domingo, 18 de outubro de 2026

É Tempo de Amoras

Assisti É Tempo de Amoras (2025) de Anahí Borges no Canal Brasil. Eu queria muito, mas muito ver esse filme desde que ouvi falar da estreia nos cinemas. Não imaginam a alegria que fiquei quando avisaram que ia passar no canal! E é lindo demais! Poesia pura!




Eu adoro a Rosamaria Murtinho, amei o nome do filme. Ela vive em uma instituição de longa permanência muito agradável, mas quer ir rever um antigo namorado então foge. As instituições como essas no Brasil são muito atrasadas, verdadeiros cárceres. Essa ainda é mais leve, não impõe aos idosos em ficar parados em frente a televisão o dia inteiro. Nessa elas tem atividades manuais, jardim, uma vida mais confortável e livre, mesmo que sejam impedidas de sair. Nesse núcleo estão Bárbara Bruno, Vanessa Goulart e Agnes Zulani.
Ela resolve fugir para rever um antigo namorado que é interpretado pelo Antonio Pitanga. Ele vive em uma linda casa. As locações são lindas, me deu saudade de ruas arborizadas, cheias de casas com jardins, a própria instituição fica em uma linda casa. Ele vive com a esposa de Zezeh Motta. E lá está um neto. É de cortar o coração quando ele pergunta se ela tem netos e ela diz que sim mentindo. Ela é totalmente sozinha, sem filhos, netos. Só tem um sobrinho que vive fora do país e que não parece ter proximidade.
Ela fica muito abalada com o encontro, senta em uma loja onde conhece as crianças de Analu Reis e Rafael Pereira, amei as crianças. E se estabelece uma amizade entre eles. Analú é Pety e tem uma atividade na escola para levar fotos e histórias dos avós, mas ela não tem. Ela pede pra Pasqualina ser a avó dela. É tudo muito delicado e bonito. A professora é Luci Pereira. O elenco todo é incrível. Para levantar o material dos avós para a aula, a menina tem contato com os objetos e histórias da "avó". Eu amo objetos e mexeram muito comigo. Sou fascinada em revisitar a vida das pessoas e os objetos que trazem suas histórias e memórias.

A mãe se assusta um pouco com a aproximação repentina das crianças com essa idosa, mas aos poucos vai entendendo a solidão da filha. Eu adoro essa atriz, a Jessica Córes. E os figurinos são lindos. A mãe trabalha muito, se separou, então a menina fica muito sozinha. A menina quer adotar a avó. A mãe permite aos poucos a aproximação, elas passam a visitar a avó na instituição, é tudo lindo demais! É muito bonito como a história toda é costurada, gradativamente, afetivamente, tudo a seu tempo e muito realista.
A avó adotada tinha estudado ballet e piano, então a música do filme é sempre ao piano e interpretado pela ótima Karin Fernandes.

Os pôsteres são lindos, não sabia qual escolher!

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Animals

Assisti Animals (2026) de Ben Affleck na Netflix. Não estava muito animada porque as críticas são muito negativas. Só assistindo que descobri que é baseado no clássico japonês o Céu e o Inferno (1963) de Akira Kurosowa que já passou da hora de conhecer. Vai ser difícil achar pra ver. Esse mesmo filme japonês que inspirou o de Spike Lee que eu não gostei muito. O do Spike Lee começa muito bem, mas na metade se desvirtua completamente. Animals não. Eu gostei muito mais do que o do Spike Lee. O filme é sobre dilemas morais e esse tema vai até o final, o que não aconteceu com o do Spike Lee.
 

