quarta-feira, 11 de março de 2026

A Escada

Assisti a série A Escada (2022) de Antonio Campos na HBOMax. Essa série vai entrar na Netflix. Essa é daquelas que eu largo pelo caminho e nunca sei se vou continuar. Tem muito tempo que estou vendo, desde o ano passado. E só tem 8 episódios. E foi isso que me decidiu terminar, faltavam poucos episódios. A série é baseada no caso de Michael Peterson, novelista de sucesso, mas há tempo sem entregar nenhum manuscrito. Não sei se eu indico essa série.
 

A história começa com a morte da esposa, Kathleen Peterson. O casal é interpretado por Colin Firth e Toni Colette. Ela morreu na escada da mansão que eles viviam. Ele que a encontra, desesperado chama o socorro, mas quando chega ela não está mais viva. E o filho o consola porque ele está desesperado. Tudo parece que foi um acidente, mas o excesso de sangue assusta. Esse caso nunca ficou provado, até porque a só há uma versão, a do marido. Segundo ele, eles tinham tido uma noite prazerosa, ficaram bebendo na piscina, ela entrou antes e ele a encontrou ensanguentada. Segundo ele, os dois eram muito felizes, tinham uma animada vida social, filhos, netos, amigos, casa sempre cheia. Outro motivo que me fez pensar em terminar é que Michael detestou a série, não concordou e odiou Firth por não gostar nada do ator nem de sua interpretação.
É o segundo produto americano que vi recentemente que eu estranhei a justiça. Com o tempo descobrimos que a família estava muito, mas muito endividada. Continuavam vivendo no luxo. Kathleen que trabalhava exaustivamente. Michael vivia para os prazeres da vida. A polícia descobre no computador do Michael fotos de homens. Ele declara que a esposa sabia, que ele só olhava, às vezes conversava com os homens, mas não ia mais além, muito raramente. Quando a polícia descobre essas imagens, Michael percebe que terá que contratar um grande e caro advogado (Michael Stuhlbarg). Eles vão vendendo tudo da família pra poder pagar. Todo o patrimônio que era da Kathleen e que ele usufruía sem o menor pudor. Patrimônio que seriam dos seus filhos. Michael tinha filhos de outros casamentos além dos que tinha com ela. Sim, pode ser que Kathleen soubesse que o marido era bissexual e que gostava de se encontrar com homens. Mas eu conheço alguns casais que as mulheres nem desconfiam, ou fingem não desconfiar. A geração de Michael não costuma assumir publicamente relações entre pessoas do mesmo sexo e acho sim que ele gostava da Kathleen. Os homens que soube gostavam de casar com mulheres, sempre que se separavam casavam com outra mulher e continuavam tendo casos extra conjugais. Tinha casal que a mulher sabia e vários que não. Os homens dessa geração gostam do conforto do lar proporcionado por mulheres, filhos, a segurança profissional de aparentar ser uma família padrão. Então não estranhei. É uma queixa do Michael, que a série teria focado nesse fato. Concordo com Michael que não parece interferir muito. Sim, pode ser que o casal brigou por isso e ela morreu, mas podem ser outros motivos, já que a situação financeira dos dois estava muito precária  muitas dívidas. Só Michael sabe o que de fato aconteceu. Alguns filhos são Dane DeHaan, Olivia DeJonge, Sophia Turner e Patrick Schwarzenegger. Alguns desses filhos aparecem crianças.
O que eu estranhei é que Michael é procurado por um documentarista francês Jean-Xavier de Lestrade (Vincent Vermignon) para filmar todo o processo. O advogado concorda, e a equipe passa a filmar tudo. As conversas com o advogado, e até mesmo o tribunal. Achei estranhíssimo. 

Só no julgamento é que comecei a ter quase certeza que foi Michael. Durante o julgamento descobrem que no passado,  uma mulher que Michael conhecia, na Alemanha, teria morrido por ter caído da escada e tinha vários machucados também na cabeça como Kathllen. Essa morte foi dada como acidental. Com esse fato, Michael vai preso. Mas é fato que tudo é muito inconsistente. Ele fica muitos anos preso.

