segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O Sal da Terra

Assisti ao documentário O Sal da Terra (2014) de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado na GNT. É sobre o trabalho e trajetória do maravilhoso fotógrafo Sebastião Salgado. Um dos melhores filmes que já vi na vida. Primeiro porque esse fotógrafo é maravilhoso, segundo porque redimensiona nossa vida e nossos problemas e terceiro porque é incrivelmente bem realizado. Espero sinceramente que ganhe o Oscar. Eu já tinha vontade de ver, mas meus tios reforçaram a vontade. Minha tia tem indicado esse filme pra todo mundo que ela conhece, faço o mesmo. Fundamental para entendermos um pouco do mundo que vivemos e sobre o que fazemos com ele. Eu perdi quando estreou no canal, agora está disponível no Now, por enquanto.

Esses países que ficam enviando imigrantes de volta deviam ver urgentemente esse documentário. Eu já tinha visto imagens de crianças na Etiópia que há décadas vivem no mais absurdo abandono. Os governantes ainda impedem a chegada dos alimentos e ainda há crianças morrendo de inanição. 

Eu não tinha ideia que o Sebastião Salgado não pensou em ser fotógrafo inicialmente. Sempre achei que esse gênio nasceu já fotografando o parto. Foi uma surpresa saber que ele foi um péssimo aluno na escola, que fazia economia casou com uma arquiteta, foram para a França e lá ela comprou pra ela uma máquina de fotografar para a faculdade e o Sebastião Salgado que vivia com a câmera. Depois de um tempo a esposa levava as fotos para agências, jornais e com o dinheiro ele comprou um equipamento excelente e passou a viajar fotografando. Essa foto de Serra Pelada que impactou Wim Wenders e colocou o cineasta em contato com a obra desse fotógrafo.

O documentário coloca o filho, Juliano Ribeiro Salgado narrando sobre as longas ausências do pai, mas que via o pai como um aventureiro. E que ficou muito emocionado quando mais velho pode acompanhar o pai. O filho se tornou cineasta e as primeiras imagens do trabalho do pai foi ele que realizou.

Sebastião Salgado foi várias vezes a África. No último que acompanha uma caminhada exaustiva de um povo e são obrigados a voltar, já debilitados, em pele e osso, Sebastião Salgado tem um esvaziamento de vida, claramente entra em depressão. Volta com a mulher, Lélia Wanick Salgado, ao Brasil para ver o pai doente, o pai era fazendeiro em Minas Gerais. A terra não era mais produtiva, só areia. A esposa vendo o estado do marido, tem a incrível ideia de transformar a fazenda em uma mata. Eles começam a trazer mudas de plantas da Mata Atlântica, milhares, hoje são milhões de árvores, já voltaram algumas nascentes, pássaros, onça. Incrível a harmonia e união dessa família, o quanto eles todos juntos constroem tanto, criam tanto pelo mundo e pelo Brasil. É aí que ele resolve fazer o ensaio Gênesis, fotografando animais, lugares, como ele diz, um agradecimento a beleza da natureza e do Planeta.

E é incrível como o documentário dimensiona. Nesse dia eu estava no supermercado e uma mãe agoniada o que ia fazer para os filhos comerem porque eles reclamavam de tudo e na hora eu disse: "mas com tanta fome no mundo?". Logo depois vi o documentário e meu pensamento reforçou. Como permitem que pessoas critiquem comida? O alimento feito com amor? Também eu fiquei pensando o quanto sou abençoada e tenho uma vida boa. Fundamental esse documentário para pensarmos o que podemos fazer pelo planeta, pelo país e por nós mesmos.




Beijos,
Pedrita

16 comentários:

  1. Dica maravilhosa amo documentário ótima postagem,
    tenha uma semana abençoada.
    Vídeo Novo:https://www.youtube.com/watch?v=QTTJlojHXF8
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/

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    1. nequéren, é imprescindível esse documentário. ou pelo menos as fotos do sebastião salgado.

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  2. Sebastião Salgado é um cineasta muito admirado em Portugal no seu género de trabalho.

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  3. Parece ser um documentário bem forte e coerente. Vou querer assisti-lo, sem dúvidas.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do top comentarista de dezembro. Serão dois vencedores!

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    1. a vida do sebastião salgado é incrível, o trabalho fotográfico já conhecia e admirava.

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  4. Eu vi no cinema, Pedrita. E fico pensando em como a gente passa a vida reclamando e não arregaça as mangas e começa afazer alguma coisa pela Natureza que está sendo esmagada, comida por nós mesmos! Isso de reflorestar é uma das coisas mais lindas do filme. Mas também a historia dele na Africa é para a gente meditar, muito. Boa maneira de fazer a resenha, como sempre você arrasa!

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    1. fatima, que inveja, eu queria ter visto nos cinemas. tenho verdadeira admiração pelo trabalho do sebastião salgado. é, não só pela natureza, como somos intolerantes com o próximo. obrigada.

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  5. Oi, Pedrita,

    Estou querendo ver este filme desde que li as primeiras matérias sobre ele, agora fiquei ainda com mais vontade de vê-lo, rsrs.

    Beijo, boa tarde e boa semana

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    1. marly, eu estava igualmente curiosa, até tentei ver nos cinemas.

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  6. Olá, Pedrita!
    Ainda não assisti, obrigada pela dica, vai p/ a minha lista e
    com certeza assistirei!

    Bjs, ótima semana! ♥

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    1. jura mesmo? fico abismada. sebastião salgado é um dos maiores fotógrafos brasileiros, premiado no mundo todo.

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  8. Não gosto das fotografias de Sebastião Salgado. Ou melhor, o tema recorrente de miséria que ele fotógrafa, não faz meu estilo.
    Mas assisti o documentário e gostei muito.
    Até comentei no Facebook, que a destruição do Rio Doce, deve te-lo arrazado

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    1. liliane, as fotos do salgado são impactantes. ele deve ter ficado arrasado com o crime ambiental da barragem.

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Bons comentários!