segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cisnes Selvagens

Terminei de ler Cisnes Selvagens (1992) de Jung Chang da Companhia das Letras. Minha irmã que me emprestou esse livro que tem o subtítulo Três Filhas da China. Jung Chang é chinesa e relata nessa obra a história de sua avó, mãe e dela própria, todas chinesas. As três viveram em períodos políticos muito diferentes, mas todas as três sofreram, parece que a cultura chinesa ou a destruição dela traz como normalidade a violência física, parece cultural as pessoas imporem sua vontade ou adequarem outras pela violência. A avó viveu no período do concubinato. Como a família dela não tinha muitas posses, buscaram um casamento em concubinato com alguém que melhorasse a situação de todos. O que mais me surpreendeu na história dessas mulheres, é que apesar do seu destino trágico, elas sempre tentavam burlar e fugir das regras, mesmo que educadamente ou mentindo, melhorando suas condições.

Obra de Wu Guang Zhong

A avó teve continuamente os ossos dos pés quebrados e amarrados como manda a tradição porque pés pequenos é que eram bonitos. Como concubina ela teria que morar com a esposa e as outras concubinas. A favorita sempre era perseguida, ou até mesmo envenenada, e as mulheres muitas vezes faziam isso pra se proteger porque a favorita sofria menos. Essa avó percebeu que viver com essas mulheres iria desprotegê-la e alegando que sua mãe precisava dela, continuou morando na casa do "casamento". Quando o marido estava pra morrer e ela já estava com as outras mulheres, percebeu que ia sofrer muito se ele morresse o que parecia certo. Ela seria separada da filha e enviada para uma espécie de prostíbulo. A filha era da família do esposo, não dela, como concubina não tinha esse direito. Se essa mulher não tivesse a coragem de fugir, e nem o perdão da esposa desse homem, não teríamos talvez esse livro.


Obra de Luxuriant Pines (1960) de Xie Zhiliu

A mãe de Jung Chang já viveu em outro período. Ela se tornou comunista, se apaixonou por um importante homem do governo de Mao. Nessa época acreditavam que tudo deveriam ao partido e esse marido não é gentil com sua esposa que sofre atrocidades. Ele acredita muito em servir ao partido, que amor é um sentimento burguês. O mais estranho é que tudo era muito avaliado em critérios estranhos e em um deles ele fala que se fosse feito daquela forma, ia parecer que o governo de Mao queria separar as famílias e que isso não era verdade. Mas só o que vemos nesse governo é violência e separação. Mesmo o casal tendo se dedicado uma vida ao partido, com sacrifícios monstruosos, eles são presos e torturados. Eu fiquei pensado como devia ser difícil sobreviver nesses tempos difíceis. Novamente pensei que não parecia humano sobreviver e que se eles tivessem sucumbido novamente não teríamos essa obra. Novamente também vemos a avó e a mãe de Jung lutando para todos serem menos massacrados. O pai se acorvadava mais, achava errado, mas as duas nunca desistiam de tentar caminhos melhores pros filhos não morrerem.

 Jung Chang foi criada alienada, não podia conhecer nada do seu passado, acreditava no partido, tanto que na adolescência participou da Guarda Vermelha. Demorou pra ela deixar de acreditar em Mao, inicialmente ela achava que algumas barbaridades ou eram de abuso de autoridade ou mandos da esposa do Mao sem o conhecimento dele. Só quando foi ao campo, para aprender com os camponeses atos não burgueses, é que ela começou a conhecer um pouco da história do seu país, sobre o período de muitas mortes e fome, e de muitas atrocidades. Jung Chang consegue autorização para ir estudar na Inglaterra, muito por interferência da mãe que procura muitas pessoas que assinem em favor da filha, os dois irmãos também saem do país. Como ela saiu com autorização pode voltar regularmente ao país, mesmo que seus livros sejam proibidos lá. Foi essa facilidade que permitiu muitas idas e entrevistas sobre Mao e ela pode escrever a biografia dele que quero muito ler. Esse livro é encontrado atualmente na coleção livraria de bolso da Companhia das Letras em valores bem acessíveis. É também encontrado nos sebos do Estante Virtual.

