Assisti Photocopier (2021) de Wregas Bhanuteja na Netflix. Li que esse filme vinha impactando e estou em estado de choque até agora.
Photocopier mostra uma Indonésia bem diferente dos filmes de terror que costumo ver do país. É uma Indonésia realista e machista. A protagonista tem um pai austero. A família tem uma loja de comidas e o pai quer que a filha pare de estudar e ajude a mãe. Ela tenta bolsa de estudos para conseguir continuar a universidade. Para ganhar algum dinheiro ela faz site para um grupo de teatro que tem apoio da faculdade.
Ela vai em uma festa do teatro, o pai diz para ela não beber e realmente ela não aceita, mas aí forçam um brinde, depois uma brincadeira e ela acorda bêbada no outro dia em casa sem lembrar de nada. No dia seguinte ela vai apresentar o projeto para a banca para conseguir a bolsa de estudos e é humilhada pelos homens decisores. Tinham fotos dela bêbada nas redes sociais. Ela diz que não sabia das fotos, que não lembra da festa. Excelente aluna, trabalhando, é julgada por uma única festa mesmo ela dizendo que não lembra de nada. O pai pra ajudar a expulsa de casa.
Ela começa a investigar. O tempo todo ficam desacreditando-a. Ela leva as denúncias para o código de ética da universidade que vaza as informações. Ninguém é protetor. Excelente a protagonista, Shenina Cinnamon. Que filme impressionante!
Assisti Eu Vejo Você Ontem (20219) de Stefon Briston na Netflix. Eu procurava filmes de ficção científica e resolvi ver esse. Que grata surpresa! Que filme lindo! O produtor é o Spike Lee. A importância de investir em bons projetos. Esse filme era um curta e virou um excelente longa.
Os dois protagonistas são lindos e carismáticos: Eden Duncan-Smith e Dante Crichlow. O roteiro é muito bom e muito bem construído. Os dois tem até o final da semana para concluir um projeto da feira de ciências. Eles desenvolvem uma máquina do tempo e são gênios. Se tiverem um bom resultado na feira de ciências vão ingressar em boas universidades.
Em um determinado momento eles querem algo específico e a jovem lembra de um colega (Jonathan Nieves) que desenvolveu um projeto que pode complementar o deles. Muito bom mostrar o quanto esse incentivo a criação promove a interação de vários alunos onde os projetos se complementam. O quanto investir em estudo, ciências, matemática gera ótimos frutos. Claro, o filme vai bem, mas bem longe na ficção científica, mas sim, projetos, pesquisa e ciência são fundamentais para a nossa sociedade.
Infelizmente o filme é bem triste e fala de muitas questões sociais, violência policial, muito atual e muito próximo do que temos no Brasil. Outros do elenco são: Astro, Khail Bryant, Wavyy Jones e Myra Lucrecia Taylor.
Terminei de ler A Casa na Rua Mango (1984) de Sandra Cisneros da Dublinense. Eu quis ler esse livro desde que vi essa capa, eu amo capas coloridas, amei o título do livro. Fiquei muito feliz que entrou nos livros em promoção na última Feira de Livros da USP que foi virtual novamente. É uma bela edição de Luísa Zardo.
O marcador de livros é de colagem que ganhei em uma troca faz tempo.
O lenço eu comprei na rua 25 de março com o 007.
Obra Susan, Aarti, Keerthana e Princesa, domingo no Brooklin (2018) de Aliza Nisenbaum
A Casa na Rua Mango conta a história de Esperanza que mora em Chicago. Ela detesta o nome dela, eu acho tão lindo. Esperanza nasceu nos Estados Unidos, mas tem origem mexicana, hábitos mexicanos e cara mexicana. O livro traz pinceladas da vida de Esperanza na infância, do bairro, dos seus vizinhos, como as histórias que contamos aos amigos sobre algum detalhe de alguém que mora perto da gente, mas sem falarmos muito daquelas pessoas.
Obra Retrato de uma Madona Negra (1987) de Benny Andrews
Esperanza tem amigas diversas, de culturas diversas. Ela fala das dificuldades no bairro, dos costumes, dos hábitos na escola. É muito delicado e bonito!
Assisti Yaga. Koshmar tyomnogo lesa (2020) de Svyatoslav Podgaevskiy no TelecinePlay. No Brasil está como Baba Yaga. Fui até pesquisar sobre Yaga, é uma personagem do folclore eslavo, incorporado depois na cultura russa.
Eu cheguei a achar que era a história de uma baba e realmente uma família contrata uma babá, mas a trama da Yaga é muito complexa e incrível, me surpreendi com um excelente roteiro e filme. Yaga desaparecia com as crianças e os pais esqueciam de sua existência.
Uma família realmente contrata uma babá e eu achei que a trama ia ficar nessa casa com a babá tocando o terror, mas não. O garoto (Oleg Chugnov) perdeu a mãe e tem um irmão da madrasta. A família não tem uma boa relação.
