domingo, 28 de junho de 2026

O País dos Outros de Leila Slimani

Terminei de ler O País dos Outros (2020) de Leïla Slimani da Intrínseca. Eu quis muito ler esse livro já que tinha adorado Canção de Ninar. Essa autora escreve divinamente e em meio aos seus textos, debate questões urgentes. Por enquanto no Brasil são três livros traduzidos.
 

O marcador de livros é em tecido.

A coruja em pedra brasileira.

Obra de Mohamed Melehi

A autora é marroquina e se inspirou na história de sua avó para criar esse livro. Amei tanto a obra que já estou com saudade dos personagens. O livro começa na Segunda Guerra Mundial. Mathilde é francesa e conhece o soldado marroquino Amine. Eles se apaixonam e se casam. Eles seguem para o Marrocos onde Amine tem uma fazenda. Ainda não está adequada para receber a esposa, então eles ficam um tempo na casa da mãe. Sem saber o idioma ela passa boa parte do tempo na cozinha tentando aprender o nome dos objetos e ingredientes. O livro fala muito da dificuldade de adaptação de pessoas de cultura tão diferentes. Marrocos é colônia da França.
Obra de Abderrahim Jaouad

Eu não sabia que o Marrocos é um grande produtor de laranja. Eu amei a capa do livro e só na leitura entendi o motivo da laranja. Amine demora mais tempo para começar a produzir árvores frutíferas. Ele já estudava muito plantações antes de ir colocar em prática na fazenda, mas inicialmente faz muitas escolhas ruins e vive perdendo tudo. Mathilde tem muita dificuldade de viver na escassez e no isolamento da fazenda. Por bastante tempo ela e o marido se dão muito bem, mesmo que tenham dificuldade de compreender as suas culturas. Emociona a tentativa deles de se adaptarem um ao outro. Quando sua filha nasce ela insiste que a menina estude em um colégio católico francês. A menina sofre muito preconceito na escola já que é uma mistura da mãe francesa e do pai marroquino. Mathilde cuida de um doente da fazenda e passa a receber um séquito de doentes. Ela até procura o médico da cidade e explica que muitas mulheres pela cultura austera, jamais deixariam ser examinadas por um médico. Mathilde vai se aperfeiçoando, estudando e ajudando muito feridos e doentes da região.
Obra Como um Pássaro (2024) de Omar Mahfoudi

Os protagonistas se alternam. Começam com Mathilde e Amine, seguida por sua filha, mas vários outros surgem na trama. Com o passar do tempo a tensão no país se intensifica. O irmão de Amine é revolucionário e luta pela libertação de Marrocosda colonização. O livro termina em 1956 na independência do Marrocos, com a queimada das fazendas.
O livro é mágico, emocionante, amei acompanhar o dia a dia desses personagens, suas lutas e diferenças. 
O País dos Outros é o primeiro de uma trilogia sobre raça, resiliência e independência. Quero ler todos.
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 26 de junho de 2026

O Esquema Fenício

Assisti O Esquema Fenício (2025) de Wes Anderson na PrimeVideo. Como eu amo esse diretor. Fiquei eufórica de achar mais um filme dele. Durante essa cena aparecem os créditos. Nesse banheiro escritório sala de estar jantar, funcionárias dão injeção, refeição, atendem telefone. Inúmeras mulheres em inúmeras funções e nós acompanhando de cima. O roteiro é assinado junto com Roman Coppola.

Esse é o trio de protagonistas e como em todos os filmes desse diretor é ator famoso que não acaba mais. Benício Del Toro é o magnata Zsa-Zsa que criou o Esquema Fenício. Ele resolve eleger como sua herdeira inclusive do esquema sua filha que é noviça. Ela não quer nada disso, só quer ser noviça. Amei Mia Threapleton. Só agora que vi que ela é filha da Kate Winstlet. Ela é ótima. É dificílimo atuar em filmes do Wes Anderson, bom, eu acho. Porque precisa de muita concentração, mudar as feições muito rapidamente. E eu teria enorme dificuldade de não cair na risada. Completa o trio Michael Cera. Ele vai ser tutor dos filhos do protagonista, são muitos filhos, biológicos e adotados. O rapaz é louco por biologia, insetos, como seu patrão.
Zsa-Zsa apresenta a sua herdeira o Esquema Fenício. Inúmeras caixas de papelão e sapatos, cada uma com uma missão mais maluca que a outra. Com isso eles vivem viajando. As cenas no avião são divertidíssimas. Como eles viajam muito, são personagens que não acabam mais. O filme é uma delícia, com um roteiro muito rocambólico. Não entendi boa parte. O protagonista é um homem de negócios com vários projetos enormes em vários países e muitas questões burocráticas em cada um deles. Amei!
Sim, Scarlett Johansson é uma delas e Zsa-Zsa pede ela em casamento. 
São inúmeras cenas de ação sem ação. Wes Anderson é sempre genial. Todos vivem tentando matar o protagonista. Ele vive sobrevivendo por muito pouco. Richard Ayoade é o revolucionário.
Tom Hanks é um dos primeiros que aparece, com Bryan Cranston. Eles cuidam do trem que passa nas minas e precisam negociar.

