quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pais e Filhos

Terminei de ler Pais e Filhos (1862) de Ivan Turguêniev. Comprei esse livro em um sebo faz um tempinho por R$ 10,00 e não é com essa capa, é daquela coleção da capa vermelha da Editora Abril. Agora saiu com essa capa e falam que essa é traduzida diretamente do russo. A que li tem tradução de Ivan Emilianovitch. O autor escreve maravilhosamente e debate várias questões que fervilhavam na Rússia nesse período. Um filho se forma e volta a casa dos pais aristocratas, leva junto um amigo filho de camponeses que se formou em Medicina. Esse rapaz é pedante, cheio de idéias revolucionárias e contra a aristocracia. Mas parece gostar de viver no luxo e usufruir gratuitamente de qualquer hospedagem desde que os jantares sejam luxuosos regados a muita champagne cara. Seu amigo já é menos pretensioso e tranqüilo, mas deslumbrou pelo amigo que se transformou seu ídolo, então ele fica a sua volta. Esses dois rapazes passam então por três locais. Apesar do livro ser maravilhosamente escrito, não foi apaixonante pra mim.


Obra The Court Going out from the Grand Palace in Peterhof de Vasili Semenovich Sadovnikov (1800-1879)
Anotei alguns trechos de Pais e Filhos de Ivan Turguêniev:
“-Não veio ainda, Piotr? –indagava, em 20 de maio de 1859, um senhor que aparentava uns quarenta anos de idade, saindo sem chapéu à porta da hospedaria da estrada N."

“Páviel Pietróvitch, ao contrário, solteirão sempre, entrava naquela idade crespuscular e agitada, de insatisfação e esperanças mortas, idade em que se sente que a mocidade passou e a velhice não chegou ainda.”

“Mulheres assim são raras hoje. O que não sabemos é se isso é um bem!”

“Cada um, com suas próprias mãos, deve obter o sustento. Nada devemos esperar dos outros. É preciso trabalhar também.”

“Sei que o senhor está habituado ao luxo, aos prazeres. Mas os grandes deste mundo não desdenham de passar algumas horas sob o teto de uma cabana.”

Tanto o pintor como o compositor são russos e viveram no mesmo período que o autor dessa obra.


Música do post: Glinka - Nocturne in F minor, La separation



Beijos,

Pedrita

14 comentários:

  1. Ou seja: uma daquelas interessantes histórias baseadas na antítese e na comparação.
    Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!

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  2. Adorei o tema e as frases. Já anotei para procurar nos sebos.

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  3. Parabéns pela leitura pedrita, assim como certos livros de Dostoievski, se precisa de muito fôlego
    para ler Turguêniev sem parar no meio do caminho, principalmente neste "tijolo" de livro ,bjs.

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  4. Já coloquei na minha lista... parece ser maravilhoso...

    obrigada pela dica

    bjs

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  5. Olá Pedrita

    Li este livro há um bom par de anos, agora começo a pensar que estou a ficar velha. O nocturno é lindo.

    Se não se importar gostaria de a linkar.

    Beijinho
    Isabel

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  6. Pê realmente existem livros que se pudessemos nem compraríamos. Mas o que importa é ler, sempre. :) bjs.

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  7. Pedrita desta vez nao me escapou!!!
    Há um desafio, e como se trata de literatura, tive de a escolher também a si.

    Sobre este livro e este escritor russo volto outra vez, pois tenho uma grande admiracao pelo o escritor e gostei muito do livro. Bem, eu sou uma grande admiradora da literatura russa.

    Saudacoes de Düsseldorf, esperando que aceite o desafio e que goste dele - é o seu tema.

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  8. Nunca li Dostoievski,conheço só de ouvir falar mas quero comentar as suas bonequinhas que assinam seus posts:lindas demais!

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  9. marcos, eu achei essa obra bem menos extensa que alguns do dostoiévski que é um dos meus autores preferidos. acho os estilos de turgueniev e dostoievski muito diferentes.

    isabel, claro que pode linkar.

    ematejoca, vou lá ver.

    elaine, dostoievski é maravilhoso. esse autor é excelente tb, mas não me identifiquei tanto quando gosto de dostoievski.

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  10. Olá Pedrita!
    A literatura russa é de uma beleza avassaladora e este livro é na verdade maravilhoso. Foi uma das nossas leituras na adolescência, numa época em que descobrimos maravilhados autores como Tolstoi, Dostoievsky, Tchecov e Gorki entre outros.
    Já agora agora aqui fic uma sugestão cinéfila: "Olhos Negros" de Milkakov baseado num conto de Tchecov, com o grade Mastroiani no protagonista.
    Beijinhos
    Paula e Rui Lima

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  11. Nunca li nada desse autor. A música está muito bonita.
    Denise

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  12. Pois foi precisamente este livro, é mais um comodismo de habituação inconsciente ao luxo do revolucionário do que um assumir de gostar do luxo, em Portugal se chama a esse incoerência de esquerda caviar.

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    1. carlos, gostei do termo esquerda caviar.

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Bons comentários!