quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O Lagosta

Assisti O Lagosta (2015) de Yorgos Lanthimos no Max. Em uma chamada vi que é com um elenco que adoro. Uns dias depois, não lembrando mais do que se tratava, vi e coloquei pra gravar. E avisei a Liliane do Paulamar. Me perdoe amiga, é um filme surreal, e você prefere histórias mais lógicas. O diretor é grego.

É simplesmente genial, mas profundamente indigesto, difícil mesmo de assistir. Nosso protagonista interpretado por Colin Farrell chega em um hotel. Ele e outras pessoas ficam só de roupas de baixo. Ele se separou da mulher. Os solteiros tem alguns dias para escolher algumas das mulheres que estão no hotel. Caso não localizem ninguém em alguns dias, eles são transformados em animais que definiram quando chegaram. Eles sempre vão caçar e atiram tranquilizantes entre eles. A cada humano abatido com tranquilizante eles ganham mais dias para tentar tornar-se casal. Nosso protagonista será uma lagosta, porque vive muito. Eu adoro os atores que ficam amigos: John C. Reilly e Ben Whishaw. Todos atuam sérios, ninguém é feliz, raramente sorriem. Toda aquela loucura e eles sérios, sem mexer um músculo do rosto. Os atores estão incríveis.

Eles vão a um quarto de solteiros, todos vestem-se iguais. As pessoas precisam se escolher por afinidades. A que sangra o nariz tem que encontrar alguém que sangre também. Todo metafórico fala muito da impossibilidade de ficar sozinho em uma sociedade. Há bailes cafonas, treinamentos. Se acham alguém semelhante, vão para um quarto de casal, se tudo dá certo, seguem para um iate onde passam dias, se continua dando certo voltam a cidade. O Lagosta acaba escolhendo uma mulher fria e ele finge ser frio para conseguir ficar com ela. Só que ela para testá-lo mata cruelmente seu cachorro que é na verdade o seu irmão. Ele a transforma em um animal e foge para a mata.
Ele se une a um grupo no bosque. Tudo melhorou? Não, tudo continua insuportável. Regras igualmente horríveis para controlar as pessoas. A líder é outra atriz que adoro, Léa Seydoux. Lá ele encontra a personagem da Rachel Weisz, finalmente ela apareceu. Ela é míope como ele, então os dois chegam a conclusão que podem ficar juntos, mas nesse grupo isso é proibido.  Como as pessoas se tornam animais porque não conseguiram um par compatível, há muitos animais na floresta entre eles. Tudo é muito trágico. O quanto todos são manipulados e obedientes a regras odiosas. Será que não passamos por isso também? Será que nossa sociedade também nos impõe regras odiosas? Será que estamos tão acostumados que nem percebemos tanta perversidade? Será que só nos incomoda porque é muito diferente de nossas regras, mas será que nossas regras não são perversas também? O Lagosta é simplesmente genial.

Beijos,
Pedrita

16 comentários:

  1. Sou louca pra ver esse filme!
    O Colin lindo e maravilhoso é o meu crush desde: Ask the Dust.
    Pretendo ver em breve.

    Um abraço Pedrita!

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    1. matilda, é muito bom, mas difícil de ver.

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  2. Detestei. Horrível, indigesto, fantasioso demais.
    Imagina eu me transformar em lagosta. De mentira,lógico.
    Existe outras maneiras de se curtir ou descurtir solidão.

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    1. liliane, vc gosta de filmes não-fantasiosos. eu amei. gostei muito de debater os preconceitos a solidão.

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  3. Eu sou muito curiosa com esse filme, até quero pesquisar se tem na Netflix.

    Valeu pela dica.

    Bjs, Hel.

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    1. helena, acho difícil que tenha na netflix que tem um acervo bem convencional. em geral esses filmes só acha no max mesmo.

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  4. No ano passado esse filme foi muito comentado durante os festivais de cinema. Tem um ótimo elenco mesmo! Está na minha lista, mas vou esperar um pouco para assistir.

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  5. Hello, Pedrita!
    Já que é indigesto eu não me atrai, rsrs.

    Beijinhos ♥

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  6. Oi, Pedrita,

    Este filme parece surreal mesmo, rsrs. Mas como ele é metafórico e tem proposta atrevida, acho que vale o esforço de assisti-lo.

    Beijo

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    1. marly, acho que vai gostar, mas não é um filme fácil.

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  7. Oieeee Pedrita!
    Nossa que filme diferentão, não sei se gostaria, acho que deve ser complicado acompanhar todas as etapas e alinhavar a narrativa, mas acho que deve ser muito interessante a reflexão proposta e eu adoro o Colin Farrel e a Rachel Weisz!!!
    Vou levar a indicação.
    Bjs Luli
    Café com Leitura na Rede

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    1. luli, diferente e muito difícil de assistir. desconfortável.

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Bons comentários!