Obra de Zhang Xiaogang

Anotei muitos trechos de Cisnes Selvagens de Jung Chang. Vou selecionar alguns:

“Aos quinze anos, minha avó tornou-se concubina de um general-caudilho, o chefe de polícia de um precário governo nacional da China.”

“Eu sempre sonhara em ser escritora. Mas na China, na época em que cresci, a ideia de escrever para publicação parecia fora de questão. O país estava sob a tirania de Mao, a maioria dos escritores sofria de maneira terrível incessantes perseguições políticas. Muitos foram denunciados, alguns foram para campos de trabalhos forçados e outros foram impelidos ao suicídio. Em 1966-7, no Grande Expurgo de Mao, erroneamente chamado de Revolução Cultural, a maioria dos livros que as pessoas tinham em casa foi queimada.”

“Em 1964, Mao tachara de “feudal” e “burguês” o cultivo das flores e grama, e ordenara: “livrem-se da maioria dos jardineiros”. Criança, tive de juntar-me a outros na remoção do gramado de nossa escola, e vi os vasos de flores desaparecerem dos prédios. Entristeci-me ao extremo, e não só lutava para esconder meus sentimentos mas também me culpava por ter instintos que contrariavam as instruções de Mao, uma reação que me fora incutida por lavagem cerebral, como a todas as outras crianças na China. Embora na época em que parti fosse possível expressar amor pelas flores sem ser condenado, a China ainda era um lugar desolador, onde praticamente não se viam plantas nas casas nem floristas nas ruas. A maioria dos parques eram desertos brutalizados.”

“Em 1964, Mao elaborou uma relação de trinta e nove pintores, escritores e intelectuais a serem denunciados. Rotulou-os de “autoridades burguesas revolucionárias”, uma nova categoria de inimigos de classe.”

“Essas e muitas outras perseguições semelhantes eram típicas dos métodos de Mao na Revolução Cultural. Em vez de assinar sentenças de morte, ele simplesmente indicava suas intenções, e algumas pessoas se ofereciam para aplicar o tormento e improvisar os hediondos detalhes. Os métodos incluíam pressão mental, brutalidade física e negação de cuidados médicos – ou mesmo o uso de remédios pra matar. A morte causada desse modo passou a ter um termo especial em chinês: po-hau zhi-si – “perseguido até a morte”. Mao tinha pleno conhecimento do que se passava, e estimulava os perpetuadores dando seu “consentimento tácito” (mo-xu). Isso possibilitava-lhe livrar-se de seus inimigos sem atrair vergonha.”



From Mata Hari e 007
Beijos,
From Mata Hari e 007
Pedrita

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Primus

Assisti ao espetáculo Primus de Veronica Fabrini da Boa Companhia no Teatro de Arena da Funarte. Fiquei com vontade de ver esse espetáculo porque é baseado em um texto do Kafka que não li: Comunicado a uma Academia (1917) que faz uma reflexão sobre a evolução humana. Gostei muito! Quatro atores interpretam humanos e macacos com uma precisão corporal impressionante.Li no programa que eles avaliaram comportamentos de macacos para escolher os gestos. É perceptível quando eles são macacos imitando humanos, ou quando são humanos que incorporaram macacos. Os quatro atores são: Alexandre Caetano, Dave Otani, Eduardo Osório e Moacir Ferraz. Foto de Gil Grossi.

