terça-feira, 11 de outubro de 2016

Spotlight

Assisti Spotlight (2015) de Tom McCarthy no HBO On Demand. Eu queria muito ver esse filme quando esteve nos cinemas. Une dois temas do meu interesse, jornalismo investigativo e religião. Mas infelizmente não consegui ver. Fiquei impactada demais, me chocou muito mais. Mesmo eu sabendo da hipocrisia da igreja católica, não sabia a profundidade do tema. Spotlight é baseado em uma história real.

Spotlight é uma equipe investigativa de um jornal de Boston. Muda o chefe do jornal, ele pergunta pela Spotlight e é informado que essa equipe fica livremente fazendo pesquisa de temas que podem chegar às vezes há um ano de investigação. O chefe quer então que a equipe investigue uma coluna e uma matéria recentes sobre os crimes de pedofilia de padres.

Eles começam a investigar e descobrem que o problema é muito maior do que imaginavam. Um psiquiatra que estuda o tema diz a eles que o problema todo está no celibato. Que 43% dos padres transam e 6% são pedófilos. Eles fazem as contas, 6% daria 90 padres pedófilos em Boston, só em Boston. Eles vão checar essa informação e descobrem nos próprios livros de registros de padres, 87 pedófilos, já que os padres escrevem licença médica e outros códigos. É muito abuso. Já é um horror imaginar que em Boston 87 crianças foram abusadas, mas entender que 87 padres abusaram de várias crianças, é assustador demais. 
Antes de saberem desses números assustadores, eles descobrem que os padres só eram transferidos quando os crimes ocorrem. Que os crimes nunca chegaram a justiça. A igreja procura a família, às vezes até na polícia, oferece um acordo, silencia os abusados e afasta o padre. Muitas vezes só muda o padre de cidade, que vai cometar abusos em outra cidade. Em alguns casos dão tratamento em clínicas próprias por um pequeno período e novamente o padre segue para outra paróquia e consequentemente para novos abusos. Nunca esses casos iam a justiça.

Eu já sabia que os padres escolhem crianças de famílias pobres que são ajudadas pela igreja. Como as famílias dependem do auxiliam, aceitam se silenciar. É muito perverso. Enquanto investigam, o chefe do jornal diz que não podem fazer uma matéria acusando os padres, mas sim a instituição. Que precisam demorar mais, porque a matéria só terá efeito se atacar a conivência da igreja. Que não são só umas laranjas podres como a igreja alega. A igreja sempre alegou que é um ou outro caso isolado. Mas a matéria mostra que é uma estrutura toda de abuso e conivência. Eles demoram um pouco mais nas investigações e foi muito acertada essa decisão, porque ela saiu de Boston e invadiu o mundo. 87 pedófilos só em Boston não é um caso isolado. 
O filme também mostra o silêncio da imprensa. O jornal de Boston já tinha sido procurado por um grupo que protege as vítimas e por advogados, mas não achou a pauta relevante. O filme mostra o quanto cada um de nós é responsável pelo silêncio e conivência com esses horrores. Essa matéria fez com que as vítimas tivessem coragem de falar. Os telefones do jornal não param de tocar. A repercussão ganha o mundo e no final aparecem os países e cidades que tiveram denúncias de pedofilia. O Brasil aparece algumas vezes. Acho que deve ser um número muito maior.
O elenco todo é muito grande: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slaterry, Brian D´Arcy James, Stanley Tucci, Elena Wohl, Gene Amoroso, Doug Murray, Jamey Sheridan, Robert B. Kennedy e Billy Cudrup. A extensa matéria ganhou o mundo, mas o filme vem consolidar as denúncias. A visibilidade do filme ajuda na coibição da perpetuação das violências e do silêncio. Spotlight ganhou Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor no Festival de Veneza e inúmeros outros prêmios.
Beijos,
Pedrita

18 comentários:

  1. Oi, Pedrita,

    Este eu vi na época do lançamento e também fiquei impressionada. Não sei se você percebeu, mas depois dos créditos finais aparece uma lista de padre pedófilos, denunciados mundo a fora. Nela aparecem também padres brasileiros.

