quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Assisti No (2012) de Pablo Larraín no Telecine Cult. Desde que vi o comercial no canal queria ver esse filme, faz tempo, mas só agora consegui. É muito bom. No começo causa um certo estranhamento, mas o roteiro e o desenvolvimento são bons, então gostei muito. E também pelo fato de contar um pouco de história.

O país é o Chile na Ditadura de Pinochet. O mundo pressiona o fim da ditadura. Para fingir que não há ditadura no Chile eles criam um plebiscito em 1988, sim pela ditadura e Pinochet e não pelo fim do sistema e eleições livres. Os chilenos não acreditam no plebiscito então as pesquisas mostram que mais de 74% não vão votar. Para fingir uma democracia o governo permite 15 minutos de campanha para cada lado. Um grupo resolve então contratar um grande publicitário para fazer a campanha e é interpretado pelo Gael Garcia Bernal.

Ele se depara então com vídeos arcaicos, dramáticos. É difícil convencer o grupo que algo alegre irá motivar todos a irem às urnas. O tema é alegria, o logotipo é um arco-íris e eles vencem o plebiscito. Também os vídeos não podem ser censurados, os 15 minutos diários são muito importantes. Eles ficam na dúvida se a ditadura vai forjar os resultados, mas a visibilidade, as filas, chamam a atenção da imprensa internacional e fica impossível negar que o Não venceu. Gostei muito! Além de um filme político importantíssimo sobre a liberdade, é uma aula de marketing. Alguns outros do elenco são: Alfredo Castro, Luis Gnecco, Néstor Cantillana, Marcial Tagle e Antonia Zegers. O diretor Pablo Larraín ganhou prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes por esse filme e prêmio do júri na Mostra Internacional de Cinema.
Vídeos da campanha do No.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Borboletas Negras

Assisti Borboletas Negras (2011) de Paula Van Der Oest no Max. A sinopse é bem moralista, mas o filme é belíssimo. É baseado na história da poeta sul-africana Ingrid Joker (1933-1965) que nunca tinha ouvido falar. Em vários momentos são falados textos de seus poemas, maravilhosos. Belíssima a atriz que faz a poeta, Carice Van Houter. A diretora e a atriz são holandesas.

As locações são belíssimas. Essa poeta era filha de um austero censor. Um pai que fez de tudo para discipliná-la como se fazia antigamente, cruelmente. A poeta se torna então uma pessoa insegura, frágil e carente. Tenta buscar no afeto um pouco de aconchego. E os textos maravilhosos. É um escritor e amigo, que se une a outro amigo que vão buscar os textos quando ela é internada em um manicômio. Ela foi internada duas vezes em hospícios. Eles pegam os poemas, batem à máquina, editam. Acaba sendo publicado e ela ganha um prêmio. Nelson Mandela leu um de seus poemas em um de seus discursos, é o poema que está abaixo.

No elenco estão: Liam Cunningham,  Rutger Hauer, Candice D´Arcy, Nicholas Pauling e Graham Clarke. Borboletas Negras ganhou vários prêmios como Melhor Filme, Melhor Direção no Festival da Holanda.

Achei essa foto e o poema no blog Meu Biquini de Bolinha que falou desse filme. Não conhecia esse blog.

Poema de Ingrid Joker:

The child is not dead 
The child lifts his fists against his mother 
Who shouts Afrika ! shouts the breath 
Of freedom and the veld 
In the locations of the cordoned heart 


The child lifts his fists against his father 

in the march of the generations 

who shouts Afrika ! shout the breath 
of righteousness and blood 
in the streets of his embattled pride 



The child is not dead not at Langa nor at Nyanga 

not at Orlando nor at Sharpeville 

nor at the police station at Philippi 
where he lies with a bullet through his brain 



The child is the dark shadow of the soldiers 

on guard with rifles Saracens and batons 

the child is present at all assemblies and law-givings 
the child peers through the windows of houses and into the hearts of mothers 
this child who just wanted to play in the sun at Nyanga is everywhere 
the child grown to a man treks through all Africa 



the child grown into a giant journeys through the whole world 

Without a pass







Beijos,
Pedrita

sábado, 4 de janeiro de 2014

O Tempo e o Vento

Assisti O Tempo e o Vento (2012) de Jayme Monjardim na TV Globo. Eu estava com um pé atrás de ver esse filme desde que vi as chamadas na televisão. Parecia uma adaptação da minissérie e não do livro do Érico Veríssimo. E realmente tinha razão, é uma atualização da minissérie. Como ficou em filme e na televisão ficou transformada em três pequenos capítulos, a trama ficou muito atropelada.