O garoto conhece uma jovem (Glafira Golubeva) que tem uma relação conturbada com a mãe autoritária. Na floresta eles acham uma caldeira e outro rapaz fala que pessoas eram queimadas lá dentro. Eles começam a investigar. O apagamento das crianças é muito interessante. Enquanto os pais lembrarem dos filhos há chance deles voltarem, se esquecerem vão desaparecer pra sempre. Yaga desaparece com as lembranças de todos.
Assisti a novela Nos Tempos do Imperador (2021-2022) de Thereza Falcão e Alessandro Marson na TV Globo. Após o sucesso de Novo Mundo, a emissora programou a continuação, agora contando parte da história de Dom Pedro II. A novela começou a ser gravada antes da pandemia. Parada por um bom tempo e depois retomada com várias restrições e protocolos. Selton Mello emocionou como Dom Pedro II, culto, ponderado. Letícia Sabatella arrasou como a imperatriz Teresa Cristina. Conhecia pouco da história dela, muito devota, culta, colecionadora, diplomática, era adorada pelo povo. Há pouco tempo localizaram cartas sobre o romance do monarca com a Condessa de Barral interpretada por Mariana Ximenez.
A novela reconstituiu a Pequena África onde viviam negros libertos ou cativos. O casal líder foi interpretado pelos maravilhosos Dani Ornellas e Rogério Britto. Triste demais a história do casal Mari Sheila e Alan Rocha. Eles desaparecem e Mãe Cândida tem uma visão deles mortos. Dom Lú era muito amigo de Dom Pedro II e sua visão pacifista incomodava. Ele perdoava muito os horrores da realeza com os escravizados, mas era implacável com os seus.
Eu adorava alguns casais como Lupita (Roberta Rodrigues) e Batista (Ernanin Moraes). A trama da Lupita não teve final em represálias às denúncias de racismo nas gravações. A trama da Lupita tinha erros graves, ela era cativa porque o seu "dono" não a vendia, mas ela tinha cativas. Sim, mulheres negras libertas costumavam ter cativas, mas Lupita não era liberta, então suas cativas eram na verdade de seu "dono". O mesmo caso do imóvel que Lupita herda, era do seu "dono". Tudo o que os cativos ganhavam eram dos seus "proprietários". Por uma gama de erros na novela, vários mostrando o branco salvador, a trama contratou uma consultoria para regravar cenas e mudar contextos, mas alguns erros passaram.
Foi uma grata surpresa o casal Dolores e Nélio interpretados brilhantemente por Daphne Bozaski e João Pedro Zappa. Linda também a transformação da personagem da Paula Cohen.
Quando achávamos que já tínhamos um casal preferido eis que surge Clemência e Vitória. Uma esposa e mãe do dono do casino e a outra uma arqueóloga. Maria Clara Gueiros e Dani Barros arrasaram, que lindo o amor delas.
O casal protagonista foi interpretado pelos belos Gabriela MedvedovskiMichel Gomes. Ela tornou-se a primeira médica do Brasil, na época as faculdades não aceitavam mulheres, então ela estudou nos Estados Unidos. Samuel tornou-se engenheiro. Teve a Guerra do Paraguai e surgiu a figura histórica da Ana Neri (Cyria Coentro), enfermeira. Adorava os atores que interpretaram Solano Lopez, Roberto Birindelli e sua amada Lana Rhodes.
O elenco era bem extenso. As princesas adultas foram interpretadas por Giulia Gayoso e Bruna Griphão. Seus cônjuges por Daniel Torres e Gil Coelho. Eu não me incomodo muito com licenças poéticas em novelas, mas Nos Tempos do Imperador passou um pouco da conta nas liberdades nos personagens históricos, principalmente com excesso de textos de amor romântico não praticado na época. Dom Pedro II não era abolicionista e a Princesa Isabel não era tão inoperante, entre outras alterações. O Barão de Mauá foi interpretado por Charles Fricks e José de Alencar por Alcemar Vieira. Ainda no elenco estavam: Augusto Madeira, Bel Kutner, José Dumont, Heslaine Vieira, Gabriel Fuentes, Alexandre Nero, Maicon Rodrigues, Cinnara Leal, Lu Grimaldi, Raffaeli Casuccio e Jackson Antunes. Apareceram brevemente da novela anterior: Viviane Pasmanter, Guilherme Piva e Ingrid Guimarães.
Há algumas obras que tentam diminuir as lacunas da história do Brasil. Eu li alguns, comprei mais um recentemente e quero ler das cartas entre o imperador e a condessa. Vou colocar as postagens aqui de alguns que li:
No final a novela fez uma linda homenagem ao Museu Nacional que pegou fogo em 2018. Selton Mello, como professor nos dias de hoje, conta que Dom Pedro II nasceu na Quinta da Boa Vista que depois transformou-se no Museu Nacional. Lá uniram seus acervos, já que Teresa Cristina era uma grande colecionadora e igualmente Dom Pedro II. O professor lembrou que no incêndio 85% do acervo se perdeu e que atualmente o museu tenta se reconstruir com a ajuda de alguns empresários, mas que continua precisando de ajuda para poder ser restaurado.