
Assisti
Estamira (2006) de
Marcos Prado no
Canal Brasil. Esse documentário premiadíssimo mostra um pouco da vida de
Estamira, uma senhora com problemas mentais. Eu achei muito interessante que apesar dela viver no lixão, dormir lá algumas vezes, ela tem uma casa muito asseada, anda sempre vestida com dignidade. Ela tem vários filhos, alguns têm dificuldade de aceitar as loucuras da mãe. Para nós que estamos de fora não parece muito complicado compreender e aceitar essa mulher e o seu universo próprio. Ela guarda com cuidado a carteirinha com os retornos ao posto de saúde, que faz regularmente e toma regularmente os remédios. Mais equilibrada e lúcida que muitos. Quem convive com ela deve ser mais difícil respeitar as escolhas dela, mas no lixão ela tem amigos, um grupo ao qual pertence, se sente incluída, já que muitos lá tem perturbações parecidas com as dela.

São muito impressio-nantes as cenas no lixão. A formação dos gases e a com-preensão de Estamira sobre essas questões. Claro que em vários momentos ela parece mais lúcida que todos nós, mas um dos filhos, que mostrou fotos da Estamira jovem com marido e filhos, disse que a Estamira foi muito religiosa. Portanto é possível perceber no discurso da Estamira os sermões que religiosos fazem, principalmente aqueles que não sabem muito bem o que dizem, mas que utilizam palavras de efeito, trechos da Bíblia para parecer que é algo realmente profundo.
Alguns dos prêmios que Estamira ganhou foram: Melhor Documentário - Júri Oficial no Festival do Rio, Melhor Documentário na Mostra Internacional de São Paulo, Menção Especial no Festival de Londres, Melhor Documentário no Festival de Karlovy Vary, Grande Prêmio do FIDMarseille, no Festival Internacional do Documentário de Marseille, Melhor Filme - FIPRESCI, no Festival de Viena, 3º Prêmio Coral de Documentário e o prêmio de Melhor Documentário em Memória a Pablo de la Torriente Brau, no Festival de Havana, Grande Prêmio de Cinema de Direitos Humanos de Nuremberg, Prêmio SIGNIS de Melhor Documenário, no 18º Reencontro de Cinema Latino-Americano de Toulouse.
Beijos,
Pedrita