O roteiro ficou todo embolado, eu mesma que li recentemente o livro e tinha visto a minissérie em 2010 tinha que quebrar a cabeça para lembrar da genealogia dos personagens. As paisagens eram lindas, mas a limpeza excessiva foi demais. Na época da Ana Terra tudo era limpo demais, dentes muito brancos, roupas limpas. Mas o que mais me incomodou mesmo foi o gloss na personagem da Ana Terra e na do filho, a sombra dourada e o rímel da Ana Terra. Também me incomodou na atualização óbvia da minissérie. Foi Glória Pires que interpretou a Ana Terra, pensaram então na filha, na Cléo Pires, mas eu particularmente preferiria outra atriz já que a Cléo Pires tem várias interferências estéticas atuais que não combinavam com a vida rústica daquele tempo. Ainda me incomodou o lado indígena da Ana Terra, quando quem é o índio é o seu amado. Gostei de ter trechos das missões.

Outro ator que lembra muito o Tarcísio Meira é o Thiago Lacerda. Ele estava bem como o Capitão Rodrigo, mas acho que o diretor quis homenagear o Tarcísio Meira e fez o Thiago Lacerda imitar exatamente os gestos do Tarcísio Meira. Ficou esquisito. O elenco é excelente, linda a Marjorie Estiano como a Bibiana. Fernanda Montenegro faz a Bibiana idosa. Estão no elenco ótimos atores: Leonardo Medeiros, Luiz Carlos Vasconcelos, Paulo Goulart, Mayana Moura, Marat Descartes, José de Abreu, César Trancoso e Vanessa Lóes. Outros do elenco são Rafael Tombini, Ígor Rickli e Rafael Cardoso. Apesar de gostar de quadrinhos, não me identifiquei com a abertura melodramática. O melodrama foi o tom de O Tempo e o Vento, como tudo tinha que ser corrido e em pequenas pinceladas, só as cenas dramáticas tinham mais lágrimas, dramalhão e tempo.
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A Última Crônica

Assisti ao curta A Última Crônica (2007) de Jorge Monclar no Canal Brasil. Gostei muito! É inspirado em um conto do Fernando Sabino. Um jornalista interpretado pelo André Gonçalves anda pela cidade falando ao celular. Ele nada vê, tudo acontece em volta e ele nada vê. Até que ele entra em um bar e vê uma família, um casal e duas filhas, comemorando o aniversário da menina com uma única Coca-Cola e um bolo individual. A mãe é interpretada pela Roberta Rodrigues e o pai pelo André Ramiro. O garçom é interpretado pelo Marcello Gonçalves. É muito bonitinho o curta.
 
Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Próxima Vítima

Assisti A Próxima Vítima (1983) de João Batista de Andrade no Curta!. O canal está fazendo uma homenagem a esse cineasta passando vários de seus filmes. Quis muito ver esse e adorei. O roteiro é de Lauro César Muniz. É um filme policial sobre um assassino em série de prostitutas. Antônio Fagundes faz um jornalista de matérias eleitorais, mas é afastado para cobrir esse caso. O policial que cuida do caso é interpretado pelo Othon Bastos.

A Próxima Vítima é um filme muito político. É época de eleições, em uma época que o Brasil ainda acreditava no PT. A polícia precisa então achar um culpado e escolhem um negro que frequenta a casa das prostitutas e já tem ficha policial, interpretado pelo Aldo Bueno que ganhou APCA e Kikito no Festival de Gramado de Melhor Ator Coadjuvante. O personagem do Antônio Fagundes tenta investigar também e se afeiçoa a prostituta interpretada pela Mayara Magri, ela interpreta uma menina de 15 anos, é a estreia da atriz no cinema e ganhou APCA de Melhor Atriz Coadjuvante. O jornalista namora outra jornalista interpretada pela Louise Cardoso.

João Acaiabe ganhou prêmio de Melhor Ator Coadjuvante pela APCA. Ele interpreta o irmão do personagem do Aldo Bueno. Esthér Goes faz a ex-mulher do jornalista. O elenco estrelado continua: Gianfrancesco Guarnieri, Walter Breda, Denise Del Vecchio, Celso Frateschi, Ednor Messias e Zé Carlos Machado.
Beijos,
Pedrita