Assisti ao Beleza Fatal Especial (2025) na HBOMax. Tenho adorado que o streaming tem ficado mais flexível em seus produtos. Adorei a ideia desse especial com entrevistas, lembranças, nos preparando pra 2ª temporada. Eu amei Beleza Fatal e foi uma delícia relembrar e saber curiosidades dos bastidores.
A edição foi ótima. Alternando imagens da novela com a do especial. As protagonistas chegando na bela mansão. Camila Queiroz gravidíssima, o bebê já nasceu. Como foi a escolha do Lolokito. Todos falaram que sabiam que o texto era bom, que ia agradar, mas que não tinham ideia que iria viralizar. O especial mostrou vários memes divertidos.
O autor também falou sobre o projeto. Adoro os textos do Raphael Montes. Ele contou que queria decidir qual seria o universo de Beleza Fatal. Ele pensou em rural, urbano, restaurante, empresa, até que viu um comercial e decidiu pela mundo da estética, mais atual impossível. Foi incrível falar desse exagero estético dos dias de hoje. Ele também decidiu fazer o contraponto entre médicos e profissionais de estética. Ele falou que também se surpreenderam com os memes. Que às vezes achavam que algo ia lacrar, mas de repente virava meme algo completamente imprevisível.
Amora Mautner falou da parceria que tem com o Raphael.
Juntaram a mesa alguns do elenco pra lembrar grandes momentos. Camila Pitanga lembrou do meme gay, que foi um da técnica que começou a dançar e falar gay, gay, gay, que ela copiou e virou um sucesso. Foi engraçado Inez Stockler e Marcelo Serrado falarem das seringas. Eles mostraram que é retrátil, em vez de entrar na pele, entra pra dentro da seringa. Os que não puderam participar do especial enviaram vídeos. Deu muita saudade. E o especial deu certo porque a série voltou a figurar entre as mais vistas. Ansiosa pela próxima temporada.
Fui na Mostra Território Semear da Cia Quatro Ventos no Espaço CoCriar na Cidade Tiradentes.
Primeiro o grupo fez a Chegança do Boi
Ventania. Eu adoro eventos em bairros quando acontece a chamada do público local. Elas tocaram e cantaram nas ruas pra chamar para o evento no espaço. Lá contaram a linda história do Boi, fiquei encantada. Todo cheio de simbologias.
A Cia Quatro Ventos comemora 15 anos de existência e é uma coletiva de mulheres. Há um ano elas tem o Espaço Cocriar que agora ganhou um teatro. Esse lindo pano de cena elas que fizeram. A criação foi de Lua Porto.
No teatro elas contaram duas histórias, a de Oyá e a Nanana Bo SeleSele. Lindas! Fiquei eufórica que vi que elas iam contar a história que tem o elefante. Eu tinha visto uma foto de uma apresentação delas nesse ano com o elefante e queria muito conhecer. Fiquei feliz demais! Ah, mas o elefante é mal! Que dó! Por sorte a mãe das meninas é uma grande guerreira e liberta sua filha dele. Queria trazer o elefante pra casa.
Os eventos foram gratuitos. Hoje tem mais e é só chegar.
Terminei de ler Boulder (2020) de Eva Baltasar da Dublinense. Desde o ano passado queria ler, mas a Dublinense não leva lançamentos na Festa do Livro da USP, que eu acho justo. Então transferi os lançamentos pra comprar esse ano e corri pra ler esse. É uma bela edição com ilustração e capa de Luisa Zardo. É um livro muito lindo!
O marcador de livros é em papel com flores em papel em relevo.
Obra de Isabel Bacardi
Começa com a protagonista e narradora em um navio, ela é cozinheira. Em uma das paradas ela conhece Samsa. Ela avisa Samsa sempre quando vai parar novamente e se reencontram. Até que Samsa diz que arrumou um emprego e que não virá mais.
Obra Piscina de Jade Marra
A cozinheira resolve ir junto. Elas vivem anos juntas, mas quem decide as regras é Samsa e percebemos o incômodo da cozinheira. Samsa adora receber, encher a casa e é a cozinheira que fica na cozinha preparando tudo. Samsa é muito bem sucedida profissionalmente e elas tem uma vida bem confortável. É Samsa que resolve ter um filho, é muito bem detalhado o processo de inseminação, com um realismo que desconcerta.
Obra Mama Bush: One of a Kind Two (2009) de Mickalene Thomas
Samsa começa a excluir a companheira do convívio, é muito triste. É um livro muito realista e triste!
Assisti Sonhos de Trem (2025) de Clint Blently na Netflix. Esse filme vem sendo muito elogiado, mas não é muito do gênero que gosto. É daqueles filmes que assim que começam você já sabe que algo terrível vai acontecer. É baseado no livro de Denis Johnson.
O protagonista de Joel Edgerton é um lenhador. Ele corta árvores, que dá um dó danado, pra construir pontes, ferrovias. As locações são belíssimas e foram no estado de Washington. Tem sempre muita natureza. O filme é muito contemplativo e bonito. A fotografia é belíssima e foi feita pelo brasileiro Adolpho Veloso que vem ganhando prêmios como Globo de Ouro de Melhor Fotografia.