Foi nessa parte que parei, voltei um pouquinho, larguei de novo, até decidir meses depois em finalizar. É quando aparece Sophie Broussard de Juliette Binoche. Ela era uma das editoras do documentário e começa a se corresponder com Michael. Ela tem família e filhos, vive em Paris, mas começa a ter uma aproximação esquisitíssima com Michael. Ele deve ter adorado. Mulheres costumam ser muito fiéis a presidiários. Visitam regularmente, cuidam de tudo. E eu fiquei pasma que ela se muda para a cidade dele nos Estados Unidos. Lembram que ele não tinha mais nada? Então ela passa a bancar um apartamento lá, ir e vir para Paris. Óbvio que quando ele é solto, ele não vai pra Paris com ela e diz quer ficar sozinho. Usou o quanto pode a mulher e a descartou quando não era mais necessária. Colin faz caras ruins quando vê o pequeno e aconchegante apartamento que ela montou, mas isso pode ser uma escolha da direção, não dá pra saber se aconteceu. Ela diz que ela e os filhos dele vão bancá-lo já que ele não tem mais nada. E mesmo assim ele se livra dela sem nenhum remorso. Mas não me surpreendeu. A série é sutil, mas dá pra ver que ele gostava de viver dos prazeres. Com Kathleen passava paquerando no computador, academia e locadora os homens, vivia para atender os seus prazeres, enquanto sua mulher trabalhava exaustivamente e sustentava o luxo deles. Ele não ia querer viver com o pouco da documentarista.
A família de Michael Peterson, com Kathleen.


Beijos,
Pedrita

12 comentários:

  1. Eu vi essa estória no canal ID ou outro similar. Fiquei pasma com a cara de pau do homicida que, na verdade, gostava de homens e acabou por matar a esposa.
    Mas o documentário que vi acabava na prisão do homem. Fico também intrigadíssima com essas mulheres que se envolvem com presos. Claro que nem todo preso é igual, mas aqules com quem elas se envolvem são mesmo criminosos.

    Beijo

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    1. marly, sim, eu acho que ele gostava de homens e mulheres. era um bon vivant. gostava dos prazeres da vida e de ser sustentado por outros. sim, se a mulher continua com o seu amor que foi preso é compreensível. mas se apaixonar quando está na cadeia, me parece muita falta de amor próprio.

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  2. Olá Pedrita, ótima explanação...bom saber sua opinião, bjs

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  3. Faz muito tempo que assisti e não foi com Colin Firth.
    Acho que era documentário e era com o criminoso mesmo.
    Ele foi condenado, quando assisti.
    Beijo,

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    1. liliane, verdade, vc gosta de documentários, principalmente policiais. eu não. então só vi a série e mesmo assim não curti. michael perterson era muito sórdido. sim, ele foi condenado mas continua se dizendo inocente.

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  4. Pelo sua opinião é melhor nem assistir, Pedrita obrigada pela sua avaliação, bjs.

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  5. Boa tarde Pedrita. Já nem assisto. Depois da sua opinião, nem perderia tempo. Grande abraço carioca.

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  6. Eu fico absolutamente espantada com essa situação 😲
    Acho inacreditável mulheres com tanto potencial se envolverem com homens tão sem noção (nesse caso criminoso 😢)
    Mais absurdo ainda esses homens se envolverem de novo (e de novo) com outras possíveis futuras vítimas 😳
    Será uma espécie de psicopatia desses homens???
    E de "romantização" de algumas mulheres?
    (Não estou julgando, mas o comportamento criminoso do homem foi repetitivo e a da personagem da Juliette Binoche em bancar o homem são situações difíceis de serem explicadas).
    Vou levar a indicação e deixar no finalzinho da lista.
    Amei sua resenha e suas opiniões sobre a obra.

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    1. luli, sim, em geral homens como michael peterson são muito sedutores. ele era culto, tinha uma boa conversa, sabiam enredar suas vítimas. acho muito triste que mulheres brilhantes como essa documentarista tenha se deixado levar. ainda mais q ela vivia com a família em paris e larga tudo para uma cidade atrasada nos estados unidos. acho incompreensível. até pq ele não estava muito afim. gostava da servidão e dedicação dela pelo seu ego. sim, tb achei difícil ver essa mulher largar tudo por ele. pq não foi uma paixão fulminante.

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