domingo, 26 de abril de 2026

A Virgem Vermelha

Assisti A Virgem Vermelha (2024) de Paula Ortiz na PrimeVídeo. Desconhecia por completo essa história e parece que os roteiristas do filme Eduard Sola e Clara Roquet também.

O filme conta a história de Hildegart Rodriguez Caballeira e sua mãe Aurora. Vi que tem vários filmes sobre elas, vou tentar ver algum mais fidedigno. 

Aurora tinha um projeto, criar um filho prodígio. Ela tem uma filha independente e desde pequena a exaure com aulas, treinos. Tinha exercício físico, tinha dança, mas no geral a menina estudava incansavelmente. No filme não mostram que Hildegart cursou Direito e depois ingressou em Filosofia, Medicina e Letras. Há dúvidas se ela ingressou na Faculdade de Direito aos 13 ou  aos 14. Essa informação suprimida do filme muda muito o contexto. Porque em um segmento acadêmico, ela teria contato com outras vertentes de pensamento além da direcionada pela mãe. Como mãe e filha eram muito próximas, algumas ideias dos textos da filha acreditavam ser da mãe. Aos 15 ela já começa a publicar artigos em jornais sobre política e sexo. São bem diferentes das retratadas. Najwa Nimri faz a mãe e Alba Planas a filha.
Até entendo que a mãe quisesse que a filha fosse criada de uma forma diferente das mulheres da época, politizada, feminista, a favor dos votos, mulheres ainda não votavam. A mãe tinha posses, viviam bem e depois somavam a renda aos inúmeros artigos e livros que a filha escrevia.

O filme não mostra que Hildegart fundou em 1932, a Liga Espanhola para a Reforma Sexual com Bases Científicas, em conjunto com o famoso médico e cientista Gregorio Marañón. O filme continua mostrando ela isolada e reclusa. 

O filme cria um par romântico para Hildegart, um operário do partido. A mãe acaba matando a filha aos 18 anos. A história não sabe qual motivo. Hildegart tinha muitos pretendentes: um cientista norueguês, um escultor que fazia um busto de Hildegart e um escritor e político de Barcelona. Como Hildegart não vivia isolada como no filme, cursava universidade, participava de instituições, podia desejar se libertar da opressão da mãe, independente de ser por alguma paixão. Forçado o filme criar um operário como o apaixonado e o único homem que teria contato. Sem mostrar ela na universidade, a história fica completamente diferente e equivocada. No filme mostram que Hildegart tinha sido convidada pelo escritor H. G. Wells e o sexólogo Havelock Ellis para passar uma temporada na Inglaterra e a mãe era contra. E que teria sido esse o principal motivo de Aurora matar a filha. Acho essa teoria bem mais convincente.
Beijos,
Pedrita