Fui ao recital de Piotr Alexewicz no Festival Chopin no Teatro Cultura Artística. Eu gosto demais desse pianista, tem uma técnica delicada, com impressionante precisão. Foi um belíssimo concerto!
O pianista polonês começou com Debussy, entre as obras a icônica Clair de Lune e seguiu para Rachmaninoff. Na segunda parte tocou só Chopin. Foi maravilhoso! Ovacionado, voltou para dois bis. Foi lindo!
Programa
C. Debussy (1862–1918)
Suite bergamasque, L. 75
Prélude
Menuet
Clair de lune
Passepied
S. Rachmaninoff (1873–1943)
Études-tableaux, Op. 33
F. Chopin (1810–1849)
Noturno em Sí bemol menor, Op. 9 No. 1
Noturno em Mí bemol maior, Op. 9 No. 2
Andante spianato e Grande Polonaise brilhante em Mí bemol maior Op.22
É vergonhoso, mas foi a primeira vez que fui ao Teatro Cultura Artística depois da reforma. Está moderno, equipado, a sala diminuiu um pouco de tamanho, mas está muito bem projetada, confortável. Foi muito emocionante poder pisar novamente nesse teatro.
O Festival Chopin vai até o final de outubro. O próximo é novamente no Teatro Cultura Artística. Estou ansiosa!
Assisti Barbarian (2022) de Zach Cregger na HBOMax. Esse filme está pra sair do catálogo desse streaming. É muito tenso e assustador! O roteiro me surpreendeu! Acaba falando muito de questões sociais!
Uma jovem aluga uma casa por temporada. Chega à noite, com uma chuva torrencial, tem uma certa dificuldade com o código, mas quando consegue abrir o dispositivo, a chave não está lá. Volta ao carro, liga pra quem alugou e cai na caixa postal. Ela vê uma luz na casa, bate na porta e um jovem abre. Ela fica muito assustada, mas ele também alugou mas por outro lugar, confere tudo, o telefone, parece mesmo que os dois alugaram. Georgina Campbell está excelente!
Ela fica muito desconfiada do rapaz, tenta hotel, mas há uma convenção na cidade e tudo está lotado. Resolve ficar. Ela não aceita o chá que ele fez pra ela. Ele é Bill Skarsgard.
Quando ela acorda, ela se arruma e vai a entrevista de emprego. É só aí que ela vê o bairro e se assusta. Tudo degradado, abandonado. A casa que ela alugou é uma graça, equipada, simpática mesmo, mas nada no bairro parece bom. A que a entrevista fala pra ela sair correndo de lá. A jovem volta pra casa, acabou o papel higiênico e só tem no porão embaixo. Lá ela começa a achar, portas, cativeiro, e mais portas e mais andares abaixo. Um horror. O jovem volta, ele vai olhar embaixo e não volta, ela vai atrás. Comecei a ficar apavorada. Em um momento ela consegue fugir e chamar a polícia, que a vê suja, naquele lugar, nem liga pras denúncias. Entendemos que bairros degradados não tem a proteção da polícia.
O filme ainda estava no começo e eu pensando que ela iria passar o filme no cativeiro em sofrimento, mas o roteiro é muito inteligente. O filme corta pra uma estrada belíssima na praia e um ricaço muito feliz dirigindo. Ele é um boçal, se envolveu em um escândalo de estupro, jura que é mentira, mas para pagar o advogado, precisa vender alguns de seus bens. E sim, um é a casa que a jovem estava. Ele é Justin Long. Tudo muito interessante. E tem outro corte no filme com outro personagem. Gostei bastante! Mas é muito, mas muito assustador.
Assisti a 3ª Temporada de Silo (2026) de Graham Yost na AppleTV. Como eu gosto dessa série que é sempre impressionante! O ser humano tenta controlar outros seres humanos para que não se auto destruam, mas as técnicas exterminam em massa muitos outros seres humanos. Quando o autoritarismo de um grupo acha que sabe o que é melhor para toda uma comunidade.
A segunda temporada terminou com Juliette Nichols voltando ao Silo 18. O que acontece na chegada, os protocolos, fazem com que Juliette não lembre de nada. Rebecca Ferguson continua maravilhosa, que atriz, que personagem. Por muito mais Juliettes no mundo. O esquecimento é o cerne de toda a temporada.
Na temporada anterior conhecemos um pouco do que aconteceu antes dos Silos começarem. Então em paralelo tem o passado, antes dos Silos e as crises do Silo 18. Uma pilota vai em uma missão e fica gravemente ferida. Seu irmão de Ashley Zukerman tenta vê-la e ela não se lembra de nada. É quando o tema do esquecimento começa a aparecer e é chocante demais!
