domingo, 20 de setembro de 2026

In Fabric

Assisti In Fabric (2018) de Peter Strickland na HBOMax. Estava procurando um filme, fiquei curiosa com esse que sairá logo do catálogo. O diretor também assina o roteiro. É bem divertido, surreal e inteligente! Mesmo não sendo o melhor filme que vi, a experiência é muito interessante! Tem fantasminha? Claro que não? Mas algo assombra? Claro que sim! Um vestido é o perigo do filme e é de terror, mas tem momentos cômicos também.  
Apesar do filme ser recente, todo o estilo é de filme mais antigo. São muitos closes, cenas estranhas. Uma belíssima mulher compra o tal vestido vermelho e fica mais linda ainda. Marianne Jean-Baptiste está maravilhosa. Achamos que ela ficará o filme todo, mas ele é dividido em duas partes. O filme é cheio de entrelinhas. O vestido foi usado por uma belíssima modelo, tem a revista com a modelo com ele, que usa 36. Ela morreu tragicamente depois. Apesar do vestido ser 36 e a personagem dizer que não serve, o vestido serve perfeitamente. Ela quer um vestido porque liga pra homens que anunciam no jornal procurando conhecer alguém. Ela vai jantar com o Adonis que é um pavor, que homem horroroso, ela desiste dele no jantar mesmo. 
Chegando em casa ela está com uma alergia pavorosa no seio, resolve por o vestido na máquina. Imagina, um vestido delicado desse na máquina e com outras roupas pretas. A máquina enlouquece, ela vai tentar parar e se machuca seriamente. Ela mora com o filho Jaygann Ayeh que tem uma namorada esquisitíssima que não sai da casa deles. Ela é a maravilhosa Gwendoline Christie. A protagonista é caixa de um banco. As inquisições dos superiores sobre quantas vezes foi ao banheiro, quanto tempo ficou lá e uma infinidade de abusos são desconcertantes.

A loja é esquisitíssima também! Mas isso é bom descobrir assistindo! Sidse Babett Knudsen é a vendedora. O filme fala bastante sobre consumismo, é bem interessante.
A segunda história é de um técnico de máquina de lavar roupa e já imaginam o que vai acontecer. Ele compra o vestido para ele, para uma festa pavorosa com os amigos. Ele é o ótimo Leo Bill e claro que o vestido 36 fica perfeito nele. Ele tem uma namorada há séculos, ela é insuportável e é Hayley Squires. Ela é a última a usar o vestido. Divertido ele ser tão expert em conserto de máquina de lavar roupas que é procurado para falar dos defeitos que ela fala infinitamente e todos entram em transe, o filme é bem engraçado. E os abusos trabalhistas também aparecem. Ele é pressionado pelos mesmos chefes da outra história, mas agora a queixa é que ele foi denunciado por uma vizinha porque estava consertando a própria máquina de lavar roupa, que é proibido.
Beijos,
Pedrita

sábado, 19 de setembro de 2026

Apenas um Olhar

Assisti a série Apenas um Olhar (2025) na Netflix. Desde que vi uma série baseada no livro de Harlan Coben, a Netflix me indica outras regularmente. Resolvi ver essa polonesa. É boa! 
 
A série começa com um casal lindo, na praia, com filhos mais lindos ainda. Harmoniosos, felizes, parceiros, dá gosto de ver o amor da família toda. Ela é a incrível Maria Debska. Ela vai buscar as fotos reveladas e junto vem uma foto antiga. O marido vê, pega a foto e desaparece.

A protagonista tem uma amnésia muito providencial. Ela seria a única sobrevivente de um incêndio em uma casa de shows na juventude. E ela não lembra de nada. É comum amnésia temporária após um trauma, um acidente, mas não dura décadas. E claro que oportunistamente ela vai lembrando um pouco durante a trama. É isso que não gosto desse autor, ele ajusta a trama falsamente segundo os seus interesses, mas eu gostei da série. O incêndio na boate, as inúmeras mortes, me lembrou o horror da Boate Kiss.
Nós acompanhamos o que aconteceu com o marido de Cesary Lukaszewicz. Ele foi sequestrado por um homem violentíssimo, interpretado por um ator muito conhecido, Miroslaw Haniszewisk. A cena do marido na plantação, fugindo, é bem sofrível também, não dá pra conceber alguém tão burro. Novamente a trama se ajeitando pra favorecer a continuidade.
Os dois policiais são atores conhecidos também Magdalena Osinska e Miroslaw Kropielnick. Um fator interessante tem a ver com a foto que colocam pra aquela família ver. Um pai desesperado pra saber da morte da filha, coloca muitas pessoas em risco e provoca muitos assassinatos. Em vez de procurar autoridades pra investigar.

O final também foi bem providencial. O marido estava muito envolvido no crime na juventude e continuava com os benefícios dos crimes. Não sei se o livro escolheu esse resultado, mas na série simplifica bem as questões éticas. Com a morte dele, a família feliz que continuaria, não precisaria o desconforto de fingir que nada tinha acontecido no passado e seguir adiante como se nada tivesse acontecido.
Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O Alecrim e o Sonho

Assisti O Alecrim e o Sonho (2022) de Valério Fonseca na PrimeVideo. Desconhecia por completo esse filme. Achei por um acaso. Amei esse pôster, é lindo, mesmo eu não sendo fã de passarinho na gaiola. É lindo e poético demais! Daqueles que quero indicar pra todo mundo!
 
