terça-feira, 11 de abril de 2017

Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento de Alice Munro

Terminei de ler Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento (2001) de Alice Munro da Coleção Grandes Nomes da Literatura da Folha de S.Paulo. Essa é outra autora que só passou a ter livros traduzidos no Brasil após ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. O mundo já tinha obras dela suficientes para avaliar e votar e o Brasil não tinha nenhuma obra dela traduzida. Fiquei muito feliz que a Folha colocou nessa coleção uma de suas obras. Foi difícil achar, os outros até sobravam, mas esse tive que procurar em algumas bancas e custava só R$ 19,90. E as capas são lindíssimas, amei essa.

Obra Mulher e o Varal de Roupas (1956-57) de Alex Colville

Gostei demais do texto de Alice Munro. Interessante que só para o Nobel que escreveu um romance, todos os outros são de contos, mas seus contos são tão completos, que até esquecemos que são contos. Tinha estranhado o nome do livro, achado infantil e é do primeiro conto e sim, é infantil. Era uma brincadeira entre duas meninas, elas iam na escola e ficavam falando essas palavras para saber o que cada um daqueles rapazes seria no futuro na vida delas. Eu fiquei fascinada com os detalhes. Os objetos são muito importantes nos textos de Alice Munro. Começa com uma mulher em uma estação de trem querendo embarcar móveis. Aos poucos vamos conhecendo um fragmento da vida dela. Incrível como na loja de roupas acabamos sabendo muito dela só com a conversa da vendedora. Ficamos sabendo que ela só ia em lojas de departamentos, que ia casar, que suas roupas eram simples, que tinha uma certa beleza, mas nada muito chamativa. Eu amei esse primeiro conto. O meu preferido.

Obra Borboletas e Amor Perfeito de Helen Lucas

Há algumas histórias bem tristes. Um é de um professor de escola pública. Ele começa a ser pressionado pelos pais a falar de religião nas aulas. O diretor apoia o professor e eles relutam o quanto podem. Os pais alegam que não é justo o filhos não ouvirem falar de religião nas aulas porque os pais não podem pagar escolas religiosas pra eles. Ele morre e sua companheira tem uma dificuldade enorme de fazer a vontade dele que era cremar sem cerimônias. A mulher do crematório diz que não sabe o que fazer nesses casos, porque nunca teve alguém que pediu, nem tem orientações de como não fazer. E fica forçando a viúva a aceitar algumas das opções existentes, todas com cerimônias. Outra história é a irmã que vai visitar sua irmã que casou. São contos riquíssimos em detalhes, com tantos objetos, roupas, móveis, comidas, cartas, bilhetes. que trazem toda a atmosfera de cada trama.

Os pintores são canadenses como a escritora.

Beijos,
Pedrita

14 comentários:

  1. Este livro em concreto não li, nem sei se do livro de seleções de contos dela ainda anterior ao Nobel algum destes esteja nessa coletânea.
    Gosto muito da forma genial como esta minha conterrânea (partilhamos até a mesma zona natal, o Sudoeste de Ontário) mostra o dia a dia de pessoas comuns, muitas vezes mulheres, com os seus receios, anseios, descobertas, frustrações e sentimentos, elevando a herói gente que poderia ser o anónimo com quem nos cruzamos na rua sem o mesmo ter feito nada de excecional. Gente comum também é protagonista e nisto não conheço quem faça tão bem como Munro.

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    1. carlos, realmente os personagens podem ser um vizinho, um primo. sempre pessoas comuns.

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  2. Não conhecia e o nome é mesmo bem interessante e diferente.
    O que achei lindo foi essa pintura da mulher e o varal de roupas.

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    1. liliane, acho q vc ia gostar muito do livro. eu amei esse pintor.

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  3. Já li um livro da Alice Munro e amei os contos dela, como vc mesmo mencionou os contos dela nem parecem contos! São tão completos mesmo. E olha que não sou fã de contos mas os dela adorei. Esse livro não conhecia, acho que por aqui não tem ainda essa coleção. Vou até procurar!
    Beijos
    Adriana

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    1. adriana, tb não sou fã de contos tenho crise de abstinência.

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  4. E não tinha conhecimento dessa coleção lançada pela Folha, vou me informar a respeito, rsrs.

    Beijoca

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    1. marly, é incrível. além de linda são ótimos títulos.

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  5. Olá, Pedrita!
    Muito interessante, vir ao seu blog é sempre um aprendizado a mais!

    Beijinhos

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  6. Nunca tinha ouvido falar sobre essa autora.
    Big Beijos,
    Lulu
    BLOG | CANAL

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    1. lulu, eu só ouvi depois dela ganhar nobel.

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  7. Oláááááá Pedrita
    Oooowwwwnnnn não conheço a autora nem o livro.
    Fiquei encantada com sua resenha <3
    Penso que um livro de contos ou crônicas de um mesmo autor é um verdadeiro acervo, um presente que não acaba, quando gostamos da escrita do autor.
    Amei a capa <3 siiiiiiiiim sou dessas que se encanta com capas e essa parece uma pintura em tela!
    E sobre os detalhes, as minúcias, a riqueza que nos apresenta os personagens em seu cotidiano e suas vidas parece tão real, que quase podemos tocá-los.
    Ameeeei e vai para a lista dos desejados, no topo!
    Bjs Luli
    Café com Leitura na Rede

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    1. luli, o livro é encantador realmente. acho q vc iria gostar muito por falar muito de cotidiano. tb amei a capa. a cor, as imagens borradas.

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Bons comentários!