quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sniper Americano

Assisti Sniper Americano (2014) de Clint Eastwood na HBO On Demand. Faz tempo que via esse filme na pouca relação da HBO. Mas por ser de guerra, por ser um filme americano sobre a Guerra do Iraque, eu tinha ressalvas. Só vi mesmo porque admiro o Clint Eastwood. É um bom filme. Claro, é a visão americana sobre a Guerra do Iraque, mas o diretor foi cuidadoso e mostrou algumas semelhanças entre os seres humanos.

O filme é baseado na vida de Chris Kyle, a Lenda. Ele foi um dos soldados que mais matou no Iraque. Em geral ele fazia cobertura as tropas e matava as pessoas sozinho em locais isolados. Não ia a frente de combate. 

Há várias análises para se fazer do filme, é um importante objeto de estudo e de debates. Logo no início o filme reforça a premissa da violência em armas nos Estados Unidos. O pai do Chris era muito violento e ensinou logo o filho a saber atirar e a desejar a morte de sua presa. Assustador! Mas era outra geração. Assusta mais ainda, que mesmo após tudo o que o Chris Kyle passou na guerra, ele ensina igual ao pai o gosto de ver o sangue na presa ao seu filho pequeno. A questão das armas nos Estados Unidos, a paixão por ter armas em casa, brincar com armas, está presente o tempo todo no filme. Chris Kyle brincava com arma na mão em casa com a família, rindo, era uma brincadeira. Outra questão é como o filme mostra o olhar do americano que estava defendendo os Estados Unidos do terrorismo, sem fazer distinção de cidadãos comuns. O filme mostra os soldados americanos protegendo as tropas e não dizimando. Não mostra o lado negro de toda a guerra. E Chris Kyle é mostrado como justo o tempo todo, que tenho minhas dúvidas que tenha sido assim sempre. Há uns anos surgiram muitas denúncias de tortura que os americanos praticaram nos iraquianos, o filme finge que não teve nenhum abuso dos americanos.

Gostei da forma como o diretor mostrou o atirador iraquiano, como o Chris Kyle. Era um medalhista olímpico, o preparo físico ajudava em saltos entre telhados, agilidade, e ele tinha uma bela esposa e um bebê. Essa humanização do outro lado gostei. Continua um filme com o olhar americano, de um americano sobre a guerra, onde não foram mostradas as inúmeras torturas que muitos soldados americanos fizeram ao inimigo, só mostraram o contrário. 

Muito triste a forma como Chris Kyle foi morto. Eu tinha quase certeza que seria na hora da emboscada no final, que ele ia morrer em combate. Irônico ele ter voltado para casa e como forma de reabilitação ele tentava ajudar ex-soldados a se reequilibrarem. Ele mesmo tinha muita dificuldade de viver em paz com sua mulher e seus dois filhos. Achava que tinha que voltar a guerra. E ajudar os soldados que voltavam era uma forma de se sentir útil pelo país. E é um veterano de guerra que o mata. Muito triste.

No final mostraram a comoção no enterro do Chris Kyle, ruas lotadas. Foram inúmeros botons colocados no caixão de pessoas que ele salvou. Nas fotos do Chris Kyle dá pra ver o fascínio, que parecia até obsessão, por armas.


Bradley Cooper está incrível como Chris Kyle. A reconstrução da guerra é muito impressionante. Filme muito bem realizado, editado e dirigido. No elenco ainda estão: Cory Hardrict, Owain Yeoman, Joel Lambert, Tony Nevada, Sienna Miller, Kyle Gallner, Cole Konis, Ben Reed e Keir O´Donell.
Beijos,

Pedrita

16 comentários:

  1. Olá, Pedrita.
    Já assisti ao filme e também gostei muito. Dá para tirar diversas análises dele.
    Pretendo ler o livro agora.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de janeiro. Serão dois vencedores, dividindo 4 livros.

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  2. Oi, Pedrita,

    Gosto do trabalho do Clint Eastwood como diretor e como ator (e isso desde as atuações dele nos Spaghetti western). Também gosto do Bradley Cooper. Mas, ainda que tentando duas vezes, não consegui ver este filme. E a causa foi a forma como as coisas foram mostradas. A questão da guerra é complexa e não dá para simplificá-la, como foi feito, sem torná-la simplória.

    Beijoca

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    1. marly, a parte filosófica é o melhor do filme. gostei de como fizeram as locações, mas os momentos de conflitos eram muito ensaiadinhos. concordo com vc.

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  3. Olá, tudo bem? Eu assisti Sniper Americano no cinema. Gostei do filme. Bem de ação mesmo. E o final é surpreendente. Bjs, Fabio www.tvfabio.zip.net

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    1. fabio, eu gostei, mas achei meio parado.

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  4. É um ótimo filme, com cenas de ação bem filmadas e uma trama que mostra como a violência de uma guerra deixa marcas profundas nos soldados, mesmo aqueles que voltam sem estar feridos fisicamente. O trauma psicológico é enorme.

    Bjos

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    1. hugo, algumas cenas de ação são boas, mas outras são muito ensaiadinhas. os soldados ficam realmente perturbados. e de qualquer lado. mas o filme só mostrou a visão americana. o filme não é tão ótimo assim.

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  5. OoOoOoOoOoOoie Pedrita!
    Felizzzz 2017!
    Volto e te encontro como sempre arrasando nas resenhas!
    Assisti esse filme para fazer um trabalho. Não achei que fosse gostar e não achei que o Bradley Cooper desse conta do recado. Gostei e ele mandou super bem.
    Sienna Miller está irreconhecível.
    A gente se sente mesmo impactada com a narrativa.
    Da direção de Clint Eastwood meu preferido é Os imperdoáveis (western anti-violência), mas não nego que a condução foi o que tinha que ser, como é recente,Kyle está na memória coletiva como "herói" embora ele mesmo não gostasse de ser chamado assim.
    Filme patriota, excessivo e falho do ponto de vista geopolítico, tem uma parte onde se diz claramente que todos os habitantes da cidade iraquiana são terroristas. oi????
    Gostei da parte do sniper iraquiano (tipo gostei mesmo assim como do sniper em Bastardos Inglórios)
    Assim como quando ele quase ataca o cachorro já não sabemos se a guerra o transformou ou se ele buscou na guerra uma forma de dar vazão a própria violência ensinada desde pequeno pelo pai.
    Parabéns arrasou na resenha.
    Agora vou ver os posts que não li :D
    Bjssss Luli
    Café com Leitura na Rede

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    1. luli, realmente o ator está excelente. concordo q o pior é o patriotismo do filme. mas eu tb acho q o diretor focou no olhar do atirador e ele era assim mesmo. só via um lado da história. realmente eu acho q ele foi para a guerra para liberar toda a sua violência. se ver as fotos do chris na internet, sempre com cara arroganda e mostrando armas potentes. o bradley parecia mais boa gente que o chris q ele interpretou.

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  6. ainda não assiti esse não, mas adoro esse ator.
    Já esta na minha lista, bjus.

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  7. Ameiiiiiiii esse filme.
    Já vi 2 vezes.
    Bradley Cooper é lindo e maravilhoso.
    Cinema americano é tudo de bom, para mim.

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    1. liliane, é um bom filme, mas só mostra uma versão da história. não dá pra ver achando que tudo aquilo foi daquele jeito mesmo. falta ouvir o outro lado. e não dos terroristas, mas dos iraquianos.

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Bons comentários!