Assisti a peça Adorável Desgraçada de Leilah Assumpção no Teatro Commune. Eu tinha visto uma outra montagem desse espetáculo, com minha mãe, tem muitos anos e gostamos muito. Lembro pouco e lendo o texto vi que achamos triste, o mesmo aconteceu com esse. O projeto é do Teatro Brasileiro de Munique. Quem dirige é o detalhista Ricardo Eche, é um belo monólogo com a ótima Mey Füchter. Os dois são brasileiros, vivem em Munique e difundem a cultura brasileira na Europa. Esse texto já foi apresentado em alguns teatros por lá.
Guta é uma mulher amargurada e solitária. Ela é daquelas pessoas que se abandona de si para cuidar e olhar para os outros. Todos seguiram suas vidas e ela ficou solitária. Maribel era sua melhor amiga, pelo menos ela acha que era, mas Maribel sumiu anos sem dar notícias. Guta continua anualmente comprando um presente pra Maribel. Ela trabalha em uma loja de departamentos. A televisão quebrou, está sem dinheiro, emprestou para uma outra suposta amiga que não atende aos telefonemas. Guta se permite tão pouco que é incapaz até de tocar a campainha dos vizinhos para pedir para assistir junto com eles o capítulo da novela. É um texto muito triste! Infelizmente é muito fácil encontrar Gutas por aí.
Assisti Covil (2026) de Rodrigo Lages no TelecinePlay. Esse filme estava entre os disponibilizados no sinal aberto. Nunca tinha ouvido falar e achei que era um filme de fantasminha. Não é, mas é muito bom, muito violento, mas muito bom.
Uma jovem herda uma casa e vai à noite com o namorado. Só depois que ele fica sabendo que ela vendeu o apartamento e que vai querer viver naquela casa caindo aos pedaços. Seria bem mais interessante ela ficar no apartamento e reformar a casa antes, mas também não sabemos se ela tem algum dinheiro. O filme é bem escuro boa parte do tempo, tenso, angustiante, muito bem realizado. Ela é Julia Lourenção e ele Daniel Rocha.
Até que eles descobrem que tem uma mulher na casa. Ela é Vitória Strada. Eu achei que ela era fantasminha, mas não é. Muito bem construído o roteiro.
Assisti a 5ª Temporada de Miss Scarlet (2025) de Rachel New na Film&Arts. Essa série se chamava MissScarlet e Duke, mas com a saída do ator que faz o Duke, Stuart Martin, passou a ser somente Miss Scarlet. Essa é a primeira que ele não aparece mais nenhuma vez. Antes ele já tinha começado a sumir em alguns episódios, mas ainda surgia. Ele seguiu para Nova York e nessa ele envia uma carta para Scarlet dizendo que ficará por lá e se ela não ia querer se juntar a ele. É meio estranho ela decidir não ir, mas tem lógica, já que ela deu continuidade ao escritório de detetive do pai.
Escolheram um bonitão para o lugar do Duke. O tenente agora é Tom Durant Pritchard. Para o inferno de Scarlet, ele não atua com detetives, acha todos traiçoeiros, que sonegam informações em benefício próprio. E claro que Scarlet vai dobrando ele com a sempre maravilhosa Kate Phillips.
Desde que Duke começou a aparecer menos, a governanta de Cathy Belton aumentou o destaque. Nesse então ela é muitas vezes a personagem central. O namorado de Simon Ludders quer casar, ela está insatisfeita com os serviços domésticos. Scarlet percebe e arruma uma vaga pra ela na delegacia, é bem emocionante o capítulo.
Gosto muito do ajudante da Scarlet, Paul Bazely e gostei muito dos dois último episódios. Um compositor é morto e ele é sócio de um escritor. Os dois são renomados. O escritor que é preso e acusado do assassinato, Scarlet é contratada secretamente pela viúva. Esse episódio tem cenas em teatros, com músicos.
E o último é bem emocionante. É um caso que envolve o pai do amigo da Scarlet, o policial Fitzroy de Evan McCabe. A última temporada ainda não está disponível no canal.
Assisti a peça Meu Deus (2026) de Anat Gov no Teatro das Artes. A direção é de Elias Andreato. Eu tinha visto exatamente essa montagem com outros atores em 2015, a última peça que vi com minha mãe. Interessante como cada elenco dá o seu tom, o seu colorido. O texto é o mesmo, mas a entoação, o que cada um entrega ao personagem é único. Foi um bonito espetáculo que só pode ser realizado pelo patrocínio do Laboratório Cristália através da Lei Rouanet.
Gosto muito de Bianca Bin e Sérgio Guizé. Ele é Deus e ela a psicóloga. Ele a procura no consultório, está desgostoso. Ela não sabe que ele é Deus e quando sabe, não acredita. Como eu, ela é ateia, mas tem uma Bíblia em casa. Ela atende na sala de casa. Eu não tenho bíblia em casa. Na outra peça, o fato de tratarem a bíblia como algo real, como fatos, me incomodou, o mesmo aconteceu nessa. É tudo alegoria, mas dá pra ser transformado em análise. Deus se mostra então impiedoso, ele se incomoda profundamente com o livre arbítrio de suas criações. A ateia sabe passagens de cor da bíblia, aquele monte de lenda sendo transformado em verdade é muito desconfortável. Talvez quem é religioso vai gostar, mas não sei analisar o pensamento religioso, porque podem achar que é desacato.
Foto de Caio Oviedo
Enzo Morente faz o filho autista da psicóloga que não fala. Fui na estreia, evento badalado, lotado, dia de festa. Meu Deus fica em cartaz até 1 de novembro. É preciso comprar os ingressos com antecedência porque está lotando.
Assisti Pierre Le Fou (1965) de Jean-Luc Godard no Telecine Cult. O filme é baseado no livro Obsessão de Lionel White e é um clássico da Nouvelle Vaugue.
Eu adoro filmes nonsense. Minha mãe adorava o Jean-Paul Belmondo. Ele tem uma pacata vida com esposa e filhos. Divertidíssimas as cenas na festa. Todos falam textos de comerciais de laquê, carros...
Ele se apaixona pela babá com a bela Anna Karina e resolvem fugir para viver aventuras. Adorei a cena do acidente de carro, mas são muitas cenas engraçadas e sem nexo. Quando eles vão viver um amor em uma cabana o filme se arrasta um pouco e a relação da filmagem com os animais me incomodam profundamente. Depois eles voltam a se arriscar e são fugas em barcos, iates, dinheiro, armas, bombas, é bem divertido.