quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O Talentoso Ripley de Patrícia Highsmith

Terminei de ler O Talentoso Ripley (1955) de Patricia Highsmith da Intrínseca. Eu não sei porque levei tanto tempo para ler esse livro, já tinha gostado do filme antigo, sempre achei fascinante o personagem, demorei pra comprar. Eu adquiri em uma promoção da Amazon. Essa capa é maravilhosa! A arte é de Michel Casarramona.

O marcador de livros é a imagem da obra Bailarina olhando a planta do seu pé direito de Edgar Degas do MASP
 

Obra Willie Gillis na Faculdade (1946) de Norman Rockwell

A série que amei é muito fiel ao livro, então as imagens que eu acabava tendo dos personagens vinham da série. Tom Ripley é localizado pelo pai de Dickie Greenleaf. O pai descobriu que Tom conheceu Dickie e pede que Tom vá a Itália para tentar trazer seu filho de volta. Dickie tem uma renda considerável e resolveu viver luxuosamente na Itália, pintando, aproveitando a praia, veleja. O pai não sabe, mas Tom é um golpista, realiza pequenos golpes nos Estados Unidos, falsificações de tudo quanto é tipo e vê na proposta uma possibilidade de ganhar um bom dinheiro e viajar.
Obra de Antonio Diego Voci

Tom é diferente da série. No livro, Tom tem a mesma altura de Dickie. Ele tem o cabelo preto e o outro quase loiro, mas os dois são bem parecidos. Na série, Tom é bem diferente de Dickie e mais baixo. É um livro pra ser degustado, apreciado com calma. Ao final acabei lendo mais avidamente. Achei fascinante como a autora escreve cinematograficamente, parece que sentimos e vemos as imagens pelos detalhes. Sentimos o calor da areia da praia, parece que conseguimos ver os anéis de Dickie, o cabelo esvoaçando. O que mais me fascina nessa obra é que acabamos torcendo pelo perigoso Tom, não queremos que ele seja pego. Incrível como a autora consegue criar um personagem que nos seduz e que torcemos por ele. Volte e meia me causa desconforto eu torcer por Tom escapar.

Obra Navegação marítima ao largo da costa napolitana de Atillio Pratella

Personagens do livro fazem insinuações sutis sobre Dickie e Tom. Segundo Marge, que é apaixonada por Dickie, os dois estariam juntos. Um outro personagem acha que não, que Tom só gostaria dele mesmo e acho que essa é a melhor definição. Eu acho que Tom era fascinado pela vida do Dickie, pela altivez do Dickie e queria ser o Dickie, não só em seus movimentos, roupas, mas principalmente pela sua vida luxuosa e pela não ostentação, típica de uma pessoa rica. O livro insinua bastante a possibilidade de Tom gostar afetivamente de Dickie e de homens, mas como disse tudo é sutil e eu acho que Tom não gosta de ninguém a não ser dele mesmo.

Obra Paisagem (1970) de Mario Bardi

Gostei demais da obra, quero continuar acompanhando Tom em suas desventuras.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Nada Sobre Meu Pai

Assisti ao documentário Nada Sobre Meu Pai (2023) de Susanna Lira no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme desde que acompanhei as entrevistas. O filme passou no dia dos pais, eu gravei e vi depois. Adoro o trabalho da cineasta que acaba de ganhar Kikito no Festival de Gramado pelo documentário do Gonzaguinha.

Susanna segue para o Equador para tentar localizar o seu pai que esteve no Rio de Janeiro em 1970. Ele ficou em um apartamento com outros rapazes por dois meses. Sua mãe engravidou e eles decidiram pelo aborto. Ele foi embora, a mãe de Susanna não abortou, mas ele nunca ficou sabendo. O nome que sua mãe tinha dele era o pseudônimo. Nessa época, por segurança, as pessoas não usavam os seus nomes. Em uma entrevista, Susanna conta que sua filha foi convidada na escola para fazer a árvore genealógica e elas não sabiam nada do avô e que isso motivou a busca.
Susanna é muito bem recebida em Quito, no Equador, dá entrevistas, cola cartazes, procurando homens que tenham vindo ao Brasil na época e tenham entre 69 e 70 anos. Acompanhamos algumas entrevistas, alguns possíveis pais. Como no Brasil, Equador vivia uma ditadura, então alguns equatorianos viajaram ao Brasil, ou se refugiaram no Brasil, também uma ditadura. 
A cena do pôster é a do final do filme, quando ela aceita visitar uma comunidade indígena e é levada a um mirante que nada se enxerga. Nos créditos ouvimos um áudio de Susanna para a sua mãe, me emocionei bastante. É muito bonito!

Beijos,
Pedrita

sábado, 22 de agosto de 2026

Argylle

Assisti Argylle (2024) de Matthew Vaughn na AppleTV. Eu procurava um filme pra ver e me deparei com esse pôster, os oficiais são azuis. E foi exatamente esse que me fez querer ver. A mochila, o gatinho e a protagonista, Bryce Dallas Howard. É baseado nos livros de Elly Conway.
 
