terça-feira, 4 de julho de 2017

A Feiticeira de Jules Michelet

Terminei de ler A Feiticeira (1862) de Jules Michelet do Círculo do Livro. Em 2008 eu li Michelet de Roland Barthes (1915-1980), que comentei aqui, onde o autor fala sobre esse historiador Jules Michelet (1798-1874) e do obscurantismo da Idade Média. Não são fáceis de achar os livros de Jules Michelet. Já estiveram na moda no Brasil, já circularam bastante, mas praticamente desapareceram. Uma pena, porque são incríveis essas obras. Não gostei dessa capa, nem da atual.

A Virgem e a Criança Empossada de Jean Fouquet

Jules Michelet fala da condição da mulher na Idade Média. Começa mencionando o período dos deuses onde as mulheres estudavam, eram cientistas, físicas, astrônomas. Para o período obscuro da Idade Média onde as virgens passam a ser veneradas, as mulheres comuns, mães e esposas, são obrigadas a serem frias e irmãs de seus esposos.

Obra A Virgem por Petrus Christus

Foi na Idade Média que instituiu-se o celibato. Os conventos passaram a ser ao lado dos padres que escolhiam freiras para si. Aconteciam então uma infinidade de abortos. Da mesma igreja que hoje condena com tanta veemência a prática. Michelet relata a história da bela jovem Cadière que passou a ser auxiliar de um jesuíta. Ela sofria dos nervos e foi morta, não queimada, mas enforcada. Ela era a culpada de todos os males que sofria e dos outros. Inclusive foi enforcada grávida. O jesuíta tinha um séquito de adoradoras, várias grávidas, que depuseram contra a pobre moça que segundo eles estaria com o demônio no corpo. Michelet fala da proteção que os jesuítas tinham. A Feiticeira é um livro muito contundente. Tudo de ruim que acontecia vinha da mulher que era possuída pelos demônios. 

Beijos,
Pedrita

14 comentários:

  1. Os Hare Khrsna continuam a pensar assim. Que tudo de ruim vem do poder feminino. Das mulheres.

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    1. fatima, várias religiões ainda pregam a obediência da mulher aos desejos do homem, para não contrariá-lo.

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  2. Olá Pedrita,
    Que livro interessante.
    big beijos

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  3. Eu conhecia esses fatos. Mas não através desse autor, vou procurar os livros dele!

    Beijoca

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    1. marly, eu tb, mas a pesquisa do michelet é surpreendente. com uma profundidade assustadora.

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  4. Olá, Pedrita!
    Muitas mulheres morriam queimadas por serem julgadas feiticeiras, as religiões não as perdoavam.
    O fanatismo religioso ainda existe, muitos só sabem julgar.
    Esse livro é muito interessante!

    Beijinhos

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    1. andréa, e tb era conveniente mandar queimar quem podia condenar abusos.

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  5. oi ,esses livros com certeza revelam a podridão que era antes ,claro livros importantes como estes ,eles logo dão um jeito de desaparecem com eles ,eu amei ver esta postagem ,vou procurar por aqui onde moro ,vai que dou sorte ainda .bjs

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    1. acho que as religiões continuam praticando podridões e enganando com falsa expulsão de demônios, em geral sempre em mulheres, pra arrecadar mais.

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  6. Olááááááá Pedrita
    Li esse livro para trabalho faz alguns anos, fiquei impressionada com a hipocrisia da aliança igreja-política.
    Acho que uma das coisas que mais chocantes foi que as moças que se casavam tinham que ter a primeira noite com os senhores feudais, massssssss se os maridos pagassem uma espécie de imposto para o rei e para a igreja então poderiam resgatar as noivas :/
    E claro as "feiticeiras" mulheres guerreiras transgressoras eram a medicina da época já que empregavam seus conhecimentos de botânica, física e química para curarem pessoas e eram chamadas de "bruxas"
    Ah e sem falar dos famosos corredores entre monastérios e conventos :/
    E as maldades que os homens praticavam em nome de evitar o mal apregoado.
    Triste realidade a do obscurantismo medieval :/
    Excelente resenha que capta muitíssimo bem a essência da obra.
    Bjs Luli

    Café com Leitura na Rede

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    1. luli, arrepia. no do roland barthes já tinha ficado indignada. realmente essa questão das moças aconteciam com os escravos no brasil tb. e as feiticeiras podiam ser qq uma. bastava incomodarem alguém. como no caso dessa q a gravidez era a prova do abuso. matar resolvia. sumia tudo. muito triste. e atualmente esse obscurantismo de muitas religiões atuais me apavoram muito tb. se soubessem mais história iam perceber as manipulações e maldades.

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  7. Não é leitura que me interesse.
    Mas sua resenha e a da Luli estão ótimas.
    Dá uma visão boa do que é a leitura.

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    1. liliane, eu me interessei depois do livro do roland barthes.

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Bons comentários!