sexta-feira, 2 de maio de 2008

MSTesão

Assisti a peça MSTesão de Aimar Labaki no Sesc Consolação. Era em uma sala pequena no terceiro andar. Gostei muito! Texto instigante e complexo! Além da direção, Aimar Labaki assina a concepção e escreveu o texto. A peça aborda várias questões: exposição de imagem, culto ao corpo, desejo de ser celebridade, prostituição, opções sexuais, sem terra, miséria, preconceito. Bom, preconceito parece pautar a peça, cada qual com sua visão fechada e cega defende suas posições e levanta questionamentos sobre vários temas. Há também uma projeção de imagens que se mistura aos personagens.

Em um estúdio fotográfico um integrante do movimento dos sem terra vai tirar fotos nu. Ele precisa de dinheiro para o plantio, já que ganharam a terra e essa foi a forma que ele encontrou, já que o governo não enviou os créditos para o plantio como prometeu. A peça então aborda várias questões como o fato de ser mais fácil conseguir verba entrando no mundo das celebridades, mesmo que instantânea, do que através do trabalho e do agribusiness. Gostei demais do rapaz, a direção na interpretação dele também foi muito boa. Ele é um jovem ator interpretado por Murillo Carraro e alterna mostrando claramente a fragilidade de suas convicções juvenis. Inicialmente é um rapaz que tenta se mostrar corajoso e que assinou tirar foto nu, mas é contrário a esse tipo de trabalho. Quando seu pai chega ele se mostra um menino mimado e medroso. Quando uma mulher aparece, ele passa a defender o pai e por último mostra que deseja as fotos e que tem um narcisismo latente, muito bom!

Gosto muito do Augusto Pompeo que fez o fotógrafo. Eu jamais esqueço sua interpretação na peça Comédia dos Erros. Os outros dois do elenco são Mario Cesar Camargo e Luciana Domschke. Só me incomodei com a arma. Eu tenho uma dificuldade de lidar com violência em eventos culturais. Ficava o tempo todo pensando que era uma arma de brinquedo, mas em um espaço pequeno, volte e meia apontada para a platéia, achava que não ia conseguir ficar e ia acabar saindo. Por sorte resisti bravamente.
A peça já saiu de cartaz, mas como aqui volte e meia comentam sobre os altos custos dos ingressos em peças de teatro, essa custava apenas R$ 10,00.

Eu não lembro qual era a música do Chico Buarque que toca no início da peça, vou colocar essa para ilustrar musicalmente o post.


Música do post: Chico Buarque - Até o Fim




Beijos, Pedrita

3 comentários:

  1. Adorei os temas abordados na peça. Espero ter a oportunidade de ver.

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  2. Parece ser muito interessante! E o nome da peça é hilário também...

    Cheers!

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  3. camila, acho que vai gostar.

    rodrigo, a explicação do nome no meio da peça é melhor ainda :)

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