Há cenas em pxb que seriam do céu e Bill Murray é deus.
Ainda aparecem Jeffrey Wright, Willem Dafoe, Riz Ahmed, Steve Park, Rupert Friend, Benedict Cumberbatch Charlotte Gainsbourg, Mathieu Amalric e Donald Sumpter.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A Passagem do Cometa

Assisti ao curta A Passagem do Cometa (2017) de Juliana Rojas no Canal Brasil. O canal fez uma Maratona Juliana Rojas com alguns de seus filmes, esse abriu a mostra. Coloquei dois que não vi pra gravar.

A Maratona foi um pouco depois da entrevista de Gilda Nomacce para o Persona da TV Cultura onde ela contou sobre esse curta, que foi selecionado em Berlim. Eu gostei demais. Gilda faz uma médica que faz abortos em seu consultório. O curta é uma tarde desse consultório.
Ivy Souza faz a paciente. Mariza Junqueira é a atendente. A amiga é Helena Albergaria. Em um momento aparece uma jovem mal e sangrando e a médica a atende e depois informa que o sangramento foi controlado e ela está fora de perigo. Mais tarde elas visualizam o Cometa Halley que passou em 1986, período que o curta é ambientado.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Motherless Brooklyn

Assisti Motherless Brooklyn (2019) de Edward Norton na HBOMax. O filme é baseado no livro de Jonathan Lethen. Achei até que tinha visto esse filme. É difícil eu não ver um filme com tantas estrelas, mas não, nunca tinha visto. Norton adaptou o roteiro, dirigiu e protagonizou o filme.

Bruce Willis faz uma participação. Começa ele em uma ação e pedindo que dois homens ficassem de olho. Um é Edward Norton, que é o narrador também, e ele tem um tique nervoso. O personagem de Bruce é morto e o de Norton passa a investigar o que aconteceu. O grupo com Bobby Cannavalle e Ethan Supplee era de detetives particulares. Eles contam que Bruce os encontrou em um orfanato e os preparou para o ofício. O de Norton deve muito a ele e ele é um gênio em guardar tudo o que houve, é uma verdadeira biblioteca.
O filme fala muito sobre especulação imobiliária e eu tive muita identificação. As construtoras compram os políticos, juízes, a sociedade, para derrubar e construir prédios. Para ganhar o apoio popular constroem parques, aqui estão transformando parques em shoppings. Alec Baldwin é o líder das construtoras.
Uma jovem de Gugu Mbatha-Raw está no meio de tudo e o personagem do Norton se apaixona por ela e é correspondido. 

Willem Dafoe também está  no elenco em um papel importante. O final é péssimo. Fica subentendido, mas eu acho que tentaram esconder que não conseguiram nada e as construtoras destruíram tudo, porque o filme muda o foco e não toca mais no assunto. A música principal é belíssima! E o gigante Wynton Marsallis está na banda. O filme tem muita música ao vivo.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Cyclone

Assisti Cyclone (2026) de Flávia Castro no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme, coloquei pra gravar. 

É livremente inspirado na vida de Maria de Lourdes de Castro Pontes (1900-1919), conhecida como Daisy, a única mulher a integrar O Perfeito Cozinheiro de Almas de Outro Mundo, diário coletivo organizado por Oswald de Andrade que se apaixonou por Daisy que engravidou. Oswald negou que era dele, ela fez um aborto clandestino, teve complicações, fez histerectomia, que não resolveu e morreu um pouco depois, aos 19 anos. 

 

No filme Luiza Mariani é uma mulher de 35 anos, escritora, que trabalha em uma gráfica e escreve o texto de uma peça. Ela tem um relacionamento com o diretor da peça de Eduardo Moscovis, que não dá o crédito do texto a ela. Ela conseguiu uma bolsa para Paris, está levantando a documentação. Mostra a dificuldade de mulheres poderem viajar sozinhas na época. Ela é separada em uma época que a mulher continuava casada, então tinha que ter autorização do marido para viajar, se fosse solteira, a autorização seria do pai. Ela é órfã. Nos exames preparatórios que se descobre grávida. O diretor é o pai, é casado, diz querer o filho que ela está esperando, mas teria que ser tudo clandestino. Ela resolve tirar a criança para não perder a bolsa para Paris. O desfecho é igual ao de Daisy.

O elenco todo é incrível. A melhor amiga é interpretada por Karine Teles. Luciana Paes é uma colega da gráfica. Rogério Brito é funcionário público.
Magali Biff integra o grupo de teatro.

Beijos,
Pedrita