quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Hotel

Assisti Hotel (2013) de Lisa Langseth no Max. Eu coloquei pra gravar porque vi que é com a maravilhosa Alicia Vikander. A diretora é sueca. É um filme dificílimo, indigesto, lembra muito Os Idiotas de Lars Von Trier.

Começa com um casal exultante, preparando a casa para o nascimento do primeiro filho. O casal está muito, mas muito feliz, só que semanas antes da cesárea ela passa mal e tem que fazer parto normal. A mudança de planos angustia muito o casal ainda mais ela com as dores. Quando ela acorda ela descobre que o filho nasceu com muitos problemas porque o coração estava fraco. Ela vê o bebê cheio de tubos. Mostra a frieza com que o hospital lida com o caso. É só mais um bebê com problema, nenhum médico para conversar com ela que entra em estado de choque. O filme aborda tantas questões, vou ficar anos pensando nos temas.

A catarse dela é muito perceptível, ela fica horas olhando o berço, dormindo encolhida, não quer ver o filho. Então ela é enviada para um grupo de apoio. Mostra bem como a sociedade é com quem demonstra dificuldade de lidar com uma questão. Mas esquecem completamente do marido que parece que está reagindo melhor, mas não está. A raiva da vida não programada faz ele ser muito agressivo verbalmente com a mulher, ele não entende o comportamento da mulher e constantemente a condena duramente. Se ele não entende, ele deveria se afastar, não agredir verbalmente a mulher. E estranho ninguém perceber e fazer ele também ir procurar tratamento.
O grupo que a protagonista segue lembra os alcoólicos anônimos onde cada um conta o que quiser. Com pouca interferência dos mediadores. Os encontros são espaçados demais, a cada 15 dias, Achei muito pouco para essa mãe tão em crise. Ela deveria ter acompanhamento psiquiátrico, psicológico e esse quinzenal complementar. 2 ou 3 vezes por semana e ainda terapia de casal. Realmente parece que o grupo não anda, tão espaçados os encontros. Até que a protagonista lembra algo que leu, sobre ir a hotéis para serem outras pessoas. 5 gostam da ideia. Muito interessante como tudo passa a modificar. Continua um filme difícil, até porque os 5 somem e nenhum terapeuta tenta encontrá-los e ajudá-los no processo.
É muito interessante como realmente eles começam a mudar. A menina que vivia encolhida e com roupas largas, coloca uma blusa justa e passa a andar erguida. Eles resolvem ajudar ao outro. Cada vez um quer viver a sua loucura e todos ajudam. É muito lindo o acolhimento deles sem julgamento as pirações do outro. Ela encontra acolhimento algo que nem o hospital nem a família tinha feito. Só a acusavam da dificuldade de lidar com os seus dramas. Eu acredito muito em terapias não convencionais. Não precisam ser malucas demais, como muitas vezes o filme mostra, mas às vezes ajudam bem mais do que o paciente só falar sem ninguém auxiliar como alguns tratamentos antiquados. Sem falar nos excessos de remédios de muitos tratamentos, como uma forma de jogar ao medicamento a responsabilidade do tratamento, esquecendo de ouvir o outro. 

O filme é muito angustiante. Todos estão excelentes: David Dencik, Anna Bjekerud, Henrik Norlén, Mira Eklund e Simon J. Berger
Beijos,
Pedrita

14 comentários:

  1. Não conhecia. Há alguns anos adorava esse tipo de filme. Atualmente não sei se teria paciência, mas fiquei curiosa.

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  2. Olá, tudo bem? Gostei bastante do filme A Chegada na minha maratona do Oscar. Adorei o trabalho da Amy Adams. Como ela não aparece entre as finalistas de melhor atriz? Eu recomendo. Bjs, Fabio www.tvfabio.zip.net

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  3. Acho que não gostaria do filme mesmo sendo com essa bonita atriz.

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    1. liliane, eu tinha quase certeza q ia gostar muito.

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  4. Hello, Pedrita!
    Gostei da resenha, pra mim é um filme imperdível!

    Beijinhos ♥

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  5. Olá, Pedrita. Vi um pouquinho desse filme, não sou fã dessa atriz, mas vou ver todo em outra oportunidade.

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    1. ruby, é um filme indigesto. eu fui vendo em partes, pq angustia.

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  6. Oláááááá Pedrita
    ooowwnnn puxa não conheço o filme.
    VC tem razão quando diz que a sociedade pode ser muito cruel com as pessoas que estão passando por problemas sérios e não conseguem lidar com isso :/
    Acho tão interessante, importante e mesmo indispensável terapias e as de grupo criam uma empatia e um vínculo que podem salvar.
    Sou super a favor de terapias pouco convencionais, afinal tudo se transforma o tempo todo e sempre se cria algo novo :)
    Quero muito assistir, mesmo sendo o tema difícil e um filme que mexe com s sentimentos.
    Já está na lista!
    Bjs Luli
    Café com Leitura na Rede

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    1. luli, tb não conhecia. nunca tinha ouvido falar. realmente a sociedade se incomoda com o sofrimento do outro e muitos desejam que a pessoa resolva rápido pq querem deixar de se sentirem incomodadas. tb acho terapias fundamentais. é muito bom, mas incomoda. veja qd estiver preparada.

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  7. Pedrita, minha amiga,

    Este filme parece que é ótimo, pela resenha eu já vi a diversidade de temas dos quais ele trata, vou tentar vê-lo com certeza. Os filmes dos países nórdicos costumam abordar - com especial competência - os dramas psicológicos e morais dos seres humanos, né? Estou me lembrando agora que vi, há uns três meses, um filme dinamarquês (nome: Segunda Chance)que também levanta questões inquietantes, você já o viu?

    Beijoca

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    1. marly, não vi esse filme que comentou. e como vc, gosto de temas psicológicos. vou procurar. acho q vai gostar de hotell. é inquietante. muito forte. mas muito bom.

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Bons comentários!