Ele conhece a personagem de Felicity Jones, constroem uma bela casa com vista para o lago e tem uma linda filha. Alguns outros do elenco são Alfred Hsing, William H. Macy, John Diehl, Kerry Condon e Johnny Arnoux. Não sei se foi erro na legenda, mas o texto escrito diz que o personagem morreu em 1968, mas quando ele visita a cidade ele vê em uma TV o homem na lua que foi em 1969.
Assisti a série Angela Diniz (2025) de Andrucha Waddington na HBOMax. Eu queria muito ver. Reluto muito em ver histórias baseadas em casos reais de violência. O que mais me assusta nessa história, é que as pessoas tem sempre uma frase na ponta da língua depreciativa sobre a Ângela Diniz, mas nunca sobre o seu algoz. Tanto tempo passou e as pessoas ainda acham que mulheres devem morrer só porque não se gosta dela.
Infelizmente a série não contextualizou a época. A década de 70 era do amor livre e muitos aderiram. Época do movimento hippie. Como hoje no discurso sobre a monogamia. Sim, como hoje há muitos casais tradicionais, mas era um movimento bem expressivo a liberdade e ao amor livre. Ângela Diniz era só mais uma pessoa que abraçou o amor livre. Ela e o grupo da elite carioca que ela se inseriu. A roteirista é Elena Soárez.
O que me assustou é que Ângela Diniz casou aos 17 anos com um homem de 31 anos. Ela e seu marido eram da alta sociedade. Sim, é difícil proibir adolescentes, mas sendo ainda menor de idade, a família ao menos poderia ter pedido que ela esperasse ter 18 anos para casar. De qualquer forma, ela parece que casou por amor, foi feliz por 9 anos e tiveram 3 filhos. A série não sei porque resolveu fazer Ângela ter uma única filha o que muda demais o contexto. Eles foram casados por 9 anos, então ela tinha somente 26 anos quando se separou.
Ângela se separou e foi viver na efervescência carioca. Onde se praticava o amor livre e a alta sociedade vivia intensamente em festas regadas a whisky e cocaína. Ângela bebia vodca. Ela tem um romance com Ibrahim Suede que era casado. Ângela era daquelas amigas que sempre queremos ter, parceira, solidária, enfrentava tudo para defender quem amava. Marjorie Estiano está maravilhosa. Ibrahim é o Thiago Lacerda. Suas melhores amigas são interpretadas por Camila Màrdilla e Renata Gaspar. No elenco ainda aparecem Yara de Novaes, Daniela Galli, Thelmo Fernandes, Pedro Nercessian, Joaquim Lopes e Emilio de Mello. A série é muito bem realizada, belíssima fotografia, incrível reconstituição de época.
É por Ibrahim que Ângela conhece Doca Street interpretado brilhantemente por Emílio Dantas. Ela e Suede viajam para São Paulo, para a fazenda da família Scarpa. Ângela e Doca tem uma paixão avassaladora. A série também não fala muito de Doca. Ele teve filhos, um com Adelita Scarpa. Também não fala muito da vida profissional dele. O que achei na internet é que ele trabalhava na empresa da família Scarpa após o casamento. Ele era um bon vivant, vivia sempre do dinheiro da mulher que estava. E passou a viver as custas da Ângela. Doca era viciado em cocaína e bebia muito whisky. Quando ele alugou a casa na Praia dos Ossos em Búzios eu achei que ele tinha algum dinheiro, até que mostra na série ele pedindo pra Ângela assinar o cheque do aluguel. Não só ele não tinha dinheiro, como ele gastava o dinheiro dos outros como se fosse dele e depois pedia pra pagar. Ele fazia e depois pedia pra pagar. Assustador. Também não sabia que o romance foi relâmpago de apenas 4 meses e sempre tumultuado. Ele sabia que Ângela era uma mulher livre, mas só queria controla-la. Quando ela o manda embora, cansada dos ataques de ciúmes. Ele vai embora, mas volta e dá quatro tiros na cabeça dela que estava sozinha.
Quem defendeu Doca foi um ex-juiz Evandro Lins e Silva. interpretado por Antonio Fagundes. O último episódio é praticamente o primeiro julgamento. O segundo, após a pressão popular com o slogan Quem Ama Não Mata fica praticamente de coadjuvante. Não mostraram a força das mulheres, nem parte do segundo julgamento. É tudo muito rápido. Deram mais visibilidade ao algoz. Achei que diluíram a força da Ângela Diniz ao final. No primeiro Doca, réu confesso, foi julgado em Cabo Frio. O ex-juiz fez Doca manipular a imprensa com entrevistas chorosas, de bom moço, da mulher doidivanas que era Ângela, mulher que ele mal conhecia. E a população caiu, alguns até hoje. Como se deixam manipular. Com a pressão feminina, ele foi condenado a regime fechado, mas cumpriu mesmo só uns 3 anos. A justiça no Brasil não é igual para todos.