O filme começa com o parto. São cenas sem cortes, acompanhando todo esse processo. Que filmagem. O casal é muito carinhoso, muito unido. Eles resolveram ter a filha em casa com uma parteira que está em outro parto e envia outra parteira. Mas eles continuam tranquilos. Eu conhecia documentários de parteiras, aquelas do passado muito comuns no Brasil, mas essa parteira é muito diferente. É bem tecnológica. Logo que ela chega ela mede com um aparelho o coração do bebê, está tudo correndo muito bem. Ela verifica a dilatação, que as parteiras comuns também fazem, e está tudo bem também. Está perto do nascimento, eles vão ao quarto. E lá tudo começa a desandar. Os batimentos da criança estão fracos, ela pede pro pai da criança chamar uma ambulância para ir ao hospital, mas continua pedindo ajuda da mãe para tentar ter a criança que está quase saindo e é o que acontece. A criança chora, muita emoção, até que a criança tem um problema e o filme segue para o futuro.
É dilacerante como essa mãe começa a sofrer inúmeras violências. Sua mãe, pela maravilhosa Ellen Burstyn, cisma que a filha só vai superar o trauma se elas processarem a parteira de Molly Parker. A filha não quer, mas a mãe vai articulando todos em volta da filha para pressioná-la. E pior, as pessoas aceitam a incumbência de pressionar uma mãe que acabou de parir e teve a filha morta em seguida. Ela ainda está com leite, sangramento, com o corpo ainda sem voltar ao normal, sem o bebê nos braços e ainda tendo que lidar com essas violências. Ela decidiu lidar em silêncio com sua dor, meio que fugindo de tudo e não é respeitada em sua escolha. Em um determinado momento do filme, mãe e filha tem um embate, e há um monólogo belíssimo da avó contando sua história e apesar de ser violento o que ela está fazendo com a filha, conseguimos entender um pouco a necessidade da avó de processar a parteira. E eu não achei que a parteira errou. Acho muito corajoso mulheres que querem ter seus filhos em casa, porque se algo não dá certo, tempo é fundamental e eu morreria de medo de tudo desandar. Chamar ambulância, ir até o hospital pode ser inviável. E infelizmente acontecem tragédias em gestações. É pouco, mas às vezes dá errado e talvez mesmo em um hospital, perto de uma sala de parto, UTI, o desfecho seria o mesmo.
O que não dá pra entender é o marido de Shia LaBeouf. Ele compra o desejo da sogra no processo não porque está com raiva da parteira, mas sim porque percebe que vai poder ganhar muito dinheiro ganhando a causa. Pode ser que o casal tenha vivido muito bem se a filha nascesse bem, que ele fosse um ótimo pai e eles viveriam muito felizes, mas a questão do pai é mau caráter, e aí não há argumentação. Ele parece ser um eterno fracassado, tinha um sub emprego. E a vida melhor que eles tinham era pelo trabalho dela e pelo dinheiro da família dela. Mas como disse, com tudo estabilizado, nascimento da filha, pode ser que eles tivessem continuado muito felizes. Li uma crítica onde a autora dizia que tragédias separam casais. Depende. Já vi as duas opções. Pode unir mais ou separar. Há casais que ficam muito mais unidos após grandes tristezas, o que não aconteceu com eles dois. Mas sinceramente, eu acho que foi um livramento ela, porque fico imaginando a falta de valores que ensinaria a filha. Achei muito bonito o final. A mãe consegue renascer e reconstruir a sua vida. A cena na macieira é emocionante. Fiquei feliz por ela. Nem toda pessoa que passa por uma tragédia como essa consegue seguir em frente plenamente, mesmo que tenha muita ajuda de profissionais.
Beijos,
Pedrita






Boa tarde Pedrita. Uma excelente quinta-feira. Obrigado pela dica de filme. Continuo somente na literatura. Grande abraço do seu amigo carioca.
ResponderExcluirluiz, é ótimo.
ExcluirFaz tempo que vi esse filme.
ResponderExcluirGosto demais dessa atriz. Linda, elegante, poderosa.
Beijo,
liliane, é ótimo. ela é maravilhosa.
ExcluirPedrita depois de ler aqui sobre o filme fiquei curiosa pra assistir, desejo uma feliz quinta-feira bjs.
ResponderExcluirlucimar, é ótimo, mas forte.
ExcluirLi alguma coisa sobre esse filme, já faz um tempo, agora não me recordo onde. As tribulações costumam mesmo desestruturar a maioria dos casamentos. Há estatísticas sobre isso. Mas, obviamente, há casais que saem fortalecidos das provações. Outro dia vi uma foto do Shia LaBeouf com a Mia Goth. Parece que eles têm um casamento cheio de idas e vindas, há anos.
ResponderExcluirBeijo
marly, pelas indicações ao oscar quis ver, mas estava receosa. sim, ou o casal se une mais ainda ou se separa. tudo sempre muda completamente como antes e depois. belo casal.
ExcluirOlá! Não conhecia o filme, mas gostaria de assistir, obrigada pela recomendação ❤️
ResponderExcluircarolina, é ótimo.
ExcluirI love ❤️ Ellen Burstyn. Thank you for sharing this.
ResponderExcluirlinda, é maravilhosa mesmo. q talento.
ExcluirAaaaaaaaaaaaaa esse filme é muito bom!
ResponderExcluirO roteiro, as atuações, a narrativa, as sequências, tudo foi milimetricamente colocado em cena.
A atuação da Vanessa Kirby é sensacional e o final confesso me surpreendeu, achei muito bom❤️ a cena na macieira foi magnífica.
luli, é um filme tecnicamente muito bem realizado e sim, a cena da maceira é um esplendor. revela pouco e ao menos tempo revela tudo.
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