Um médico (Victor Crnkovich) absolutamente imbecil acredita que o esquecimento pode ajudar as pessoas aos traumas, então a irmã não lembra de nada. O médico ainda explica que eles ainda podem decidir o que a pessoa pode ou não lembrar. E que as lembranças da irmã só serão aquelas que ele contar pra ela. Esse tema me incomodou profundamente, é um tema que me revira por dentro. Nunca senti tanto ódio de um personagem.
E é aí que entendemos porque Juliette está esquecida, não porque teve um trama, mas porque está sendo drogada pra isso. É a sala onde seria supostamente um robô que dá as ordens ao líder. Esse robô orienta que a seja despejado nas águas um componente que vai causar o esquecimento no Silo 18.
Juliette é avisada pelos amigos que está tomando pílulas para esquecer. O robô da sala avisa, mas não conseguem mudar e ela começa a recuperar a memória e a comandar tudo e todos. Juliette sabe pelo Silo 17 que o esquecimento provocou uma verdadeira chacina nas pessoas. Mães que esqueceram de alimentar os filhos que morreram de fome, pessoas se jogando das escadas. Bernard não morreu, se uniu aos rebeldes e começa a orientar também com o que sabe dos segredos da sala do robô. Inclusive no passado vemos o irmão agora quase um robô, totalmente manipulado. E que o esquecimento faz dele um verdadeiro monstro, frio e calculista. Ele perde praticamente toda a capacidade de sentir, de compaixão, vira um robô, assustador. É muito interessante os debates sobre o esquecimento.
Camille de Alexandria Riley é determinante nesse episódio. Ela é a chefe e vai acatando todas as ordens do robô e colocando em risco todo o Silo. A série é impressionante!
Eu tenho algumas especulações. Se vocês sabem ou leram a série de livros de Hugh Howey não me contem. Comecei a achar que o mundo não ficou inabitável. Que eles se sufocam ao sair dos Silos porque o Silo 1 os mata. Isso fica perceptível quando o Silo 17 sai e ninguém sufoca, a não ser quando drones que eles não veem os matam. Acho que os Silos são na verdade colmeias humanas de pesquisa, enquanto no mundo ainda pode-se viver livremente.
Assisti Criaturas Notadamente Brilhantes (2026) de Olivia Newman na Netflix. Tinha curiosidade em ver de tanto que falavam. Essa diretora é de um dos filmes e livros que mais amo na vida, Um Lugar Bem Longe Daqui. A natureza é sempre um personagem. Esse filme é bem bonitinho e emociona! E é baseado no livro de Shelby Van Pelt.
A narração do filme é feita por um polvo gigante e por Alfred Molina. Sally Field trabalha em um aquário, ela limpa-o à noite, prefere ficar sozinha, depois que sua vida ficou difícil. Ela perdeu o filho e o marido. Ela vive em uma pacata cidade litorânea. O filme foi realizado no Canadá, em Colúmbia Britânica. A casa dela é a coisa mais linda!
Até que aparece na cidade um jovem procurando o pai. Ele é Lewis Pullman. São relações delicadas e bonitas.
Assisti ao recital de Valentina Lisitsa na abertura do Festival Chopin na Sala São Paulo. Foi algo inacreditável, inesquecível! Que pianista! Ela tocou só Chopin e ininterruptamente! Depois fez um intervalo de 20 minutos e novamente tocou ininterruptamente por bastante tempo. Ela ainda voltou para dois bis!
A Sala São Paulo estava lotada e o público ovacionava intensamente! Valentina Lisitsa é ucraniana e vem regularmente ao Brasil se apresentar. Tinha acabado de voltar de um recital no Rio de Janeiro. Fiquem atentos as programações porque ela pode aparecer em sua cidade e é imperdível! Agora ela volta para a Europa e toca na Itália e em Bratislava na Eslováquia.
Foto de Daniil Rabovsky
O repertório foi todo de Chopin. Entre as obras estavam:
Polonaise Heróica opus 53
Polonaise nº 5, opus, 44
Scherzo nº 2 em Si Menor, opus 31
Valentina Lisitsa voltou ao palco duas vezes para o bis.
Uma obra era o Piano Concerto nº 2 em Fá Maior, opus 102 de Shostakovich
Outra que causou muita comoção foi a Ave Maria de Schubert, na versão de Liszt para piano solo.
Foto de Denise Andrade
O Festival Chopin acontece em todos os sábados de outubro. Serão 5 concertos em vários teatros. Ansiosa!