    Beijoca

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    1. marly, vi sim, no final, os lugares onde vítimas se manifestaram. no brasil mesmo acho que é muito mais do q mostraram. se formos pela teoria do psiquiatra.

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  2. É um ótimo filme que aborda uma história vergonhosa.

    Bjos

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  3. Sou louca para ver esse filme, esse final de semana mesmo o jornalista que fez parte dessa descoberta estava aqui no Brasil dando palestras sobre jornalismo investigativo e com isso me lembrei do filme e que não vi ainda. Boa dica.
    Beijos
    Adriana

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    1. adriana, é bem pesado e triste. mas fundamental para escancarar a vergonha da igreja.

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  4. Pedrita, eu assisti ao filme no cinema e fiquei muito horrorizada. Saí com o estômago embrulhado. Os casos dos abusos já são chocantes por si só, mas perceber como todo mundo acoberta os casos, deixa tudo muito pior. É nojento a proteção que dão para os padres abusadores com o intuito de preservar a instituição da Igreja Católica! Como os homens ditos de Deus podem fazer isso? Eu já era uma pessoa bem distante da Igreja Católica, sou batizada e tudo mais, depois deste filme fiquei bem mais. Papa Francisco mostra vontade de acabar com isso, mas ainda precisamos de ações mais enérgicas para acabar com esta podridão. Estes padres não podem continuar a acabar com a vida de tantas pessoas assim. Beijos

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    1. patry, tb fiquei horrorizada. eu sabia que alguns padres cometiam abusos. mas nunca imaginei tantos e com o silêncio da igreja que só os transferem pra eles fazerem novas vítimas. tb me incomodo demais com a cumplicidade de todos. esse padres tinham q ser exonerados. a igreja faz um escândalo com padre que namora adultos, mas esconde padre que abusa de criança. vergonhoso.

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  5. Assisti quando estreou e adorei! Um dos melhores do ano. Na mesma época vi o filme chileno O Clube que é ambientado justamente em uma casa no interior, onde os padres pedófilos ficam afastados da igreja.

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    1. bruxa, vou ver se assisto esse filme. pelo menos nesse os padres ficam afastados. em spotlight eles só mudam de paróquia. nojo.

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  6. Pedrita,
    Eu gosto de filmes baseados em fatos reais, são mais emocionantes. Ainda não assisti esse, mas pela resenha vale a pena.

    Quanto ao concerto, eu moro 15 minutos de carro da Igrejinha da Pampulha.
    Beijinhos, ótimo feriado!

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    1. andréa, esse é insuportável. ah, q bom que mora perto da pampulha. pelo jeito há apresentações lá de vez em qd.

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  7. Esse tema é bem explorado e geralmente as produções que o abordam são ótimas. Espero assisti-lo.

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    1. ruby, acho que não há filme que vá tão fundo. a investigação dessa equipe é fundamental para mostrar q não são casos isolados e como a igreja acoberta e ainda permite que continuem em outras paróquias.

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  8. Oláaa Pedrita!
    Estou loucaaa para assistir esse filme, está no topo da minha lista dos desejados.
    Gosto bastante de filmes que tratam do jornalismo investigativo e esse ganhou o Oscar!
    Adoro os atores Mark Ruffalo e Rachek Mc Adams!!
    É muito triste, chocante e revoltante pensar nesses números alarmantes e pior ainda imaginar que depois de descobertos são descritos como "pontual".
    E o silêncio???
    Como sempre arrasou na resenha!
    Bjs Luli

    Café com Leitura na Rede

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    1. luli, prepare-se, é muito indigesto. dá muito nojo a cumplicidade da igreja e o silêncio. tb gosto muito desses atores. o elenco é incrível. obrigada pelos elogios.

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  9. Gravei e já vi um bom pedaço.
    Estou gostando muito.
    Principalmente porque é baseado em fatos reais.
    Se as famílias por necessidade não denunciam, se aceitaram $$ para permanecerem caladas, deveriam ser punidas. Porque são tão criminosos quantos os religiosos.

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    1. liliane, os padres escolhem muito bem suas vítimas. são pessoas pobres que recebem auxílio da igreja e que acabam sendo manipuladas pelo silêncio. medonho.

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Bons comentários!