Assisti
Vidas Duplas (2018) de
Olivier Assayas no
TelecinePlay. Recentemente virei fã desse diretor depois que assisti
Irma Vep. Esse filme tem a mesma pegada! Fala da vida editorial e das mudanças tecnológicas. Sim, o título e as críticas vão falar mais das relações amorosas, mas é como
Irma Vep que fala da produção de cinema e série, esse fala do mercado editorial e suas transformações. Os filmes que vi desse diretor estão
aqui.
Um editor não quer mais publicra as obras de um autor. Sua esposa adora o autor e logo descobrimos que eles tem um caso. Sim, é Juliette Binoche e ela é uma atriz também, mas longe de ser tão bem sucedida. Ela está exausta de interpretar policiais, aí diz ao marido (Guillaume Canet) que pensa em aceitar trabalhar em uma série onde será uma profissional que lida com conflitos. Ironicamente vemos uma gravação e novamente ela é uma policial. Esse diretor é sempre ácido.
O filme tem inúmeros encontros entre intelectuais. Senti uma saudade imensa dessas reuniões. São sempre na casa de alguém, os que convidam cuidam dos pratos e de receber, mas são em várias casas. E as conversas são sempre maravilhosas, profundas. O editor está empenhado em modernizar a editora. É a época da febre dos blogs. Alguns autores não gostam de críticas em blogs. Ele contrata uma profissional em tecnologia, mas os ebooks também não vendem bem. São diálogos muito inteligentes. Um investidor diz ao editor que os livros continuam a ser muito vendidos, exceto os dessa editora. As conversas são maravilhosas. No elenco ainda estão:
Pascal Greggory, Christa Theret, Lionel Dray e
Jean-Luc Vincent.
O outro casal é interpretado por
Vincent Macaigne e
Nora Hamzawi. Ele é o diretor em
Irma Vep. Em
Vidas Duplas ele é o autor que tem seu livro rejeitado. Ele já escreveu vários livros e sempre conta a sua própria história, então sempre tem problemas com suas mulheres, ex, casos, porque ele as expõe. Ele jura que mudou algumas questões, nomes, mas as pessoas advinham. Ele participa de uma reunião e é massacrado pelo público pela exposição dos conhecidos. Os diálogos são riquíssimos. Eu odiaria ter minha vida devassada.
Achei interessante como eles resolvem suas vidas amorosas e traições. Fiquei pensando se são as músicas de sofrência, as novelas, o jeito latino de amar, se somos muito possessivos, que faz tudo aqui ser violento e dramático quando alguém se apaixona por outra pessoa. Mas também entre um filme e a realidade pode ter uma grande diferença.