segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Guerra Não Tem Rosto de Mulher

Terminei de ler A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (2016) de Svetlana Aleksiévitch da Companhia das Letras. Mais uma autora que só teve obras traduzidas no Brasil depois de ganhar Prêmio Nobel. O mundo já tinha acesso às suas obras para poder votar e nós não tínhamos um único título para conhecer. Comprei esse livro na Feira do Livro da USP com 50% de desconto. Essa capa de Daniel Trench é linda.

Atiradoras do Exército Vermelho (08 de janeiro de 1943 - Foto de P. Bernstien

Svetlana acabou vindo a Flip. Com as publicações dos livros foram muitas matérias e entrevistas. E no início do livro também a autora fala que as bibliotecas  ucranianas estavam repletas de livros e filmes de guerra. Que era e é um assunto recorrente na Ucrânia. Como países vivem realidades tão diferentes da nossa. O Brasil tem muita violência urbana, mas nossas bibliotecas não estão repletas de livros sobre o tema. Então a jornalista resolveu entrevistar mulheres que tinham participado da Segunda Guerra Mundial. Não tinham mais homens para ir a guerra e as mulheres foram convocadas. As adolescentes sonhavam em lutar na guerra. O patriotismo era muito forte, mas também a violência nazista as impulsionavam. Fizeram o que podiam e o que não podiam para serem convocadas ou irem ao campo de batalha mesmo sendo menores de idade. Forjavam identidades, se infiltravam. Foram franco atiradoras, pilotos, tanquistas e claro, enfermeiras, médicas, comunicadoras e escrivãs. Ao final de cada relato há o nome e a função de cada entrevistada. Algumas não queriam o nome completo por motivos variados. Porque seus filhos não sabiam que tinham matado tantas pessoas, porque não falavam disso em casa. Boa parte vivia sem falar no passado, deixando escondido.
Lyudmila Pavlichenko

A Ucrânia sofria com a fome. Uma sobreviveu comendo estrume de cavalo. Muitos morreram de fome. Várias tinham graves problemas nos pés, perdiam pedaços, os pés congelavam porque não haviam coturnos para elas. Svetlana conta que em muitas casas eram os maridos que queriam ser entrevistados, só eles poderiam falar da vitória e mandavam suas mulheres para a cozinha. Poucas militares casaram. A maioria vive com dificuldade em alojamentos coletivos sozinhas. Os homens não queriam casar com mulheres que tinham sido militares. Não queriam casar com mulheres que poderiam mandar neles. 

Natalia Kovshova

Svetlana teve dificuldade de encontrar uma editora que publicasse o livro. Diziam que era muito triste e que as pessoas não iam querer saber de tanta tragédia. Só anos depois é que ela conseguiu. Os relatos dilaceram, são trágicos, deprimentes, violentos. Algumas desiludidas, outras orgulhosas, outras passando dificuldades. E a solidão!

A Adriana Balreira também fez uma resenha desse livro aqui.

Beijos,
Pedrita

18 comentários:

  1. Oii Pedrita tudo bem??
    Parece ser uma ótima leitura..tipo aqueles livros que te prendo do inicio ao fim!
    Gostei da sua dica!
    Ótima semana ❥

    Beijinhosss ;*
    Blog Resenhas da Pâm

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    1. pamela, foi uma leitura difícil já que a vida de cada uma delas é muito trágica.

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  2. Não sei se me interessaria. Pelo menos enquanto não ler tudo que já tenho.

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  3. Detestei esse livro! No livro do Vassily Grossman a narrativa sobre mulheres que lutaram junto com homens na segunda guerra mundial tem outro retrato bem diferente desta anti russa!

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    1. fatima, a realidade da vida delas incomoda.

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  4. Olá Pedrita
    em Portugal foram editados 4 livros traduzidos, após o Nobel. Ainda este ano foi lançado O Homem Soviético mas, ao que parece, não tem tido muito sucesso.
    Este livro, pelo que dizes é muito pesado!
    Beijinhos

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    1. manuel, é fundamental pela importância histórica, mas não é um livro fácil de ler. aqui vão muito bem em vendas.

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  5. Olá, Pedrita.

    Quero ler este livro e outros da Svetlana Aleksiévitch, de quem ainda não li nada. Este livro tem impressionado e até chocado muitas pessoas, por isso estou dando um tempo antes de me atirar nele, rsrs.

    Beijoca

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    1. marly, é bem pesado. mas aconteceu realmente, não dá pra virar as costas pra esses relatos.

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  6. Olá Pedrita,
    Confesso que não gosto muito dessa temática guerra porque me deixa triste.
    Big Beijos,
    Lulu
    BLOG | YOU TUBE

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    1. lulu, eu não tinha ideia que as mulheres tinham lutados em posições como tanquistas, franco atiradoras, linha de frente. é muito impressionante.

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  7. Hello, Pedrita!
    Mulheres na guerra deve ter sido terrível. Grandes guerreiras!
    Um livro interessante e forte!

    Beijinhos ♥

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    1. andréa, acho guerra algo tão insano. saber que mulheres lutaram me incomoda profundamente.

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  8. Olááá Pedrita
    A narrativa da autora é bem interessante porque é jornalístico-histórico e bem detalhado. Dela li As vozes de Tchernóbil (ou Chernobyl) e foi muito impactante.
    Deve ser muito triste e mesmo impressionante pensar em mulheres na guerra com tantas dificuldades (fome, frio, longe da família, e em condições absolutamente adversas)e ainda assim patriotas, mentindo até a idade para poderem lutar no front.
    E mais triste ainda pensar que muitas não falam sobre isso, que seus maridos não permitem que falem ,outras até vivem em comunidades e todas de certa maneira se sentem solitárias.
    Vou colocar na minha lista de leitura.
    Bjs Luli
    Café com Leitura na Rede

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    1. luli, infelizmente poucas casam. os homens não querem mulheres que foram militares. ficam em abrigos passando privações. nada justo. realmente o estilo é jornalismo-histórico. o q mais gostei. cada um tem uma opinião.

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  9. Dela li O fim do homem sovietico, muitos testemunhos magnificamente trabalhados, mas cim cenas fortes de horror.

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    1. carlos, eu gostei muito. gosto de livros jornalísticos. e são depoimentos muito diferentes. com impressões muito diferentes.

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Bons comentários!