segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Falsário

Assisti O Falsário (2025) de Stefano Lodovich na Netflix. Tem tempo que esse filme aparece para assistir. É muito bem realizado, ótimo elenco, bela fotografia e uma história intrigante. É livremente inspirada em um falsário italiano Toni Chichiarelli, que por ter sido um falsário, tudo o que existe sobre ele é ambíguo. Há muitas controvérsias sobre o falsário.

O filme soube explorar muito bem esses ingredientes. O roteiro é bem coeso. Três amigos resolvem sair da cidade interiorana que vivem pra melhorar de vida em Roma. Toni quer conquistar fama como pintor, o padre de Andrea Arcangelli quer subir na carreira e o terceiro é um líder de esquerda que quer se reunir com a luta armada, se juntar ao comando vermelho. O filme é ambientado na década de 70, seguindo para os anos 80. Pietro Castellitto está maravilhoso como Toni, que ator, que personagem. É uma época fascista na Itália e Toni está pouco preocupado com a política. Ele ajuda o amigo da esquerda em um roubo, fica com boa parte do dinheiro.
Toni conhece uma marchand de Giulia Michelini. Ela vê em seu pequeno e insalubre estúdio uma cópia de uma obra. Toni meio que brincando diz que pode fazer um Mondgliani e o faz. Ela passa a contratá-lo pra fazer as falsificações. Com isso Toni entra no circuito dela que é o fascista. Toni não liga muito para política, de modo inconsequente, faz ações pra um lado ou outro, sem se preocupar com nada. E passa a ganhar muito dinheiro. Como falsificador ele era ótimo para criar passaportes e documentos falsos, falsificar cartas. E começa a entrar no crime sem se preocupar com isso. Um poderoso arruma um belíssimo ateliê pra Toni trabalhar, em troca de favores. E assim Toni passa a agir diretamente nos crimes, de direita ou esquerda, só porque alguém passou algum trabalho pra ele. E sim, isso vai ter um preço e muito alto.
O roteiro é muito bem coordenado. Tudo é muito bem realizado. E que filme bonito esteticamente. Fala também desse universo do luxo. E fala muito de política, arte, ética. Enfim, foi uma grata surpresa. Não se tem certeza sobre a morte do Toni. Gostei da escolha do filme para o final, foi inteligente e funcionou muito bem.
Beijos,
Pedrita

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