Foto de Vinícius Moraes
Primus é um espetáculo desconfortável, ficamos tensos e incomodados. Também me emocionei várias vezes. Primus faz constantemente o contraponto primata e civilizado. No início, com imagens impactantes de violência dos humanos começamos a nos perguntar quem é civilizado e quem é animal. Há momentos com trechos do texto do Kafka que são impressionantes. A trilha sonora também é extensa, há belos momentos com cantos das obras de Villa-Lobos e Carlos Gomes. Comentei com uma amiga o quanto achei impressionante a viagem do macaco de navio. Ela ressaltou o quanto se impressiona no teatro com cenas com poucos recursos cênicos mas que nos dão a exata sensação da expressão. Com apenas umas caixas e cabos de vassouras sentimos claramente a viagem desse infeliz macaco a civilização em sua jaula fictícia cenicamente. Angustiante! Primus ainda terá outras apresentações em horários e dias alternados, seria bom conferir com o teatro, os ingressos custam somente R$ 10,00.



From Mata Hari e 007
Beijos,

From Mata Hari e 007
Pedrita

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Inimigos Públicos

Assisti Inimigos Públicos (2009) de Michael Mann no Telecine Premium. Noite sem outras possibilidades, como estão no elenco o Johnny Deep e a Marion Cotillard, resolvi assistir. Inimigos Públicos é baseado em mais um livro sobre o lendário assaltante de banco John Dillinger. Fica claro no próprio roteiro e no filme a idealização desse assaltante. O filme Inimigos Públicos é ambientado nos Estados Unidos, em 1930. Os dois protagonistas estão muito bem. Outro ator principal é o agente do FBI que tenta capturar o Dillinger interpretado pelo Christian Bale. É um bom filme, um pouco forçado em alguns momentos, mas bem realizado. O 007 simplesmente detesta esse filme.

Ainda estão no elenco: James Russo, Giovanni Ribisi, Christian Stolte e Stephen Dorff. Há vários, livros, filmes e séries baseados no Dillinger. Esse é baseado no livro de Bryan Burrough. Eu não gostei de uma cena final, logo após a morte do Dillinger um policial vai levar um recado romântico a  amada do assaltante na cadeira, ficou forçado e esquisito, se fosse um recado importante, mas um romântico? Ficou ridículo!


From Mata Hari e 007
Beijos,









Pedrita

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Desonra

Assisti Desonra (2008) de Steve Jacobs no Max HD. Eu queria muito ver esse filme porque tinha adorado o livro do Coetzee, que comentei aqui no blog. O livro não tinha sido fácil, o filme fica mais difícil ainda. Me retorci de ver aquilo que tinha lido, tudo ficava mais custoso e dolorido quando há imagens. Foi uma empreitada dilacerante. Incrível terem escolhido o John Malkovich para o personagem principal, não poderia ter ator melhor. No início ele é prepotente e acomodado, mas os sentimentos não afloram depois de tudo o que passa e Malkovich atua brilhantemente bem. Tentei achar outro pôster porque nem conseguia olhar para esse, mas não teve jeito.

Gostei muito da atriz que faz a filha do personagem do John Malkovich, Antoinette Engle. Na verdade qualquer ator que participou do filme foi muito corajoso, são cenas difíceis e indigestas. Vários atuaram somente nesse filme Outros do elenco são: Natalie Becker, Antonio Fisher, Charles Tertiens, Eriq Ebouaney, Mtombi Makutshi, Duke Norman e Sidney Kohlakala.




From Mata Hari e 007
Beijos,









Pedrita

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Appaloosa

Assisti Appaloosa (2008) de Ed Harris na HBO. Mais uma noite sem opções, resolvi ver esse pelo elenco, adoro o Ed Harris, o Viggo Mortensen e o Jeremy Irons. Ainda está no elenco a Renée Zellweger. É um western. O Jeremy Irons tem uma terra e amedronta todos da cidade, faz o que quer, mata xerifes. Chega então a dupla interpretada pelo Ed Harris e pelo Viggo Mortensen, contratados para serem xerifes e defenderem a cidade. Também chega na cidade a confusa, solta e solitária Renée Zellweger.

Appaloosa tem um roteiro bem desenvolvido baseado no livro de Robert B. Parker, bela fotografia, é um bom western e um elenco de tirar o fôlego, sou fã dos três atores. Outra atriz que aparece pouco e gosto muito é a Ariadna Gil.


From Mata Hari e 007
Beijos,









Pedrita