segunda-feira, 14 de abril de 2014

Nacionalismos e Vanguardas: Variações em torno de 1964

Assisti ao espetáculo Nacionalismos e Vanguardas: Variações em torno de 1964 com o Núcleo Hespérides - Música das Américas no Centro Cultural São Paulo. Esse espetáculo integrou a programação sobre os 50 anos do Golpe Militar e teve a estreia mundial da obra do compositor brasileiro Paulo C. Chagas,  A Geladeira. Impressionante essa obra. Paulo C. Chagas vive atualmente nos Estados Unidos e esteve no Brasil especialmente para esse estreia. Ele também interpreta já que é uma música com fotos em filmagem e intervenções eletrônicas. A Geladeira é fruto da horrível experiência de Paulo C. Chagas, quando tinha 17 anos e foi torturado na ditadura. Detalhes do que ocorreu ele contou em uma entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo. É angustiante o relato. Como muitos torturados, ele travou e se silenciou. Recentemente quebrou o silêncio após o pedido para que fizesse essa obra impactante.
Paulo C. Chagas é o da esquerda da foto.
Sob regência de Ricardo Bologna, interpretaram A Geladeira: a pianista Rosana Civile, os cantores Maria Lúcia Waldow e Ademir Costa. A violinista Eliane Tokeshi. A violoncelista Ji Yom Shim, o viola Ricardo Kubala e o percussionista Joaquim Abreu.
Cenas de A Geladeira
Introdução: a escuridão da inconsciência
A eletricidade: máquina de meter medo
Os ruídos: imersão nas vibrações caóticas
O frio: sopro da morte
A culpa: testemunhando a tortura de um ser amado
A dor: sentimento de finitude
As formas de tortura: a tortura invisível

A paz: música que vive não-cantada

Na primeira parte estavam obras dos compositores brasileiros envolvidos nos Manifestos Musicais de 1944 a 1966. Participaram dessa primeira parte Adélia Issa (soprano), Maria Lúcia Waldow (meio-soprano), Ademir Costa (barítono), Eliane Tokeshi (violino), Ji Yom Shim (violoncelo), Ricardo Kubala (viola), Rosana Civile (piano).

Programa da primeira parte:
Camargo Guarnieri (1907-1993)
Ponteio e dança, para violoncelo e piano (1946)


Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005)

Cantos de Kulka, para soprano e piano (1964)


César Guerra-Peixe (1914-1993)

Ê-Boi!,  para canto e piano (1958)

Duo, para violino e viola (1946)


Eunice Katunda (1915-1990)

Duas cantigas das águas, para canto e piano (1957)

    Em louvor de Oxum

    Em louvor de Yemanjá


Edino Krieger (1928)

Canção do violeiro, para canto e piano (1956)


Cláudio Santoro (1919-1989)

Adagio, para viola e piano (1946/1965)

Meu destino, para canto e piano (1958)


Gilberto Mendes (1922)

Lamento, para canto e piano (1956)


Ernst Widmer (1927-1990)

Massacre, op. 32 nº 6, para voz grave e piano (1964)


Beijos,
Pedrita

3 comentários:

  1. Deve ter sido super interessante esse espetáculo.
    big beijos

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  2. Acredito q com o frio nada melhor q programas culturais....bjos

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    1. ana, no dia dessa apresentação estava um grande calor.

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Bons comentários!