Não Tem Rosto de Mulher

Terminei de ler A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (2016) de Svetlana Aleksiévitch da Companhia das Letras. Mais uma autora que só teve obras traduzidas no Brasil depois de ganhar Prêmio Nobel. O mundo já tinha acesso às suas obras para poder votar e nós não tínhamos um único título para conhecer. Comprei esse livro na Feira do Livro da USP com 50% de desconto. Essa capa de Daniel Trench é linda.

Atiradoras do Exército Vermelho (08 de janeiro de 1943 - Foto de P. Bernstien

Svetlana acabou vindo a Flip. Com as publicações dos livros foram muitas matérias e entrevistas. E no início do livro também a autora fala que as bibliotecas  ucranianas estavam repletas de livros e filmes de guerra. Que era e é um assunto recorrente na Ucrânia. Como países vivem realidades tão diferentes da nossa. O Brasil tem muita violência urbana, mas nossas bibliotecas não estão repletas de livros sobre o tema. Então a jornalista resolveu entrevistar mulheres que tinham participado da Segunda Guerra Mundial. Não tinham mais homens para ir a guerra e as mulheres foram convocadas. As adolescentes sonhavam em lutar na guerra. O patriotismo era muito forte, mas também a violência nazista as impulsionavam. Fizeram o que podiam e o que não podiam para serem convocadas ou irem ao campo de batalha mesmo sendo menores de idade. Forjavam identidades, se infiltravam. Foram franco atiradoras, pilotos, tanquistas e claro, enfermeiras, médicas, comunicadoras e escrivãs. Ao final de cada relato há o nome e a função de cada entrevistada. Algumas não queriam o nome completo por motivos variados. Porque seus filhos não sabiam que tinham matado tantas pessoas, porque não falavam disso em casa. Boa parte vivia sem falar no passado, deixando escondido.
Lyudmila Pavlichenko

A Ucrânia sofria com a fome. Uma sobreviveu comendo estrume de cavalo. Muitos morreram de fome. Várias tinham graves problemas nos pés, perdiam pedaços, os pés congelavam porque não haviam coturnos para elas. Svetlana conta que em muitas casas eram os maridos que queriam ser entrevistados, só eles poderiam falar da vitória e mandavam suas mulheres para a cozinha. Poucas militares casaram. A maioria vive com dificuldade em alojamentos coletivos sozinhas. Os homens não queriam casar com mulheres que tinham sido militares. Não queriam casar com mulheres que poderiam mandar neles. 

Natalia Kovshova

Svetlana teve dificuldade de encontrar uma editora que publicasse o livro. Diziam que era muito triste e que as pessoas não iam querer saber de tanta tragédia. Só anos depois é que ela conseguiu. Os relatos dilaceram, são trágicos, deprimentes, violentos. Algumas desiludidas, outras orgulhosas, outras passando dificuldades. E a solidão!

A Adriana Balreira também fez uma resenha desse livro aqui.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A Terra Ultrajada

Assisti A Terra Ultrajada (2011) de Michale Boganim no Max. Criei coragem para ver esse filme, é sobre o acidente de Chernobyl. Quando fui buscar informações depois de ver o filme descobri que a diretora é israelense. Achei o filme tão verídico que tinha quase ideia que fosse de alguém que viveu perto ou pelo menos no país. Li que a diretora também ajudou a escrever o roteiro, que entrevistou várias pessoas que tinham parentes em Chernobyl, ou histórias de lá.

Em 1986 as pessoas não percebem as mudanças na cidade de Pripyat. Há um casamento perto da usina, um lindo lugar com um lago. Um lugar lindo, com uma natureza exuberante. O noivo é convocado para apagar um incêndio. Um engenheiro é avisado por telefone do acidente, mas é proibido de avisar as pessoas. Dá uma agonia ver que ninguém é avisado, embora não sei se isso mudaria algo. Uma chuva espalha a radiação. A Terra Ultrajada é construído de forma irônica o tempo todo. 

A forma como a autora e diretora conta essa trágica história é agoniante. Enquanto todos aguardam a inauguração do parque de diversões, há pôsteres com o Gorbachev e com o Lênin, elogiando a cidade de Priyat, que era considerada a cidade mais evoluída do país e elogiando o sistema de governo. Hoje é uma cidade fantasma. Outra ironia é que todos foram levados pra perto, para uma zona, e a protagonista brinca se eles acreditam realmente que a radiação não passa pelo arame enfarpado. Dez anos depois as pessoas visitam em ônibus a região. A noiva é interpretada por Olga Kurylenko. O engenheiro por Andrzeh Chyra. Alguns outros do elenco são: Sergei Strelnikov, Vyacheslav Slanko e Nicolas Wancztcki.
Beijos,
Pedrita