quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

São Bernardo

Terminei de ler São Bernardo (1934) de Graciliano Ramos. Há muitos anos eu tinha esse livro aqui, da Editora Record. Às vezes alguém oferece livros e eu escolho alguns, esse veio pra cá assim. Tanto que quem leu riscava com caneta, às vezes com três linhas, lápis, azul e verde, em cima de algumas letras. Nunca entendo como algumas pessoas podem destruir patrimônios como livros que tantos podem ler e usufruir. O que li é uma edição antiga, não dessa capa. E dava pra ler apesar dos maus tratos de quem leu anteriormente.

Obra Café (1934) de Cândido Portinari
Graciliano Ramos sempre escreve maravilhosamente, com seu estilo próprio, vocabulário próprio, lacunas, que vamos unindo ou não aos poucos, ou nossa imaginação tece os pontos. Nosso protagonista é Paulo Honório, que tem uma moral ou não-moral própria. Ele que narra a sua história, como ele vê os fatos e nós percebemos e completamos de forma totalmente diferente.

Obra Samba (1925) de Di Cavalcanti

Anotei alguns trechos de São Bernardo de Graciliano Ramos:

“Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho.”

“Essa conversa, é claro, não saiu de cabo como está no papel. Houve suspensões, repetições, mal-entendidos, incongruências, naturais quando a gente fala sem pensar que aquilo vai ser lido. Reproduzo o que julgo interessante. Suprimi diversas passagens, modifiquei outras. O discurso que atirei ao mocinho do rubi, por exemplo, foi mais enérgico e mais extenso que as linhas chochas que aqui estão. A parte referente à enxaqueca de d. Glória (e a enxaqueca ocupou, sem exagero, metade da viagem) virou fumaça. Cortei igualmente, na cópia, numerosas tolices ditas por mim e por d. Glória. Ficaram muitas, as que minhas luzes não alcançaram e as que me pareceram úteis. É o processo que adoto; extraio dos acontecimentos parcelas; o resto é bagaço.”

“Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Não consigo modificar-me, é o que mais me aflige.”
Música do post: Dorival Caymmi - Nem eu




Beijos,

Pedrita

9 comentários:

  1. oi pedrita, comecei a gostar de Graciliano Ramos, assim como Machado de Assis,
    José de Alencar e outros já adulto, pois me lembro que na escola éramos obrigados a lê-los,
    e tudo o que é imposto já viu ... bjs.

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  2. Pedrita, eu tenho trauma deste livro. Trauma mesmo. Tive que lê-lo no colégio e odiei. Foi um sacrifício chegar até a última página.

    Beijos

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  3. Li ainda para as aulas de literatura do ensino médio. Gostei do livro e do filme.
    Tenho vários livros comprados em sebo, que estão riscados. Em um deles, o infeliz que leu antes, teve o "trabalho" de sublinhar todos os palavrões.

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  4. Olá Pedrita!
    Embora tenha lida, já por diversas vezes, artigos sobre a vida e obra de Graciliano Ramos, ainda não li nenhum livro dele: mea culpa:)
    Beijinhos
    Rui Luís Lima

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  5. passei só pra desejar um 2009 bem feliz, cheio de motivos pra comemorar!!! beijão, erika

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  6. marcos e marion, acho que são bernardo não é um bom livro pra se ler na escola. no máximo no colegial. não acho que qualquer criança ou adolescente têm maturidade para compreendê-lo. infelizmente os professores não conseguem olhar os alunos e se sentirem na idade deles para ver que muitos textos não vão agradar e só vão atrapalhar o gosto pela leitura.

    ana maria, inacreditável.

    paula e rui, vcs vão gostar.

    erika, um ótimo 2009 pra vc tb.

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  7. Oi Pedrita, não sou fã de Graciliano Ramos, acho as obras dele muito triste... eu acabo sofrendo mais do que me distraio com seus livros...

    bjs

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  8. Ler Simone de Beauvoir.
    Ler mais uma vez Simone de Beauvoir. Mesmo eu, que conheço
    bem a sua obra, descubro sempre algo de novo. Fico sempre fascinada pela clareza do seu pensamento e pela audácia das suas visoes nos ensaios políticos, sobretudo em "O outro sexo".

    Pedita, diga-me o que leu da Simone de Beauvoir. Tenho imensa curiosidade. Obrigada!

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  9. Você iria odiar os livros do Nando... Ele risca também!
    Mas são bem conservadinhos. O que ele faz é marcar passagens importante e escrever comentários.

    Eu gosto disso, pois já que estou começando a ter o hábito da leitura, posso ver as explicações dele.

    E, nasci em São Bernardo XD. Mas nem conheço, só nasci... Minha mãe e meu pai são nordestinos, vieram naquela época em que dava pra sair da terra e tentar vida nova no sul. Trabalharam na fábrica da Brastemp e se conheceram lá :). Depois tiveram eu, e a gente voltou pro nordeste, indo morar em Pernambuco. Aí, depois de uns anos, vim pra Natal, onde moro desde os 4 anos XD.

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Bons comentários!