A protagonista é a escritora do livro Elly Conway. Ela está no quarto livro do Argylle, um herói tipo 007, em missões secretas. O filme é irregular, muito longo, mas diverte. Começa com uma ação mirabolante do agente de Henry Cavill. Aí vemos que Elly está lendo o livro pra uma plateia no lançamento do 4º livro da série e já promete o quinto. Esse começo por ser muito idealizado é esquisito, quase larguei, insistam que fica engraçado.
Elly agora está em sua belíssima mansão com seu gato Alfie escrevendo o 5º volume. Sua mãe (Catherine O´Hara) lê e comenta com a filha que está ótimo mas o final precisa ser alterado e sugere que ela vá até a casa deles.

É quando ela conhece o personagem de Sam Rockwell. Ele começa a ser atacado no trem até ela descobrir que o alvo é ela. Achei que ela tinha dormido e o filme ia acabar com ela acordando, mas não, estava acontecendo mesmo. Ela volte e meia vê no lugar do agente, o agente do seu livro. É engraçado ver os personagens se alternando. Os agentes são padrões, belíssimos, magros, os reais são mais imperfeitos.
Ela passa a viver o que escrevia nos livros, sempre com seu gato. Fiquei pensando se em algum momento se o gato existiu de fato. Acho que fizeram imagens do gato pra ele ser projetado nas cenas, então o gato efetivamente não sofre nada porque não atua de fato. É uma graça ver ele sempre dentro da mochila, mas sabemos que não é um gato. É bem feito, mas dá pra imaginar que não é um gato de fato. 
O elenco é enorme e estrelar: Samuel L. Jackson, Bryan Cranston, Dua Lipa, Ariana De Bose e John Cena. São inúmeras locações.
As cenas de dança são uma delícia. Alternando entre românticas e engraçadas. São momentos muito divertidos!


Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A Residência

Assisti a série A Residência (2025) de Paul William Davies na Netflix. São só 8 episódios, gostei bastante. A série é a Uzo Aduba, o charme está todo em seu personagem, a divertidíssima e brilhante detetive Cordelia Cupp. No Brasil está como Assassinato na Casa Branca, sempre títulos sem graça, com spoilers e óbvios demais.


 

Um homem é morto na Casa Branca enquanto acontecia um jantar. A Casa Branca é um personagem e é uma delícia a infinidade de cômodos. São portas secretas que não acabam mais, cômodos secretos, Uma delícia! Me lembrou o jogo de tabuleiro Detetive. Quem morre é o chefe dos empregados (Giancarlo Esposito) e é dado como suicídio. Cordelia discorda. Ele morre no quarto azul. Será mesmo?

Cordelia é doida por pássaros, é a parte mais chata, mas não tem como dissociar a série sem a análises dos pássaros. É noite e ela fica procurando pássaros à noite, quando eles dormem, nem parece que entende mesmo de pássaros. Cordelia faz um paralelo do comportamento de espécies de pássaros com pessoas. É uma engenharia de raciocínio, o que mais gosto desses filmes e séries policiais, ficar pensando junto com a detetive as possibilidades. A edição é excelente e nos ajuda a montar e remontar o quebra-cabeça.
É gente que não acaba mais. A série começa mostrando a engrenagem gigantesca de funcionários pra fazer tudo ficar perfeito tanto na Casa Branca, como no jantar. É delicioso! Fascinante a Casa Branca de biscoito, enfim, tudo é incrível.  Acompanha a detetive na investigação o policial do ótimo Isiah Whitlock Jr. e o do FBI por Randall Park.
O presidente aparece pouco, é um presidente aleatório. Seus familiares que moram na Casa Branca aparecem muito mais.
A série é muito bem coordenada, cheia de surpresas deliciosas. Ao final tem aquele clássico número policial de juntar um grupo e andar por cômodos até se revelar o assassino.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Republikkk ou Encruzilhada não é Beco

Assisti a peça Republikkk ou Encruzilhada não é Beco do REC Instituto na abertura da Mostra de Teatro Heliópolis na Casa de Teatro MariaJosé de Carvalho.

Que espetáculo bonito! Dirigido por Hercules Moraes. Na peça, um homem questiona Deus, sua vida e se podia ter evitado uma tragédia. A peça tem uma lindíssima iluminação de Docini.

Fotos de Angela Macário
Belíssimos figurinos de Sandra Machado. A técnica corporal de Paulo Victor Gandra é muito marcante. O elenco dança, interpreta, toca e canta: Hercules Morais, Emmanuelle Barcelos, Paulo Victor Gandra, Marcelo Villas Boas, Magno Argolo e Thiago Machado. Em um tablado no chão, eles provocam muitos sons.

Muito impactante a cena de Emmanuelle quando se enterra. A peça aborda muitos temas, com repentes, cantos e menciona a pandemia quando é criado um cemitério no palco. Tudo é milimétrico e bonito. 

Foto de Wes Barba

A Casa de Teatro MariaJosé de Carvalho, tem um belíssimo quintal onde o REC Instituto foi cantar e nos preparar ao espetáculo. Tudo muito mágico!



 
A Mostra de Teatro Heliópolis é gratuita e vai até 22 de agosto. Inclusive no dia 21, vai ter a peça Nitrido ou a Dramaturgia do Cavalo que eu amei e comentei aqui.

Beijos,
Pedrita