Vicente é um professor aposentado e mora sozinho em um apartamento confortável, mas simples, no bairro de Alecrim, em Natal. Fernando Teixeira arrasa, que ator. O filme é ele, fiquei muito impactada. A filha e a neta mal o veem. Ele vai visitar a filha, uma vez ela não está, na segunda vemos ele sozinho em uma sala moderna, em um apartamento de dois andares. E depois no Natal elas o visitam. Mal convivem com ele. É de cortar o coração.
São as pessoas próximas que convivem com ele. A diarista que vem a cada 15 dias com a maravilhosa Vadinéia Soriano. A trama dela é muito impactante e triste. O porteiro de Zé Maria e sua família.

O animador de uma loja. É nessa loja que vemos a passagem do tempo. Alguns sonhos são com a maravilhosa Zezita Matos e compreendemos que é a esposa falecida.
E um senhor que vende algo em uma embalagem prateada que eu não sei do que se trata. Eles tomam café juntos, jogam dominó, é uma graça. Ele foi interpretado pelo Baixinho do Pandeiro. O protagonista é um homem muito generoso e afetivo. Stepan Nercessian faz uma participação.

Um funcionário do mercadinho e padaria é muito violento com o Vicente. Os abusos são frequentes e revoltantes.  O ator é Enio Cavalcante.
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Três Pratos De Trigo Para Três Palhaces Tristes

Assisti a peça Três Pratos de Trigo para Três Palhaces Tristes da Trupe Tópatu no Teatro Commune. Foi a abertura do projeto Escola em Cena que leva alunos de vários bairros de São Paulo para ver os espetáculos e conversar com equipe e atores ao final sobre as impressões da peça. 

Tinham duas turmas de duas escolas diferentes. Eu estava perto de uma turma muito animada e interativa. Uma graça como participaram. E eu amei o espetáculo. São palhaços melancólicos, com uma vida pra lá de difícil. O engraçado é que o espetáculo não tem diálogos e nos esquecemos rapidamente disso. A criançada ama porque eles são muito engraçados, mas eu fiquei impactada pela precarização do trabalho deles.

Fotos de Gustavo Zanetti

Nós acompanhamos os bastidores desses artistas, a coxia, o dia a dia. Muito engraçado uma criança pequena entender rapidamente que o palco nós não vemos, é como se esperássemos na coxia o final do espetáculo do grupo. E eles sempre voltam cada vez mais destruídos, tem pouco o que comer. Achei genial essa questão do trabalho, um tema tão atual. Vive-se com muito pouco, trabalha-se muito, é desrespeitado enquanto atua, que espetáculo inteligente.
A direção impecável é de Gabriel Bodstein. No elenco os incríveis Bruno Garbuio, Dani Busatto e Marcel Fatibello.
O projeto Escola em Cena vai apresentar 14 espetáculos diferentes e levar escolas pra assistir. A programação é intensa e variada. Sempre grátis e tem ingressos ao público.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O Homem que Sussurra

Assisti O Homem que Sussurra (2026) de James Aschcrof na Netflix. Mesmo com as críticas negativas queria ver porque gosto muito do elenco. Gostei muito do filme. Foi uma grata surpresa! É um bom filme do gênero de serial killer. O filme é baseado no best-seller de Alex North. E não é que tem fantasminha? Porque sábado é dia de fantasminha.

Uma criança desapareceu em uma cidade e outra surge morta com características iguais a uma do passado, sendo que o serial killer está preso. Nesse período se muda para a cidade, sem saber de nada, um pai e um filho. Eles voltam para morar em uma casa do passado deles. Descobrimos que a mãe morreu, o pai é escritor e eles vão tentar recomeçar em outro lugar. O pai é o excelente Adam Scott. O garoto é uma graça e muito talentoso, Acston Luca Porto.
A investigadora é a ótima Michelle Monaghan e ela resolve procurar o investigador do caso anterior e é o incrível Robert De Niro que está aposentado e não quer participar da investigação. O filho do escritor desaparece e a investigadora descobre que ele é neto do outro investigador. Que o pai e o filho não se falam mais há muitos anos e que o investigador nem conheceu a nora e o neto. Achei muito interessante essa não relação. Foi algo que me agradou muito no filme. Um grande investigador ser um péssimo pai e avô. Os diálogos dos dois são muito tensos. Acho que foi o que mais gostei no filme.
Mas tem outras questões muito interessantes. Um colecionador de objetos macabros de crimes (Hamish Linklater) é cínico com a investigadora, se acha superior. Até que se descobre que ele conseguiu falar com o serial killer na prisão na busca por objetos daqueles crimes e aceita o pedido do serial killer em troca da informação dos objetos e com isso desencadeia a retomada dos crimes. Ele assustado disse que nunca imaginava que os crimes poderiam voltar. É a irresponsabilidade de pessoas que para atender seus desejos pessoais e mesquinhos, ultrapassam fronteiras que jamais deveriam ser ultrapassadas. E é algo que acontece muito nos dias de hoje. Como se a responsabilidade não fosse da pessoa e sim do outro. 
Michael Keaton é o serial killer do passado. O final é bem chocante.
Beijos,
Pedrita