Ben Affleck dirige e protagoniza Animals. O personagem é um candidato a prefeito em Los Angeles e conhecido por ter aproximação com imigrantes e os defendê-los. Eu gosto muito da Kerry Washington que faz a esposa dele. O elenco todo é muito bom. Pela campanha, ele assina um documento sem conversar com a esposa onde ele perderia e ficaria com uma dívida milionária caso perdesse as eleições. Eles tem um filho.
O filho vai com a babá e o filho dela na festa de Halloween e é sequestrado. A babá é Adriana Paz e o marido Luis Gerardo Mendez. O marido é imigrante ilegal.
O assistente dele contrata quase uma mercenária. O candidato precisa de uma fortuna em dinheiro pra pagar o resgate, e essa mulher sem nome pode resolver isso. Gosto muito também desses atores Steven Yeun e Gillian Anderson. Essa profissional é muito dura, achei pavorosa. Conversa e orienta como agir com o sequestrador e tudo sempre é muito arriscado e violento. Até que eles descobrem que o filho que foi sequestrado é o da babá. Aí as conversas só pioram. O candidato não pode recusar pagar o sequestrador porque pode ser nocivo para a campanha. Ele não pode recusar salvar o filho de um imigrante, porque é o que defende em sua campanha. Não porque ele está preocupado com o garoto. 
Gostei muito do final que é muito, mas muito surpreendente. As questões morais vão até o último segundo. Tem frases fortes que estou pensando até agora. É inteligente! 
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Piotr Alexewicz no Festival Chopin

Fui ao recital de Piotr Alexewicz no Festival Chopin no Teatro Cultura Artística. Eu gosto demais desse pianista, tem uma técnica delicada, com impressionante precisão. Foi um belíssimo concerto!

O pianista polonês começou com Debussy, entre as obras a icônica Clair de Lune e seguiu para Rachmaninoff. Na segunda parte tocou só Chopin. Foi maravilhoso! Ovacionado, voltou para dois bis. Foi lindo!

Programa

C. Debussy (1862–1918)

Suite bergamasque, L. 75

Prélude

Menuet

Clair de lune

Passepied

S. Rachmaninoff (1873–1943)

Études-tableaux, Op. 33

F. Chopin (1810–1849)

Noturno em Sí bemol menor, Op. 9 No. 1

Noturno em Mí bemol maior, Op. 9 No. 2

Andante spianato e  Grande Polonaise brilhante em Mí bemol maior Op.22

É vergonhoso, mas foi a primeira vez que fui ao Teatro Cultura Artística depois da reforma. Está moderno, equipado, a sala diminuiu um pouco de tamanho, mas está muito bem projetada, confortável. Foi muito emocionante poder pisar novamente nesse teatro.
O Festival Chopin vai até o final de outubro. O próximo é novamente no Teatro Cultura Artística. Estou ansiosa!

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Barbarian

Assisti Barbarian (2022) de Zach Cregger na HBOMax. Esse filme está pra sair do catálogo desse streaming. É muito tenso e assustador! O roteiro me surpreendeu! Acaba falando muito de questões sociais!

Uma jovem aluga uma casa por temporada. Chega à noite, com uma chuva torrencial, tem uma certa dificuldade com o código, mas quando consegue abrir o dispositivo, a chave não está lá. Volta ao carro, liga pra quem alugou e cai na caixa postal. Ela vê uma luz na casa, bate na porta e um jovem abre. Ela fica muito assustada, mas ele também alugou mas por outro lugar, confere tudo, o telefone, parece mesmo que os dois alugaram. Georgina Campbell está excelente!
Ela fica muito desconfiada do rapaz, tenta hotel, mas há uma convenção na cidade e tudo está lotado. Resolve ficar. Ela não aceita o chá que ele fez pra ela. Ele é Bill Skarsgard.
Quando ela acorda, ela se arruma e vai a entrevista de emprego. É só aí que ela vê o bairro e se assusta. Tudo degradado, abandonado. A casa que ela alugou é uma graça, equipada, simpática mesmo, mas nada no bairro parece bom. A que a entrevista fala pra ela sair correndo de lá. A jovem volta pra casa, acabou o papel higiênico e só tem no porão embaixo. Lá ela começa a achar, portas, cativeiro, e mais portas e mais andares abaixo. Um horror. O jovem volta, ele vai olhar embaixo e não volta, ela vai atrás. Comecei a ficar apavorada. Em um momento ela consegue fugir e chamar a polícia, que a vê suja, naquele lugar, nem liga pras denúncias. Entendemos que bairros degradados não tem a proteção da polícia.
O filme ainda estava no começo e eu pensando que ela iria passar o filme no cativeiro em sofrimento, mas o roteiro é muito inteligente. O filme corta pra uma estrada belíssima na praia e um ricaço muito feliz dirigindo. Ele é um boçal, se envolveu em um escândalo de estupro, jura que é mentira, mas para pagar o advogado, precisa vender alguns de seus bens. E sim, um é a casa que a jovem estava. Ele é Justin Long. Tudo muito interessante. E tem outro corte no filme com outro personagem. Gostei bastante! Mas é muito, mas muito assustador.
Beijos,
Pedrita

