sábado, 3 de fevereiro de 2018

Cordeiros e Carrascos

Assisti Cordeiros e Carrascos (2016) de Oliver Schmitz no TelecinePlay. Que filme difícil! Logo no início, uma chuva torrencial atrapalha um rapaz sangrando a dirigir, uma van passa, berram algo pra ele. Mais a frente o carro do rapaz é fechado, negros saem da van e o rapaz mata um a um com a arma. Um advogado é escolhido pela defensoria pública para defender o rapaz, até não queria aceitar, mas ele é contra a pena de morte, aceita.

O rapaz não conta nada, não fala como aconteceu. Cordeiros e Carrascos é inspirados em fatos reais na África do Sul em 1987 e no livro de Chris Marnewick. Fiquei chocada em saber que além de existir a pena de morte no país, eles executavam 7 presos por dia. Esse rapaz quis fugir do alistamento, não queria ir lutar na guerra na Angola. Então a opção era trabalhar no presídio, só que ele não sabia que seria no corredor da morte. O rapaz só tinha 17 anos e passou a cuidar dos presos e a acompanhar diariamente 1, os outros com os outros 6 até as cordas do enforcamento. Fiquei horrorizada em saber que nesse período a África do Sul matou por enforcamento 7 presos por dia em um total de 164 pessoas em 2 anos. Sou contra a pena de morte, mas fiquei pensando que 7 prisioneiros por dia, não seria possível que 7 por dia teriam praticado crimes hediondos. E claro, a maioria que era enforcada era negra. Logo após esse julgamento e esse incidente diminuíram as mortes e quando Mandela foi presidente a pena de morte acabou. 

O advogado tenta mostrar que o rapaz não sabia o trabalho que ia executar, que não teve treinamento, nem tratamento, nem apoio psicológico. No primeiro dia de trabalho já levou um homem a execução e só aí descobriu o que ia fazer. Foi proibido de falar com as pessoas sobre o que fazia. No julgamento ele também não quer falar porque é a ordem que recebeu. Quando começa a falar, o oficial chefe dele vai ao julgamento para olhar intimidando-o. Cordeiros e Carrascos é um filme difícil, mostram várias execuções, vários 7 executados na forca, as consequências, os oficiais tendo que limpar a sujeira, lavar os mortos, colocar nus em caixões, levar para a cerimônia religiosa e ajudar a enterrar. Trabalho duro, desumano. Sem falar nos enforcados. Como podiam matar tanta gente por dia? O advogado não queria inocentar o rapaz, sim, ele matou 7 jogadores a queima roupa na rua, mas queria impedir que ele fosse condenado à morte. E sim, o advogado queria transformar o julgamento em uma reflexão profunda sobre a pena de morte. Todos estão incríveis, é um filme dificílimo de ver. Steve Coogan interpreta o advogado. Garion Dowds faz brilhantemente esse rapaz traumatizado. Ainda no elenco estão: Deon Lotz, Andrea Riseborough, Robert Robbs e Siya Mayola.

Beijos,
Pedrita

14 comentários:

  1. Não entendi muito o resumo.
    Mas sou totalmente a favor da pena de morte.

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    1. liliane, é um rapaz que está em julgamento por matar 7 jogadores. mas ele trabalhava no corredor da morte. sou terminantemente contra a pena de morte.

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  2. Gente, que filme!! Sabemos pouco da história da Africa do Sul. Acho que depois do Mandela que ficamos sabendo mais de lá. Esse filme é bem pesado! Mas gostei, gosto de filmes assim que nos ensinem mais sobre a cultura e história do local
    Beijos
    Adriana

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    1. adriana, realmente conhecemos pouco da história da áfrica do sul. eu leio alguns livros de pessoas desse país. mas não sabia desse horror da pena de morte com 7 executados por dia. não é possível que todos tivessem cometido crime hediondo. acho horrível em qq caso, mas banalizar uma prática, se igualando a deus e aos bandidos. nunca entendi. se prepara q o filme é dificílimo de ver.

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  3. Não aceito a pena de morte numa primeira perspectiva. Numa segunda aceito: Um adulto que abusa de uma criança, sei lá, com menos de 12 anos, não merece outra coisa que a pena de morte. E se for o pai dessa criança, duas vezes a pena de morte.
    .
    *Nós dois ... um só coração *
    .
    Votos de um dia feliz

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    1. gil, eu não aceito em hipótese alguma. na pena de morte brincamos de ser deus ou nos igualamos com os bandidos.

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  4. A história da África é uma história de horrores. O interessante é que aquela região tem clima e recursos naturais que se assemelham aos nossos, a ponto de haver teoria que diz que já fomos um dia um mesmo continente, que se desprendeu devido a algum acidente geológico. Sou contra a pena de morte e também contra as barbaridades que os homens fazem uns aos outros.

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    1. maryl, sempre me horrorizo. agora que os negros veem se rebelando dos absurdos q sofreram, os horrores continuam. tb sou terminantemente contra a pena de morte. não somos deuses pra decidir sobre a vida do outro.

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  5. Pedrita,
    A África não me transmite algo de bom e agora com esse filme fico mais chocada ainda.
    É tão triste saber que alguém está marcado para morrer, mesmo sendo um bandido. A prisão perpétua seria o melhor para todos os assassinos a pena de morte é cruel mesmo que seja para a pior pessoa do mundo.
    Vou ver se temo coragem para assistir esse filme.

    Beijos

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    1. andréa, o continente africano é enorme, mas são muitas histórias tristes. eu fico com pavor sempre do pouco que acabo conhecendo da áfrica do sul.

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  6. Olá Pedrita
    Mais um que não conhecia.
    E que filme difícil, assim como deve ter sido difíceis as interpretações.
    Não sabia de como eram julgados e condenados os réus na África do Sul.
    Quando estudei sobre o continente africano e especialmente esse país muitas atrocidades me surpreenderam de maneira negativa, mas sobre isso não estudei.
    Excelente sua resenha.
    Já anotei a indicação, quero assistir logo.
    Bjs Luli
    https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br

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    1. luli, foi difícil assistir. assustador como banalizaram a pena de morte. já é horrível se for muito pensada, imagine banalizada. "fácil" forma de se livrar de pessoas indesejáveis.

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Bons comentários!