sábado, 9 de abril de 2016

Jovem e Bela

Assisti Jovem e Bela (2014) de François Ozon no Max. Eu gosto muito desse diretor e coloquei para gravar. Inicialmente estava com pré-conceito. Uma jovem de 17 anos tem a sua primeira vez em uma viagem de verão. Fria, ela quer resolver logo a questão. Quando volta com a mãe, o padrasto e o irmão para a cidade que vive, passa a se prostituir. Ela mente a idade e diz a idade que a atriz tinha quando fez o filme, 23 anos, e é interpretada pela jovem e bela Marine Vacth.

Essa jovem garota parece fria. Meu pré-conceito foi o contexto, achava estranho que uma jovem de uma família em harmonia tivesse esse comportamento agressivo. Mas esse diretor é tão incrível que acabamos nos rendendo ao filme, o roteiro é muito bem realizado. Ela parece se prostituir como o jovem que anda com o carro em alta velocidade, como o que experimenta drogas, como o que bebe além do limite, para transgredir, arriscar. Gostei que a profissão não foi glamourizada, nem sempre ela se dá bem, mas mesmo assim ela não pára, e não parece gostar. Sempre fria.

Vou falar detalhes do filme: A família descobre por um mero acaso. Um dos clientes da filha morre durante o ato. Claro, ela foge, mas a polícia descobre. A mãe fica irada, briga muito. Eu até entendo que em um primeiro momento deve ser revoltante. Uma mãe não imagina que uma filha menor de idade esteja se prostituindo. A polícia exige que a menina faça terapia. A mãe proíbe computador e celular por um tempo. A família não era altamente conservadora, não era disfuncional, tinham bastante diálogo. É estranho a mãe continuar revoltada depois que a raiva passa. A incompreensão da mãe incomoda. Ozon coloca muito bem o preconceito a prostituição. A mãe e a amiga da mãe começam a recear que a garota venha assediar seus maridos, como se a garota não pudesse fazer antes. Incrível como o autor coloca o preconceito nessa profissão tão milenar e estranho que eu tenha visto agora quando a França endurece severamente com a prostituição que é legalizada na França. No Brasil muitos pais são condescendentes com o álcool na adolescência, mas imagino que seriam muito ferozes se fosse prostituição. Como se um comportamento fosse pior que o outro.
Somente um cliente essa jovem parece ter alguma ternura, algum afeto, exatamente o que morre. Só quando ela desabafa com o psicólogo é que conseguimos entender um pouco os sentimentos que a moveram a prostituição. Ela gostava da adrenalina do marcar o encontro. Receber a ligação no celular, cobrar, escolher o hotel, dos riscos de ir até onde foi marcado. Durante o ato ela não ligava mais. 


Incrível como a única pessoa que parece realmente compreendê-la é a esposa desse homem que aparece no final. Parece ser a única que realmente entende o que a jovem fazia. Essa mulher diz que no começo se incomodou com o fato do marido ter encontros com outras mulheres, mas que viu que ele era assim e passou a aceitar. É a única pessoa no filme que não culpa a jovem e não responsabiliza a jovem pelo interesse dos homens. São lindos os momentos finais. Esse diretor adora lacunas, adora deixar ao público as interpretações, mesmo assim são várias. Antes do filme começar há uma breve entrevista com François Ozon e ele diz isso, que conversando com quem viu o filme, percebe que cada um teve uma interpretação, essa é a grande mágica do filme. Inicialmente percebemos que a morte a traumatizou e ela não vai mais se prostituir, mas passado um tempo, ficamos na dúvida, ela reativa o número do celular dos encontros e vemos ela se animar com o excesso de chamadas. São poucos momentos que essa jovem ri, gosta do que faz, e esse é um desses poucos momentos. Fiquei na dúvida se ela iria conseguir abandonar essa sensação de prazer, já que parece não ter prazer com quase nada. O filme também mostra a discrepância do que ela ganhava com o que poderia ganhar em outra profissão. Ela ganhava 300 euros, depois 500 euros. Quando ela vai trabalhar de babá, por uma noite inteira, ganha 50 euros, ela até brinca com isso. Claro que ela só ganhava muito por ser muito jovem, com o tempo e com a idade a mulher vai se desvalorizando. Esse cliente mais fixo é interpretado por Johan Leysen. A esposa dele é interpretada pela belíssima Charlotte Rampling. É incrível a semelhança dela com a jovem. Parece que o marido buscava a imagem da esposa que conheceu na juventude na garota. A mãe é interpretada pela Geraldine Pailhas. O padrasto por Frédéric Pierrot. O irmão da jovem por Fatin Ravat.


Beijos,
Pedrita

9 comentários:

  1. Não sou nem um pouco condescendente com prostituição, com uso de qualquer droga.
    E não acredito em psiquiatria, em "psicólicos e "psicólicas".
    No final do tratamento, se é que eles acham que termina, esses sempre encontram desculpas para o erro.
    Veja o assassinos psicopatas soltos com laudos.
    Quem acredita fique nessa turma e quem acredita fique com suas crenças. Mas respeite e minha.
    O filme parece ser uma história de prostituta, menor de idade.

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    1. liliane, eu acho que cada um faz com o corpo o que quer. e gostei da polícia exigir a terapia. acho que terapia é muito bom, desde que o paciente queira se ajudar, claro. mas psiquiatria e psicologia não serve para psicopatas que nao acham que tem problemas, q não sofrem, não tem compaixão. com psicopatas não há o que fazer. acho q vc não ia gostar.

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  2. E o filme era francês, certamente, eu não ia gostar.

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  3. Tenho curiosidade, li em alguns sites a premissa e achei interessante.

    Bjos

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  4. Esse filme é ótimo! Realmente incrível!

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  5. Um ótimo filme mesmo. Concordo com a Bruxa do 203. Adoro o cinema francês pelas inúmeras produções com temas bastante contemporâneos e bem realizadas. Obrigado pela visita!

    bjus

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    1. marcelo, eu vejo filmes de países bem diversificados. gosto de conhecer outras culturas. adoro esse diretor.

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Bons comentários!