sábado, 10 de outubro de 2026

Silo - 3ª Temporada

Assisti a 3ª Temporada de Silo (2026) de Graham Yost na AppleTV. Como eu gosto dessa série que é sempre impressionante! O ser humano tenta controlar outros seres humanos para que não se auto destruam, mas as técnicas exterminam em massa muitos outros seres humanos. Quando o autoritarismo de um grupo acha que sabe o que é melhor para toda uma comunidade.

A segunda temporada terminou com Juliette Nichols voltando ao Silo 18. O que acontece na chegada, os protocolos, fazem com que Juliette não lembre de nada. Rebecca Ferguson continua maravilhosa, que atriz, que personagem. Por muito mais Juliettes no mundo. O esquecimento é o cerne de toda a temporada.
Na temporada anterior conhecemos um pouco do que aconteceu antes dos Silos começarem. Então em paralelo tem o passado, antes dos Silos e as crises do Silo 18. Uma pilota vai em uma missão e fica gravemente ferida. Seu irmão de Ashley Zukerman tenta vê-la e ela não se lembra de nada. É quando o tema do esquecimento começa a aparecer e é chocante demais!
Um médico (Victor Crnkovich) absolutamente imbecil acredita que o esquecimento pode ajudar as pessoas aos traumas, então a irmã não lembra de nada. O médico ainda explica que eles ainda podem decidir o que a pessoa pode ou não lembrar. E que as lembranças da irmã só serão aquelas que ele contar pra ela. Esse tema me incomodou profundamente, é um tema que me revira por dentro. Nunca senti tanto ódio de um personagem.
E é aí que entendemos porque Juliette está esquecida, não porque teve um trama, mas porque está sendo drogada pra isso. É a sala onde seria supostamente um robô que dá as ordens ao líder. Esse robô orienta que a seja despejado nas águas um componente que vai causar o esquecimento no Silo 18. 

Juliette é avisada pelos amigos que está tomando pílulas para esquecer. O robô da sala avisa, mas não conseguem mudar e ela começa a recuperar a memória e a comandar tudo e todos. Juliette sabe pelo Silo 17 que o esquecimento provocou uma verdadeira chacina nas pessoas. Mães que esqueceram de alimentar os filhos que morreram de fome, pessoas se jogando das escadas. Bernard não morreu, se uniu aos rebeldes e começa a orientar também com o que sabe dos segredos da sala do robô. Inclusive no passado vemos o irmão agora quase um robô, totalmente manipulado. E que o esquecimento faz dele um verdadeiro monstro, frio e calculista. Ele perde praticamente toda a capacidade de sentir, de compaixão, vira um robô, assustador. É muito interessante os debates sobre o esquecimento. 

Camille de Alexandria Riley é determinante nesse episódio. Ela é a chefe e vai acatando todas as ordens do robô e colocando em risco todo o Silo. A série é impressionante!

Eu tenho algumas especulações. Se vocês sabem ou leram a série de livros de Hugh Howey não me contem. Comecei a achar que o mundo não ficou inabitável. Que eles se sufocam ao sair dos Silos porque o Silo 1 os mata. Isso fica perceptível quando o Silo 17 sai e ninguém sufoca, a não ser quando drones que eles não veem os matam. Acho que os Silos são na verdade colmeias humanas de pesquisa, enquanto no mundo ainda pode-se viver livremente. 

Pedrita